24 Oct, 2020 Última Actualização 4:25 PM, 23 Oct, 2020

Nomeado Portugueses de Valor 2019: António Morais

 

Foi a cerca de 40 quilómetros da Serra da Estrela, na aldeia de Santa Eulália, pertencente ao concelho de Seia, que nasceu António Morais. Corria o ano de 1949 quando nasceu um homem destinado à actividade comercial de lacticínios. “Nasci pobre e humilde, e recordo-me de transportar leite com um burro numa carroça, para fazer queijos. Ia buscar o leite numa carroça, a minha mãe faia o queijo e o meu pai vendia nas feiras”. António Morais fez ainda a vida militar e só quando regressou é que entrou a 100% na actividade de produção e comercialização de queijos, juntamente com o pai e o irmão.
 
Apesar de ter estado sempre envolvido nesta actividade, foi nesta altura que surgiu a construção da Queijaria Anastácios. “Fomos crescendo aos poucos, a procura do nosso queijo sempre foi muita, pois era feito com assiduidade e muito cuidado para ser um bom queijo. Nós fomos pioneiros na produção de queijo nesta região, já apareceram outros produtores, mas nada que se compare à qualidade do nosso queijo”.
 
António Morais revela-se um homem sonhador, que conseguiu cumprir o sonho de construir uma fábrica. Infelizmente teve um AVC há alguns anos, facto que o tem deixado impossibilitado de lutar por novas conquistas. Não deixa de ser uma pessoa solidária, ajudando sempre que possível organizações locais, entre as quais os Bombeiros. “Para mim ser português é um orgulho e sempre me considerei patriota. É importante trabalhar em prol do desenvolvimento, quer da minha vida, quer do desenvolvimento dos negócios”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Francisco Arvana

 

Foi em Estremoz que Francisco Arvana nasceu e também onde cresceu, formou família e se estabeleceu profissionalmente. Recorda que começou a trabalhar muito novo, ajudando os avós e com 12 anos já trabalhava no talho dos seus pais. O sector da carne esteve presente desde sempre na sua vida e viria a tornar-se sua actividade profissional. Com 14 anos começou a trabalhar por conta de outrem, mas sempre no mesmo ramo, a venda de carne. “Considerava-me cortador de carnes ao balcão. Aos 21 anos casei-me e aos 22 achei que tinha de fazer algo porque aquilo que eu ganhava era quase só para pagar a renda de casa. O meu vencimento era cerca de 8500 escudos, e eu pagava 5850 de renda de casa”.
 
Foi trabalhando por si próprio e ao fim de ano e meio “já matava 25 animais por semana, e ao fim de três anos achámos que devíamos mudar o negócio visto que tínhamos entrado na comunidade europeia”. Foi assim que Francisco Arvana criou a Salsicharia Estremocense, na década de 80, e conseguiu cumprir um sonho que tinha desde criança: ter comércio e vender com facilidade. “A minha ideia era que fosse algo de maneios fáceis e que satisfizesse as pessoas, e isso eu consegui. Digo que consegui satisfazer a minha curiosidade e a minha exigência comigo mesmo”. Revelador de um espírito tranquilo, Francisco Arvana assume que para estar bem na vida, só precisa de estar bem com os outros. “A honestidade e não querer para os outros aquilo que não queremos para nós são valores essenciais. É algo que conduz a nossa vida em tudo”. Para além de ter um orgulho em ser português, e de representar o sabor de Portugal com os seus produtos além-fronteiras, Francisco Arvana pretende evoluir ao longo da sua vida, deixando algo melhor para os seus filhos.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: José Pascoal

 

A aldeia de Monsanto viu nascer em 1953 um homem destinado ao sucesso. O tempo viria a reservar-lhe um futuro ao volante de camiões. Da infância, José Pascoal recorda os jogos de futebol e as brincadeiras entre amigos. Foi cedo que começou a trabalhar, começando por ingressar numa empresa de montagem de postes de alta tensão, onde já andava com camiões e gruas. O gosto pelo transporte também lhe veio do pai, que já era a sua profissão. Com 34 anos comprou o seu primeiro camião, hoje tem uma frota de 320 camiões. Num intervalo de 36 anos criou, alicerçou e colocou o nome Transportes Pascoal no mercado. Mercado nacional, mas também internacional, estando hoje a empresa fisicamente em Vitória e Madrid, em Espanha, Paris e Lyon, em França, Inglaterra e Bruxelas.
 
Apesar do sucesso empresarial, fruto do seu empreendedorismo, José Pascoal confessa que nunca foi sonhador. “Fui sempre terra a terra, até nunca sonhei chegar onde cheguei. Muito trabalho, transparência, honestidade, sinceridade e justiça são tudo para mim”. José Pascoal não tem esquecido também a vertente solidária e benévola. “Temos apoiado várias instituições e, na altura dos incêndios, compramos e plantamos cerca de 1000 árvores”. Orgulhoso de ser português, José Pascoal deseja que todos os seus compatriotas “continuem a desbravar os caminhos que sempre desbravámos e que sempre continuamos a descobrir e a evoluir não só no nosso país. Demos provas que quando avançamos para outros países conseguimos levar o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo”.

Nomeada Portugueses de Valor 2019: Carla Fernandes

 

Carla Fernandes nasceu em 1981, na pequena aldeia de Cabanas, pertencente ao concelho de Macedo de Cavaleiros, em Bragança. É do sentimento de liberdade que mais sente saudade quando recorda a sua infância. Esteve até aos nove anos em Portugal, período que ía a pé para a escola com um grupo de amigos, brincavam e iam para os lameiros com as vacas. Eram donos de si mesmos, não davam pelas horas passar e tinham de ser os pais, por vezes, a chamar de volta a casa. Outro período da sua infância foi já passado em território francês, tendo vivido uma transformação drástica. De um total sentimento de liberdade, Carla Fernandes passou a viver num apartamento e teve dificuldades iniciais de integrar a cultura e a língua francesa. Apesar das dificuldades, nunca baixou os braços e desde cedo que sabia aquilo que queria para a sua vida: ser advogada.
 
O esforço dos seus pais foi notório para lhe pagarem os estudos, mas Carla Fernandes nunca desiludiu. Formou-se em Direito, com uma especialização em Direito franco-português. “Orientei os meus estudos de tal maneira a poder fazer isso. Estudei em Dijon durante dois anos, fui para Nancy fazer um magistério para me especializar nos direitos europeus e fiz um ano na Universidade Católica de Lisboa, onde tirei uma pós-graduação em Direito Comercial. Quando comecei a exercer como advogada cá, e desde o início, me especializei nas relações franco-portuguesas, ou seja, represento portugueses emigrantes cá em França que estão com contenciosos ou necessitam de conselhos, ou também em Portugal. Ajudo tudo o que é empresas portuguesas que querem desenvolver no mercado francês e agora tudo o que tem a ver com o estatuto de residente não habitual, que é uma clientela mais francesa que está interessado em instalar-se em Portugal”. Carla Fernandes é hoje sócia de um escritório de advogados, juntamente com outros cinco sócios, que tem a característica de ser atípico em relação a outros escritórios franceses. “Temos todos origens diferentes, daí a nossa força, a nossa cultura, abertura de espirito também, e trabalhamos em várias línguas, seja iraniano, alemão, inglês, português, espanhol, temos uma abertura internacional”.
 
Ser advogada e conseguir desenvolver a sua carreira profissional eram os sonhos que Carla Fernandes estabeleceu para a sua vida e que já os conseguiu alcançar, mas acrescenta outro: “ter uma família e ser feliz, é o mais importante. Ter uma família que nos pode apoiar nos nossos projectos pessoais e profissionais”. A família representa exactamente um valor essencial para a sua vida, onde se juntam ainda a honestidade e a humildade.
 
Apesar de ter emigrado com apenas nove anos para França, Carla Fernandes não esquece Portugal, assumindo que para si, ser portuguesa, é promover Portugal e fazer publicidade ao seu país. Considera-se patriota e deu mesmo um exemplo disso. “Quando fui para Lisboa fazer os meus estudos, apresentei-me a um concurso, um diploma em Direito com muito valor, e fui recebida pelo director que me disse que não aceitava a minha candidatura porque Portugal não representava nada. Se queria desenvolver a minha carreira tinha de ter feito outra escolha, como a Escola de Comércio, ir para Inglaterra ou Alemanha. Quando fiz a escolha de ir para Portugal sabia que havia um risco de não integrar aquele diploma, que representava muito naquela altura para mim. Apesar disso fui, consegui o diploma, fiquei em 1º lugar no curso e agora aquela pessoa já me contactou várias vezes para que vá dar aulas sobre o direito português, porque é a grande moda. É uma maneira indirecta de ser patriota, na altura defendi Portugal e agora tive a oportunidade de mostrar que não me enganei no meu percurso”. Defendendo sempre a imagem de Portugal, Carla Fernandes deixa ainda uma mensagem pessoal: “Temos de continuar a promover Portugal, a cultura de Portugal, a nossa língua. A nível pessoal, há muita publicidade para Lisboa, Porto e Algarve, mas eu gostaria de promover Trás-os-Montes e o seu turismo rural, que deve ser conhecido, em particular o de Bragança”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Raul Castro

 

Raul Castro nasceu em 1948 no concelho de Abrantes, mas hoje é através de Leiria que Portugal o conhece. Da infância recorda a liberdade e a segurança que existia no seu tempo, muito diferente da infância dos seus netos, actualmente. Fez carreia na Autoridade Tributária, onde chegou a sub-director geral, um cargo equiparado por ter sido director de Finanças de Lisboa. Raul Castro teve ainda alguma experiência autárquica enquanto presidente da Câmara Municipal da Batalha antes de ingressar no Município de Leiria. Primeiro, como vereador por dois mandatos e depois como presidente da autarquia, cargo que desempenha há nove anos.
 
Para Raul Castro, sonhar é das melhores coisas da vida. “É simples, acontece e não se paga imposto. Tambám serve para os grandes desafios que nós fazemos. Até nas funções em que estou, sonhamos com coisas e nasce um desafio para tentar concretizá-lo. Sonhar é das coisas mais importantes que o homem tem para poder concretizar as suas expectativas e ajudar muitos outros a beneficiar delas”. Tem na justiça, solidariedade e na identidade os principais valores que têm guiado o seu percurso de vida. Desde os 14 anos que participa em movimentos associativos tendo sido, inclusive, escuteiro. Actualmente, beneficia de toda essa experiência para, em termos institucionais, poder ajudar associações que lutam por angariar fundos, e por realizar determinadas iniciativas, determinados projectos. “Por outro lado, como cidadão, colaboro sempre que posso nessas mesmas iniciativas”.
 
Raul Castro não tem dúvida que para si, ser português, significa ser bom. “Este ser bom é no sentido abstracto do que nós apresentamos em todo o mundo. Tivemos os Descobrimentos, hoje há um português em qualquer parte deste mundo, sinal que valeu a pena ter esta disponibilidade para assumirmos que somos portugueses, porque somos mesmo bons naquilo que fazemos, somos bons naquilo que é a forma que temos de nos ligar com outros povos e bons para preservar a imagem do nosso território, que é a distinção que tem de se fazer para dizer que Portugal é um país de boa gente e acolhedor, solidário. Sendo português, para mim, é ser bom”. O orgulho em ser português e o sentido de patriotismo, Raul Castro revela-o nas funções que tem desempenhado e lembra ainda o facto de ter cumprido o serviço militar obrigatório, em defesa da pátria.

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