06 Aug, 2020 Última Actualização 4:37 PM, 6 Aug, 2020

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Aires Mendes de Abreu

 

Aires cresceu e foi educado no distrito de Leiria, em Pombal. O pai já era emigrante em França e estava com ele apenas nas férias. Na bagagem trazia a saudade e algumas prendas que ainda hoje recorda com um sorriso. "Uma vez ele levou-me duas bicicletas dentro do comboio para me dar de prenda. Naquele tempo eram poucos os que tinham uma bicicleta em Portugal. Eu já emprestava e alugava as bicicletas quando era pequenito", conta. Previa-se assim um jeito para o negócio que, mais tarde, veio mesmo a confirmar-se. Aires seguiu os passos do pai assim que conseguiu. Via nele uma inspiração e procurou ser sempre "bem alinhado" como ele desejava. Em 1971, com apenas 17 anos, partiu para França e, apesar da tenra idade, começou logo a trabalhar na construção. "Cheguei a um domingo, no fim de Agosto, e comecei a trabalhar logo na segunda. Já tinha arranjado trabalho nas obras. A primeira coisa que eu aprendi a fazer foi a colocar azulejo", recorda. Durante alguns anos, ainda trabalhou num restaurante nos arredores de Paris, mas não foi na restauração que se lançou melhor por conta própria. Na França começou a construir casas e criou os pilares para uma empresa e família sólida. Aires formou uma equipa com a esposa. Juntos, encontraram a táctica certa e criaram a sociedade "ArchiBat". "Como a minha mulher era arquitecta e eu já percebia de construção, foi só avançar. A minha esposa fazia o projecto, eu construía e vendia as casas depois de já estarem feitas. Nunca trabalhava para particulares", recorda. Manuela idealizava, ele executava. "A minha esposa tinha uma arquitectura fora do normal, muito trabalhosa, mas muito bonita no final". Mais tarde, aventuraram-se na construção de prédios e procuraram deixar uma marca bem portuguesa no primeiro trabalho. A residência Magellan foi baptizada pelo emigrante e é uma homenagem ao célebre navegador português Fernão de Magalhães. "Eu gosto de ser português a 100%. Os nossos navegadores foram fortes e descobriram muitas coisas, mas nós também fomos fortes e viemos construir uma boa parte da França". Já emigrou há 45 anos, mas continua a ajudar freguesias e associações do concelho de origem, em Pombal. "Não posso ir a Portugal sem ir à minha terra. Fiz isso uma vez e fiquei doente", confessa. Apesar de ainda ter vários prédios alugados e novas construções no horizonte, encerrou a empresa há alguns anos. Neste momento, dedica-se ao golfe e é um grande coleccionador de carros antigos. As colecções, tal como os sonhos, não param de crescer e confessa que gostava de ter até um museu no Algarve. Com mais de 60 anos garante, que é um homem feliz e termina a conversa lembrando: "tive sorte talvez, mas também a procurei".
 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Luís Neto Ferreira

 

Luís Neto Ferreira iniciou a vida profissional numa carpintaria de uma serração, aos 14 anos. Aos 18, começou a trabalhar com o pai, que era pedreiro, na construção civil. Em 1986, teve a oportunidade de vir para França e aí trabalhou durante três anos para um patrão, até começar uma sociedade de construção, a ACR – Aulnay Construction Renovation. Diz que foi “criado no trabalho” e não se arrepende de nada do que fez no seu percurso profissional, para o qual sempre despendeu a maior parte dos seus dias. Os pequenos prazeres que lhe dão mais entusiasmo na vida são os momentos em família e os convívios com os amigos. É apreciador na música de baladas calmas.
 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Julieta Alves

 

Julieta dos Anjos Alves nasceu a 13 de Maio de 1953 na aldeia de Pinela, concelho de Bragança. Recorda-se bem, e com saudade, da sua infância. “Não éramos ricos, mas a tínhamos um bocadinho de tudo. Tenho imagens de brincar, de andar sempre na rua, não era como nas grandes cidades. Foi uma infância de participar um pouco em tudo o que se passava na aldeia. Fazíamos jogos na rua, brincava com vizinhos”, lembra. Completou a quarta classe e começou a trabalhar em Bragança, tomando conta de uma criança e posteriormente de uma pessoa idosa. Apenas regressou a casa na altura em que a mãe tivera mais um filho, ajudando nessa missão, mas começando também a trabalhar na plantação de lúpulo. Actividade que durou até aos 17 anos, altura em que, como tantas outras raparigas de Pinela, saiu da aldeia para emigrar para França. Aproveitou o dia de festa na aldeia, em pleno mês de Agosto, para que ninguém desconfiasse, para fugir para território francês. Em França, trabalhou como empregada de casa, indo ao longo do tempo melhorando as suas condições de trabalho sempre que mudava de local de emprego. Em determinada altura, o marido ficou sem trabalho e decidiram abrir uma empresa de limpeza, área que o marido tinha formação. “Aprendeu a trabalhar com produtos de limpeza profissionais. Começamos em 1983, e nunca fizemos publicidade, foi um trabalho porta a porta”. Anos mais tarde, a família decide regressar a Portugal, à sua terra natal: Pinela. Foi nesta altura que Julieta Alves investiu na sua paixão pelo barro. Não trabalhava no barro mas, na sua meninice e juventude, acompanhava vizinhos e familiares na arte da olaria, observava com interesse e conta que o barro sempre fez parte da sua essência. Por isso, quando regressou à terra, já mulher madura, decidiu recuperar aquela arte entretanto perdida. Diz que trabalha por amor e com paixão, pelo barro. Hoje, é a única artesã que faz louça de Pinela. Ao longo da sua vida, deu valor à família, trabalho e saúde. “A partir daí, o resto vem tudo por acréscimo”.
 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Horácio Miranda

 

A aldeia de Serapicos, concelho de Bragança, viu nascer Horácio Miranda a 22 de Fevereiro de 1976. Foi sempre um dos melhores alunos e sonhou até ser médico, desfrutando de uma infância cheia de coisas boas, própria de família numerosa de oito irmãos, mas vê subitamente pairar sobre si, nuvens negras, no dia em que perdeu a mãe, perdendo também a vontade de sonhar. Progressivamente foi ultrapassando a tristeza e ultrapassada a mágoa, deu a volta à adversidade, mantendo-se focado nos estudos, que eram suportados por trabalho em França durante as férias escolares, a forma encontrada e bem demonstrativa do empenho e aplicação de Horácio. O destino fez com que conheça a mulher da sua vida, Sandra Miranda. E o amor tudo mudou. Horácio com 19 anos, e Sandra com apenas 17, decidem rumar definitivamente a França. Já instalados e ambos a trabalhar começam a pensar no alargar da família numa casa construída para garantir conforto aos rebentos de um amor forte e cúmplice. O primeiro filho nasce após um ano a viverem neste país, o segundo surge três anos mais tarde e estes belos rapazes vêm a família crescer com a chegada, desta vez, de uma menina. A vida foi sempre a rumar em frente, e já por conta própria torna-se empreendedor na construção de casas, projecto iniciado com três colaboradores, foi progredindo naturalmente ao ponto de, actualmente, serem já mais de 30 pessoas que estão envolvidas directa e indirectamente em construções modernas, alicerçadas no aproveitamento energético, pois corre nas veias a vontade de procurar mais e melhor. Não baixar os braços e sabermos batalhar por nós próprios, faz com que havendo honestidade e empenho tudo se alcança na vida. 
 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Joaquim Machado

 

É com orgulho que Joaquim Machado assume ter nascido na freguesia de Santa Cristina de Longos, no concelho de Guimarães, corria o ano 1954. Foi criado nesta aldeia até aos seus 12 anos, altura em que a família se muda para uma freguesia vizinha: São Lourenço de Sande, onde hoje Joaquim tem casa. Recorda que foram tempos duros, tendo começado a trabalhar desde muito novo. Foi também neste período que aprendeu a trabalhar à mão, sendo hoje a sua profissão de vocação e paixão carpinteiro e marceneiro. A ambição fê-lo emigrar para França, onde se instalou no departamento 92 e esteve um mês a estagiar. “Na altura faziam-se estágios de profissão e depois, em função do resultado, era atribuído um preço horário e o local para onde se ia trabalhar, fosse para as obras, oficina, ou outros locais. Eu fui trabalhar para um atelier”, conta. Algum tempo depois, decidiu enveredar pelo sector da construção, para conhecer um pouco esse mercado e ganhar mais dinheiro. Já depois de casar, trabalhou durante três anos como técnico comercial onde fazia a instalação de máquinas e assistência técnica aos clientes, sempre ligado ao sector das madeiras. Depois, mudou para uma empresa onde passou a ter funções comerciais, tendo clientes em todo o território francês. “Os meus clientes eram as grandes carpintarias e marcenarias, mas fiquei cansado de fazer muitos quilómetros e resolvi criar a minha própria empresa”. Depois de alguma prospeção de mercado, constatou que havia uma oportunidade na venda de móveis. “Criei os Móveis Franco-Portugueses, mas posteriormente alterei o nome para Móveis Elmo, para não limitar os clientes à nacionalidade portuguesa”. Ser correcto, cumpridor, trabalhador e respeitador foram as missivas da suas vida. Gostava de ter estado mais envolvido no meio associativo, mas a sua profissão e o facto de ter lojas abertas ao público, não lhe permitem ter muito tempo disponível. Ainda assim, faz parte da Academia do Bacalhau de Paris. Assume que ser português, para si, é um orgulho. “Ser português é ser uma pessoa trabalhadora, respeitada e respeitadora, como a imagem que temos em França”. Aos portugueses, deseja que tudo corra bem, sobretudo aos emigrantes que cá estão. Não devemos ter vergonha de ser portugueses, nunca farei isso. Aliás, os meus filhos e os meus netos falam português, é uma forma de impor a nossa cultura”.