27 Feb, 2020 Última Actualização 10:04 AM, 27 Feb, 2020

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Horácio Miranda

 

A aldeia de Serapicos, concelho de Bragança, viu nascer Horácio Miranda a 22 de Fevereiro de 1976. Foi sempre um dos melhores alunos e sonhou até ser médico, desfrutando de uma infância cheia de coisas boas, própria de família numerosa de oito irmãos, mas vê subitamente pairar sobre si, nuvens negras, no dia em que perdeu a mãe, perdendo também a vontade de sonhar. Progressivamente foi ultrapassando a tristeza e ultrapassada a mágoa, deu a volta à adversidade, mantendo-se focado nos estudos, que eram suportados por trabalho em França durante as férias escolares, a forma encontrada e bem demonstrativa do empenho e aplicação de Horácio. O destino fez com que conheça a mulher da sua vida, Sandra Miranda. E o amor tudo mudou. Horácio com 19 anos, e Sandra com apenas 17, decidem rumar definitivamente a França. Já instalados e ambos a trabalhar começam a pensar no alargar da família numa casa construída para garantir conforto aos rebentos de um amor forte e cúmplice. O primeiro filho nasce após um ano a viverem neste país, o segundo surge três anos mais tarde e estes belos rapazes vêm a família crescer com a chegada, desta vez, de uma menina. A vida foi sempre a rumar em frente, e já por conta própria torna-se empreendedor na construção de casas, projecto iniciado com três colaboradores, foi progredindo naturalmente ao ponto de, actualmente, serem já mais de 30 pessoas que estão envolvidas directa e indirectamente em construções modernas, alicerçadas no aproveitamento energético, pois corre nas veias a vontade de procurar mais e melhor. Não baixar os braços e sabermos batalhar por nós próprios, faz com que havendo honestidade e empenho tudo se alcança na vida. 
 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Julieta Alves

 

Julieta dos Anjos Alves nasceu a 13 de Maio de 1953 na aldeia de Pinela, concelho de Bragança. Recorda-se bem, e com saudade, da sua infância. “Não éramos ricos, mas a tínhamos um bocadinho de tudo. Tenho imagens de brincar, de andar sempre na rua, não era como nas grandes cidades. Foi uma infância de participar um pouco em tudo o que se passava na aldeia. Fazíamos jogos na rua, brincava com vizinhos”, lembra. Completou a quarta classe e começou a trabalhar em Bragança, tomando conta de uma criança e posteriormente de uma pessoa idosa. Apenas regressou a casa na altura em que a mãe tivera mais um filho, ajudando nessa missão, mas começando também a trabalhar na plantação de lúpulo. Actividade que durou até aos 17 anos, altura em que, como tantas outras raparigas de Pinela, saiu da aldeia para emigrar para França. Aproveitou o dia de festa na aldeia, em pleno mês de Agosto, para que ninguém desconfiasse, para fugir para território francês. Em França, trabalhou como empregada de casa, indo ao longo do tempo melhorando as suas condições de trabalho sempre que mudava de local de emprego. Em determinada altura, o marido ficou sem trabalho e decidiram abrir uma empresa de limpeza, área que o marido tinha formação. “Aprendeu a trabalhar com produtos de limpeza profissionais. Começamos em 1983, e nunca fizemos publicidade, foi um trabalho porta a porta”. Anos mais tarde, a família decide regressar a Portugal, à sua terra natal: Pinela. Foi nesta altura que Julieta Alves investiu na sua paixão pelo barro. Não trabalhava no barro mas, na sua meninice e juventude, acompanhava vizinhos e familiares na arte da olaria, observava com interesse e conta que o barro sempre fez parte da sua essência. Por isso, quando regressou à terra, já mulher madura, decidiu recuperar aquela arte entretanto perdida. Diz que trabalha por amor e com paixão, pelo barro. Hoje, é a única artesã que faz louça de Pinela. Ao longo da sua vida, deu valor à família, trabalho e saúde. “A partir daí, o resto vem tudo por acréscimo”.
 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Francisco da Cunha

 

É natural das Caldas da Rainha, onde passou uma infância que apelida de agradável, tendo sido um bom período da sua vida. Saiu da terra com 16 anos, mas lá viveu momentos muito agradáveis. Francisco Barros da Cunha Leal chegou a França em Setembro de 1967, embalado pela situação de instabilidade política dos anos 60 em Portugal. Começou por trabalhar numa farmácia, mas rapidamente encontrou emprego na área para a qual tinha alguma formação: electricidade na área da construção civil. “Comecei num atelier a preparar material das obras, mas também passei pelas obras”. Depois, Francisco da Cunha foi técnico de estudos numa empresa de instalações eléctricas. Aí encontrou um futuro sócio, com o qual trabalhou durante dez anos, até à criação da sua própria empresa, a ALPHA TP, em 1983. Hoje em dia, a ALPHA TP, com o estatuto de sociedade cooperativa trabalha no ramo das infra-estruturas: estradas, aterros, saneamento, iluminação pública, redes eléctricas. Francisco diz que não gosta de ser “um trabalhador solitário” e considera-se uma pessoa perseverante naquilo que faz. Nunca teve um grande sonho para a sua vida, apesar de sempre querer estar bem na vida. A felicidade para si, é o suficiente. “Se recomeçasse a minha vida agora, seria pouca coisa que mudaria”. Admite que tem receio, de uma certa forma, de não vir a ter tempo na sua vida para realizar todos os sonhos que tem, pois sente que ainda tem muito a fazer, seja a nível profissional e pessoal. Existem determinados valores que, para si, um ser humano não pode abdicar. “Honestidade, amor aos outros, sinceridade, trabalho. Não podemos escapar a isso. Com isso não há razões para ser infeliz na vida”.  Assim que chegou a França, integrou as primeiras equipas de futebol portuguesas, equipa que viria a designar-se Lusitanos de Saint-Maur, onde lá permaneceu durante 25 anos. Agora faz parte da direcção do Créteil Lusitanos e é compadre da Academia do Bacalhau de Paris. “Para mim ser português é dignificante. Ainda hoje, Portugal está a ser citado com muito relevo por todas as comunidades europeias e mundiais. É um gosto e prazer ser português. Estou há mais de 50 anos em França e só continuo a ter nacionalidade portuguesa”. Por isso, deseja que todos os portugueses sejam felizes e que consigam realizar os seus sonhos, “assim como eu conseguir realizar alguns dos meus”.

 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Joaquim Machado

 

É com orgulho que Joaquim Machado assume ter nascido na freguesia de Santa Cristina de Longos, no concelho de Guimarães, corria o ano 1954. Foi criado nesta aldeia até aos seus 12 anos, altura em que a família se muda para uma freguesia vizinha: São Lourenço de Sande, onde hoje Joaquim tem casa. Recorda que foram tempos duros, tendo começado a trabalhar desde muito novo. Foi também neste período que aprendeu a trabalhar à mão, sendo hoje a sua profissão de vocação e paixão carpinteiro e marceneiro. A ambição fê-lo emigrar para França, onde se instalou no departamento 92 e esteve um mês a estagiar. “Na altura faziam-se estágios de profissão e depois, em função do resultado, era atribuído um preço horário e o local para onde se ia trabalhar, fosse para as obras, oficina, ou outros locais. Eu fui trabalhar para um atelier”, conta. Algum tempo depois, decidiu enveredar pelo sector da construção, para conhecer um pouco esse mercado e ganhar mais dinheiro. Já depois de casar, trabalhou durante três anos como técnico comercial onde fazia a instalação de máquinas e assistência técnica aos clientes, sempre ligado ao sector das madeiras. Depois, mudou para uma empresa onde passou a ter funções comerciais, tendo clientes em todo o território francês. “Os meus clientes eram as grandes carpintarias e marcenarias, mas fiquei cansado de fazer muitos quilómetros e resolvi criar a minha própria empresa”. Depois de alguma prospeção de mercado, constatou que havia uma oportunidade na venda de móveis. “Criei os Móveis Franco-Portugueses, mas posteriormente alterei o nome para Móveis Elmo, para não limitar os clientes à nacionalidade portuguesa”. Ser correcto, cumpridor, trabalhador e respeitador foram as missivas da suas vida. Gostava de ter estado mais envolvido no meio associativo, mas a sua profissão e o facto de ter lojas abertas ao público, não lhe permitem ter muito tempo disponível. Ainda assim, faz parte da Academia do Bacalhau de Paris. Assume que ser português, para si, é um orgulho. “Ser português é ser uma pessoa trabalhadora, respeitada e respeitadora, como a imagem que temos em França”. Aos portugueses, deseja que tudo corra bem, sobretudo aos emigrantes que cá estão. Não devemos ter vergonha de ser portugueses, nunca farei isso. Aliás, os meus filhos e os meus netos falam português, é uma forma de impor a nossa cultura”.

 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Fernando Leça

 

Fernando Vasco Leça nasceu em França, é lusodescendente, mas o sangue que lhe corre é bem português. Foi na cidade de Suresnes, bem nos arredores de Paris que nasceu, corria o ano 1981, mas o que mais gosta de recordar da sua infância é as idas a Portugal nas férias de Agosto. Aqui sentia-se bem, pois sentia que em França não era fácil ser filho de emigrantes. Estudou até aos 24 anos, tendo completado o 12º ano na área comercial. Durante a sua formação já trabalhava na área da pintura, para conseguir ir juntando algum dinheiro. Ainda avançou para o BTS - Brevet de Technicien Supérieur, mas decidiu interromper e ir para Portugal. “Sempre foi o meu desejo, quando terminasse o 12º ano, ir para Portugal e gozar um pouco de Portugal”. Foi nesse período, que estando em Bragança, localidade dos seus pais, conheceu a sua esposa. Ao fim de nove meses regressou a França, impulsionando pela esposa que lhe deu “um grande apoio e puxou pelas minhas ambições profissionais. Fiz então um BTS na área da decoração de interiores”.

Trabalhou mais de nove anos para um empreiteiro, executando a função de pintor, mas os anos foram passando e sentiu que tinha de avançar para o seu próprio projecto, criando assim a sua empresa de construção. Ainda jovem, queria apenas aproveitar a vida e ser uma “rockstar”, mas o crescimento e a visão do seu antigo patrão fizeram-no reflectir sobre a vida e querer ser o seu próprio patrão. Hoje, sonha com um regresso, no futuro, a Portugal.
Apesar das dificuldades, orgulha-se da educação transmitida pelos seus pais, baseada no amor à família e no trabalho, sempre bem feito. Aos pais, deixa um agradecimento. Para si, ser português e lusodescendente é um orgulho. Sente um choque de nacionalidade, pois sente que nem é português em Portugal nem francês em França, mas nunca se cansa de reclamar a sua nacionalidade, seja onde for. A todos os portugueses, lusodescendentes e emigrantes transmite uma mensagem de orgulho pelo que todos são. “Ainda há trabalho a fazer para continuarmos a ser portugueses de valor. Sou nomeado, mas para mim não sou eu que tenho de ser nomeado, é toda a comunidade portuguesa no estrangeiro que reivindica os valores de Portugal”.