30 Sep, 2020 Última Actualização 3:53 PM, 30 Sep, 2020

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Joaquim Machado

 

É com orgulho que Joaquim Machado assume ter nascido na freguesia de Santa Cristina de Longos, no concelho de Guimarães, corria o ano 1954. Foi criado nesta aldeia até aos seus 12 anos, altura em que a família se muda para uma freguesia vizinha: São Lourenço de Sande, onde hoje Joaquim tem casa. Recorda que foram tempos duros, tendo começado a trabalhar desde muito novo. Foi também neste período que aprendeu a trabalhar à mão, sendo hoje a sua profissão de vocação e paixão carpinteiro e marceneiro. A ambição fê-lo emigrar para França, onde se instalou no departamento 92 e esteve um mês a estagiar. “Na altura faziam-se estágios de profissão e depois, em função do resultado, era atribuído um preço horário e o local para onde se ia trabalhar, fosse para as obras, oficina, ou outros locais. Eu fui trabalhar para um atelier”, conta. Algum tempo depois, decidiu enveredar pelo sector da construção, para conhecer um pouco esse mercado e ganhar mais dinheiro. Já depois de casar, trabalhou durante três anos como técnico comercial onde fazia a instalação de máquinas e assistência técnica aos clientes, sempre ligado ao sector das madeiras. Depois, mudou para uma empresa onde passou a ter funções comerciais, tendo clientes em todo o território francês. “Os meus clientes eram as grandes carpintarias e marcenarias, mas fiquei cansado de fazer muitos quilómetros e resolvi criar a minha própria empresa”. Depois de alguma prospeção de mercado, constatou que havia uma oportunidade na venda de móveis. “Criei os Móveis Franco-Portugueses, mas posteriormente alterei o nome para Móveis Elmo, para não limitar os clientes à nacionalidade portuguesa”. Ser correcto, cumpridor, trabalhador e respeitador foram as missivas da suas vida. Gostava de ter estado mais envolvido no meio associativo, mas a sua profissão e o facto de ter lojas abertas ao público, não lhe permitem ter muito tempo disponível. Ainda assim, faz parte da Academia do Bacalhau de Paris. Assume que ser português, para si, é um orgulho. “Ser português é ser uma pessoa trabalhadora, respeitada e respeitadora, como a imagem que temos em França”. Aos portugueses, deseja que tudo corra bem, sobretudo aos emigrantes que cá estão. Não devemos ter vergonha de ser portugueses, nunca farei isso. Aliás, os meus filhos e os meus netos falam português, é uma forma de impor a nossa cultura”.

 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Francisco da Cunha

 

É natural das Caldas da Rainha, onde passou uma infância que apelida de agradável, tendo sido um bom período da sua vida. Saiu da terra com 16 anos, mas lá viveu momentos muito agradáveis. Francisco Barros da Cunha Leal chegou a França em Setembro de 1967, embalado pela situação de instabilidade política dos anos 60 em Portugal. Começou por trabalhar numa farmácia, mas rapidamente encontrou emprego na área para a qual tinha alguma formação: electricidade na área da construção civil. “Comecei num atelier a preparar material das obras, mas também passei pelas obras”. Depois, Francisco da Cunha foi técnico de estudos numa empresa de instalações eléctricas. Aí encontrou um futuro sócio, com o qual trabalhou durante dez anos, até à criação da sua própria empresa, a ALPHA TP, em 1983. Hoje em dia, a ALPHA TP, com o estatuto de sociedade cooperativa trabalha no ramo das infra-estruturas: estradas, aterros, saneamento, iluminação pública, redes eléctricas. Francisco diz que não gosta de ser “um trabalhador solitário” e considera-se uma pessoa perseverante naquilo que faz. Nunca teve um grande sonho para a sua vida, apesar de sempre querer estar bem na vida. A felicidade para si, é o suficiente. “Se recomeçasse a minha vida agora, seria pouca coisa que mudaria”. Admite que tem receio, de uma certa forma, de não vir a ter tempo na sua vida para realizar todos os sonhos que tem, pois sente que ainda tem muito a fazer, seja a nível profissional e pessoal. Existem determinados valores que, para si, um ser humano não pode abdicar. “Honestidade, amor aos outros, sinceridade, trabalho. Não podemos escapar a isso. Com isso não há razões para ser infeliz na vida”.  Assim que chegou a França, integrou as primeiras equipas de futebol portuguesas, equipa que viria a designar-se Lusitanos de Saint-Maur, onde lá permaneceu durante 25 anos. Agora faz parte da direcção do Créteil Lusitanos e é compadre da Academia do Bacalhau de Paris. “Para mim ser português é dignificante. Ainda hoje, Portugal está a ser citado com muito relevo por todas as comunidades europeias e mundiais. É um gosto e prazer ser português. Estou há mais de 50 anos em França e só continuo a ter nacionalidade portuguesa”. Por isso, deseja que todos os portugueses sejam felizes e que consigam realizar os seus sonhos, “assim como eu conseguir realizar alguns dos meus”.

 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Daniel Peixoto

 

Daniel Peixoto nasceu em França, mas o sangue que lhe corre é bem português: a mãe é natural da Póvoa de Varzim e o pai de Guimarães. Nasceu em 1989 em Tremblay-en-France, e as melhores recordações que tem da infância são das idas ao rancho, onde começou a participar com apenas cinco anos de idade. “A maior parte dos amigos que tinha eram de lá e eram bons momentos. Encontrava-se muitas pessoas e passava-se muitos momentos de convívio”. Estudou electricidade, mas os seus pais sempre foram a favor de continuar os estudos, o que levou a tirar uma especialização em ar condicionado. Trabalhou durante 12 anos para uma empresa enquanto engenheiro comercial em ar condicionado. Em 2019, decidiu parar esta actividade com o objectivo de montar o seu próprio negócio. “Quero, acima de tudo, que seja uma paixão. Não quero encarar como um trabalho e uma obrigação, quero ter prazer no que vou fazer diariamente”.

A sua ligação à comunidade portuguesa sempre foi forte pela pertença ao rancho, onde chegou a ensaiador com 19 anos e a presidente do grupo com 23 anos de idade, um dos mais jovens a consegui-lo. Sempre ajudou portugueses através da associação, em todos os aspectos que fossem necessários. “O rancho não servir apenas para dançar, era para ajudar”. Sonha, um dia, poder vir a abrir uma ONG para conseguir ajudar os mais idosos. “Quero contribuir ainda mais para o mundo”. Daniel Peixoto assenta a sua vida na justiça e na igualdade. “No mundo somos todos iguais, não há um melhor que o outro. Para além disso, há que respeitar os outros. Foi sempre isso que os meus pais me ensinaram”. Não nasceu em Portugal, mas isso não faz de Daniel menos português. “Adoro o povo português, sempre gostei da sua mentalidade, e adoro Portugal. Nas férias, quando passava a fronteira, chorava, sempre tive amor por Portugal, desde pequeno. Nasci em França, mas antes de tudo os meus pais são portugueses e o meu sangue é português”. Aos portugueses, Daniel Peixoto deseja muito amor e “que fiquem unidos porque o povo português sempre foi um povo alegre, que gosta de fazer festa, e devem manter-se para ir para a frente, ajudando-se uns aos outros”.

 

 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Fernando Leça

 

Fernando Vasco Leça nasceu em França, é lusodescendente, mas o sangue que lhe corre é bem português. Foi na cidade de Suresnes, bem nos arredores de Paris que nasceu, corria o ano 1981, mas o que mais gosta de recordar da sua infância é as idas a Portugal nas férias de Agosto. Aqui sentia-se bem, pois sentia que em França não era fácil ser filho de emigrantes. Estudou até aos 24 anos, tendo completado o 12º ano na área comercial. Durante a sua formação já trabalhava na área da pintura, para conseguir ir juntando algum dinheiro. Ainda avançou para o BTS - Brevet de Technicien Supérieur, mas decidiu interromper e ir para Portugal. “Sempre foi o meu desejo, quando terminasse o 12º ano, ir para Portugal e gozar um pouco de Portugal”. Foi nesse período, que estando em Bragança, localidade dos seus pais, conheceu a sua esposa. Ao fim de nove meses regressou a França, impulsionando pela esposa que lhe deu “um grande apoio e puxou pelas minhas ambições profissionais. Fiz então um BTS na área da decoração de interiores”.

Trabalhou mais de nove anos para um empreiteiro, executando a função de pintor, mas os anos foram passando e sentiu que tinha de avançar para o seu próprio projecto, criando assim a sua empresa de construção. Ainda jovem, queria apenas aproveitar a vida e ser uma “rockstar”, mas o crescimento e a visão do seu antigo patrão fizeram-no reflectir sobre a vida e querer ser o seu próprio patrão. Hoje, sonha com um regresso, no futuro, a Portugal.
Apesar das dificuldades, orgulha-se da educação transmitida pelos seus pais, baseada no amor à família e no trabalho, sempre bem feito. Aos pais, deixa um agradecimento. Para si, ser português e lusodescendente é um orgulho. Sente um choque de nacionalidade, pois sente que nem é português em Portugal nem francês em França, mas nunca se cansa de reclamar a sua nacionalidade, seja onde for. A todos os portugueses, lusodescendentes e emigrantes transmite uma mensagem de orgulho pelo que todos são. “Ainda há trabalho a fazer para continuarmos a ser portugueses de valor. Sou nomeado, mas para mim não sou eu que tenho de ser nomeado, é toda a comunidade portuguesa no estrangeiro que reivindica os valores de Portugal”.

 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Salomé Dias

 

Salomé Dias é natural de um meio com raízes piscatórias, na Póvoa de Varzim, distrito do Porto. Da infância recorda, com um brilho nos olhos, os tempos de escola, altura em que andava com os livros na mão, e ainda sublinha um momento especial. "Ter um irmão aos 11 anos também se tornou numa experiência enriquecedora", refere. Salomé viveu em solo português até completar 26 anos e é nessa altura que abraça um novo desafio. "Acompanhada com a minha filha mais velha partimos à descoberta de um novo país e uma nova cultura", realça. Ainda adolescente, lembra-se de querer ser advogada, mas o pai não a apoiou na decisão, optando por se formar em Neurofisiologia e o seu primeiro contacto com o mundo profissional foi numa clinica, a Clipóvoa. A experiência foi enriquecedora e, por isso, na bagagem que levou para a capital inglesa havia a vontade em exercer uma função na acção médica. A realidade não foi a esperada, mas a vontade em superar adversidades venceu qualquer obstáculo que se avizinhasse. "Quando aqui cheguei tinha o aluguer da casa para pagar e a filha de seis anos para criar, e então não pude prosseguir a minha vocação. A primeira porta que se abriu foi na indústria da limpeza", afirma. Salomé deu cartas no papel que desempenhou e hoje desempenha, nada mais, nada menos do que uma posição de chefia, no Palácio de Buckingham.

Na residência oficial da Família Real Britânica, um dos pontos turísticos de maior importância na Inglaterra, Salomé conheceu o seu marido, de quem tem uma filha. Para além de ser uma profissional de referência, Salomé mostrou além-fronteiras o que é ser português. "No meu local de trabalho sou a única portuguesa a ocupar uma posição de alto nível", constata. Eternamente ligada à realidade britânica, a portuguesa sente-se bem no Reino Unido, mas não esquece as suas origens. "Temos pessoas inglesas, no Palácio de Buckingham, a pronunciar algumas palavras portuguesas", confessa. Salomé Dias faz do amor pelo próximo a sua máxima diária. “Eu procuro no meu dia-a-dia fazer algo por alguém, mesmo que seja um pequeno gesto. Isso, faz-me sentir realizada como pessoa. O outro valor que me guia sempre é a honestidade, por mais difícil que a verdade seja, ela deve prevalecer. É isso que eu tento transmitir às minhas filhas, que mais vale dizer a verdade do que a mentira. E não esquecer que é preciso lutar para atingir os nossos objectivos, até porque quando alcançamos esse objectivo, o valorizamos mais. Se há algo que me caracteriza muito é que eu luto, os ingleses dizem que eu sou starborn.” Poveira de gema, e sobretudo, portuguesa de coração, Salomé Dias considera Portugal "um país lindo, com um clima maravilhoso e uma gastronomia que nos mantém robustos".

Salomé apela a todos os portugueses que sigam o exemplo do nosso Chefe de Estado e que consigam transparecer uma maior cumplicidade. “Para mim ser portuguesa é ser humanitária, lutadora e ter orgulho de quem sou. Eu gosto de dizer que sou portuguesa, porque para mim isso é motivo de grande orgulho. Serei sempre portuguesa, esteja onde estiver. No dia em que eu partir, a minha família já sabe para onde eu quero ir, porque lá comecei e é lá que quero terminar”. Salomé Dias não esquece também o seu lado solidário, apoiando a Liga Portuguesa Contra o Cancro e a Liga Contra o Cancro em Inglaterra. “As doenças não têm nacionalidade. Também contribuo para crianças órfãs, porque é um assunto que me toca bastante. E estou ligada à Academia de Bacalhau de Londres”. A mensagem que deixa a todos os portugueses é de paz e esperança. “Nós passamos por momentos difíceis, mas há algo que nos caracteriza como portugueses, o nosso lado lutador. Somos um povo com muita fé. Não devemos ter rivalidades, mas celebrar cada vez que o nosso amigo/vizinho teve sucesso em algo. Hoje sou eu a celebrar por ele, amanhã serão eles a celebrar por mim. Vamos basear-nos no grande exemplo que o nosso Presidente Marcelo nos dá, e vamos estar presentes quando mais necessitam de nós.”

 

 

 

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