26 May, 2020 Última Actualização 12:41 PM, 26 May, 2020

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado João Pinheiro

 

A ilha do Faial, nos Açores, viu nascer João Pinheiro, mas tem sido os Estados Unidos da América que têm presenciado a vida empresarial de sucesso deste português. Nasceu em 1942 e esteve nos Açores até aos 17 anos, altura em que se deu a erupção do Vulcão das Capelinhas, facto que o fez mudar de vida. “Na altura, o presidente John F. Kennedy instituiu uma lei especial para as pessoas afetadas pela erupção poderem emigrar para os Estados Unidos. O meu pai decidiu aceitar e viemos para aqui em 1959. A minha primeira lembrança é chegar aos Estados Unidos com a ideia de continuar os estudos, mas por norma os emigrantes não estudavam, iam logo trabalhar. Ao princípio esta ideia custou-me um bocado, mas hoje em dia sou feliz por estar onde estou e por ter duas culturas, a portuguesa e a americana”. Foi no Estado de Massachusetts que João Pinheiro se instalou e construiu o seu percurso de vida, pessoal e profissional. Começou por jogar futebol num clube semi-profissional, facto que lhe foi garantindo fazer alguns amigos e perceber como funcionava a sociedade americana. Algum tempo depois, já casado, juntamente com o seu sogro decidiu abrir uma oficina bate-chapas. Começaram apenas duas pessoas, hoje são 22 colaboradores. “Ganhámos, com muito orgulho, o prémio de melhor oficina de South Coast Massachusetts. Este projecto levou tempo a chegar ao ponto onde estamos hoje, mas conseguimos. Viemos para um país estrangeiro, e chegámos com muitas dificuldades à posição que temos hoje. Tivemos sorte de estar rodeados por pessoas que tinham conhecimentos, e nos ajudaram a dar seguimento a este projecto”. João Pinheiro é também um homem que nunca desiste dos seus sonhos e pensa não ter idade para os alcançar, independente do sonho. Impedido de continuar os estudos em jovem, foi há sensivelmente dez anos que conseguiu tirar um curso superior. “Tirei o curso por orgulho, não me serve de nada, mas eu queria ter este curso para poder realizar o meu sonho. É verdade que há 30 anos não o consegui tirar, mas isso ficou dentro de mim e por força de vontade graduei-me em Nashville”. Por isso mesmo, define-se como um homem com vontade de aprender para chegar cada vez mais longe. “Eu nunca estou satisfeito, mesmo com a idade que eu tenho estou sempre à procura de algo para melhorar e aprender. Nós temos de querer inovar e de aprender”. João Pinheiro continua fortemente envolvido na comunidade portuguesa, tendo sido o fundador do Clube União Faialense e do Azorean Maritime. Foi também fundador de duas associações de bolsas de estudo para ajudar crianças portuguesas nascidas nos Estados Unidos. “Para mim é um orgulho próprio poder ajudar quem necessita, e ajudar alguém a realizar os seus sonhos”. Admite ter um grande orgulho em ser português, açoriano e faialense. “Também tenho muito orgulho de viver nos Estados Unidos, país que me recebeu. Tenho duas culturas, mas nunca vou deixar a cultura portuguesa. Os portugueses que vivem em Portugal às vezes não têm a ideia real do que é ser emigrante, e do que é viver fora do país. Nós que vivemos aqui, sentimos mais do que muitas pessoas que vivem em Portugal. Nós vivemos Portugal, nós gostamos de Portugal e temos saudades de Portugal”.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Virgílio Santos

 

Pinela é uma aldeia e freguesia do concelho de Bragança, lugar onde nasceu Virgilio Santos. Foi aqui que cresceu na companhia do avô, que muito o marcou para a sua vida. Até aos 10 anos viveu junto dele e a ele agradece toda a educação que lhe transmitiu. Partiu de Pinela para França e integrou-se bem, apesar de sempre desejar regressar a Portugal. É em terras gaulesas que tem trilhado o seu percurso profissional, tendo começado por ser mecânico durante seis anos. Depois do serviço militar, passou para a área dos vidros, onde trabalhou para um patrão durante três anos. Ao fim desse tempo, decidiu avançar para a constituição de uma empresa, na mesma área de actividade, juntamente com sócios. Em 2009 assume sozinho a gestão da empresa, que mantém até hoje. Sempre sonhou ter a sua própria empresa, ser patrão de si próprio, e conseguiu. Virgilio Santos tem também um contacto próximo com a associação de Vincennes, apoiando anualmente a instituição. Para si, ser português é a melhor coisas do mundo e afirma ser português com todo o orgulho. Deseja, especialmente para os portugueses que estão espalhados pelo mundo, que continuem a ser unidos e pensem em Portugal, o que de mais considera ter. 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Vitor Martins

 

Vitor Martins nasceu no concelho de São Pedro do Sul e recorda, com nostalgia, a sua infância de aldeia. “Nascer e viver numa aldeia, na infância, é uma sorte e um privilegio, porque nos permite viver num meio calmo, tranquilo, onde toda a gente se conhece e acaba por ser bastante confortável e acolhedor para as crianças. Aprendi desde cedo a saber o que é a partilha e a solidariedade porque cresci com um irmão, e é importante recebermos estes valores em criança”. Vitor começou a trabalhar ainda enquanto estudava, com 23 anos, fazendo estágios de aproximação à vida activa. Fez o primeiro estágio no sector da banca, o que lhe permitiu descobrir o gosto pelo sector bancário. A partir daí procurou, enquanto estudava, novas oportunidades após esse estágio. Teve a sorte de entrar no Millennium BCP em 2005 onde esteve durante cinco anos. Começou como assistente de cliente, depois chegou a gestor de cliente empresas, que exerceu durante dois anos até ter a oportunidade de ir para França, em Janeiro de 2010. Ingressou no Banque BCP para desempenhar funções de animação de relação com o Millenium BCP, “numa altura onde se verificava uma nova vaga de emigração e era importante podermos dinamizar esta actividade. Exerci essas funções até fins de 2013, tendo depois assumido um cargo de direcção do Banque BCP, onde aqui me pude ocupar de tudo o que era distribuição, ou seja, rede de agências, canais digitais que temos à disposição dos clientes e também animar a rede comercial e as forças de vendas sobre diferentes elementos da nossa oferta”. Hoje, Vitor Martins está de regresso a Portuga para efectuar funções de marketing no Millenium BCP para a vertente diáspora. Tornou-se um profissional de referência, mas em criança teve ainda o sonho de ser piloto de aviões, que viu ser impossível de concretizar pelas vertigens que tem. Ainda assim, considera que o maior sonho que tem é ser feliz. “Será que já realizei? Penso que essa busca é eterna. Globalmente considero que sou uma pessoa feliz, mas na vida, com o tempo, vamos ajustando os objectivos, que considero diferentes dos sonhos. Fui cumprindo os objectivos, mas se me perguntar se chega? A resposta é não”. Sempre determinado na vida, foi base nos valores da “infância da aldeia” que pautou a sua vida: solidariedade, respeito, justiça, transparência e sinceridade. “Nunca esquecer de onde se vem, é uma frase que devemos cumprir, não basta afirmar. É importante ainda nunca esquecer o nosso lado humano. Nascemos todos na mesma forma, morremos todos da mesma forma, pouco importa o percurso que fazemos e os meios que temos”. Considera-se, no seu dia-a-dia, um Embaixador não oficial de Portugal, pelo orgulho que tem no seu país. 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Ricardo Macieirinha

 

Ricardo Macieirinha nasceu em Luanda, Angola, enquanto território português. Para Portugal Continental viajou com apenas um ano e meio. Da sua infância recorda como Leiria era uma cidade pequena e de todo o seu percurso escolar. “São as recordações normais de um jovem que vive o seu tempo de juventude”, afirma. Formado na área de Direito, pela Universidade Lusíada em Lisboa, é na advocacia que pauta o seu dia-a-dia em termos profissionais. Após terminar o curso, Ricardo regressou a Leiria onde fez o estágio e mais tarde se lançou por conta própria. Em 2003, materializou assim o seu objectivo primordial, ou seja, delinear os seus passos por si próprio e é nesta fase que começa a viver de perto com muitos portugueses emigrantes. “Cada vez mais querem apostar em Portugal”, afirma. O advogado sublinha o patriotismo de todos os portugueses que vivem além-fronteiras. “O meu tempo é dividido entre Leiria, Lisboa e Paris”, confessa. Actualmente, Ricardo Macieirinha tem um escritório em Leiria e estabelece uma relação muito estreita com um escritório em Lisboa. O seu escritório evoluiu para uma sociedade de advogados, chamada RBCM, composta por cerca de dez advogados, vocacionada maioritariamente para a área fiscal, empresarial, económica e financeira. Apaixonado por Portugal, o advogado descreve o seu país como detentor de uma história extraordinária. Defende que as pessoas fazem o nosso país e, por isso, afirma que não se devem considerar só portugueses aqueles que vivem em território nacional. Sonha com um Portugal mais justo, uma sociedade mais desenvolvida, vocacionada para o futuro, para se deixar o país preparado para as gerações vindouras. “Temos um país valorizado por muitos, mas nós não sabemos dar o devido valor. Por isso, o que desejo é poder contribuir dentro das nossas vontades para um país mais preparado para o futuro”.  Ricardo valoriza os princípios do humanismo, justiça e correção. “Devemos ser leais, justos e correctos, quer na vida privada, quer profissionalmente”. “Temos que olhar para os portugueses que tiveram a ousadia de sair de Portugal, cresceram fora de Portugal e que hoje em dia representam muito bem o nosso país”, afirma.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Tereza Carvalho

 

Tereza Carvalho nasceu numa pequena aldeia chamada Romeu, situada no concelho de Mirandela. Ali viveu com os avós até aos oito anos de idade. Dessa altura, guarda na memória as vivências da aldeia e lembra que foi com a avó materna que aprendeu o que era o Fado. “Foi através da minha avó materna que eu aprendi a amar o Fado”. A sua morte foi o momento que mais marcou a sua juventude. Tereza completou os estudos em Portugal com uma licenciatura em Arte e Design pelo Instituto Politécnico de Bragança. Nunca chegou a exercer a actividade porque o apelo do Fado sempre foi mais forte. “Porque o Fado é efectivamente aquilo que me completa. É o meu carregador”. Em 2014, mudou-se para França e foi então que se afirmou como fadista. “Foi em França que eu senti a 1000% que o Fado seria o meu caminho”. O percurso não tem sido fácil, mas Tereza orgulha-se de nunca ter baixado os braços e graças a essa coragem e persistência ter conseguido abrir portas. “As portas já se fecharam muitas vezes, mas eu consegui sempre abri-las. É uma luta constante, é uma procura constante, mas eu sei por onde quero ir e sei onde quero chegar”. Acredita que “somos nós que fazemos o nosso futuro. Aquilo que nós desejamos e que queremos, nós conseguimos”. Tereza considera-se uma pessoa solidária. “Não estou ligada a nenhuma associação de solidariedade, no entanto, ajudo quem me pede ajuda, seja a nível monetário, seja apenas apoio, gosto de ajudar.” Aos portugueses a fadista deixa uma mensagem: “nunca desistam dos vossos sonhos, mesmo que os outros digam que não os vão conseguir alcançar”.