06 Aug, 2020 Última Actualização 4:37 PM, 6 Aug, 2020

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Ricardo Macieirinha

 

Ricardo Macieirinha nasceu em Luanda, Angola, enquanto território português. Para Portugal Continental viajou com apenas um ano e meio. Da sua infância recorda como Leiria era uma cidade pequena e de todo o seu percurso escolar. “São as recordações normais de um jovem que vive o seu tempo de juventude”, afirma. Formado na área de Direito, pela Universidade Lusíada em Lisboa, é na advocacia que pauta o seu dia-a-dia em termos profissionais. Após terminar o curso, Ricardo regressou a Leiria onde fez o estágio e mais tarde se lançou por conta própria. Em 2003, materializou assim o seu objectivo primordial, ou seja, delinear os seus passos por si próprio e é nesta fase que começa a viver de perto com muitos portugueses emigrantes. “Cada vez mais querem apostar em Portugal”, afirma. O advogado sublinha o patriotismo de todos os portugueses que vivem além-fronteiras. “O meu tempo é dividido entre Leiria, Lisboa e Paris”, confessa. Actualmente, Ricardo Macieirinha tem um escritório em Leiria e estabelece uma relação muito estreita com um escritório em Lisboa. O seu escritório evoluiu para uma sociedade de advogados, chamada RBCM, composta por cerca de dez advogados, vocacionada maioritariamente para a área fiscal, empresarial, económica e financeira. Apaixonado por Portugal, o advogado descreve o seu país como detentor de uma história extraordinária. Defende que as pessoas fazem o nosso país e, por isso, afirma que não se devem considerar só portugueses aqueles que vivem em território nacional. Sonha com um Portugal mais justo, uma sociedade mais desenvolvida, vocacionada para o futuro, para se deixar o país preparado para as gerações vindouras. “Temos um país valorizado por muitos, mas nós não sabemos dar o devido valor. Por isso, o que desejo é poder contribuir dentro das nossas vontades para um país mais preparado para o futuro”.  Ricardo valoriza os princípios do humanismo, justiça e correção. “Devemos ser leais, justos e correctos, quer na vida privada, quer profissionalmente”. “Temos que olhar para os portugueses que tiveram a ousadia de sair de Portugal, cresceram fora de Portugal e que hoje em dia representam muito bem o nosso país”, afirma.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Vitor Martins

 

Vitor Martins nasceu no concelho de São Pedro do Sul e recorda, com nostalgia, a sua infância de aldeia. “Nascer e viver numa aldeia, na infância, é uma sorte e um privilegio, porque nos permite viver num meio calmo, tranquilo, onde toda a gente se conhece e acaba por ser bastante confortável e acolhedor para as crianças. Aprendi desde cedo a saber o que é a partilha e a solidariedade porque cresci com um irmão, e é importante recebermos estes valores em criança”. Vitor começou a trabalhar ainda enquanto estudava, com 23 anos, fazendo estágios de aproximação à vida activa. Fez o primeiro estágio no sector da banca, o que lhe permitiu descobrir o gosto pelo sector bancário. A partir daí procurou, enquanto estudava, novas oportunidades após esse estágio. Teve a sorte de entrar no Millennium BCP em 2005 onde esteve durante cinco anos. Começou como assistente de cliente, depois chegou a gestor de cliente empresas, que exerceu durante dois anos até ter a oportunidade de ir para França, em Janeiro de 2010. Ingressou no Banque BCP para desempenhar funções de animação de relação com o Millenium BCP, “numa altura onde se verificava uma nova vaga de emigração e era importante podermos dinamizar esta actividade. Exerci essas funções até fins de 2013, tendo depois assumido um cargo de direcção do Banque BCP, onde aqui me pude ocupar de tudo o que era distribuição, ou seja, rede de agências, canais digitais que temos à disposição dos clientes e também animar a rede comercial e as forças de vendas sobre diferentes elementos da nossa oferta”. Hoje, Vitor Martins está de regresso a Portuga para efectuar funções de marketing no Millenium BCP para a vertente diáspora. Tornou-se um profissional de referência, mas em criança teve ainda o sonho de ser piloto de aviões, que viu ser impossível de concretizar pelas vertigens que tem. Ainda assim, considera que o maior sonho que tem é ser feliz. “Será que já realizei? Penso que essa busca é eterna. Globalmente considero que sou uma pessoa feliz, mas na vida, com o tempo, vamos ajustando os objectivos, que considero diferentes dos sonhos. Fui cumprindo os objectivos, mas se me perguntar se chega? A resposta é não”. Sempre determinado na vida, foi base nos valores da “infância da aldeia” que pautou a sua vida: solidariedade, respeito, justiça, transparência e sinceridade. “Nunca esquecer de onde se vem, é uma frase que devemos cumprir, não basta afirmar. É importante ainda nunca esquecer o nosso lado humano. Nascemos todos na mesma forma, morremos todos da mesma forma, pouco importa o percurso que fazemos e os meios que temos”. Considera-se, no seu dia-a-dia, um Embaixador não oficial de Portugal, pelo orgulho que tem no seu país. 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Pedro Seixas

 

Corria o ano 1980 e nascia Pedro Seixas em Vila Real. Fruto de uma família tradicional, recorda da infância momentos felizes passados em família, com os irmãos e primos, nunca tendo passado por grandes dificuldades. Esteve até ao 12º ano em Vila Real, seguindo depois para a cidade do Porto onde ingressou na Universidade Católica para se formar em direito. Realizou um estágio numa sociedade de advogados na baixa do Porto, tendo aqui permanecido após a conclusão do estágio por ais dois anos. Realizou ainda uma pós-graduação em Propriedade Intelectual e também em Direito do Trabalho. Em 2009, o seu actual sócio desafiou-o para trabalhar em conjunto. “Começámos, eu na altura já tinha um pequeno escritório em Vila Real, de prática isolada, mas comecei a trabalhar mais aqui no Porto. Em 2012 constituímos a sociedade Cavaleiro & Associados, fruto de um trabalho que já vinha sendo desenvolvido desde 2009/2010. Começamos a trabalhar e fomos crescendo em sociedade. É nessa altura, em 2012 que temos a primeira incursão em França”. Alguns clientes solicitaram a ajuda da sociedade de advogados para alguma assessoria na internacionalização para França. “Avançamos e fomos até França com alguns clientes para os assessorar nessa nova aventura. Foi curioso porque foram os próprios franceses e os emigrantes portugueses em França que quiseram investir em Portugal, o que foi uma agradável surpresa. Acabamos por trazer alguns franceses, daí a nossa relação recorrente com França”, conta. Como em todas as crianças, também Pedro Seixas teve vários sonhos para a sua vida, mas o direito começou a cedo a delinear-se na sua vida. “Acima de tudo, sempre tive o objectivo de proporcionar uma vida aos meus filhos igual ao que os meus pais me proporcionaram”. E como os sonhos nunca acabam, o advogado confessa que gostava de “conjuntamente com esta sociedade, crescermos e sermos uma referência da advocacia a nível nacional. Já reconhecidos, até internacionalmente, mas ainda somos pequenos”. Para si, é essencial a integridade, honestidade e justiça. Valores intrínsecos a pratica advocacia e direito, mas também essenciais como cidadão no dia-a-dia. Pedro faz ainda parte da Associação Nacional de Empresários e Gestores, ligada à vertente das empresas, que tem princípio orientador os pagamentos pontuais. A nível pessoal, colabora com a Bagos d´Ouro, associação que ajuda crianças carenciadas na vertente do estudo. A sua portugalidade é forte, mas define o ser português com uma expressão curiosa: “podemos dizer mal de nós, falar mal do país, mas se houver um estrangeiro que diga que estamos mal, cai o ‘Carmo e a Trindade’, defendemo-nos com unhas e dentes”.  Considera-se patriota, mas sente que o patriotismo é vivido com maior intensidade pelos portugueses que se encontram espalhados pelo mundo. E a eles pede que “nunca se esqueçam das raízes que têm, Portugal está sempre de portas abertas para receber”.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Tereza Carvalho

 

Tereza Carvalho nasceu numa pequena aldeia chamada Romeu, situada no concelho de Mirandela. Ali viveu com os avós até aos oito anos de idade. Dessa altura, guarda na memória as vivências da aldeia e lembra que foi com a avó materna que aprendeu o que era o Fado. “Foi através da minha avó materna que eu aprendi a amar o Fado”. A sua morte foi o momento que mais marcou a sua juventude. Tereza completou os estudos em Portugal com uma licenciatura em Arte e Design pelo Instituto Politécnico de Bragança. Nunca chegou a exercer a actividade porque o apelo do Fado sempre foi mais forte. “Porque o Fado é efectivamente aquilo que me completa. É o meu carregador”. Em 2014, mudou-se para França e foi então que se afirmou como fadista. “Foi em França que eu senti a 1000% que o Fado seria o meu caminho”. O percurso não tem sido fácil, mas Tereza orgulha-se de nunca ter baixado os braços e graças a essa coragem e persistência ter conseguido abrir portas. “As portas já se fecharam muitas vezes, mas eu consegui sempre abri-las. É uma luta constante, é uma procura constante, mas eu sei por onde quero ir e sei onde quero chegar”. Acredita que “somos nós que fazemos o nosso futuro. Aquilo que nós desejamos e que queremos, nós conseguimos”. Tereza considera-se uma pessoa solidária. “Não estou ligada a nenhuma associação de solidariedade, no entanto, ajudo quem me pede ajuda, seja a nível monetário, seja apenas apoio, gosto de ajudar.” Aos portugueses a fadista deixa uma mensagem: “nunca desistam dos vossos sonhos, mesmo que os outros digam que não os vão conseguir alcançar”.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Deolinda Oliveira

 

Corria o ano 1956 e nascia Deolinda Oliveira na freguesia de Fernão Joanes, pertencente ao concelho da Guarda. Desses tempos e desse lugar recorda com saudade a infância passada na quinta com os pais onde guardava as ovelhas. Não conseguiu estudar e integrou jovem uma fábrica de lanifícios onde trabalhou durante sete anos. Com 21 anos Deolinda casou e acompanhou o marido numa nova vida em França. Recorda que a adaptação não foi fácil. “O início foi muito complicado, pois não sabia falar a língua, não trabalhava e engravidei pouco depois de cá estar. Morava no departamento 77, num castelo que me fazia lembrar a quinta dos meus pais, mas era isolado. Acabava por me sentir sozinha”, recorda. Estes factores levaram-na a ir morar para o centro de Paris, com o objectivo de arranjar um trabalho. Assim foi, altura em que entra no sector da restauração. Neste meio trabalhou cerca de 40 anos, até chegar à reforma, tendo passado apenas por dois restaurantes diferentes. Nunca teve grandes sonhos para a sua vida, mas sente-se realizada pelo caminho que traçou na restauração. “Quando entrei quase só sabia cozer batatas”. Depois de uma vida dedicada ao trabalho, Deolinda divide agora o seu tempo entre Portugal e França, gozando um pouco da reforma. Mas ainda tem sonhos por concretizar: “gostava de escrever um livro de receitas de cozinha, quero viajar mais e descobrir outras coisas”. O mundo associativo tem feito parte da sua vida. “Nos anos 90 comecei a descobrir o mundo associativo, tendo entrado para uma associação em Clichy. A partir daí fiz parte da CCPF, da Casa dos Arcos, sou ainda tesoureira da Associação Beirões de França, ajudo no que posso a Santa casa da Misericórdia e a Cap Magellan”. Para si, ser portuguesa, é um orgulho e mostra o seu patriotismo agora mais que nunca. “Sempre misturei as duas línguas, mas agora acabo por falar mais o português, mesmo quando estou em França”. Aos portugueses, deseja que sejam bons uns para os outros.