03 Dec, 2020 Última Actualização 3:17 PM, 1 Dec, 2020

Nomeado Portugueses de Valor 2019: António Baptista

 

 
António Baptista emigrou com os pais para França quando ainda era pequeno. Tinha apenas 11 anos quando fez a mala, saiu da aldeia que o viu nascer e atravessou a fronteira com os pais e os irmãos. Em Paris formou-se e passou uma boa parte da sua juventude, mas com 27 anos decidiu voar mais longe e correu atrás do sonho americano. Viajou até aos Estados Unidos, instalou-se no país e criou uma família para lá do Oceano Atlântico. "Dei mais um salto e vim para os Estados Unidos", diz-nos. "O meu sogro encontrava-se na América e naquela altura tínhamos todos o sonho americano, aquela ilusão, por isso, decidi vir também". Depois de passar algum tempo nos EUA, António Baptista ou Tony como é conhecido entre os amigos, começou a ponderar regressar à Europa, mas o sogro decidiu apoiá-lo na criação de um negócio e acabou por ficar. Hoje já tem filhos, netos e, apesar de continuar a adorar Portugal, reconhece que estes laços estabelecidos no continente americano tornam impossível qualquer regresso. "Portugal é sempre o meu país de sonho. É onde eu passo as minhas férias, onde fico bem porque sinto que é o meu país e sempre que tenho uma oportunidade vou para lá de férias", diz-nos, "mas tive aqui os meus filhos, eles cresceram cá, hoje já tenho netos e reconheço que é impossível voltar".
 
António Baptista já esteve ligado à construção civil, à restauração, fundou e dirigiu uma Escola de Karaté durante muitos anos e, graças a esse projecto, ajudou muitas crianças e jovens com problemas familiares que precisavam apenas de apoio. "Eu tenho ajudado muitas pessoas, alguns conhecidos outros não conhecidos, mas de facto ao trabalhar nas artes marciais ajudei crianças com problemas de álcool, problemas de drogas e, felizmente, consegui obter sempre bons resultados nesse trabalho. Eu notava que 75% dos problemas vinham de casa, não das crianças e acabei por ajudar a resolver muitas situações delicadas", conta-nos. A Escola de Karaté fechou em 2015 e, actualmente, António Baptista está a trabalhar no ramo automóvel com uma oficina. Confessa que gostaria de investir na sua terra natal e pensa que "em Portugal existem as mesmas possibilidades de vencer" e triunfar.
 
O empresário considera que os emigrantes saem do país com uma missão e lutam por vezes mais quando estão fora, quando estão longe da sua zona de conforto. "Eu acho que nós quando saímos do nosso país, saímos da nossa casa e queremos mudar de situação. No estrangeiro penso que depois trabalhamos com mais força, talvez porque queremos concretizar logo esse sonho do emigrante, mas em Portugal também seria possível e também poderíamos vencer. Aqui a nossa missão é melhorar a nossa vida. Uns conseguem, outros não, mas claro que só saímos do nosso país porque queremos condições melhores, um conforto maior e mais benefícios", afirma. Apesar de ter vivido grande parte da sua vida fora de Portugal, continua a suspirar pelo país que o viu nascer e escolhe-o sempre como destino de férias. Descreve os portugueses como "trabalhadores, pessoas honestas e lutadoras" e pede para terem mais orgulho, para acreditarem mais nas suas conquistas. António Baptista também foi um lutador, conquistou muito para lá do Oceano Atlântico e, por isso, está nomeado para os Portugueses de Valor 2019.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Fernando Amorim

 

 
Tal como o primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henriques, Fernando Amorim tem um traço conquistador. A diferença é que Fernando Amorim nasceu mesmo em Guimarães e sobre o monarca ainda existem algumas dúvidas quanto ao local em que brotou. Nascido no ano em que Portugal passa de uma ditadura para uma democracia, Fernando Amorim agarra os cravos da revolução e escreve o seu percurso de vida. "Tive uma infância tranquila, mais liberta, sem a segurança que tem que haver hoje em dia", afirma. Com um amor eterno à cidade do berço, o vimaranense recorda os seus tempos de juventude com alguma nostalgia. Fernando Amorim é um adepto de uma filosofia diplomática e por isso pauta o seu dia-a-dia com traços de liderança e disciplina. "Comecei no sector segurador, foi o meu primeiro emprego numa seguradora nacional conhecida", afirma.
 
Caminhando a passos largos para o sucesso, Fernando é hoje um profissional que gere as incertezas dos seus clientes transformando-as em vontades certas. Formado em gestão, especialista em gestão de risco, o vimaranense é gestor numa empresa onde maioritariamente existem mulheres a trabalhar. No quotidiano contacta muitas vezes com as comunidades portuguesas além-fronteiras, principalmente com a comunidade residente em França. "É um país tolerante e de grande capacidade emocional. Admiro as pessoas que estão além-fronteiras e que conseguiram desenvolver projectos interessantes. Portugal é um país fantástico", confessa.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Carlos Gomes

 

 
Carlos Gomes teve, desde muito novo, de tomar as rédeas da sua vida. Quando ainda era uma criança, aos 12 anos de idade, ficou a viver sozinho em Viseu, depois de os pais e os irmãos partirem para a Suíça. Esta fase que durou até aos 17 anos acabou por marcá-lo para toda a vida. “É importante termos uma família para onde vamos chegar e mostrar os nossos resultados e partilhar o que nós fazemos, isso é muito importante. É muito mais interessante isso do que viver sozinho. Não gostei de viver sozinho”. Depois de ter terminado o curso de Economia, na Universidade Nova de Lisboa, Carlos Gomes ingressou no mercado de trabalho, iniciando a sua carreira no gabinete técnico do Banco Pinto e Sotto Mayor. Depressa deu nas vistas e passados apenas quatro meses foi transferido para a área comercial. Com 26 anos assumiu a função de sub-gerente do balcão da sede do Banco Pinto e Sotto Mayor.
 
Carlos Gomes acabou por trabalhar no Millennium BCP, que comprou o banco Pinto e Sotto Mayor, e mais tarde, no Banco Espírito Santo de onde saiu por vontade própria e foi então que criou o seu próprio projecto, o Deutsche Bank, com a constituição de quatro agências. Durante a crise financeira de 2008, provou que a adversidade faz, por vezes, a oportunidade e encontrou uma nova oportunidade de negócio na área da protecção do património e assim fez nascer, em 2010, a GoBusiness. “Quando a vida nos dá uma pancada nós temos sempre uma oportunidade para fazer melhor a seguir.”
 
Dedicado ao trabalho, nos negócios rege-se pela independência. É algo que este português de valor não abdica. “Já não me veria a fazer uma coisa em que eu não pudesse ter opinião independente, livre e não condicionada”. Carlos Gomes tem percorrido o mundo e tem percebido que existe um traço comum a todos os portugueses, onde quer que estejam, de onde quer que venham “a empatia faz parte do nosso ADN, nós gostamos de ajudar, gostamos de ser úteis, gostamos de nos misturar com outras pessoas em cada local e isso é um orgulho enorme”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Carlos Mendes Dias

 

 
Inconformista e libertário, Carlos Mendes Dias é um orgulhoso alfacinha. Nascido na freguesia do Socorro, em pleno coração de Lisboa, dos tempos de criança lembra as brincadeiras na rua e dos mimos dos avós e dos bisavós. De espírito livre e contestatário, na juventude pertenceu ao Movimento Associativo dos Estudantes do Ensino Secundário de Lisboa. Das vivências que vieram a marcar o seu carácter, recorda o trajecto que percorria entre a sua casa e o liceu, durante o qual encontrava três estabelecimentos prisionais. Não esquece as ocasiões em que visitava o avó paterno na prisão, onde era guarda prisional. Advogado por sonho e vocação, Carlos Mendes Dias defende a liberdade que acredita ser “o bem mais precioso do ser humano.”
 
A busca pela justiça levou este nomeado a Português de Valor a ingressar na faculdade de Direito. Dedicado a 100% à profissão, durante o ano e meio de estágio realizou dezenas de oficiosas, procurando aprender com a prática, observando e escutando na barra dos tribunais. Lembra que naquele tempo só recebia honorários se o cliente fosse condenado. Ainda era um estagiário e já coleccionava absolvições. Como representante das vítimas de um triplo homicídio, ocorrido a 13 de Agosto de 2012, conseguiu a condenação do homicida a 25 de prisão e o pagamento de um milhão e 900 mil euros de indemnização às vítimas, um recorde em Portugal.
 
Carlos Mendes Dias rege-se pelo rigor. “Não transmitir falsas esperanças, realismo, mas lutar, lutar, procurar resposta e arriscar”, considera. Conta uma vida repleta de conquistas e guarda o sonho de escrever dois livros. Tem de lidar com a saudade dos filhos que estão longe. Dos três, dois deles estão fora do país, um na China, outro em Londres. “Não tenho argumentos, como pai, para dizer que venham para cá, porque sei que, neste momento, seria perfeitamente ruinoso do ponto de vista da construção das suas vidas”. Patriota assumido, as lágrimas escorrem-lhe pela face ao falar dos portugueses. “São os eternos marinheiros do oceano dos sonhos”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: David Fernandes

 

 
David Fernandes, jovem lusodescendente, quis seguir o mesmo percurso profissional do pai. Há alguns anos comprou-lhe a empresa com 74 trabalhadores, na área da construção e renovação de habitações sociais, que hoje faz cerca de 20 milhões de euros de volume de negócios. Apesar de ter nascido em França, herdou a cultura e as raízes dos seus pais, por isso sente-se português e francês. Considera ter tido sorte em nascer num bom país e sem o êxito do seu pai, a quem está muito grato, nunca teria chegado a este nível empresarial. Tem muito orgulho nas suas raízes e nunca renegará as suas origens. Como trabalha apenas com o Estado francês, acha normal não ter um reconhecimento pelo que faz, dado que Portugal não conhece as suas competências.
 
Considera os portugueses patriotas, que mostram muito orgulho nas suas origens. Todos os anos, através da sua empresa, ajuda monetariamente uma associação de pessoas com deficiência motora ou mental. A sua empresa tem cerca de 30% de empregados portugueses. O pai é a pessoa que mais admira, é verdadeiramente o seu ídolo por aquilo que tem feito, tendo conhecido a miséria, como outros portugueses, lutou até ter alcançado o sucesso na sua vida. Em relação a Portugal, tem saudades dos seus avós, que infelizmente já faleceram, do Sol e das pessoas que acha mais calorosas que em França. Expressa o desejo dos portugueses continuarem a ser orgulhosos do seu país e que sejam mais unidos. Espera também que os jovens saibam guardar essa cultura que lhes foi legada pelos pais.

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