22 Oct, 2020 Última Actualização 9:36 AM, 21 Oct, 2020

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Deolinda Oliveira

 

Corria o ano 1956 e nascia Deolinda Oliveira na freguesia de Fernão Joanes, pertencente ao concelho da Guarda. Desses tempos e desse lugar recorda com saudade a infância passada na quinta com os pais onde guardava as ovelhas. Não conseguiu estudar e integrou jovem uma fábrica de lanifícios onde trabalhou durante sete anos. Com 21 anos Deolinda casou e acompanhou o marido numa nova vida em França. Recorda que a adaptação não foi fácil. “O início foi muito complicado, pois não sabia falar a língua, não trabalhava e engravidei pouco depois de cá estar. Morava no departamento 77, num castelo que me fazia lembrar a quinta dos meus pais, mas era isolado. Acabava por me sentir sozinha”, recorda. Estes factores levaram-na a ir morar para o centro de Paris, com o objectivo de arranjar um trabalho. Assim foi, altura em que entra no sector da restauração. Neste meio trabalhou cerca de 40 anos, até chegar à reforma, tendo passado apenas por dois restaurantes diferentes. Nunca teve grandes sonhos para a sua vida, mas sente-se realizada pelo caminho que traçou na restauração. “Quando entrei quase só sabia cozer batatas”. Depois de uma vida dedicada ao trabalho, Deolinda divide agora o seu tempo entre Portugal e França, gozando um pouco da reforma. Mas ainda tem sonhos por concretizar: “gostava de escrever um livro de receitas de cozinha, quero viajar mais e descobrir outras coisas”. O mundo associativo tem feito parte da sua vida. “Nos anos 90 comecei a descobrir o mundo associativo, tendo entrado para uma associação em Clichy. A partir daí fiz parte da CCPF, da Casa dos Arcos, sou ainda tesoureira da Associação Beirões de França, ajudo no que posso a Santa casa da Misericórdia e a Cap Magellan”. Para si, ser portuguesa, é um orgulho e mostra o seu patriotismo agora mais que nunca. “Sempre misturei as duas línguas, mas agora acabo por falar mais o português, mesmo quando estou em França”. Aos portugueses, deseja que sejam bons uns para os outros.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Carlos Baptista

 

Não nasceu em Portugal, mas sente a terra de Camões como ninguém. Para além disso, leva bem longe o nome e os sabores de Portugal. Carlos Baptista nasceu em Paris em 1976, e nesta cidade cresceu, estudou e continua a viver até aos dias de hoje, apesar de ter também casa em Portugal. A infância não vai muito longe e, por isso, as recordações são várias. Desde os pais, a família, amigos, primos e colegas, todos os momentos estão ainda bem presentes na memória e no coração do lusodescendente. Os seus pais emigraram para França em 1968, juntamente com outros seus tios. Hoje já regressaram a Portugal, mas Carlos Baptista decidiu permanecer em território francês e aqui desenhar um percurso de sucesso. Começou por trabalhar com o seu pai na construção civil, mas várias aventuras traçaram um rumo diferente. Conheceu Albert Baussan, empresário francês, que precisava de uma pessoa de confiança. Viu em Carlos Baptista a pessoa certa. "A minha esposa também trabalha com a esposa do Albert Baussan, foram nossos padrinhos de casamento e, como não têm filhos, acabaram por nos adoptar como tal". Albert Baussan ensinou tudo o que havia para ensinar a Carlos Baptista, no que diz respeito à grande distribuição e ao negócio de azeite. "Ele tinha a Oliviers & Co, uma grande marca com 90 lojas espalhadas pelo mundo inteiro, que vendiam azeite de alta qualidade. Esse negócio foi vendido, e eu criei a marca Queijaria Nacional". O objectivo de Carlos Baptista ao criar esta marca era mostrar em França e em todo o mundo a excelente gastronomia portuguesa. A marca está já bem implementada, e emprega cerca de 20 colaboradores. Em todo o grupo de empresas que partilha com Albert Baussan, são 36 os funcionários, sendo 50% portugueses. Assume com convicção que as suas raízes são portuguesas e que, por isso, todos os anos, tal como todos os emigrantes, no mês de Agosto vai para Portugal passar férias, estar com a família e amigos e desfrutar da comida portuguesa. Mas não só de negócios se faz a sua vida. A solidariedade está presente através de uma associação fundada por Albert Baussan em parceria. Na Birmânia, têm seis orfanatos e 435 crianças apoiadas mensalmente. Os apoios revertem maioritariamente para alimentação, educação e saúde.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Beatriz Peixoto

 

Foi na freguesia de Vandoma, no concelho de Paredes, que nasceu Beatriz Fernanda Ferreira da Fonseca Peixoto. Corria o ano 1956 e o mundo ganhava uma cidadã lutadora pêlos direitos humanos. Da infância, ainda passada em Portugal, recorda as suas origens e o convívio entre as famílias em Vandoma e Baltar. Em 1970 ocorre uma viragem na sua vida, tendo de emigrar para França com a sua mãe e irmã mais nova. O seu pai e o seu irmão já se encontravam em terras gaulesas, na altura em que esteve fugiu ao serviço militar em África. Beatriz Peixoto chega a França como clandestina, mas rapidamente começa a traçar o seu rumo neste novo país. Tinha 12 anos e levava consigo o certificado de estudo português da 4ª classe. Começar novos estudos era uma situação complicada e de difícil acesso, por isso começou a aprender a língua francesa com uma vizinha. “Com 14 anos, comecei a trabalhar um pouco, fazendo limpeza nuns imóveis com uma senhora portuguesa, mas não tinha direito a papeis”. Em 1972 começou a trabalhar na empresa onde fez carreira durante 40 anos. Começou como aprendiz, e sente que foi uma lição para a sua vida. “Hoje continuo a dizer aos jovens: não se desvalorizem mesmo que não tenham estudos. Valorizem-se por aquilo que temos vontade de fazer, porque temos vontade de mostrar o que somos. Ninguém é superior a mim, mas também ninguém é inferior a mim. Eu tive a sorte de entrar numa empresa familiar onde os valores humanos eram bastante importantes e, quando comecei a trabalhar como aprendiz evolui com o tempo, sempre em formação, e acabei como chefe de atelier, que era o posto de maior importância e que eu gostava de ter”. Beatriz dirigia e exportava trabalhos, numa empresa de fundição. “Num meio de homens, foi bastante valioso para mim porque tive de mostrar duas vezes mais a minha capacidade, porque era mulher e emigrante, num país estrangeiro. Foi difícil, mas foi uma grande paixão. Cheguei a ajudar jovens na inserção profissional”.


Beatriz Peixoto casou em 1976 e partilhou com o seu marido o seu grande sonho e objectivo de vida: ter um carro, uma casa e um cantinho em Portugal. “Quando emigramos sentimo-nos inferiores no nível de vida. Com o grande apoio dos nossos pais, tanto ele como eu conseguimos valorizar o nosso trabalho. Conseguimos ter valores imobiliários que nos permite estar bem com as nossas pequenas reformas. O nosso trabalho permite-nos ter o sonho dos nossos filhos não passarem pelo que nós passamos”. É com base em valores humanos, como a amizade e a fraternidade que Beatriz tem assente a sua vida. Está eternamente ligada ao meio associativo da região onde mora. Criou a Associação Franco-Portuguesa da Juventude e a Federação das Comunidades Portuguesas da Normandie, tendo estado 27 ligada ao meio associativo. “Encontrei uma comunidade portuguesa, do Norte ao Sul de Portugal com muita humanidade, com muita coragem de vida, a participar, sem valores financeiros”. Para além do meio associativo português em França, Beatriz transmite a cultura portuguesa aos franceses, proporcionando o melhor de uma aliança franco-portuguesa. Organiza visitas a Portugal para grupos de franceses onde podem ver e explorar as tradições mais seculares do nosso país. “Para mim ser portuguesa é um grande orgulho, é o país que me viu nascer, mas para mim a França é o país que me deu o ser. Considero-me patriota, defendo o meu país, a língua, e esse é o meu combate, por uma língua que é pouco valorizada no meio europeu”. A mensagem que Beatriz Peixoto deixa a todos os portugueses vai no sentido político, de não deixarmos que a Europa caia, exercendo o nosso direito e dever de votar. “O que podemos fazer é votar e que sejamos mais humanos entre todos”.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Rui Pedro Moreira

 

Rui Pedro Moreira nasceu na cidade de Matosinhos em 1970. As suas recordações de infância estão sempre associadas aos sentidos: “lembro-me de quando nós torrávamos o café, do cheiro e do aroma acabado de torrar”. Rui licenciou-se na Universidade Católica Portuguesa, em Gestão de Empresas. Quando terminou a licenciatura, trabalhou em auditoria aproximadamente dois anos, tendo depois iniciado a sua actividade na Casa Angola, onde se mantém até hoje. A Cada Angola foi criada em 1932 pelo seu avô, sendo inicialmente conhecida por “Casa do Café de Angola”, altura em que começou uma viagem familiar no mundo empresarial, continuada e renovada pelos seus descendentes, presentemente na terceira geração. Paralelamente à gestão da Casa Angola, Rui Pedro Moreira é o presidente do Conselho Fiscal da ANCEVE, a Associação Nacional dos Exportadores de Bebidas e, na medida do possível, tenta manter algumas actividade no âmbito da cooperação e do associativismo. Para si, os sonhos sempre se confundiram com os hobbys. É um adepto confesso da natureza e, por isso, as questões ambientais sempre fizeram parte da sua vida, gostando de agricultura e jardinagem. Actividades que pratica como descompressor da actividade do dia-a-dia. O facto de trabalhar numa empresa familiar, há valores muito associados a essa própria cultura que faz questão de manter, como a amizade e o respeito. “Valores muito presentes aqui na empresa e é isso que faz a diferença. Mesmo no mundo dos negócios, mesmo que não estejamos com seriedade e proximidade, os negócios passam a ser muito frios. Sentimos a necessidade de construir amizade no mundo dos negócios porque acaba por dar muito mais prazer”, revela. A solidariedade não lhe passa ao lado e faz mesmo parte da política da empresa não haver desperdício. “Frequentemente apoiamos o Banco Alimentar, anualmente são mais de duas toneladas”. Para si, ser português é um prazer. “O tipo de profissão que tenho, permite-me viajar muito por todo o mundo e é fantástico ver a presença portuguesa nos cantos mais inimagináveis, desde a Ásia, África e Américas. É interessante ver que não existem anticorpos em relação aos portugueses. Marcamos presença em muitos territórios, deixamos ficar a nossa herança e mantemos uma relação de proximidade com esses países todos. Orgulho-me de termos uma cultura aberta a todos os povos”. Como português que é, sente que cada um é um Embaixador de Portugal. “Onde quer que estejamos é importante valorizar a cultura, a gastronomia e que cada um de nós seja um exemplo do nosso bem-receber e hospitalidade. É isso que tem feito dos portugueses um sucesso por toda a parte do mundo”.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Francisco Ramos

 

Francisco Ramos nasceu em 1971, na freguesia de Soutelo, concelho de Vila de Verde. Minhoto por natureza, é nesta região que tem explorado a sua actividade empresarial. Da infância recorda os jogos de futebol e o convívio com os amigos, que eram muitos na altura, porque a maioria da sua família encontrava-se emigrada em França. Realizou o percurso escolar, mas começou cedo a acompanhar o pai na empresa familiar de construção civil, a Artur Ramos & Filhos. “O meu pai sempre nos ensinou a sermos muito correctos com os clientes. O meu pai criou a empresa e depois nós criamos outra em 1994. Entretanto, criamos mais três empresas com actividade similar, mas todas pertencem a casa mãe - a Artur Ramos & Filhos”. Francisco Ramos tentou sempre evoluir pessoal e profissionalmente na empresa da família e a prova é que hoje a empresa está a trabalhar em mercados externos, como Alemanha, Espanha e França. Afirma com convicção que sempre lutou pela vida, porque desde cedo sonhava poder ter bons carros, uma boa empresa e viver com algum conforto, objectivos que tem conseguido alcançar, sempre com trabalho, dignidade e respeito pelos outros. Tudo o que é iniciativas em Vila Verde conta o apoio de Francisco Ramos e, inclusive, presta um apoio mais personalizado a pessoas com deficiência. Para si, ser português, significa ter orgulho e valor. Sempre cheio de força e vontade, Francisco Ramos encoraja os portugueses: “lutem, andem para a frente e nunca parem”.

 

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