27 Feb, 2020 Última Actualização 10:04 AM, 27 Feb, 2020

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Hugo Morgado

 

Hugo Morgado nasceu em Nogent-sur-Marne, mas assume que se sente mais português que francês. Com um ano de idade, seguiu com os pais para Portugal, lá permanecendo durante sete anos. Foi numa localidade, perto da cidade de Óbidos, que passou a maior parte da sua infância. Recorda-se de uma vida rural, no campo, com liberdade e alegria. O seu regresso a França ainda hoje lhe está gravado na memória. “Foi nu dia de Inverno, cheio de neve, coisa que eu nunca tinha visto na vida. Tinha oito anos de idade e ver a nova vida, em Paris, um centro totalmente urbanizado, foi uma grande surpresa para mim. Já no seu país de nascença, completou a sua formação, tirando um curso superior de Administração e Gestão de Empresas. Começou a trabalhar, juntamente com a mãe, nas agências de viagens, um negócio que ainda hoje é detido pela família. Seguiu-se uma experiência de cinco anos num banco, tendo chegado a director de agência, até que passou a gerir a Multipompage, uma empresa reconhecida em Paris pela especialidade em bombagem de betão.
Para Hugo Morgado, a palavra, a honestidade e o respeito de todos são os três grandes pilares da sua vida. “O mais importante na vida não é ter, é ser, e saber viver com os outros”. Hugo não esquece também a sua vertente mais solidária, apoiando clubes associativos e a associação Les Copains d´Hugo, associação à qual reconhece grande mérito pelo trabalho desenvolvido. “No meio que posso, tento ajudar quem tem iniciativas interessantes e com um projecto bem definido para ajudar os outros, aqueles que realmente necessitam”. Para si, ser português é ser corajoso. Nasceu em França, passou por Portugal e depois regressou ao país que o viu nascer, mas com o passar dos anos vai-se sentindo cada vez mais português. “Por exemplo, quando a França ganhou o Mundial de futebol em 1998 estava muito contente e senti-me mesmo francês, mas com o passar da idade sinto que quero voltar às raízes e sinto-me um português de raiz, mesmo tendo nascido em França. Quando mais avanço na vida, mais me sinto português e tenho imenso orgulho porque é um povo fantástico e um país lindo”.
Hugo deseja que todos os portugueses continuem a valorizar Portugal e a representar o país da melhor forma possível.

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Fernando Martins

 

Fernando Martins é natural de Aguiar da Beira mas cedo emigrou para França. Com 11 anos partiu rumo a Paris para, inicialmente, trabalhar no sector da construção civil. Aos 26 anos muda-se para a região da champagne e começa a trabalhar, juntamente com a esposa, nas vinhas. Mais tarde, em 2001, surgiu a oportunidade de criar uma empresa de prestação de serviços vitivinícolas. Até hoje em funções, a empresa realiza todos os serviços nas vinhas, desde a poda à vindima. É precisamente nesta altura, na vindima, que  Fernando Martins traz de Portugal cerca de 250 trabalhadores para, durante algumas semanas, trabalharem nas vinhas. Foi desta forma que Fernando Martins decidiu construir uma casa que pudesse alojar os vindimadores. “Em tempos cheguei a ter 350, hoje são cerca de 250 por ano. Por isso, pela construção da casa, acabei por me tornar empresário do sector da construção civil”, explicou. A actividade na construção não se ficou por aí, mantendo até aos dias de hoje a empresa em funcionamento. Da mesma forma que se trabalha na gestão de duas empresas, trabalha-se igualmente numa terceira. As ideias na cabeça de Fernando Martins não param e daí surgiu a construção do Gîtes des Sablons, um conjunto de casas rurais. Quando se pensa que Fernando Martins, com empresas em três sectores de actividade distintos, não tem novas ideias, está-se enganado. Em Junho de 2017 criou a Design Meubles, uma loja de móveis em Châtillon-sur-Marne. O empresário assume que todos os sonhos que tinha na vida já os conseguiu alcançar, mas que a cada dia que passa, um novo surgirá para tentar concretizar. Assenta a sua vida em lealdade e amizade, orgulhando-se de ter muitos amigos, quer em Portugal, quer em França. O seu lema de vida, que o deixa também a todos os portugueses é que “para conseguirmos alguma coisa da vida temos de trabalhar, não se pode esperar que o dinheiro caia do ar”.

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Fátima Lopes

 

Fátima Lopes nasceu no Funchal e tem levado o nome de Portugal a todos os cantos do mundo. É uma das grandes mulheres portugueses, fazendo jus ao facto de ter nascido a 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher. Ainda hoje continua ligada às suas raízes. “Nasci numa ilha maravilhosa, onde as pessoas são realmente amigas. Nasci com sol, amizade, simpatia. Tenho as melhores recordações de infância e adolescência, vivi lá até aos 23 anos”. A sua primeira experiência profissional foi na área do turismo, tendo sido agende viagens e guia turística durante quatro anos. “Foi fantástico, até dizer: já chega, o meu sonho é a moda”. Veio para Lisboa em 1988 e em 1992 lançou a sua marca. São vários os grandes momentos da sua carreira enquanto estilista, mas Fátima Lopes destacou os mais marcantes: “quando lancei a marca num grande desfile no Convento do Beato em Lisboa, numa altura em que ninguém fazia desfiles. Foi uma lufada de ar fresco nesta cidade. Depois, quando comecei a desfilar em Paris pela primeira vez e festejei agora 20 anos na capita francesa. Fui o primeiro português em Paris. Destaco também o desfile do biquini de diamantes, que marcou a minha carreira e mudou a minha vida completamente, porque levou o nome Fátima Lopes ao mundo e faz parte do guiness no ano 2000, como o biquini mais caro do mundo. Realço ainda o primeiro desfile realizado na Torre Eiffel, fui eu que o fiz e não um francês. Fui condecorada pelo Presidente da República, onde recebi uma Comenda da Ordem do Infante Dom Henrique. Tive também uma homenagem maravilhosa na Madeira, onde fiquei sem palavras”.

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Fernanda Martins

 

Fernanda Martins tinha seis anos quando partiu de Santa Maria da Feira para Paris. Lembra, com orgulho, o percurso que os pais fizeram e a coragem de ambos quando decidiram emigrar. Apesar das modestas condições em que que a família viveu durante os primeiros anos em França, Fernanda diz, com um sorriso aberto, que teve uma infância feliz. A maior felicidade e as melhores memórias que tem desse período são as férias de verão passadas em Portugal. Mesmo distante, Fernanda sempre foi ensinada, pelos pais, a dar valor às suas raízes. Em casa só se falava português e a rádio estava sempre sintonizada nas notícias e nas músicas portuguesas.

Falar português foi fulcral para o seu percurso profissional. Começou por integrar um escritório de advogados que fazia negócios com o Brasil e que, por isso, procuravam alguém que falasse português. “Entrei como secretária, fui assistindo a traduções. Ao mesmo tempo, fui-me formando e tirei uma licenciatura em direito privado”. Mais tarde, integrei uma universidade para ser responsável pelo curso de Gestão de Recursos Humanos. Hoje, é chefe de gabinete na União Nacional das Empresas Industriais, trabalhando para o presidente.

É uma orgulhosa portuguesa. Fernanda já cumpriu um dos seus maiores sonhos, ter uma casa em Portugal. O regresso a terras lusas é um sonho que anseia concretizar. Aos portugueses deixa esta mensagem " temos de deixar esse sentimento de inferioridade de lado, temos de acreditar que tudo é possível".

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Daniel Bastos

 

Daniel Bastos nasceu em 1980 em Fafe e é a partir daqui que tem desenvolvido um trabalho notório. Começou desde cedo por sentir uma grande ligação à sua freguesia, Cepães, que fica sensivelmente a quatro quilómetros do centro da cidade de Fafe. “Uma freguesia com alguma ruralidade, mas com também com indústria têxtil”. Daniel assume que teve uma juventude muito marcada pela ligação aos avós maternos, pilares importantes na sua educação e formação.
Estudou em Fafe e, em 1998, ingressou na Universidade de Évora, onde se licenciou em História, via ensino, sendo ainda hoje professor de História no Colégio João Paulo II, em Braga, um colégio de referência no distrito. Tirou, também, um curso de teologia, não por uma questão de vocação, mas para alargar horizontes ao nível cultural. “Quando regressei a Fafe, estive profissionalmente como assessor durante vários anos aqui no Município de Fafe, na área da cultura e educação. Estive também ligado algum tempo ao Museu das Migrações das Comunidades”. Durante esse período, Daniel Bastos fez ainda uma pós-graduação em Ética e Filosofia Política na Universidade Católica, em Braga, onde paralelamente foi consolidando um percurso na área da investigação e na edição de livros, onde tem colaborado, concebido e realizado, sobretudo na história na emigração portuguesa. Daniel é ainda colaborador assíduo com vários orgãos de comunicação da diáspora portuguesa, em diferentes regiões do globo.