22 Oct, 2020 Última Actualização 9:36 AM, 21 Oct, 2020

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Teresa Coelho

 

Teresa Coelho é nazarena, nasceu e cresceu apreciando as ondas da Nazaré, frequenta a lota "desde pequenina" e durante o seu percurso profissional esteve sempre ligada ao mar, somando um currículo extenso nesta área. Aos 18 anos deixou a sua terra natal e licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Durante dois anos esteve em Paris, onde alcançou o diploma de Francês e Civilização Francesa na Universidade de Sorbonne em 2004 e um ano depois concluiu o Mestrado em Gestão de Recursos Humanos na Escola Superior de Gestão de Paris (Paris Graduate School of Management). Teresa Coelho confessa que esta passagem pela capital francesa foi "muito enriquecedora" e ainda hoje recorda o ambiente vivido nas aulas. "O facto de ter estado em Paris tornou-me mais pragmática", diz-nos. "Ainda por cima, na turma onde eu estava, haviam sobretudo franceses, mas depois havia uma inglesa, um espanhol, uma venezuelana também, portanto, o convívio com as diferentes culturas foi muito enriquecedor", sublinha. Teresa Coelho foi sozinha com o marido até França e o filho do casal acabou por nascer em Paris. De regresso a Lisboa, deu os primeiros passos de um longo caminho "ligado às pescas" e viu que "Portugal tem um mar de oportunidades". É quadro superior da Docapesca há vários anos e já passou por muitos gabinetes governamentais, tendo desempenhado funções de subdirectora-geral das Pescas e Aquicultura e representado Portugal em várias instâncias internacionais. Em 2016, depois de ter sido chefe do gabinete do Secretário de Estado das Pescas e da Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, foi convidada pelos próprios para ser Presidente do Conselho de Administração da Docapesca. Desde 23 de maio de 2016 que Teresa Coelho desempenha essas funções e acompanha a promoção do sector das pescas em Portugal. "Efectivamente, a Docapesca é uma empresa que tem vindo a acompanhar o sector e a acompanhar os diferentes agentes económicos nas feiras internacionais. Tem conseguido promover o sector das pescas, tem conseguido promover Portugal como o melhor peixe do mundo e, portanto, acho que tem desempenhado um papel fundamental", diz-nos. Teresa Coelho já foi autarca, já fez parte de associações de bombeiros e de vários grupos desportivos, mas olhando para trás, reconhece que o factor mais enriquecedor da sua carreira foi "o convívio com as gentes dos mar". "É um convívio diferente, mas a boa relação que nós conseguimos ter, o facto de conseguirmos estar junto dos pescadores e conseguir-lhes explicar às vezes mensagens que são difíceis de passar tendo uma relação de proximidade com eles, é o objectivo da minha actividade profissional que mais me enriquece. Eu quero estar próxima das comunidades piscatórias", afirma. Viaja muito pelo mundo, adorou viver em Paris, mas confessa que quando está fora, tem sempre "saudades de Portugal". "Paris é uma cidade magnífica e se tivesse que voltar a sair, ia para lá, mas a luz de Lisboa, a luz do nosso país não há no resto do mundo. Eu acho que não há luz igual à nossa".
 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Aires Mendes de Abreu

 

Aires cresceu e foi educado no distrito de Leiria, em Pombal. O pai já era emigrante em França e estava com ele apenas nas férias. Na bagagem trazia a saudade e algumas prendas que ainda hoje recorda com um sorriso. "Uma vez ele levou-me duas bicicletas dentro do comboio para me dar de prenda. Naquele tempo eram poucos os que tinham uma bicicleta em Portugal. Eu já emprestava e alugava as bicicletas quando era pequenito", conta. Previa-se assim um jeito para o negócio que, mais tarde, veio mesmo a confirmar-se. Aires seguiu os passos do pai assim que conseguiu. Via nele uma inspiração e procurou ser sempre "bem alinhado" como ele desejava. Em 1971, com apenas 17 anos, partiu para França e, apesar da tenra idade, começou logo a trabalhar na construção. "Cheguei a um domingo, no fim de Agosto, e comecei a trabalhar logo na segunda. Já tinha arranjado trabalho nas obras. A primeira coisa que eu aprendi a fazer foi a colocar azulejo", recorda. Durante alguns anos, ainda trabalhou num restaurante nos arredores de Paris, mas não foi na restauração que se lançou melhor por conta própria. Na França começou a construir casas e criou os pilares para uma empresa e família sólida. Aires formou uma equipa com a esposa. Juntos, encontraram a táctica certa e criaram a sociedade "ArchiBat". "Como a minha mulher era arquitecta e eu já percebia de construção, foi só avançar. A minha esposa fazia o projecto, eu construía e vendia as casas depois de já estarem feitas. Nunca trabalhava para particulares", recorda. Manuela idealizava, ele executava. "A minha esposa tinha uma arquitectura fora do normal, muito trabalhosa, mas muito bonita no final". Mais tarde, aventuraram-se na construção de prédios e procuraram deixar uma marca bem portuguesa no primeiro trabalho. A residência Magellan foi baptizada pelo emigrante e é uma homenagem ao célebre navegador português Fernão de Magalhães. "Eu gosto de ser português a 100%. Os nossos navegadores foram fortes e descobriram muitas coisas, mas nós também fomos fortes e viemos construir uma boa parte da França". Já emigrou há 45 anos, mas continua a ajudar freguesias e associações do concelho de origem, em Pombal. "Não posso ir a Portugal sem ir à minha terra. Fiz isso uma vez e fiquei doente", confessa. Apesar de ainda ter vários prédios alugados e novas construções no horizonte, encerrou a empresa há alguns anos. Neste momento, dedica-se ao golfe e é um grande coleccionador de carros antigos. As colecções, tal como os sonhos, não param de crescer e confessa que gostava de ter até um museu no Algarve. Com mais de 60 anos garante, que é um homem feliz e termina a conversa lembrando: "tive sorte talvez, mas também a procurei".
 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Horácio Miranda

 

A aldeia de Serapicos, concelho de Bragança, viu nascer Horácio Miranda a 22 de Fevereiro de 1976. Foi sempre um dos melhores alunos e sonhou até ser médico, desfrutando de uma infância cheia de coisas boas, própria de família numerosa de oito irmãos, mas vê subitamente pairar sobre si, nuvens negras, no dia em que perdeu a mãe, perdendo também a vontade de sonhar. Progressivamente foi ultrapassando a tristeza e ultrapassada a mágoa, deu a volta à adversidade, mantendo-se focado nos estudos, que eram suportados por trabalho em França durante as férias escolares, a forma encontrada e bem demonstrativa do empenho e aplicação de Horácio. O destino fez com que conheça a mulher da sua vida, Sandra Miranda. E o amor tudo mudou. Horácio com 19 anos, e Sandra com apenas 17, decidem rumar definitivamente a França. Já instalados e ambos a trabalhar começam a pensar no alargar da família numa casa construída para garantir conforto aos rebentos de um amor forte e cúmplice. O primeiro filho nasce após um ano a viverem neste país, o segundo surge três anos mais tarde e estes belos rapazes vêm a família crescer com a chegada, desta vez, de uma menina. A vida foi sempre a rumar em frente, e já por conta própria torna-se empreendedor na construção de casas, projecto iniciado com três colaboradores, foi progredindo naturalmente ao ponto de, actualmente, serem já mais de 30 pessoas que estão envolvidas directa e indirectamente em construções modernas, alicerçadas no aproveitamento energético, pois corre nas veias a vontade de procurar mais e melhor. Não baixar os braços e sabermos batalhar por nós próprios, faz com que havendo honestidade e empenho tudo se alcança na vida. 
 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Luís Neto Ferreira

 

Luís Neto Ferreira iniciou a vida profissional numa carpintaria de uma serração, aos 14 anos. Aos 18, começou a trabalhar com o pai, que era pedreiro, na construção civil. Em 1986, teve a oportunidade de vir para França e aí trabalhou durante três anos para um patrão, até começar uma sociedade de construção, a ACR – Aulnay Construction Renovation. Diz que foi “criado no trabalho” e não se arrepende de nada do que fez no seu percurso profissional, para o qual sempre despendeu a maior parte dos seus dias. Os pequenos prazeres que lhe dão mais entusiasmo na vida são os momentos em família e os convívios com os amigos. É apreciador na música de baladas calmas.
 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Julieta Alves

 

Julieta dos Anjos Alves nasceu a 13 de Maio de 1953 na aldeia de Pinela, concelho de Bragança. Recorda-se bem, e com saudade, da sua infância. “Não éramos ricos, mas a tínhamos um bocadinho de tudo. Tenho imagens de brincar, de andar sempre na rua, não era como nas grandes cidades. Foi uma infância de participar um pouco em tudo o que se passava na aldeia. Fazíamos jogos na rua, brincava com vizinhos”, lembra. Completou a quarta classe e começou a trabalhar em Bragança, tomando conta de uma criança e posteriormente de uma pessoa idosa. Apenas regressou a casa na altura em que a mãe tivera mais um filho, ajudando nessa missão, mas começando também a trabalhar na plantação de lúpulo. Actividade que durou até aos 17 anos, altura em que, como tantas outras raparigas de Pinela, saiu da aldeia para emigrar para França. Aproveitou o dia de festa na aldeia, em pleno mês de Agosto, para que ninguém desconfiasse, para fugir para território francês. Em França, trabalhou como empregada de casa, indo ao longo do tempo melhorando as suas condições de trabalho sempre que mudava de local de emprego. Em determinada altura, o marido ficou sem trabalho e decidiram abrir uma empresa de limpeza, área que o marido tinha formação. “Aprendeu a trabalhar com produtos de limpeza profissionais. Começamos em 1983, e nunca fizemos publicidade, foi um trabalho porta a porta”. Anos mais tarde, a família decide regressar a Portugal, à sua terra natal: Pinela. Foi nesta altura que Julieta Alves investiu na sua paixão pelo barro. Não trabalhava no barro mas, na sua meninice e juventude, acompanhava vizinhos e familiares na arte da olaria, observava com interesse e conta que o barro sempre fez parte da sua essência. Por isso, quando regressou à terra, já mulher madura, decidiu recuperar aquela arte entretanto perdida. Diz que trabalha por amor e com paixão, pelo barro. Hoje, é a única artesã que faz louça de Pinela. Ao longo da sua vida, deu valor à família, trabalho e saúde. “A partir daí, o resto vem tudo por acréscimo”.
 

 

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