22 Oct, 2020 Última Actualização 9:36 AM, 21 Oct, 2020

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Maria Oliveira

 

Maria de Lurdes de Oliveira Marques, conhecida apenas por Maria Oliveira nasceu numa pequena aldeia do distrito de Aveiro, em 1959. São muitas as recordações que tem da infância, nomeadamente a Praia de Mira, o convívio com a família e amigo, as festas na aldeia e as brincadeiras de antigamente, bem diferentes das actuais. Lembra a união e o amor existente na família, que ainda hoje se mantém. “Ainda hoje nos amamos muito, não conseguimos viver muito uns sem os outros”. Começou por tomar conta dos filhos da sua irmã em Portugal, estando esta emigrada em França. “Houve um ano que a minha irmã não podia ir a Portugal ver os filhos, então decidi eu vir a França mostrar-lhe os filhos e passar um pouco de férias juntamente com o meu filho também. Cheguei a França, gostei do que vi e acabei por ficar”, conta. Maria Oliveira emigrou então para França, começando por tomar conta dos sobrinhos, mas rapidamente começou a trabalhar para uma condessa. Aí, tomava conta dos netos e da condessa também, desde que acabou por adoecer. Após o seu falecimento, rapidamente “encontrei logo outro trabalho, já faz agora 18 anos, também numa condessa. É um pequeno paraíso. Tomo conta do correio, vou passear com ela e escolho a roupa para vestir. Também me permite ocupar do Albano, meu marido, e dos negócios dele”. Os seus sonhos sempre foram viver o dia-a-dia. “Só pensava em ter saúde e ser feliz com família e amigos. Nunca tive grandes sonhos, a não ser ter uma casa para os meus filhos”. Já hoje, confessa ter um sonho: “poder ir tratar da minha mãe e viver com ela. Tem 93 anos, eu saí com 17 anos de casa e não pude ocupar-me do meu pai, gostava de poder tomar conta dela”. Para si, o essencial sempre foi não enganar as pessoas, ser leal e ajudar quem precisa. “Gosto de ajudar quem precisa, participar nas associações, por isso vamos sempre ao jantar da Santa Casa da Misericórdia, à associação Les Copains d´Hugo e a outras”. Para si é uma honra ser portuguesa “mas também adoro a França”.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Rui Gomes Pedro

 

Rui Gomes Pedro nasceu em Leiria no ano 1969. Recorda com saudade o Colégio Conciliar Maria Imaculada, o Futebol clube dos Capuchos, a Guia, local onde nasceu o pai e ainda o tempo que passava nos montes, a regar árvores, e nas praias da Nazaré e em São Pedro Moel. Rui iniciou a sua actividade profissional com 13 anos na fábrica do pai, uma confecção de vestuário em pele. Com duas licenciaturas, de DESCAF-Comércio Internacional em 1993 na Escola Superior de Comércio em Poitiers, França, e de licenciatura em Gestão e Organização de Empresas em 1996 no ISEG-Lisboa, termina em 2010 o MBA na HEC Paris (nº3 do ranking Financial Times). Ao longo do período, frequenta vários cursos de formação para executivos no IMD Lausanne-Suiça, na UCLA Los Angeles-USA e na Doshisha Business School em Kyoto-Japão. A sua experiência de gestor passa por 14 anos de Nestlé com carreira internacional, onde assumiu a Direcção Geral de Marketing Estratégico essencialmente em França, Belux e Ibérica e Direção Comercial & Trade Marketing para a Europa do Sul em Grande Distribuição e Fora-do-Lar. Como sucessos europeus evidencia-se o exercício em França de Diretor Geral de Mövenpick of Switzerland e no campo de Marketing Estratégico ser o criador da marca de volume Gelados La Laitière que lhe valeu o 1ºPrémio Nestlé Inovação em 2005. Em 2010, inicia o exercício de docente e empreendedor, concluindo em 2015 o seu doutoramento em Estratégias empresarias de Desenvolvimento Sustentável. Como empreendedor, lança a ideia do famoso profissional Pierre Cluizel, proprietário da sua própria holding de chocolate de luxo. É docente desde 2010 em domínios de desenvolvimento sustentável e suas linhas de economia participativa, solidária, circular, funcional e verde. As experiências são partilhadas junto da l’Universidade Paris-Sorbonne e no CELSA, o mais notável Instituto de media, comunicação e jornalismo de França, onde é igualmente orientador de teses. É fundador e proprietário de 2 empresas que apoiam o seu serviço de gestão: a empresa SustainableGoals, e a empresa Angels Recipes. Rui teve uma educação humildade, mas que apelida de muito rica, exatamente aquilo que deseja poder transmitir aos seus filhos. No seu dia-a-dia, valoriza a componente de intercâmbio pessoal e as relações entre pessoas. A componente associativa sempre fez parte da sua vida, com destaque para a inclusão aos 14 anos na juventude do Lions Club, em Leiria, tendo desempenhado diferentes funções com o passar dos anos. Aos 22 anos foi presidente da juventude Lions Club de Portugal, onde teve vários louvores, tendo conseguido criar 12 novos clubes em Portugal. Para si, ser português é servir e não servir-se. Rui Gomes Pedro considera que a dimensão dos portugueses, desde o seu ADN até à forma como desenvolvem a sua actividade, está sempre primada pelo rigor, pela organização, pela vontade de querer executar bem. “No âmbito da execução, os portugueses são excelentes”.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Agostinho Fonseca Santos

 

Agostinho Fonseca dos Santos é natural de Freches, uma aldeia pertencente ao concelho de Trancoso e da qual ainda hoje guarda muitas recordações da infância. “Lembro-me quando a catequista me interrogou eu saber dizer o catecismo todo. Assim como quando fui realizar o exame da escola primária a Trancoso, eu fiz o meu e ainda ajudei os meus colegas”, conta. Pequenas memórias de uma infância bem diferente da actualidade. Agostinho nasceu em 1948 e quando saiu da escola foi aprender a profissão de alfaiate, tendo começado a trabalhar por conta própria com 18 anos. Até aos 22 anos foi esta profissão que o ocupou, andando pelas ruas de Trancoso à procura de clientes, com sucesso. Seguiu-se o serviço militar obrigatório e o casamento, altura em que decide mudar de actividade. Juntamente com a esposa, Maria da Conceição Belo Plácido, iniciam a actividade de abate e comercialização de carne de porco, enchidos e presuntos nas principais feiras e mercados da região. “Tivemos o primeiro carro isotérmico da região, naquele tempo ainda não havia. Daí para cá, com as exigências do Governo, resolvemos vir para a cidade de Trancoso na década de 90, onde implementamos a Salsicharia Trancosense, passando depois a ser conhecida por Casa da Prisca”. Hoje é um nome reconhecido nacional e internacionalmente, muito pela dinâmica que os filhos de Agostinho implementaram ao negócio.


Agostinho sempre foi um homem dedicado ao trabalho, por isso os grandes sonhos nunca tiveram lugar na sua vida. “Com o trabalho que realizei, penso que me saí sempre muito bem e estou feliz pela comparticipação que tenho dado à Casa da Prisca”. Ainda hoje, já reformado, Agostinho está todos os dias na loja da Casa da Prisca localizada no centro de Trancoso. Os seus sonhos hoje continuam a misturar-se com a actividade profissional: “quero uma Prisca mais forte, mais dinâmica, mais internacional e que talvez possa desenvolver projectos de turismo que ainda estejam por concretizar”. Para si a honestidade é a base de tudo. E conta um exemplo: “uma senhora comprou-me um presunto no mercado de Penedono. Passado uma hora estava a duvidar de mim em relação ao peso. Caiu-me mal, mas certifiquei-me que estava errada. Ela achava que os feirantes eram todos uns aldrabões. A maior prova honestidade que me deu foi nunca mais deixar de ser minha cliente, porque acabou por acreditas em mim. Honestidade sempre acima de tudo”. Agostinho também esteve sempre ligado ao mundo associativo, tendo passado pela Banda Musical de Freches, pelos bombeiros, pela Cooperativa de Freches, pelos Cursos de Preparação Matrimonial e ainda fazendo parte de campanhas eleitorais. “Fiz muito por mim, mas sempre me preocupei com os outros”. Orgulha-se de ser português, e por pertencer a um dos países mais seguros do mundo. “A todos os portugueses desejo felicidade e que o mundo seja cada vez melhor”.
 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado António Camelo

 

Hoje não há quem não conheça António Camelo de Viana do Castelo. Até porque dá nome ao seu famoso restaurante, visitado e apreciados por muitos que apreciam a boa tradicional comida portuguesa. Nasceu em 1943 em Santa Marta de Portuzelo, concelho de Viana do Castelo, numa altura de crise, tendo por isso aspectos positivos e negativos da sua infância. Hoje, talvez consiga dar valor às dificuldades que passou na juventude, “porque as coisas tinham outro encanto”. António Camelo começou a trabalhar na Quinta da Preguiça, uma propriedade dos pais, que ainda hoje existe, apesar de dividida em seis porções pelos seis irmãos. Cumpriu o serviço militar, tendo sido mobilizado para Moçambique, onde esteve três anos. Regressado das ex-colónias, António Camelo ainda continuou na agricultura, mas rapidamente percebeu que o país não tinha evoluído enquanto esteve fora. “Percebi que não era ali que me ia safar”. Tentou, então, a via da emigração. O regime salazarista era fascista, porque mesmo depois do serviço militar tive de sair a salto, não consegui passaporte”. Ainda assim, saiu do país, emigrando para França. Já em território gaulês, teve dois meses de maior dificuldade, de adaptação ao país. “Depois trabalhei um ano na construção, mas não era uma actividade que me agradasse. Procurei um emprego e trabalhei durante 15 anos numa farmácia. No final desse tempo, resolvi vir embora e abri aqui, em Viana do Castelo, um restaurante. Comecei com um café pequeno e meia dúzia de mesas, mas teve um êxito total que tive de optar por terminar o café e alargar a restaurante. Hoje até temos salas a mais”, confessa.

O único sonho que tinha na vida era conseguir ser alguém. Pela luta que realizou, diariamente, sente-se realizado. “Nunca tive a ambição de ser ministro nem médico, mas na minha vida profissional cheguei ao topo que queria. Hoje, queria apenas durar até aos 100 anos. Quero ver os restaurantes a trabalhar bem e quero desfrutar do trabalho que tive em novo, dar uns passeios”. Ao longo da sua vida, orgulha-se de ter sido teimoso e de conseguir concretizar tudo o que metia na cabeça. Orgulha-se de igual forma de sempre ter respeitado toda a gente e de tudo fazer para manter a família unida. “Foi com a família que cheguei até aqui”.
Ao nível associativo e solidário, não tem parado. Faz parte da Associação Comercial de Viana do Castelo, da Associação Industrial do Porto, da Academia do Bacalhau do Minho, de três confrarias diferentes e ajuda sempre que pode com jantares a preço de custo para colectividades diferentes. António Camelo dá um grande valor a ser português. “O português é uma raça que trabalha, luta, não cai ao primeiro empurrão e consegue, se quiser. O português tem essa fibra isso, vai longe, luta até ao fim pelos sonhos que tem. O português, a trabalhar, é um homem de sete ofícios”. Por isso, deixa uma especial mensagem a todos os portugueses que se encontram a lutar fora do país. “Não desanimem, lutem, pensem bem nas decisões que tomam, não se precipitem. Este país abre-nos a porta para termos sucesso”.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Adérito Martins

 

Foi numa pequena aldeia, a cerca de dez quilómetros de Bragança, que nasceu Adérito Martins em 1952. Em Terroso nasceu e ainda hoje lá mantém as suas raízes. Ainda jovem, emigrou para Madrid, onde cedo também começou a trabalhar. Começou por lavar loiça numa cozinha de restaurante. “Não havia máquinas na altura, era tudo à mão, e era assim que se começava”, conta. A realidade é que o sector da hotelaria evoluiu muito, mas quando Adérito começou não existiam as mesmas máquinas que hoje em dia. Entrou assim na hotelaria e não mais saiu deste sector. Foi subindo de posto, permanecendo no mesmo restaurante e trabalhando sempre para o mesmo patrão, com o qual ainda hoje mantém uma relação de grande proximidade. Com 20 anos teve de regressar a Portugal para cumprir o serviço militar obrigatório, tendo sido colocado na Guiné. Terminada esta fase da sua vida, a ideia era regressar a Madrid, mas abriu um restaurante em Bragança com quatro sócios, em que uma das quais, conterrânea de Adérito, o desafiou a trabalhar neste novo espaço de restauração. Adérito aceitou, longe de imaginar o que viria a suceder. Uma tragédia fez com que a sócia que o contratou falecesse, levando Adérito a comprar a sua quota no restaurante. Rapidamente comprou as restantes quotas, ficando como único dono do restaurante. “Foi um processo complicado, apenas com recurso a créditos porque não tinha dinheiro”, lembra. Adérito Martins manteve o restaurante de portas abertas durante 30 anos, até que algumas dificuldades chegaram. A abertura da autoestrada A4 fez desviar vários clientes. No período de maior dificuldade, alguns amigos desafiaram Adérito a emigrar para Paris e pegar num espaço que se encontrava fechado. Assim o fez, tendo emigrado para França em 2002, já depois de ter completado 50 anos de idade. Confessa que o início foi duro, “ninguém falava francês”, mas a união da família e o trabalho de todos fizeram a diferença. Adérito vingou e hoje já pode descansar um pouco mais, dividindo o seu tempo entre Portugal e os seus três filhos que permanecem em França. Orgulha-se da postura correcta que sempre manteve na restauração, criando assim vários clientes fiéis que mantiveram com o passar dos anos. Nunca descurou o lado benevolente no restaurante, fazendo preços mais acessíveis sempre que é necessário ajudar alguma instituição. Para si, ser português, é um orgulho. “Sou uma pessoa que, além de ser português com muito gosto, sou muito regionalista. Gosto muito da minha terra, do local onde nasci que, apesar de só ter 27 casas, gosto muito. Ainda vivo lá, fiz lá uma casa. Tenho muito orgulho em ser de Bragança e transmontano”. Ainda assim, Adérito não esquece a França. “Deu-me muito da minha vida é certo, é um país que temos de ter consideração. Mas dentro do coração, Portugal é Portugal”. Aos portugueses, deseja que nunca desmoralizem e que nunca baixem a cabeça, mesmo nos momentos de maior fraqueza.
 

 

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