27 Feb, 2020 Última Actualização 10:04 AM, 27 Feb, 2020

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Artur Brás

 

Artur Mateus Brás é o seu nome completo, mas hoje é conhecido em França apenas por Arthur Brás. Oriundo de Vieira do Minho, onde nasceu em Outubro de 1948, Artur teve uma infância semelhante às crianças daquela altura. Sente que foi um privilegiado por, aos 11 anos, ter a oportunidade de ir estudar para Braga, aquilo que designa por o começo da sua vida. Em Braga esteve até 16 anos, onde completou o 5º ano na Escola Industrial Carlos Amarante. Assume que foi o momento mais difícil da sua vida, vinha apenas cerca de quatro vezes por ano a casa. Na altura, estava numa família de acolhimento. Era filho de lavradores e, por isso, também aqui tinha de ajudar no cultivo das terras, apesar de gostar muito de brincar e de ser acarinhado pelas pessoas de idade que o rodeavam. Aos 17 anos, decidiu emigrar para França, por causa da guerra das colónias portuguesas. Já em território francês, apesar de não conhecer ninguém, a sua ambição permitiu que rapidamente crescesse profissionalmente. “Comecei na construção, como muitos, era o nosso ponto de partida. Em pouco tempo, cerca de meio ano, consegui chegar a encarregado. Falava um pouco de francês, o que terá facilitado a minha integração. Pouco a pouco, fui subindo de escalão. Cheguei a encarregado geral com 20 anos, condutor de trabalhos com 23 e a director de agência com 26 anos. Sempre com ambição”, recorda.


Aos 27 anos regressou a Portugal, com a ideia de aqui se fixar de vez. Realizou vários investimentos em Vieira do Minho e começou a trabalhar por conta própria. Ao fim de um ano, um acidente numa obra fê-lo regressar a França, onde criou a sua empresa em 1977, especializada em vivendas de luxo. “Uma casa Arthur Brás, em França, é conhecida por ser uma casa de prestígio, optei sempre pela qualidade”. A empresa Arthur Brás Construções permaneceu no activo até ao dia em que Arthur Brás completou 40 anos e decidiu, novamente, regressar a Portugal. “Aí talvez já fosse tarde e tive dificuldades em me adaptar a Portugal. Voltei a França, e criei o grupo que tenho hoje. Recuperei a empresa que tinha na altura, que estava em dificuldades, e criei o Grupo Arthur Brás, onde desenvolvi a construção e promoção imobiliária, e agora também um hotel, o Hyatt Regency Chantilly”.


Arthur sempre foi ambicioso, querendo sempre estar na frente. “Ainda hoje, com a minha idade ainda continuo a desenvolver grande projectos. Não está no meu objectivo parar”. Assume que os valores presentes na sua vida assentam na educação que recebeu dos seus pais - seriedade e palavra. “O nome Arthur Brás é nome de muito respeito e que não se toca, porque a única herança que tenho na minha vida foi a herança do meu pai da palavra e da seriedade”. Participa na comunidade portuguesa da região, já presidente de uma equipa de futebol e participa financeiramente sobre várias acções de solidariedade. Considera-se português para sempre. “Tive sempre a nacionalidade portuguesa, nunca precisei da francesa. E tenho sempre prazer, onde vou, de dizer que sou português”. Aos português deixa uma mensagem de querer e de vontade. “Muita união e respeito pelos outros, é que isso que é importante na vida”.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Arlindo dos Santos

 

Arlindo dos Santos nasceu na aldeia de Cepelos. Cresceu no Norte de Portugal, no concelho de Vale de Cambra, mas tal como muitos portugueses, veio para França ainda jovem. “Precisava de arranjar trabalho” e, por isso, começou na área da construção, nos revestimentos de fachadas. Em Abril de 1987, decidiu fundar uma empresa e aventurou-se por conta própria. A “Enterprise dos Santos Arlindo” começou apenas com três empregados determinados e com vontade de avançar. Com o tempo, o negócio evoluiu e actualmente o empresário é presidente do grupo DSA. Com mais de 700 funcionários e uma estrutura que poucos atingem, este grupo reúne um portefólio composto por várias empresas que cobrem todo o território francês. Dedica-se essencialmente à criação de fachadas em construções, ao isolamento térmico exterior e à renovação interior e exterior. Abrange tanto os materiais convencionais, como o gesso, a pintura, o tijolo ou argila, como técnicas mais modernas. O empresário recorda que “foi evoluindo pouco e pouco”. Em 2004, a empresa abandonou a sede localizada na cidade de Cachan, no departamento Val-de-Marne e mudou-se para Chilly-Mazarin. Actualmente, o grupo DSA tem novas instalações situadas em Massa, nos arredores de Paris.

O empresário está convicto que só a coragem e a vontade das pessoas é que podem mudar a vida. Arlindo é determinado e teve talvez a coragem necessária para avançar. “É preciso trabalhar, ser sério e sofrer certos riscos porque nem tudo é dado”, afirma. O empresário já teve alguns percalços, já conheceu o reverso da moeda, mas hoje colhe frutos. “Foi difícil fundar a empresa, passar por aquelas dificuldades, mas hoje estou contente”, confessa. Quando está a falar do seu trabalho, nunca esquece os funcionários. Muitos deles já somam mais de 20 anos de casa e são “quase família”. “Eu gosto de os ter do meu lado porque foi com eles que eu consegui chegar até aqui”. Hoje, descreve-se como pessoa discreta e séria. Desvia-se das câmaras, não procura protagonismo, embora o mereça. Lembra que “a vida pode ser curta” e, por isso, não pede nem espera muito mais do futuro. “Amanhã espero consolidar o que eu fiz até hoje”, disse à Lusopress. Durante 30 anos, construiu um grupo sólido no estrangeiro, mas ainda tem saudades da terra onde nasceu. Arlindo dos Santos afirma que a França tem o seu respeito, mas Portugal pode conta sempre com o seu patriotismo. “O meu hino será sempre o português”.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado José Ventura

 

José Ventura nasceu no ano de 1960, na vila de Montelavar, concelho de Sintra, local onde passou a sua infância. Vivia perto do campo e os seus avós tinham animais de criação, por isso sempre teve grande liberdade e contacto com a natureza. Foi criado nesse meio até ao falecimento do avô materno, que a o núcleo da família. Nesse momento decidem emigrar para França e começar uma vida nova. “Eu vim juntamente com a minha mãe e a minha irmã, mais nova, a salto”. Já em França, continuou na escola a muito sacrifício, sem saber falar francês. Fez um CAP (Certificado de Aptitude Profissional) como serralheiro civil, área que escolheu não prosseguir, porque acabou por se instalar com um sócio no ramo do calçado. Quando o seu primeiro sócio foi morar para o Brasil, José associou-se a um dos seus fornecedores e manteve a empresa, que ainda hoje dirige, a MENPORT, especializada na venda para revenda de calçado. “Comecei nos sapatos em 1985, tinha 25 anos, foi uma vida de muito sacrifício, tinha sido pai à pouco tempo. Não éramos muito conhecidos, e fazer o nosso lugar no mercado foi complicado. Hoje temos mais de 30 anos de casa, somos reconhecidos pela qualidade e seriedade no trabalho”.

José caracteriza-se como alguém com o certo excesso de ambição, o que o levou a dar propriedade ao seu trabalho sobre a sua vida pessoal, algo que de certa forma lamenta. Diz-se uma pessoa fácil de lidar, e julga que a sua maior qualidade seja talvez a franqueza. Estar com a sua família e tentar viver o melhor possível com as pessoas com quem convive é algo de muito importante para si. Sempre sonhou em conseguir deixar algo de bom para as filhas, fruto da educação que teve, e sente que o conseguiu. “Estamos de passagem, mas sempre fui ambicioso em criar a minha própria empresa, ser dono de mim próprio, com muita luta”. José não abdica da seriedade em tudo na vida e de ser bom para os outros. Faz parte da Academia do Bacalhau de Paris, sendo um dos membros mais antigos, sempre gostou de conviver e ajudar o próximo. Também apoia instituições francesas também ligadas a doenças. Diz também que não abdica de forma alguma das suas férias em Portugal. Considera que os portugueses se têm, ao longo do tempo, afirmado como um povo sério, trabalhador e pontual, “qualidades que são reconhecidas em qualquer parte do mundo. Para mim ser português é ser reconhecido pela honestidade e ser amigo do próximo. Sou muito patriota, gosto muito de Portugal, tenho lá casa, vou assim que posso. Uma das minhas filhas já vive lá. Gostava que todos os portugueses fossem orgulhosos daquilo que somos. Temos pessoas de muito valor, somos reconhecidos pela nossa seriedade no nosso trabalho”.

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Luís Silvério

 

Luís Silvério é uma verdadeira referência em Portugal na revenda de pescado fresco e congelado. O talento para esta arte passou de geração em geração e foi transmitido como uma herança da família. O avô já negociava peixe e o pai também fazia uma pequena distribuição na aldeia, mas os tempos eram diferentes e as dificuldades bem maiores. “Naquela altura a distribuição era feita com carroças e com burros. No tempo da escola, o meu pai punha-me em cima de um burro para ir fazer vendas de peixe às aldeias juntamente com os funcionários que ele tinha”, recorda. Luís não esconde a admiração que sente pelo pai e diz que ele foi uma das pessoas que mais o inspirou. “O meu pai não sabia ler nem escrever, mas vendia peixe pelas aldeias e tinha o seu livro de fiados onde apontava todos os fiados que fazia às pessoas através da numeração”. O empresário estudou em Torres Vedras na Escola Industrial, mas depressa trocou os livros pelo trabalho e arregaçou as mangas para se juntar ao irmão mais velho. “O meu irmão lançou-se por conta própria e começou a comprar peixe em Peniche e a levá-lo para a Ribeira Nova em Lisboa. Eu ainda andava na escola, mas disse que não queria estudar mais, fui ter com ele e aos 15 anos fui para a Universidade da Vida que era a Universidade da Ribeira em Lisboa”, diz-nos.


A Universidade da vida até pode ter sido exigente, mas hoje reconhece que o preparou da melhor forma. “Havia lá um senhor em Lisboa que tinha um armazém onde é hoje a Portugália. Eles escreviam umas letras muito mal feitas, mas eu tinha que ir para a porta do armazém conferir o peixe e tinha que perceber a letra que eles escreviam. Depois comecei a crescer e com apenas 21 anos já era empresário”, recorda. A empresa Luís Silvério & Filhos foi fundada em 1987. Na Nazaré têm uma moderna unidade fabril com uma fábrica de congelação e um armazém para peixe fresco. Parte do peixe comercializado pela empresa vem da Mauritânia, Marrocos, Senegal, Espanha, Noruega, Tanzânia, Uganda e África do Sul. Depois é distribuído pelo território português ou além-fronteiras, abastecendo grandes grupos como o Jerónimo Martins, Makro ou Ocean e navegando em novos mercados como é o caso do americano ou italiano. “Nós estamos a mandar sardinhas frescas para a América e para o Canadá, carapaus, peixes nobres de qualidade para os grandes restaurantes de Nova Iorque e para Itália para uma peixaria ultra moderna. Conseguimos fazer isso com bom produto, boa qualidade e temos orgulho em elevar o nome de Portugal”, afirma Luís Silvério.


Actualmente dá trabalho a mais de 30 funcionários e garante todos são tratados como membros da família. O empresário diz sempre “aos mais novos que são todos filhos” e este carinho é retribuído pela equipa. A solidariedade também é um dos valores transmitidos, por isso, fazem frequentemente importantes doações para os Bombeiros Voluntários e apoiaram inclusive a viagem do surfista McNamara até à Nazaré para dinamizar a localidade. O nome do empresário é reconhecido e a opinião é unânime na cidade. “Eu acho que todos gostam de mim e eu gosto de todos”, diz-nos. O trabalho e a humildade caracterizaram o seu percurso e, aos 62 anos, Luís Silvério garante que é um homem feliz com as marés da vida.

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado José Fernandes

 

José Fernandes nasceu em 1958 na freguesia de Alfaião, do concelho de Bragança. É precisamente aqui que hoje é visto como um herói, não fosse o Comandante dos Bombeiros de Bragança. Ainda hoje se recorda na entrada na escola, com apenas sete anos e actividades que fazia com amigos de então. “A partir do fim de Maio nós, na minha aldeia, íamos com as vacas para o rio. A partir de Junho levávamos a merenda, guardávamos as vacas e íamos nadar”. Seguiu-se o liceu, que completou até ao 7º ano, indo depois para a tropa. Há 40 anos que José Fernandes é militar. Começou como sargento, correu várias unidades do país, concorreu ao Instituo Superior Militar, em Águeda, e transitou para o curso de Oficiais. Foi promovido várias vezes, até ao posto que hoje desempenha, de Tenente Coronel. Sente-se um homem realizado e com todos os todos os sonhos alcançados, até mais do que algum dia pôde imaginar. “Nunca pensei desempenhar funções nobres como as que desempenho agora. Temos de ter disponibilidade 24 horas por dia, 365 dias por ano. Nas recordações que eu tenho, eu sempre gostei de ser militar. Recordo-me quando andava no liceu e admirava os militares fardados no quartel de Bragança. Felizmente concretizei este sonho e fiz tudo o que queria fazer”. É casado há 35 anos e tem dois filhos, ambos a viver actualmente no estrangeiro.
Um dos seus lemas de vida é questionar-se o que pode dar aos outros. “A vida já me deu muito. É isso que tenho feito nestes últimos 14 anos que estou a comandar os Bombeiros de Bragança. Nós temos feito muito, e ajudamos muita gente. Não nos interessa quem é, mas sim onde é para socorrer o mais depressa possível. Inicialmente estive aqui requisitado pelo exército, e era o exército que me pagava. Agora, estou aqui a título totalmente voluntário, sou um dos muitos voluntários que trabalham nesta casa. Estou a concretizar um sonho e uma ambição pessoal”.
Se há profissões que são solidárias, ser bombeiro é uma delas. Mas, além disso, José Fernandes é ainda presidente da Liga dos Bombeiros do Núcleo de Bragança. Para si, ser português é um orgulho imenso. “Se há coisas que os militares fazem é amar e defender a sua pátria, inclusive com o sacrifício da própria vida. Todos os portugueses devem ter o maior orgulho em serem portugueses. Nós, já dominámos o mundo, hoje em qualquer canto do mundo encontramos um português”.