06 Aug, 2020 Última Actualização 4:37 PM, 6 Aug, 2020

Portugueses de Valor 2020: Nomeado David Fernandes

 

David Fernandes, jovem lusodescendente, quis seguir o mesmo percurso profissional do pai. Há alguns anos comprou-lhe a empresa com 74 trabalhadores, na área da construção e renovação de habitações sociais, que hoje faz cerca de 20 milhões de euros de volume de negócios. Apesar de ter nascido em França, herdou a cultura e as raízes dos seus pais, por isso sente-se português e francês. Considera ter tido sorte em nascer num bom país e sem o êxito do seu pai, a quem está muito grato, nunca teria chegado a este nível empresarial. Tem muito orgulho nas suas raízes e nunca renegará as suas origens. Como trabalha apenas com o Estado francês, acha normal não ter um reconhecimento pelo que faz, dado que Portugal não conhece as suas competências. Considera os portugueses patriotas, que mostram muito orgulho nas suas origens. Todos os anos, através da sua empresa, ajuda monetariamente uma associação de pessoas com deficiência motora ou mental. A sua empresa tem cerca de 30% de empregados portugueses. O pai é a pessoa que mais admira, é verdadeiramente o seu ídolo por aquilo que tem feito, tendo conhecido a miséria, como outros portugueses, lutou até ter alcançado o sucesso na sua vida. Em relação a Portugal, tem saudades dos seus avós, que infelizmente já faleceram, do Sol e das pessoas que acha mais calorosas que em França. Expressa o desejo dos portugueses continuarem a ser orgulhosos do seu país e que sejam mais unidos. Espera também que os jovens saibam guardar essa cultura que lhes foi legada pelos pais.

 

Portugueses de Valor 2020: Nomeado António Baptista

 

António Baptista emigrou com os pais para França quando ainda era pequeno. Tinha apenas 11 anos quando fez a mala, saiu da aldeia que o viu nascer e atravessou a fronteira com os pais e os irmãos. Em Paris formou-se e passou uma boa parte da sua juventude, mas com 27 anos decidiu voar mais longe e correu atrás do sonho americano. Viajou até aos Estados Unidos, instalou-se no país e criou uma família para lá do Oceano Atlântico. "Dei mais um salto e vim para os Estados Unidos", diz-nos. "O meu sogro encontrava-se na América e naquela altura tínhamos todos o sonho americano, aquela ilusão, por isso, decidi vir também". Depois de passar algum tempo nos EUA, António Baptista ou Tony como é conhecido entre os amigos, começou a ponderar regressar à Europa, mas o sogro decidiu apoiá-lo na criação de um negócio e acabou por ficar. Hoje já tem filhos, netos e, apesar de continuar a adorar Portugal, reconhece que estes laços estabelecidos no continente americano tornam impossível qualquer regresso. "Portugal é sempre o meu país de sonho. É onde eu passo as minhas férias, onde fico bem porque sinto que é o meu país e sempre que tenho uma oportunidade vou para lá de férias", diz-nos, "mas tive aqui os meus filhos, eles cresceram cá, hoje já tenho netos e reconheço que é impossível voltar". António Baptista já esteve ligado à construção civil, à restauração, fundou e dirigiu uma Escola de Karaté durante muitos anos e, graças a esse projecto, ajudou muitas crianças e jovens com problemas familiares que precisavam apenas de apoio. "Eu tenho ajudado muitas pessoas, alguns conhecidos outros não conhecidos, mas de facto ao trabalhar nas artes marciais ajudei crianças com problemas de álcool, problemas de drogas e, felizmente, consegui obter sempre bons resultados nesse trabalho. Eu notava que 75% dos problemas vinham de casa, não das crianças e acabei por ajudar a resolver muitas situações delicadas", conta-nos. A Escola de Karaté fechou em 2015 e, actualmente, António Baptista está a trabalhar no ramo automóvel com uma oficina. Confessa que gostaria de investir na sua terra natal e pensa que "em Portugal existem as mesmas possibilidades de vencer" e triunfar. O empresário considera que os emigrantes saem do país com uma missão e lutam por vezes mais quando estão fora, quando estão longe da sua zona de conforto. "Eu acho que nós quando saímos do nosso país, saímos da nossa casa e queremos mudar de situação. No estrangeiro penso que depois trabalhamos com mais força, talvez porque queremos concretizar logo esse sonho do emigrante, mas em Portugal também seria possível e também poderíamos vencer. Aqui a nossa missão é melhorar a nossa vida. Uns conseguem, outros não, mas claro que só saímos do nosso país porque queremos condições melhores, um conforto maior e mais benefícios", afirma. Apesar de ter vivido grande parte da sua vida fora de Portugal, continua a suspirar pelo país que o viu nascer e escolhe-o sempre como destino de férias. Descreve os portugueses como "trabalhadores, pessoas honestas e lutadoras" e pede para terem mais orgulho, para acreditarem mais nas suas conquistas. António Baptista também foi um lutador, conquistou muito para lá do Oceano Atlântico e, por isso, está nomeado para os Portugueses de Valor.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Olívia Carvalho

 

Olivia Carvalho é mais um exemplo de força, oriunda de uma pequena freguesia do concelho de Barcelos, Galelos de Santa Maria, terra desde sempre ligada à olaria, facilmente se descobre as origens do aproveitamento do barro e a razão de existir das mais antigas tradições ligadas ao fabrico do afamado Galo de Barcelos, actividade essa que começou com apenas 14 anos, na pintura destas tão características figuras. Nesta localidade, recheada de jovens, fruto de várias famílias numerosas, era esta a ocupação profissional da grande maioria dos seus habitantes. Mas Olivia Carvalho teve um ano de viragem, e que viragem. Em 1968 com 19 anos, decide casar e seguir com o seu marido rumo a França, sendo que conhecer novos lugares e pessoas faziam parte das suas ambições e esta opção de vida ia de encontro aos seus sonhos. Esta ida para França, teve como base o seu sogro que já estava integrado há 3 anos neste país, dando a possibilidade ao seu marido de iniciar o seu trabalho na área da construção civil, onde inclusivamente, Olivia pôde participar nas primeiras obras, dando o seu contributo em pinturas, aproveitando a experiência trazida da sua primeira experiência profissional. Lembrando-se hoje de como era difícil a ida e integração em França, hoje dedica-se a ajudar os portugueses que decidem ir para este país. É assim que Olivia se sente feliz e realizada, provando que o espirito de entre-ajuda fortalece os laços da nossa comunidade. Mesmo tendo viajado um pouco por todo o mundo e conhecido muitos locais de grande beleza, é em Portugal que mais gosta de estar e onde se sente segura e certamente que Portugal sentirá que bom filho à casa torna.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Alberto Mota Borges

 

Alberto Mota Borges nasceu no Canadá, em Toronto. Os pais eram emigrantes, mas regressaram às origens, cedo. Apesar de ter vivido alguns anos no estrangeiro, confessa que a sua matriz de funcionamento é portuguesa” e do Canadá trouxe apenas a ligação e o afecto peça diáspora. Quando fala, não consegue esconder o bom sotaque açoriano e foi na ilha de São Miguel que desenvolveu uma boa parte do seu percurso profissional. Alberto Mota Borges foi chefe da Divisão de Planeamento, Gestão e Controle da ANA Aeroportos de Portugal para a Região Autónoma dos Açores, na estrutura instalada no Aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada. Em 2015 deixou a ilha e descolou em direcção ao Algarve. Actualmente, é o novo director do Aeroporto Internacional de Faro e confessa que recebeu este cargo de braços abertos. “É o melhor projecto que eu poderia ter neste momento. Eu desenvolvo-o com muito entusiasmo, alegria e empenho. Todas as energias que eu tenho, concentro-as neste trabalho da melhor forma possível”. Desde que assumiu a direcção do Aeroporto de Faro, já anunciou novas rotas e prepara-se para fazer sempre melhores anos. Alberto Mota Borges quer voar mais alto e acredita que assim, consegue levar o nome de Portugal mais longe. “Eu consigo levar o nome de Portugal mais longe nas actividades que desenvolvo porque têm interacção com o estrangeiro. Procuro fazê-lo de uma forma profissional, leal, assertiva, preocupando-me sempre com o interesse geral e não com os interesses particulares ou específicos”. Acredita que o melhor reconhecimento que pode ter #é a satisfação das pessoas” e a convicção de que “elas estarão melhor no dia seguinte do que no dia anterior”. Durante o seu percurso, fez a preparação de crianças e jovens para provas de natação e semeou assim uma semente que já produziu resultados e melhorou a vida de alguns. “Ter amigos que hoje são nadadores é um prazer incrível e eles reconhecem que alguma coisa foi feita por eles”, afirma. Quando está fora de Portugal, “tenta aprender e ver o que de melhor se faz lá fora” e confessa que só sente falta da família e dos amigos. Afirma que “é preciso arriscar, aceitar os desafios que vão surgindo” e pede aos portugueses para acreditarem mais nas suas capacidades. “Nós temos as condições totais para ter sucesso em qualquer parte do mundo”. Aos 50 anos arriscou, mostrou que é possível ter sucesso em Portugal e colocou o mundo mais perto dos portugueses. Até porque os sonhos estão muitas vezes à distância de uma pequena rota de avião.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Rui Gameiro

 

Rui Gameiro nasceu na capital portuguesa, mas foi no concelho de Pombal que viveu a sua infância. “Os meus pais são de Pombal, Santiago de Litém. Gosto muito desta terra”, confessa. Foi na zona centro de Portugal que cresceu e, por isso, nutre por este recanto um carinho especial. Entretanto, aos 14 anos, Rui muda-se para Lisboa e a sua vida muda completamente. “Trabalhava de dia e estudava de noite”, diz. Apesar do ritmo intenso, o português sentia-se enraizado nesta sua nova experiência e adaptou-se com facilidade. Poucos anos depois e por vicissitudes da vida, Rui Gameiro vê-se obrigado a mudar de país e muito por influência do irmão. “Na altura não queria sair de Portugal, mas o meu irmão insistiu para eu vir para França porque ele sentia-se sozinho”, afirma. É neste contexto que Rui parte para França e abraça assim um novo desafio. Com a ajuda do pai, o português ingressa na área da restauração e oferece os seus serviços a dois restaurantes, um francês e outro italiano. É sobretudo na base do trabalho, que empregou em solo francês, que em 1981 se aventura numa nova experiência. Em conjunto com um amigo, e ao atingir os 25 anos, decide abrir uma empresa. “A primeira empresa que criamos foi a La Fontaine, a segunda foi a empresa Cristal, que ainda hoje existe”, refere. A experiência de se tornar num empresário ganhou contornos reais e Rui abraçou quase toda a sua vida a desempenhar estas funções. Trabalhar faz parte da identidade do empresário, no entanto, um acontecimento inesperado culminou na merecida reforma. “Infelizmente tive um enfarte e foi aí que parei a minha actividade”, refere. Rui Gameiro é hoje aposentado, no entanto, apenas para a componente profissional. O empresário aproveita a vida de forma apaixonada e não esquece as suas raízes. “Tenho os meus netos em Portugal, quanto mais tempo lá passar mais perto estou deles”, confessa. Com um olhar que traduz a experiência que acumulou ao longo da vida, é com palavras sonantes que o português realça uma verdade inquebrável. “Estamos aqui de passagem e há que aproveitar a vida”, conclui.