27 Feb, 2020 Última Actualização 10:04 AM, 27 Feb, 2020

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado José da Ponte

De Portugal ganhou o gosto pelo mar e pelos barcos. José da Ponte nasceu em 1956 na freguesia do Pico da Pedra, em São Miguel. Localidade tipicamente rural, a família subsistia da agricultura, actividade à qual se dedicavam. “Ainda hoje as pessoas se admiram como é que eu passei de lavrador para construtor de barcos”, afirma. “A freguesia onde nasci não tinha mar, ficava bem no meio da ilha, mas já nesse tempo sempre que eu via um barco, sentia algo especial”, conta. Nasceu nos Açores, mas é nos Estados Unidos da América que tem realizado o seu sonho: trabalhar com barcos. Emigrou em 1973, cheio de vontade e ambição. Chegou com 17 anos aos Estados Unidos da América com a família à procura de melhores condições de vida. Se fosse hoje, pensa que talvez não tivesse emigrado. “Portugal desenvolveu muito, mas na altura procurávamos uma vida melhor”, conta. “Quando cheguei à América fui trabalhar para uma fábrica de tapetes, mas estive lá apenas dez meses. A grande memória que tenho é que vim ganhar 1,90 dólares à hora”, recorda o agora empresário de sucesso. A fábrica de tapetes ficava bem ao lado do mar e, todos os dias, José da Ponte via as embarcações a passar. Na altura, construir e trabalhar com barcos era apenas um sonho. Mas esse sonho tornou-se realidade, à base de muito trabalho e espírito de sacrifício. Dois anos depois de estar em solo americano, numa vista aos Açores conheceu aquela que viria a ser a esposa e companheira de vida - Rosa da Ponte. Já casados, é nos Estados Unidos que a vida do casal se constrói, sempre em conjunto até hoje. Tendo começado a sua actividade profissional numa empresa de confecção de tapetes, rapidamente José da Ponte arranjou forma de integrar uma empresa de construção de barcos, onde o seu pai já trabalhava. Começou assim a grande odisseia de José da Ponte no mundo dos barcos, até que decidiu arriscar e criou a sua empresa em 1998. “Comecei a fazer barcos de 18 e 20 pés, criei ainda mais gosto e quis aumentar o negócio. Começamos a fazer modelos maiores e, hoje em dia, temos à volta de 12 diferentes modelos, barcos de 12 e 14 metros, que é o maior que temos”.

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Jorge Mendes

 

Jorge Mendes é hoje um conceituado advogado do sul de França, mas as suas origens pertencem a Cascais. Viveu até aos sete anos em Portugal, de onde tem ainda memórias do bairro onde morou, de vizinhos, da sua primeira bicicleta e da escola que frequentou e onde fez a primeira classe. Chegado a França em 1977, foi aqui que deu seguimento ao seu percurso académico. Assume que teve um fácil e rápido período de adaptação a Paris, cidade onde a família se instalou. “Não sofri muito na integração, nunca senti um mau acolhimento. Não me lembro como aprendi a língua francesa, surgiu rápido e de forma natural”. Sempre continuou a falar português em casa, o que lhe permite hoje dominar bem as duas línguas. Foi na região parisiense que fez os seus estudos secundários, mas quis completar o 12º ano em Lisboa, no Liceu Francês. “Permitiu-me descobrir melhor a minha cidade e o mau país, com 18 anos”. No final deste ano, regressa a França, agora para a região sul, onde ingressa numa Universidade de Direito. Saiu com Doutoramento em Direito, tendo lá estado durante nove anos como estudante e assistente universitário, tendo dado aulas durante alguns anos. “Só fui advogado aos 33 anos, com uma média de sete anos de atraso, porque preferi ficar na Universidade a dar aulas”. Quando chegou a hora de abraçar o mercado de trabalho, Jorge Mendes questionou qual a sua diferença perante os outros advogados. “Era a língua. Então comecei a trabalhar com a comunidade portuguesa. Frequentei festas, sardinhadas, bailes, e foi assim que, pouco a pouco, os clientes foram aparecendo”. Hoje, Jorge Mendes tem um gabinete com vários advogados e assistentes lusófonos, em Marselha.


O seu sonho era ter um trabalho que lhe permitisse contactar com os dois países (França e Portugal) e, isso, está-se a realizar diariamente. “Era o que eu queria, ter uma ligação sempre com Portugal e, ao mesmo tempo, ter um trabalho liberal. Agora, o meu sonho é poder passar alguns meses, quem sabe alguns anos, em Portugal, também para os meus filhos terem mais contacto com a língua”. Na sua vida e na sua profissão salienta o carácter que mantém e a acessibilidade para as pessoas. “Tenho sempre um olhar atento às pessoas”. Jorge Mendes é o presidente da delegação regional da Câmara de Comércio Franco-Portuguesa no Sul de França. Criei a Association Culturel de Beausoleil e é ainda o responsável por uma associação de eventos culturais no sul de França. No sul há poucas instituições e associações, não é como em Paris, mas eu estou a tentar criar eventos e associações para que depois possam continuar com outros. É assim que vejo as coisas, tentar implementar uma vida associativa no sul de França”. Apesar de ter a sua vida implementada em França, Jorge Mendes orgulha-se de seu país, Portugal, e quer sempre representar de forma digna as suas raízes portuguesas.

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Joe Cerqueira

 

José António Neto Cerqueira é um homem do mundo e já levou comida a três cantos diferentes. Nasceu em Portugal e começou a trabalhar na restauração ainda jovem, mas nos anos 70 lançou-se à estrada e mudou-se para França. Uns anos mais tarde decidiu abandonar a Europa, atravessou o oceano e foi parar à Venezuela. A ilha do Caribe conquistou-o e ainda hoje gostava de viver perto daquele mar, mas foi a norte do continente americano que fez a sua carreira. Mudou-se para os Estados Unidos ainda nos anos 80 e por lá ficou até hoje. Joe Cerqueira, assim conhecido nos Estado Unidos, continuou sempre ligado à restauração, mas também está envolvido na área jurídica e bancária. O Rocco´s Restaurant é o seu último projecto. “Um amigo meu, Salvador Couto e o sue filho, amigos de longa data, decidimos fazer um projecto juntos. Procuramos várias situações, mas nunca se concretizou. Este projecto apareceu porque ele teve a oportunidade de adquirir a propriedade, que vinha com este restaurante e logicamente quando ele se aproximou de mim para saber a minha abertura para este projecto, obviamente que a resposta foi positiva. Eu conhecia a casa”, explicou o início do projecto.

José considera-se “um homem feliz” e diz que nunca acorda mal disposto. “Sou uma pessoa bem-disposta por natureza”. O sorriso fácil vai mostrando essa faceta, assim como a simplicidade das respostas. Há cerca de 40 anos nos Estados Unidos, Joe diz que não se arrepende das decisões que tomou e se voltasse através provavelmente faria tudo igual. Com uma carreira sólida na restauração, Joe Cerqueira acredita que as pessoas “quanto mais trabalharem, mais sorte têm”, e é essa ambição que os pode tornar “Portugueses de Valor”.

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Adriano Fernandes

 

José Adriano de Caldas Fernandes tem, desde sempre, uma história de emigração ligada à sua vida. Nasceu a 28 de Fevereiro de 1962 na freguesia de Guilhadeses, concelho de Arcos de Valdevez. Com apenas um ano de idade, os pais emigraram para a Venezuela, levando-o com eles, e aqui passou uma boa parte da sua infância. Já com dez anos de idade, os pais manifestaram o interesse que Adriano Fernandes aprendesse a língua portuguesa nas escolas em Portugal. Desejo que o fez regressar a Portugal, onde passou cerca de dois anos com avós, até os pais regressarem de vez ao país de origem. Foi em Arcos de Valdevez que Adriano Fernandes fez os seus estudos, tendo completado o 12º ano. Por um período de dois anos, devido à falta de professores, ainda lecionou no Liceu de Arcos de Valdevez as disciplinas de Geografia e Físico-Química. Aos 20 anos conheceu a sua actual esposa, que estava emigrada nos Estados Unidos da América desde os sete anos de idade. Começaram a namorar e Adriano Fernandes acabou por ir para os Estados Unidos, onde se mantém até hoje.

Em solo americano, desde os 22 anos, a intenção era continuar os estudos, pois o sonho de infância era a medicina. A vida não o permitiu, acabando por começar a trabalhar no sector da construção civil, onde foi aprendendo a profissão. Manteve-se a trabalhar na mesma empresa durante dez anos, até sentir a necessidade de voos mais altos. O cunhado, que era também colega de trabalho, lançou-se sozinho criando uma empresa em 1993. Adriano Fernandes juntou-se a ele um ano mais tarde, formando assim uma sociedade que dura até aos dias de hoje - a Martins Construction, uma grande empresa de manutenção e construção de pontes. A qualidade do trabalho português é distintiva em solo americano. “O português está aqui bem visto, porque é trabalhador e honesto no seu trabalho. De uma forma geral, a comunidade portuguesa, está muito bem vista”, diz. Adriano Fernandes mantém a ligação a Portugal e faz questão de manter informado sobre o que passa no seu país de origem, lendo diariamente todos os jornais portugueses. Aos portugueses, envia uma mensagem de solidariedade. “Têm passado bastante nos últimos anos, devido aos problemas de austeridade, mas felizmente as coisas estão a ficar melhor”.

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado João Medeiros

 

João Medeiros nasceu na ilha dos Açores, no fim da década de 50. Portugal não vivia na plenitude das suas capacidades e muitos portugueses decidiram carimbar o passaporte em direcção a outra realidade. A família de João não foge à regra e emigrou para o continente americano. “Em 1969 fui com os meus pais para os EUA”, diz. Ao chegar a um país novo, uma realidade e cultura diferente, João atravessa a sua primeira grande dificuldade. “Com 10 anos fui para a escola e depois das aulas ia ajudar os meus pais. Viemos à procura de uma vida melhor, não falávamos a língua. Foi muito custoso”, confessa. Quando questionado pelo motivo da ter saído de Portugal, o português responde de forma peremptória. “Havia trabalho, mas não havia dinheiro”, relembra. Desde cedo, João Medeiros encarou a realidade profissional e logo criou a sua identidade. “O primeiro emprego foi a trabalhar num grupo, durante as férias escolares, e ao longo de 12 horas por dia. Com 10 anos já trabalhava. Fui cozinheiro e trabalhei numa fábrica de jóias”, realça. É neste contexto que João descobre a sua vocação.“Trabalhei muitos anos com artistas famosos. Era supervisor, tinha sempre muitas pessoas a trabalhar para mim. Tudo passava pelas minhas mãos e eu tenho muita experiência”, destaca. O empresário ganhou notoriedade na área da ourivesaria e em 1984 abriu o seu próprio espaço. “Decidi fazer a minha fábrica. Não sabia se ia ganhar dinheiro e não foi fácil”, diz. John Medeiros é o nome que veste o negócio do empresário e, ao mesmo tempo, espelha a vasta experiência que João acumula. A empresa é especialista em jóias e tem o cunho pessoal do português. Com as recordações escritas na memória, João é apaixonado por Portugal e por tudo o que envolve as suas origens. “O português é uma pessoa de classe, uma pessoa que trabalha muito. Gosto muito dos nossos portugueses. É preciso ter muita fé e nunca desistir”, realça.