17 Jul, 2019 Última Actualização 5:03 PM, 15 Jul, 2019

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Domingos Silva

 

 

Domingos Silva não se identifica a nenhum modelo, pretende ser um autodidacta que se formou à força de trabalho e que deve a ele próprio aquilo que é hoje. Define-se como um homem de honra e carácter e considera que o sucesso é uma questão de personalidade, sendo que uma pessoa lutadora e honesta triunfa em qualquer parte do mundo desde que esse seja o seu objectivo. Nasceu em 1948, e perdura até hoje uma memória de infância no seu coração. Com quatro anos viu o seu pai partir para Angola, momento que o marcou até hoje. “Respeito as crianças porque sei que aos três anos é possível fixar na memória as coisas que por vezes não valorizamos, mas que depois recordamos ao longo da vida”.

Domingos Silva foi para Angola com 12 anos à procura de soluções para ajudar a sua mãe., que continuava em Portugal. O seu pai adoece e, quando tinha Domingos 16 anos, acaba por falecer. Nessa altura, recebe a família em Angola, tendo de arranjar condições para os abrigar. “Fez de mim um homem consciente e capaz do dever cumprido”. Iniciou a sua actividade comercial em 1974, quando chegou de Luanda a Portugal. “Ninguém me quis dar empresa, então iniciei com louças para o lar e depois resolvi montar uma secção de móveis”.

Instalado em Viana do Castelo, actua no sector imobiliário e decoração desde 1974. Sempre trabalhou com o mercado da emigração que considera ser desde o início a chave do seu sucesso. Para além desse mercado da emigração, a sua empresa vai hoje à procura de novos mercados, estando presente em Angola e Paris. Está consciente de que o seu ramo, imobiliário e decoração, está saturado neste momento para a população que existe em Portugal, e explica que o que vai funcionando é a exportação, clientes que se dirigem às suas lojas para exportar os seus produtos.

Domingos Silva tinha o sonho de ser mecânico de aviões, “para poder criar e descobrir como é que os aviões se deslocam”, ainda assim sente-se um homem realizado. Tem sido com humildade e honra que tem conduzido a sua vida, valores que assume serem imprescindíveis para sobreviver em qualquer parte do mundo, em qualquer altura da vida. O empresário de Viana do Castelo faz ainda parte da Academia do Bacalhau do Minho. Domingos Silva acha que os portugueses são muito patriotas, que são pessoas ambiciosas, honradas e trabalhadoras, sempre muito bem vistas em qualquer parte do mundo. Que devem continuar a labutar onde quer que estejam para conseguirem os seus objectivos.

Nomeada Portugueses de Valor 2019: Cidália Lourenço

 

 

Cidália Lourenço nasceu em Faro, corria o ano de 1966. São muitas e boas as recordações que tem da infância, passada ainda em Portugal. Desde os 3 anos que os pais a deixaram a morar com os avós, e por isso cresceu no campo, junto dos animais. “Os meus avós eram pessoas que trabalhavam no campo e tenho recordações fantásticas desses tempos. Lembro-me de ir para a escola de bicicleta, de passar nas ruas pequenas, pelos campos. Todos os alunos estavam na mesma turma. Recordo-me de festas antigas, de tradições”. Cidália chegou a França com 10 anos, altura em que os pais decidiram levá-la para junto da família. Tinha terminado em Portugal a 4ª classe, mas em França continuou os seus estudos. Teve na mente a ideia de seguir Medicina, apesar de sempre ter manifestado gosto pelas línguas. “Quando chegou o momento de me inscrever em Medicina, vi que eram muitos anos de estudos, tive medo de não chegar até ao fim e dedica inscrever-me em Comércio Internacional”.

Começou por trabalhar numa empresa do ramo dos brinquedos, pois precisavam de alguém que falasse correctamente italiano, como era o seu caso. Trabalhou aí vários anos, entrou com centrais de compras, como o Carrefour e o Leclerc, a negociar e a criar coleções. Ao fim de oito anos foi contactada para entrar na área da decoração de jardins e aí trabalhou muito com Portugal, comprando muita cerâmica para jardim. “Isto foi há 20 anos atrás, e comecei a ir para a China, mercado que conheço muito bem, estive praticamente um ano lá a morar, e importo imensa mercadoria da China”. Há 10 anos, Cidália Lourenço criou a sua própria empresa, no ramo do jardim e decoração de interiores, e hoje trabalha praticamente com todas as cadeias de compras francesas. Para além disso, tem também uma empresa sediada em Hong Kong, na China.

Cidália revela que o seu sonho é regressar e viver em Portugal, gerindo as suas empresas através da sua pátria. Valoriza o respeito pelos outros, colocando a família em primeiro lugar, assim como as pessoas com quem trabalha ou que a acompanham de alguma forma. “Isso sempre me trouxe muito sucesso porque sou reconhecida no mercado como uma pessoa íntegra e de palavra”. Ajuda crianças na China, através de uma associação de um amigo francês, onde constroem escolas em aldeias muito recuadas. “Tenho dado apoio nesse sentido, pois é um país no qual eu vou muito e ao qual eu devo muito. Eu também conheço a pessoa, sei para onde vão os fundos e fiz isto de forma totalmente privada e não através da minha empresa”. Cidália tem muita honra em ser portuguesa. Embora seja casada com um português nascido em França, nunca optou pela nacionalidade francesa. “Considero-me patriota quando vejo a bandeira portuguesa, quando oiço o hino nacional, quando ouço falar português”.

Para terminar, Cidália deixa uma mensagem de incentivo a todos os portugueses: “temos de ter um sonho e tentar alcançá-lo, mas sempre respeitando aqueles que nos acompanham, que estão ao nosso lado e nos ajudam. Eu, sendo portuguesa, vivendo em Paris, achei sempre que era importante saber onde nós nascemos e quem nós somos. É importante nunca esquecer que somos portugueses”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Francisco Teixeira

 

 

Francisco Teixeira nasce a 3 de agosto de 1966, em Celorico de Basto, localidade essa que ainda hoje não abdica de visitar pelo menos uma vez por ano, salientando a sua forte ligação às suas origens. Contrariando a vontade do pai, optou por não continuar os estudos, tendo acompanhado o seu progenitor até França. Emigrou com 15 anos, iniciando-se logo de seguida no sector da construção civil. O infortúnio de um acidente de trabalho, faz com que decida criar a sua própria empresa, pois viu-se na impossibilidade de continuar a executar as funções exercidas até então. Passaram-se já mais de 10 anos e a empresa de Francisco Teixeira foi prosperando, continuando a laborar em território francês na construção e renovação de habitações.

Tem permanecido fortemente ligado à comunidade portuguesa e refere a importância desta aproximação, pois é o elo que permite com que a mesma, seja cada vez mais, uma referência de negócio, bem patenteada na qualidade dos trabalhos realizados. As recordações que tem de Portugal são as saudades da sua infância, e salienta a sua paixão por visitar anualmente a terra que o viu nascer, pois “as nossas raízes carregamo-las desde que nascemos, e por mais longe que estejamos, estarão sempre presentes em nós”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Joaquim Pereira

 

 

Foi para França em 1963 e trabalhou sempre nas obras públicas. Dirigiu uma empresa durante 33 anos cuja actividade terminou em 2011, e criou a seguir a empresa que dirige actualmente, especializada em trabalhos de demolição, terraplanagem e espaços verdes. Define-se como uma pessoa dinâmica que gosta de trabalhar, com espírito de empreendedorismo, gosto pelas relações humanas e pensa que essas são as razões do sucesso do seu percurso. Diz que os “portugueses de França” são muito trabalhadores, mas lamenta que sejam individualistas. Acha que se fossem mais unidos, teriam uma força muito maior. Verifica isso no sector da construção civil e das obras públicas onde os portugueses já representam um certo peso, mas que poderiam ter uma capacidade maior para afrontar outros mercados trabalhando de forma unida.

Sempre que é solicitado e que possa, tenta ajudar algumas instituições. Mas explica que a obra na qual mais se implicou foi, sem dúvida, a construção de uma casa para receber os pais de crianças hospitalizadas. A construção era financiada por um cliente seu mas a sua própria empresa acabou por contribuir muito para essa realização. Sente que sempre houve um certo reconhecimento por parte de Portugal pelo seu trabalho. Recorda que há uns anos atrás tinha sido convidado pelo Presidente Mário Soares aquando de uma visita a França, para participar numa reunião na presença do Presidente François Mitterrand, uma figura histórica por quem sente aliás uma certa admiração. O General de Gaulle é outro Presidente francês que também o marcou muito. Confessa que quando foi para França, cortou um pouco as relações com Portugal e que só muito mais tarde voltou a ter prazer em ir a Portugal, porque o país e as pessoas evoluíram. Hoje diz gostar muito da França, “um país magnífico onde vive há mais de meio século”, mas defende Portugal por ser o seu país natal, um país também maravilhoso com muitas coisas boas.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Luis Neto Ferreira

 

 

Luís Neto Ferreira iniciou a vida profissional numa carpintaria de uma serração, aos 14 anos. Aos 18, começou a trabalhar com o pai, que era pedreiro, na construção civil. Em 1986, teve a oportunidade de vir para França e aí trabalhou durante três anos para um patrão, até começar uma sociedade de construção, a ACR – Aulnay Construction Renovation, que ainda hoje dirige. Diz que foi “criado no trabalho” e não se arrepende de nada do que fez no seu percurso profissional, para o qual sempre despendeu a maior parte dos seus dias. Os pequenos prazeres que lhe dão mais entusiasmo na vida são os momentos em família e os convívios com os amigos. É apreciador na música de baladas calmas.