16 Oct, 2019 Última Actualização 1:37 PM, 10 Oct, 2019

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Hugo Morgado

 

Hugo Morgado nasceu em Nogent-sur-Marne, mas assume que se sente mais português que francês. Com um ano de idade, seguiu com os pais para Portugal, lá permanecendo durante sete anos. Foi numa localidade, perto da cidade de Óbidos, que passou a maior parte da sua infância. Recorda-se de uma vida rural, no campo, com liberdade e alegria. O seu regresso a França ainda hoje lhe está gravado na memória. “Foi nu dia de Inverno, cheio de neve, coisa que eu nunca tinha visto na vida. Tinha oito anos de idade e ver a nova vida, em Paris, um centro totalmente urbanizado, foi uma grande surpresa para mim. Já no seu país de nascença, completou a sua formação, tirando um curso superior de Administração e Gestão de Empresas. Começou a trabalhar, juntamente com a mãe, nas agências de viagens, um negócio que ainda hoje é detido pela família. Seguiu-se uma experiência de cinco anos num banco, tendo chegado a director de agência, até que passou a gerir a Multipompage, uma empresa reconhecida em Paris pela especialidade em bombagem de betão.

Nomeada Portugueses de Valor 2019: Tina Dumont

 

Em 1982, Tina esperava comprar um bilhete de ida e volta, mas acabou por ficar em França. A região de champagne Ardenne conquistou literalmente o coração desta portuguesa, que acabou por casar com um jovem francês da cidade. Ele estava à frente de uma empresa familiar de champagne e Tina era professora de português para os filhos dos emigrantes. Juntos, tiveram três filhos e uma felicidade que durou 20 anos. Em 2004, Tina Dumont perdeu o marido e ficou com dois filhos menores a seu cargo, mas não baixou os braços. Continuou o trabalho do marido na empresa familiar e mostrou a sua faceta lutadora e “rigorosa” no mundo dos negócios. Hoje, está à frente de uma empresa onde as vinhas pertencem todas à família e o trabalho é caseiro, mas não deixa de ser apreciado além-fronteiras. “O champagne é elaborado por nós nas nossas caves, é vendido por nós, tudo é feito por nós, mas já está a ser muito conhecido no meio português”, afirma.

A produção da R. Dumont & Fils já foi provada e aprovada pelos Portugueses de Valor e é mais uma bebida com “sabor a estrelas”. Tina Dumont diz que não guarda remorsos na vida e prefere agir sem olhar para trás. “Não guardo muitos remorsos na vida porque geralmente faço aquilo que quero fazer, digo aquilo que tenho vontade de dizer. Eu acho que devemos sempre fazer aquilo que temos vontade e ir sempre para a frente. Olhar para trás não é muito boa ideia”, afirma. Há mais de 30 anos em França, Tina é uma das poucas portuguesas produtoras de champagne, mas apesar de produzir a especialidade francesa, não se esquece das suas origens e afirma que “ser português é ser orgulhoso do país onde nascemos”.

Nomeada Portugueses de Valor 2019: Beatriz Peixoto

 

Foi na freguesia de Vandoma, no concelho de Paredes, que nasceu Beatriz Fernanda Ferreira da Fonseca Peixoto. Corria o ano 1956 e o mundo ganhava uma cidadã lutadora pelos direitos humanos. Da infância, ainda passada em Portugal, recorda as suas origens e o convívio entre as famílias em Vandoma e Baltar. Em 1970 ocorre uma viragem na sua vida, tendo de emigrar para França com a sua mãe e irmã mais nova. O seu pai e o seu irmão já se encontravam em terras gaulesas, na altura em que esteve fugiu ao serviço militar em África. Beatriz Peixoto chega a França como clandestina, mas rapidamente começa a traçar o seu rumo neste novo país. Tinha 12 anos e levava consigo o certificado de estudo português da 4ª classe.

Em 1972 começou a trabalhar na empresa onde fez carreira durante 40 anos. Começou como aprendiz, e sente que foi uma lição para a sua vida. “Hoje continuo a dizer aos jovens: não se desvalorizem mesmo que não tenham estudos. Valorizem-se por aquilo que temos vontade de fazer, porque temos vontade de mostrar o que somos. Ninguém é superior a mim, mas também ninguém é inferior a mim. Eu tive a sorte de entrar numa empresa familiar onde os valores humanos eram bastante importantes e, quando comecei a trabalhar como aprendiz evolui com o tempo, sempre em formação, e acabei como chefe de atelier, que era o posto de maior importância e que eu gostava de ter”. Beatriz dirigia e exportava trabalhos, numa empresa de fundição.

É com base em valores humanos, como a amizade e a fraternidade que Beatriz tem assente a sua vida. Está eternamente ligada ao meio associativo da região onde mora. Criou a Associação Franco-Portuguesa da Juventude e a Federação das Comunidades Portuguesas da Normandie, tendo estado 27 ligada ao meio associativo. “Encontrei uma comunidade portuguesa, do Norte ao Sul de Portugal com muita humanidade, com muita coragem de vida, a participar, sem valores financeiros”. Para além do meio associativo português em França, Beatriz transmite a cultura portuguesa aos franceses, proporcionando o melhor de uma aliança franco-portuguesa. Organiza visitas a Portugal para grupos de franceses onde podem ver e explorar as tradições mais seculares do nosso país. 

Nomeado Portugueses de Valor 2019: José Gonçalves

 

José Gonçalves nasceu na freguesia de Carnide, em Pombal, a 19 de Julho de 1952. Hoje é empresário na área da construção civil, com uma empresa de aluguer de gruas, mas até aqui chegar um longo caminho teve de percorrer. Em Portugal, foi resineiro e desenvolveu actividade na área da agricultura. Em 1970 veio para França a salto, tendo ido trabalhar para a construção civil durante dois anos. A pé e de comboio, mais para fugir ao serviço militar, pois estávamos na época do Ultramar e José temia ter de ir para a guerra. Foi então que ingressou numa outra área de actividade: as gruas. Trabalhou para outrem até 1990, quando decidiu lançar-se por conta própria. Ao início, fazia apenas montagem de gruas, mas depois começou a comprá-las e a alugá-las.

Neste momento, a AMP, empresa que dirige, tem cerca de 200 gruas que aluga e monta na região parisiense. Agradece profundamente à esposa e à família pela compreensão e apoio durante estes anos de árduo trabalho. Sempre teve dentro de si o bichinho da fotografia, pelo que, durante muitos anos, sonhou com uma carreira de fotógrafo. Humano, trabalhador e humilde: são estes os três adjectivos que José utiliza para se descrever. Passear a pé, ir a festas, ouvir fado e passar tempo com a família são as pequenas coisas que lhe dão mais prazer na vida. Não esquece a componente associativa, fazendo também parte da Academia do Bacalhau de Paris.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: José Maria Costa

 

Foi na antiga Lourenço Marques, hoje Maputo e capital de Moçambique, que José Maria da Cunha Costa nasceu, corria o ano de 1961, a 5 de Março. Dos tempos em África guarda boas memórias. Recentemente visitou as suas origens e foi com emoção que voltou a ver a sua escola primária, o local da sua Comunhão e onde sentiu novamente a simpatia das pessoas. “Guardo na memória momentos de muita felicidade. Tive uns pais maravilhosos e que foram capazes de me dar uma boa educação, esse é o melhor património que se pode ter”. Chegado a Portugal, passou por processo de adaptação a uma nova realidade. Não tardou em amar a sua cidade do coração: Viana do Castelo. “Foi lá onde casei, onde tive a minha filha, é a cidade que eu amo e que estou também a dar um contributo para o seu desenvolvimento”.


José Maria Costa formou-se em Engenharia Química e foi Quadro Superior dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo entre 1986 e 1994, onde passou pela produção e pelo projecto. Seguiu-se a sua incursão na política, onde tem um percurso ímpar. “Fui eleito e estou há 25 anos na vida política autárquica, que abracei e que gosto, e acima de tudo, porque podemos trabalhar para benefício da nossa comunidade”. Foi adjunto do presidente da Câmara de Viana do Castelo entre 1994 e 1997, vereador do mesmo Município entre 1998 e 2009 com os pelouros do Ambiente, Desenvolvimento das Freguesias, Área Social e Desenvolvimento Económico. Assumiu a presidência da Autarquia em 2009, estando actualmente no seu terceiro mandato. Para além disso, destaca-se a presidência da Assembleia Geral da Rede Portuguesa das Cidades Saudáveis, a presidência do Eixo Atlântico, a presidência da Conferência das Cidades do Atlântico, a presidência da RIETE – Rede Ibérica de Entidades Transfronteiriças, desde 15 Outubro 2013, a presidência da CIM – Comunidade Intermunicipal do Alto Minho, desde Outubro 2013 e foi ainda Membro Comité das Regiões da UE, no mandato 2013-2017.