27 Feb, 2020 Última Actualização 10:04 AM, 27 Feb, 2020

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Cidália Lourenço

 

Cidália Lourenço nasceu em Faro, corria o ano de 1966. São muitas e boas as recordações que tem da infância, passada ainda em Portugal. Desde os 3 anos que os pais a deixaram a morar com os avós, e por isso cresceu no campo, junto dos animais. “Os meus avós eram pessoas que trabalhavam no campo e tenho recordações fantásticas desses tempos. Lembro-me de ir para a escola de bicicleta, de passar nas ruas pequenas, pelos campos. Todos os alunos estavam na mesma turma. Recordo-me de festas antigas, de tradições”. Cidália chegou a França com 10 anos, altura em que os pais decidiram levá-la para junto da família. Tinha terminado em Portugal a 4ª classe, mas em França continuou os seus estudos. Teve na mente a ideia de seguir Medicina, apesar de sempre ter manifestado gosto pelas línguas. “Quando chegou o momento de me inscrever em Medicina, vi que eram muitos anos de estudos, tive medo de não chegar até ao fim e dedica inscrever-me em Comércio Internacional”. Começou por trabalhar numa empresa do ramo dos brinquedos, pois precisavam de alguém que falasse correctamente italiano, como era o seu caso. Trabalhou aí vários anos, entrou com centrais de compras, como o Carrefour e o Leclerc, a negociar e a criar coleções. Ao fim de oito anos foi contactada para entrar na área da decoração de jardins e aí trabalhou muito com Portugal, comprando muita cerâmica para jardim. “Isto foi há 20 anos atrás, e comecei a ir para a China, mercado que conheço muito bem, estive praticamente um ano lá a morar, e importo imensa mercadoria da China”.
Há 10 anos, Cidália Lourenço criou a sua própria empresa, no ramo do jardim e decoração de interiores, e hoje trabalha praticamente com todas as cadeias de compras francesas. Para além disso, tem também uma empresa sediada em Hong Kong, na China. Cidália revela que o seu sonho é regressar e viver em Portugal, gerindo as suas empresas através da sua pátria.

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Carla Fernandes

 

Carla Fernandes nasceu em 1981, na pequena aldeia de Cabanas, pertencente ao concelho de Macedo de Cavaleiros, em Bragança. É do sentimento de liberdade que mais sente saudade quando recorda a sua infância. Esteve até aos nove anos em Portugal, período que ía a pé para a escola com um grupo de amigos, brincavam e iam para os lameiros com as vacas. Eram donos de si mesmos, não davam pelas horas passar e tinham de ser os pais, por vezes, a chamar de volta a casa. Outro período da sua infância foi já passado em território francês, tendo vivido uma transformação drástica. De um total sentimento de liberdade, Carla Fernandes passou a viver num apartamento e teve dificuldades iniciais de integrar a cultura e a língua francesa. Apesar das dificuldades, nunca baixou os braços e desde cedo que sabia aquilo que queria para a sua vida: ser advogada. O esforço dos seus pais foi notório para lhe pagarem os estudos, mas Carla Fernandes nunca desiludiu. Formou-se em Direito, com uma especialização em Direito franco-português. Carla Fernandes é hoje sócia de um escritório de advogados, juntamente com outros cinco sócios.

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado António Morais

 

Foi a cerca de 40 quilómetros da Serra da Estrela, na aldeia de Santa Eulália, pertencente ao concelho de Seia, que nasceu António Morais. Corria o ano de 1949 quando nasceu um homem destinado à actividade comercial de lacticínios. “Nasci pobre e humilde, e recordo-me de transportar leite com um burro numa carroça, para fazer queijos. Ia buscar o leite numa carroça, a minha mãe faia o queijo e o meu pai vendia nas feiras”. António Morais fez ainda a vida militar e só quando regressou é que entrou a 100% na actividade de produção e comercialização de queijos, juntamente com o pai e o irmão. Apesar de ter estado sempre envolvido nesta actividade, foi nesta altura que surgiu a construção da Queijaria Anastácios. “Fomos crescendo aos poucos, a procura do nosso queijo sempre foi muita, pois era feito com assiduidade e muito cuidado para ser um bom queijo. Nós fomos pioneiros na produção de queijo nesta região, já apareceram outros produtores, mas nada que se compare à qualidade do nosso queijo”. António Morais revela-se um homem sonhador, que conseguiu cumprir o sonho de construir uma fábrica. Infelizmente teve um AVC há alguns anos, facto que o tem deixado impossibilitado de lutar por novas conquistas. Não deixa de ser uma pessoa solidária, ajudando sempre que possível organizações locais, entre as quais os Bombeiros. “Para mim ser português é um orgulho e sempre me considerei patriota. É importante trabalhar em prol do desenvolvimento, quer da minha vida, quer do desenvolvimento dos negócios”.

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Armindo Casalinho

 

Armindo Casalinho da Silva nasceu em 1962, em Leiria. Uma das maiores recordações que tem da sua juventude é o momento em que decide partir de Portugal, em direcção a França. Tinha na altura 18 anos, e decide abraçar um novo projecto de vida, a emigração. O objectivo era procurar ter melhores condições de vida, mas em França viu-se impossibilitado de obter os papéis para ficar legalizado. Armindo Casalinho não baixou os braços e manteve-se durante dois anos a trabalhar em terras gaulesas, mesmo sem os documentos. Conhecendo entretanto aquela que seria a mulher da sua vida, Armindo toma a decisão de casar e regressa a Portugal em no mês de Janeiro para casar em Agosto. Nesse período, apenas com a ajuda de um jovem, conseguiu construir a sua casa em Portugal, com 140 metros quadrados. Já casado, regressa a França com a sua esposa e consegue a legalização.


Em França, começou por trabalhar numa oficina de motorizadas, mas rapidamente passou para o sector da construção, onde se mantém até hoje. Aprendeu rapidamente a sai profissão, foi crescendo profissionalmente até surgiu a oportunidade, em 1986, de criar uma sociedade para uma empresa de construção. Dois anos depois, Armindo Casalinho decidiu deixar a sociedade e criar a sua própria empresa, que se mantém no activo até hoje.

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado António Joaquim Lopes

 

António Joaquim Lopes nasceu e viveu a sua infância na aldeia de Santa Comba, em Vila Nova de Foz Côa. É de origem de uma família pobre e, por essa razão, foi obrigado a sair da escola com apenas nove anos de idade para ir guardar as ovelhas no campo. “Ganhava 30 escudos por mês”, conta. As possibilidades na aldeia eram poucas e os mais velhos tinham de trabalhar para ajudar a criar os mais novos, sendo o caso de António Joaquim Lopes.
Só saiu da aldeia para cumprir o serviço militar em Angola, estando na guerra durante 27 meses. Ao regressar à terra, decide emigrar para França em busca de uma vida melhor. Aprendeu e trabalhava numa profissão que lhe permitiu arranjar umas económicas. “Decidi, por isso, investir num restaurante na Cruz Quebrada, em Lisboa”. Juntamente com a esposa, também de Santa Comba, tiveram de abandonar França e tinham no restaurante uma hipótese de uma nova vida. Sem perceber nada de restauração, António Joaquim Lopes viu-se abraçava uma nova vida com o seu restaurante na Cruz Quebrada. “Tive a felicidade de o restaurante ser perto da Universidade de Educação Física, a única que existia no país e o único centro de estágio que havia na altura. Não percebia nada de restauração, mas adaptei-me, fui vendo como é que os profissionais faziam e venci. Tive noites sem ir à cama, mas consegui vencer”. Começou na restauração em 1974, estando nesse restaurante durante 20 anos consecutivos. Posteriormente, adquiriu um novo restaurante em Algés, onde aqui concentra toda a sua família a trabalhar há 25 anos. Faz ainda parte do Lar de Santa Comba, tendo sido convidado para trabalhar e ajudar a desenvolver a instituição, “porque os velhinhos precisam muito. Está num sítio rural onde as pessoas têm baixas reformas e é preciso ajudar”. Apesar de ter começado a trabalhar em França, é a Portugal que pertence e onde gosta de estar. “Para mim ser português é desenvolvermos o nosso país, a nossa terra. A frança ajudou-me a começar uma vida, mas é aqui que eu quero viver, é o nosso sol, é aqui que eu gosto de trabalhar. Sou 100% patriota”. A todos os portugueses que se encontram espalhados pelo mundo, António Joaquim Lopes lembra que é em Portugal que devem investir, trabalhar e fazer pela vida.