26 May, 2020 Última Actualização 12:41 PM, 26 May, 2020

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Adérito Martins

 

Foi numa pequena aldeia, a cerca de dez quilómetros de Bragança, que nasceu Adérito Martins em 1952. Em Terroso nasceu e ainda hoje lá mantém as suas raízes. Ainda jovem, emigrou para Madrid, onde cedo também começou a trabalhar. Começou por lavar loiça numa cozinha de restaurante. “Não havia máquinas na altura, era tudo à mão, e era assim que se começava”, conta. A realidade é que o sector da hotelaria evoluiu muito, mas quando Adérito começou não existiam as mesmas máquinas que hoje em dia. Entrou assim na hotelaria e não mais saiu deste sector. Foi subindo de posto, permanecendo no mesmo restaurante e trabalhando sempre para o mesmo patrão, com o qual ainda hoje mantém uma relação de grande proximidade. Com 20 anos teve de regressar a Portugal para cumprir o serviço militar obrigatório, tendo sido colocado na Guiné. Terminada esta fase da sua vida, a ideia era regressar a Madrid, mas abriu um restaurante em Bragança com quatro sócios, em que uma das quais, conterrânea de Adérito, o desafiou a trabalhar neste novo espaço de restauração. Adérito aceitou, longe de imaginar o que viria a suceder. Uma tragédia fez com que a sócia que o contratou falecesse, levando Adérito a comprar a sua quota no restaurante. Rapidamente comprou as restantes quotas, ficando como único dono do restaurante. “Foi um processo complicado, apenas com recurso a créditos porque não tinha dinheiro”, lembra. Adérito Martins manteve o restaurante de portas abertas durante 30 anos, até que algumas dificuldades chegaram. A abertura da autoestrada A4 fez desviar vários clientes. No período de maior dificuldade, alguns amigos desafiaram Adérito a emigrar para Paris e pegar num espaço que se encontrava fechado. Assim o fez, tendo emigrado para França em 2002, já depois de ter completado 50 anos de idade. Confessa que o início foi duro, “ninguém falava francês”, mas a união da família e o trabalho de todos fizeram a diferença. Adérito vingou e hoje já pode descansar um pouco mais, dividindo o seu tempo entre Portugal e os seus três filhos que permanecem em França. Orgulha-se da postura correcta que sempre manteve na restauração, criando assim vários clientes fiéis que mantiveram com o passar dos anos. Nunca descurou o lado benevolente no restaurante, fazendo preços mais acessíveis sempre que é necessário ajudar alguma instituição. Para si, ser português, é um orgulho. “Sou uma pessoa que, além de ser português com muito gosto, sou muito regionalista. Gosto muito da minha terra, do local onde nasci que, apesar de só ter 27 casas, gosto muito. Ainda vivo lá, fiz lá uma casa. Tenho muito orgulho em ser de Bragança e transmontano”. Ainda assim, Adérito não esquece a França. “Deu-me muito da minha vida é certo, é um país que temos de ter consideração. Mas dentro do coração, Portugal é Portugal”. Aos portugueses, deseja que nunca desmoralizem e que nunca baixem a cabeça, mesmo nos momentos de maior fraqueza.
 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Teresa Coelho

 

Teresa Coelho é nazarena, nasceu e cresceu apreciando as ondas da Nazaré, frequenta a lota "desde pequenina" e durante o seu percurso profissional esteve sempre ligada ao mar, somando um currículo extenso nesta área. Aos 18 anos deixou a sua terra natal e licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Durante dois anos esteve em Paris, onde alcançou o diploma de Francês e Civilização Francesa na Universidade de Sorbonne em 2004 e um ano depois concluiu o Mestrado em Gestão de Recursos Humanos na Escola Superior de Gestão de Paris (Paris Graduate School of Management). Teresa Coelho confessa que esta passagem pela capital francesa foi "muito enriquecedora" e ainda hoje recorda o ambiente vivido nas aulas. "O facto de ter estado em Paris tornou-me mais pragmática", diz-nos. "Ainda por cima, na turma onde eu estava, haviam sobretudo franceses, mas depois havia uma inglesa, um espanhol, uma venezuelana também, portanto, o convívio com as diferentes culturas foi muito enriquecedor", sublinha. Teresa Coelho foi sozinha com o marido até França e o filho do casal acabou por nascer em Paris. De regresso a Lisboa, deu os primeiros passos de um longo caminho "ligado às pescas" e viu que "Portugal tem um mar de oportunidades". É quadro superior da Docapesca há vários anos e já passou por muitos gabinetes governamentais, tendo desempenhado funções de subdirectora-geral das Pescas e Aquicultura e representado Portugal em várias instâncias internacionais. Em 2016, depois de ter sido chefe do gabinete do Secretário de Estado das Pescas e da Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, foi convidada pelos próprios para ser Presidente do Conselho de Administração da Docapesca. Desde 23 de maio de 2016 que Teresa Coelho desempenha essas funções e acompanha a promoção do sector das pescas em Portugal. "Efectivamente, a Docapesca é uma empresa que tem vindo a acompanhar o sector e a acompanhar os diferentes agentes económicos nas feiras internacionais. Tem conseguido promover o sector das pescas, tem conseguido promover Portugal como o melhor peixe do mundo e, portanto, acho que tem desempenhado um papel fundamental", diz-nos. Teresa Coelho já foi autarca, já fez parte de associações de bombeiros e de vários grupos desportivos, mas olhando para trás, reconhece que o factor mais enriquecedor da sua carreira foi "o convívio com as gentes dos mar". "É um convívio diferente, mas a boa relação que nós conseguimos ter, o facto de conseguirmos estar junto dos pescadores e conseguir-lhes explicar às vezes mensagens que são difíceis de passar tendo uma relação de proximidade com eles, é o objectivo da minha actividade profissional que mais me enriquece. Eu quero estar próxima das comunidades piscatórias", afirma. Viaja muito pelo mundo, adorou viver em Paris, mas confessa que quando está fora, tem sempre "saudades de Portugal". "Paris é uma cidade magnífica e se tivesse que voltar a sair, ia para lá, mas a luz de Lisboa, a luz do nosso país não há no resto do mundo. Eu acho que não há luz igual à nossa".
 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Luís Neto Ferreira

 

Luís Neto Ferreira iniciou a vida profissional numa carpintaria de uma serração, aos 14 anos. Aos 18, começou a trabalhar com o pai, que era pedreiro, na construção civil. Em 1986, teve a oportunidade de vir para França e aí trabalhou durante três anos para um patrão, até começar uma sociedade de construção, a ACR – Aulnay Construction Renovation. Diz que foi “criado no trabalho” e não se arrepende de nada do que fez no seu percurso profissional, para o qual sempre despendeu a maior parte dos seus dias. Os pequenos prazeres que lhe dão mais entusiasmo na vida são os momentos em família e os convívios com os amigos. É apreciador na música de baladas calmas.
 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Aires Mendes de Abreu

 

Aires cresceu e foi educado no distrito de Leiria, em Pombal. O pai já era emigrante em França e estava com ele apenas nas férias. Na bagagem trazia a saudade e algumas prendas que ainda hoje recorda com um sorriso. "Uma vez ele levou-me duas bicicletas dentro do comboio para me dar de prenda. Naquele tempo eram poucos os que tinham uma bicicleta em Portugal. Eu já emprestava e alugava as bicicletas quando era pequenito", conta. Previa-se assim um jeito para o negócio que, mais tarde, veio mesmo a confirmar-se. Aires seguiu os passos do pai assim que conseguiu. Via nele uma inspiração e procurou ser sempre "bem alinhado" como ele desejava. Em 1971, com apenas 17 anos, partiu para França e, apesar da tenra idade, começou logo a trabalhar na construção. "Cheguei a um domingo, no fim de Agosto, e comecei a trabalhar logo na segunda. Já tinha arranjado trabalho nas obras. A primeira coisa que eu aprendi a fazer foi a colocar azulejo", recorda. Durante alguns anos, ainda trabalhou num restaurante nos arredores de Paris, mas não foi na restauração que se lançou melhor por conta própria. Na França começou a construir casas e criou os pilares para uma empresa e família sólida. Aires formou uma equipa com a esposa. Juntos, encontraram a táctica certa e criaram a sociedade "ArchiBat". "Como a minha mulher era arquitecta e eu já percebia de construção, foi só avançar. A minha esposa fazia o projecto, eu construía e vendia as casas depois de já estarem feitas. Nunca trabalhava para particulares", recorda. Manuela idealizava, ele executava. "A minha esposa tinha uma arquitectura fora do normal, muito trabalhosa, mas muito bonita no final". Mais tarde, aventuraram-se na construção de prédios e procuraram deixar uma marca bem portuguesa no primeiro trabalho. A residência Magellan foi baptizada pelo emigrante e é uma homenagem ao célebre navegador português Fernão de Magalhães. "Eu gosto de ser português a 100%. Os nossos navegadores foram fortes e descobriram muitas coisas, mas nós também fomos fortes e viemos construir uma boa parte da França". Já emigrou há 45 anos, mas continua a ajudar freguesias e associações do concelho de origem, em Pombal. "Não posso ir a Portugal sem ir à minha terra. Fiz isso uma vez e fiquei doente", confessa. Apesar de ainda ter vários prédios alugados e novas construções no horizonte, encerrou a empresa há alguns anos. Neste momento, dedica-se ao golfe e é um grande coleccionador de carros antigos. As colecções, tal como os sonhos, não param de crescer e confessa que gostava de ter até um museu no Algarve. Com mais de 60 anos garante, que é um homem feliz e termina a conversa lembrando: "tive sorte talvez, mas também a procurei".
 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Horácio Miranda

 

A aldeia de Serapicos, concelho de Bragança, viu nascer Horácio Miranda a 22 de Fevereiro de 1976. Foi sempre um dos melhores alunos e sonhou até ser médico, desfrutando de uma infância cheia de coisas boas, própria de família numerosa de oito irmãos, mas vê subitamente pairar sobre si, nuvens negras, no dia em que perdeu a mãe, perdendo também a vontade de sonhar. Progressivamente foi ultrapassando a tristeza e ultrapassada a mágoa, deu a volta à adversidade, mantendo-se focado nos estudos, que eram suportados por trabalho em França durante as férias escolares, a forma encontrada e bem demonstrativa do empenho e aplicação de Horácio. O destino fez com que conheça a mulher da sua vida, Sandra Miranda. E o amor tudo mudou. Horácio com 19 anos, e Sandra com apenas 17, decidem rumar definitivamente a França. Já instalados e ambos a trabalhar começam a pensar no alargar da família numa casa construída para garantir conforto aos rebentos de um amor forte e cúmplice. O primeiro filho nasce após um ano a viverem neste país, o segundo surge três anos mais tarde e estes belos rapazes vêm a família crescer com a chegada, desta vez, de uma menina. A vida foi sempre a rumar em frente, e já por conta própria torna-se empreendedor na construção de casas, projecto iniciado com três colaboradores, foi progredindo naturalmente ao ponto de, actualmente, serem já mais de 30 pessoas que estão envolvidas directa e indirectamente em construções modernas, alicerçadas no aproveitamento energético, pois corre nas veias a vontade de procurar mais e melhor. Não baixar os braços e sabermos batalhar por nós próprios, faz com que havendo honestidade e empenho tudo se alcança na vida.