03 Dec, 2020 Última Actualização 3:17 PM, 1 Dec, 2020

Nomeada Portugueses de Valor 2019: Fátima Campos

 

 
Vale de Cambra aparece na vida de Fátima Campos como pano de fundo à materialização daquilo que viria a ser o seu percurso. Dos tempos de juventude, Fátima recorda-se dos tempos em carregava os livros para a escola e da pouca liberdade que tinha quando tinha tempos livres. "Naquela altura os meus pais eram conservadores e não deixavam sair, nem ter grande liberdade", refere. Ávida de construir o seu próprio império, Fátima descobre uma paixão, enquanto jovem, que a levar despertar para novos horizontes. "Aos 19 anos emigrei para França para ter uma carreira igual à Linda de Suza", confessa. Ao mudar-se para a realidade gaulesa, a sua vida foi tudo menos o que esperava. Fátima conseguiu gravar um CD, mas o facto de ser mãe alterou o rumo dos acontecimentos. Trabalhou como auxiliar de saúde onde lidava com pessoas acamadas e ainda esteve ligada ao ramo da medicina dentária. "Trabalhei como assistente dentária", afirma.
 
É nos altos e baixos que muitas vezes se consegue arranjar um refúgio e Fátima conseguiu alcançar o seu objectivo. Há quatro anos lançou-se por conta própria e hoje gere uma empresa ligada às limpezas. Ligada à comunidade portuguesa, a empresária confessa que está ligada a associações constituída por portugueses.

Nomeada Portugueses de Valor 2019: Carla Martins

 

 
Nascida em 1974, parte rumo a uma nova aventura tinha apenas 17 anos. É nesta altura que decide deixar Coimbra para trás onde ganhou a paixão pelo comércio trabalhando numa sapataria, e foi aí que começou a sentir que a sua paixão estava no contacto com o público. Consigo leva um curso geral de Administração e Comércio, facto que lhe permitiu abrir portas ao comércio, actividade que mantém até hoje. É verdadeiramente apaixonada pelo que faz e tendo sido sempre muito ambiciosa, o seu grande sonho passava por alcançar a sua independência, tendo sido este o factor de decisão para rumar a terras francesas. Em 1994 aproveita, e bem, a oportunidade que lhe é dada de poder gerir um restaurante. Acérrima defensora da nossa língua, gastronomia, paladares e sabores, foi prosperando no ramo, sendo que, neste momento, já é a proprietária de 4 restaurantes onde emprega 12 colaboradores.
 
Salienta a importância da ligação que existe entre a comunidade portuguesa e as suas raízes, onde a gastronomia representa papel preponderante, no conforto e alegria dadas a quem procura matar saudades das receitas que nos são tão queridas, com as quais crescemos e fomos educados. Tenta sempre dar o máximo aos seus clientes para que possam, também eles, sonhar com o que deixaram para trás quando, também eles, tiveram de abandonar o país para lutar por uma vida melhor.
 
Carla Martins para além de grande embaixadora da nossa cultura revela o seu altruísmo no apoio dado a instituições, que vão desde o apoio a crianças desfavorecidas, até ao apoio a instituições de proteção aos animais. A mensagem deixada por Carla Martins é a de que não devemos desistir dos nossos sonhos e devemos ter a coragem de avançar, pois quando queremos, conseguimos.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Ramiro Alves

 

Ramiro Alves chegou a França em Dezembro de 1970, tinha apenas 12 anos. Ainda andou anos na escola, mas depressa começou a "fazer alguns trabalhos para ganhar uns trocos". Depois da escola ia fazer alguns trabalhos de limpeza, e não tinha vergonha de dizer. Da infância recorda o momento doloroso de deixar Portugal e a difícil adaptação a França. Mais tarde, acaba por entrar numa empresa de montagens de aparelhos informáticos, em Champagne-sur-Seine. “Acabei por voltar a Paris, e entrei na vida do comércio numa casa pequena de frutas e legumes, em Maisons-Laffitte”.
 
Integrado no sector do comércio, acabou por ir parar ao grupo Monoprix, até conseguir concretizar o sonho da sua vida: ter o seu próprio comércio. “Acho que sonhos, todos nós temos. O que eu queria, era um dia conseguir ter algo na vida. Queria ter uma casa, e isso concretizei graças à minha esposa. Sempre me entendi bem com ela, tivemos uma vida feliz com os nossos filhos. Hoje, o que peço mais é saúde, para poder aproveitar”. Orgulhoso de ser português, e patriota a 100%, Ramiro Alves deixa uma mensagem de persistência a todos os portugueses. “Temos de lutar na vida para conseguir algo. Não há nada sem esforço, isso tenho toda a certeza. Nós, portugueses, somos lutadores, sempre fomos. Digo a todos os portugueses: vamos para a frente e iremos todos longe”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: João Pinheiro

 

A ilha do Faial, nos Açores, viu nascer João Pinheiro, mas tem sido os Estados Unidos da América que têm presenciado a vida empresarial de sucesso deste português. Nasceu em 1942 e esteve nos Açores até aos 17 anos, altura em que se deu a erupção do Vulcão das Capelinhas, facto que o fez mudar de vida. “Na altura, o presidente John F. Kennedy instituiu uma lei especial para as pessoas afetadas pela erupção poderem emigrar para os Estados Unidos. O meu pai decidiu aceitar e viemos para aqui em 1959. A minha primeira lembrança é chegar aos Estados Unidos com a ideia de continuar os estudos, mas por norma os emigrantes não estudavam, iam logo trabalhar. Ao princípio esta ideia custou-me um bocado, mas hoje em dia sou feliz por estar onde estou e por ter duas culturas, a portuguesa e a americana”.
 
Foi no Estado de Massachusetts que João Pinheiro se instalou e construiu o seu percurso de vida, pessoal e profissional. Começou por jogar futebol num clube semi-profissional, facto que lhe foi garantindo fazer alguns amigos e perceber como funcionava a sociedade americana. Algum tempo depois, já casado, juntamente com o seu sogro decidiu abrir uma oficina bate-chapas. Começaram apenas duas pessoas, hoje são 22 colaboradores. “Ganhámos, com muito orgulho, o prémio de melhor oficina de South Coast Massachusetts. Este projecto levou tempo a chegar ao ponto onde estamos hoje, mas conseguimos. Viemos para um país estrangeiro, e chegámos com muitas dificuldades à posição que temos hoje. Tivemos sorte de estar rodeados por pessoas que tinham conhecimentos, e nos ajudaram a dar seguimento a este projecto”.
 
João Pinheiro é também um homem que nunca desiste dos seus sonhos e pensa não ter idade para os alcançar, independente do sonho. Impedido de continuar os estudos em jovem, foi há sensivelmente dez anos que conseguiu tirar um curso superior. “Tirei o curso por orgulho, não me serve de nada, mas eu queria ter este curso para poder realizar o meu sonho. É verdade que há 30 anos não o consegui tirar, mas isso ficou dentro de mim e por força de vontade graduei-me em Nashville”. Por isso mesmo, define-se como um homem com vontade de aprender para chegar cada vez mais longe. “Eu nunca estou satisfeito, mesmo com a idade que eu tenho estou sempre à procura de algo para melhorar e aprender. Nós temos de querer inovar e de aprender”. João Pinheiro continua fortemente envolvido na comunidade portuguesa, tendo sido o fundador do Clube União Faialense e do Azorean Maritime. Foi também fundador de duas associações de bolsas de estudo para ajudar crianças portuguesas nascidas nos Estados Unidos. “Para mim é um orgulho próprio poder ajudar quem necessita, e ajudar alguém a realizar os seus sonhos”.
 
Admite ter um grande orgulho em ser português, açoriano e faialense. “Também tenho muito orgulho de viver nos Estados Unidos, país que me recebeu. Tenho duas culturas, mas nunca vou deixar a cultura portuguesa. Os portugueses que vivem em Portugal às vezes não têm a ideia real do que é ser emigrante, e do que é viver fora do país. Nós que vivemos aqui, sentimos mais do que muitas pessoas que vivem em Portugal. Nós vivemos Portugal, nós gostamos de Portugal e temos saudades de Portugal”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: José Afonso

 

José Afonso chegou a França em 1970, pouco tempo depois de participar na Guerra do Ultramar. Desde então passaram 49 anos. José continua ligado a Portugal e ainda tem uma residência em Macedo de Cavaleiros, na terra onde foi criado, mas o lar já está há muito para lá das fronteiras. Trabalhou sempre como bate-chapas em duas oficinas e hoje apesar de estar aposentado, continua a trabalhar para a comunidade portuguesa em França. É o actual presidente da Associação Franco-Portuguesa de Puteaux e membro assíduo de outros movimentos associativos. Foi parar a França numa viagem de Natal e gostou tanto, que acabou por lá ficar a trabalhar e a viver até hoje. Em Portugal deixou oito irmãos e foi o único membro da família a optar pela emigração, mas não se arrepende da decisão que tomou.
 
Os primeiros anos foram difíceis e José chegou a conciliar dois trabalhos no mesmo dia: “trabalhava até às quatro da tarde numa garagem e depois ia com a minha sogra fazer limpezas para uma escola, mas quando consegui a carta deixei o segundo trabalho”. Desde que chegou a França até se aposentar só conheceu dois patrões diferentes. Hoje, apesar de já estar reformado, continua a passar a maior parte do tempo em França, onde é um membro activo do tecido associativo. Para além de ser há sete anos presidente da Associação Franco-Portuguesa de Puteaux, José Afonso faz parte da comunidade católica portuguesa e da Santa Casa da Misericórdia de Paris: “gosto de fazer o bem. Sou um mãos largas para toda a gente e dou aquilo que eu preciso”, afirma. Faz parte da comunidade católica portuguesa há cerca de 40 anos e já acompanhou várias gerações diferentes: “já conheço a terceira e a quarta geração. Já passaram por mim rapazes e raparigas que hoje já são pais de filhos que estão na catequese”. José Afonso valoriza esse percurso e considera que a catequese “é um trampolim” para os filhos de pais de emigrantes aprenderem a falar bem português.
 
Apesar de estar reformado e de passar férias em Portugal com os netos, José também gosta de regressar ao país onde fez a maior parte da sua vida e já não se imagina sem ele: “não consigo viver sem a comunidade portuguesa, onde me encontro agora. Muitas vezes vou a Portugal e depois começo logo a dar voltas. Vamos lá mas é embora para França porque aqui é que eu fiz a minha vida”, afirma. Prestes a completar 71 anos e um percurso já bastante preenchido, José Afonso deixa ficar uma mensagem de força às novas gerações de emigrantes e diz que estas devem tomar como modelo as gerações dos anos 60 e 70 porque sem trabalho, nada se consegue.

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