27 Feb, 2020 Última Actualização 10:04 AM, 27 Feb, 2020

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Manuel Soares

 

Manuel Soares é natural de Sever do Vouga, no distrito de Aveiro, tendo nascido em 1964. A família é o principal elemento da qual se recorda da sua infância. Partiu com 17 anos para França e lá permanece até hoje. Começou por trabalhar com o seu pai numa empresa, mas rapidamente veio ao de cima a sua veia empreendedora. Criou a sua primeira empresa em 1988, lançando-se por mero acaso no mundo dos mosaicos mas, pouco tempo depois, o mármore torna-se a sua paixão e hoje tem uma empresa de renome em Paris. Em 1994 cria a Real Marbre, empresa que perdura até hoje. A coragem e a seriedade são duas das características do povo português que considera terem-no influenciado na sua vida.
Para Manuel Soares o sucesso profissional que atingiu em França não teria sido o mesmo se tivesse ficado em Portugal, acredita que não lhe teriam surgido as mesmas oportunidades e também a necessidade de trabalho e vontade de vencer. Em pequeno, sonhava em poder construir uma vida profissional e pessoal se sucesso, passos que considera ter alcançado com sucesso. Ainda assim, tem sempre sonhos e objectivos a cada dia que passa: “agora é deixar traços da nossa passagem”. Construiu toda a sua vida com base na família, o que considera ser um dos valores essenciais na sua existência. Diariamente, acrescenta a seriedade e a motivação de ir sempre além do que faz no dia-a-dia. Manuel Soares é membro activo da Academia do Bacalhau de Paris, tendo já desempenhado as funções de vice-presidente e sendo desde o início de 2019 presidente da academia. Acha importante participar numa associação que ajuda as pessoas mais carenciadas. A maioria dos funcionários das suas empresas são portugueses, o que revela desde logo o seu patriotismo. Para si, ser português “é guardar as nossas raízes e guardar a nossa forma de pensar e nunca esquecer a nossa pátria”. Como alguns portugueses a viver no estrangeiro, ajuda a economia do país tendo recentemente criado uma empresa em Portugal de produção e transformação. Define os portugueses como um povo patriota, trabalhador e corajoso, mas a quem ainda falta união e solidariedade. Acima de tudo, Manuel Soares deseja muita saúde e sucesso no dia-a-dia a todos os portugueses.



 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Manuel Pedroso

 

Manuel Pedroso nasceu na América, foi criado em Portugal e voltou durante a Segunda Guerra Mundial respondendo ao apelo patriótico do presidente. Completou, em Novembro de 2019, 100 anos, uma marca só alcançada pelos mais resistentes. Nasceu em New Bedford, nos Estados Unidos. Os seus pais eram portugueses, de Alvados, a terra das grutas, ao pé de Mira de Aire, concelho de Porto de Mós. Emigraram em 1914 mas depois da Primeira Guerra Mundial tiveram de regressar ao seu pais de origem. Manuel assim pisou solo português, onde foi criado e passou a ser português “como qualquer outro”, conta. Tinha 22 anos quando regressou aos Estados Unidos. “O Roosevelt fez um apelo a todos os americanos para regressarem”, recorda. O Japão tinha atacado há pouco Pearl Harbor (7 de dezembro de 1941) e o presidente Franklin Roosevelt declarava guerra também à Alemanha. Chegou e não falava nada de inglês. Como não podia ir para a guerra, acabou por ir construir barcos. Antes, ingressou numa escola para aprender a ser soldador. “Ajudei a fazer 150 navios de guerra, aqui nos estaleiros em Providence”. Em Providence ficou até hoje, onde constituiu família com Maria Pedroso, natural de Porto de Mós, de Zambujal de Alcaria. Conheceram-se jovens em Portugal e são casados há mais de 60 anos.


Hoje, já atingida a meta dos 100 anos Manuel Pedroso mantém activo o negócio que entretanto criou: o Friends Market, o que parece uma típica loja de pequena cidade americana, diferenciando-se pela bandeira portuguesa na montra. Aqui encontra-se uma grande variedade de produtos portugueses.
As duas pátrias estão-lhe no coração de igual forma, e orgulha-se de ter ensinado português aos seus dois filhos. Até uma neta quis aprender o idioma dos avós. Já centenário, Manuel Pedroso diz que tenciona continuar a trabalhar. Já não vai há algum tempo a Portugal, mas conhece bem o país, incluindo a Madeira e esses Açores de onde são originários muitos luso-americanos da região. Apesar da distância, está a par de tudo o que se passa em Portugal, preocupando-se por se manter informado. Acima de tudo, valoriza a família, mostrando-se orgulhoso pelo núcleo familiar que construiu e que pretende continuar a manter unido.

 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Marcelino Ribeiro

 

Marcelino Ribeiro nasceu no coração da ilha da Madeira, mais concretamente no Curral das Freiras. Cresceu com os avós, pois os seus pais estavam emigrados em Inglaterra, e é deles que tem as maiores recordações da sua infância. Era de uma família pobre, obrigando-o a trabalhar desde novo. A partir dos 13 anos, ainda enquanto estudava, dedicada os fins-de-semana ao trabalho na construção civil. Com 17 anos abandona a escola e dedica-se em exclusivo ao trabalho. Surgiu-lhe a oportunidade de ir para Lisboa trabalhar num café, estando lá o tempo suficiente para tirar a carta. Não era a área que o fascinava e, por isso, regressou à Madeira e à construção. Conhece a sua esposa, que tinha nascido na França, mas já estava na Madeira com os pais. Depois de casarem, ainda tentam uma vida em Inglaterra, mas sem sucesso. Com os conhecimentos e a família que a sua esposa ainda tinha deixado em França, é para aí que decidem emigrar. Chegaram a terras gaulesas em 2004, permanecendo até hoje.


Em França, Marcelino Ribeiro foi parar à área que melhor conhecia: a construção civil. Ainda teve uma pequena experiência nos camiões, antes de se tornar sócio de uma empresa de construção, entre 2006 e 2008. Em 2009 decide criar a sua própria empresa, a CR9, dedicada à construção e renovação. “Como tenho paixão por camiões e máquinas, em 2015, criei uma empresa de aluguer de maquinas e camiões, a LS9. Eu sou um pouco ambicioso e vim com a ideia de ir o mais longe possível, ou seja, estabilizar e dar o melhor possível à minha família. Hoje digo que eu não esperava chegar onde cheguei. Sei que sou um pequeno empresário, mas já me sinto feliz com o que concretizei”. É com humildade e sinceridade que Marcelino Ribeiro tem pautado os seus dias e tem conseguido sucesso nos projectos em que se envolve. Sente um enorme orgulho em ser português, mas também em ser madeirense, e deixa uma mensagem a todos os jovens que se querem lançar: “vão em frente, acreditem, mas não mudem quem são”.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Michael Tavares

 

Michael Botelho Tavares nasceu em New Bedford, no estado de Massachusetts, em 1976, mas todas as suas raízes são portuguesas, mais concretamente dos Açores. Nos Estados Unidos foi criado de perto dos avós e com eles teve uma grande convivência. “Aprendi a falar português com eles porque eles ficavam connosco quando éramos pequenos, eu e os meus irmãos. Ouvia histórias de vivências deles nos Açores, ouvia músicas que eles ouviam, principalmente o fado, e aprendi a gostar de fado por causa deles”. Rapidamente Michael Tavares apreendeu a cultura portuguesa. Depois do ensino secundário foi para a universidade e formou-se em Engenharia Mecânica, tendo depois tirado um mestrado em Engenharia de Fabricação. Começou a trabalhar em engenharia na empresa Johnson & Johnson, tendo aí desempenhado funções durante oito anos e meio. Só depois sentiu ser a hora certa para ingressar na empresa do pai, a Horacio´s. Actualmente está à frente da empresa há 12 anos, levando a bom porto a empresa familiar.


Michael Tavares admite que o seu sonho era continuar aquilo que o pai começou. “Estou actualmente e sempre a concretizar. Não quero pensar que está concretizado, porque quero trabalhar sempre para continuar. Sempre penso em levar isto para a frente. Outro sonho era progredir a nossa comunidade portuguesa aqui, ainda mais. Educar o que é ser português e o que é a nossa cultura. Tenho-me envolvido em várias organizações na nossa comunidade para ajudar a concretizar esse sonho”. Os valores que lhe comandam a vida, admite serem os que os foram transmitidos pelos pais. “Tudo o que quisermos tem de ser com muito sacrifício e trabalho, mas que nada é impossível. Sempre me passaram esta mensagem”. Michael tem ajudado diferentes organizações, de diferentes áreas, mas tem um gosto especial por tudo o que consegue fazer por Portugal. Criou, com a ajuda de um Cônsul, o Festival Viva Portugal em New Bedfor, que promove a cultura portuguesa. O evento já vai na sua quarta edição. Para Michael, Portugal significa as suas raízes. “Sou americano porque nasci aqui e tenho orgulho, mas as minhas raízes são portuguesas. A primeira vez que fui aos Açores senti que fazia parte daquele lugar, sentia-me em casa, faz parte de quem eu sou. Gostava que os portugueses continuassem a promover a nossa cultura”.

 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Armandino Pereira

 

Foi em Melgaço que nasceu Armandino Lourenço Pereira, a 28 de Janeiro de 1964. Dividiu a sua infância entre Portugal e França, país para onde partiu com dez anos de idade. De Portugal recorda até hoje o 25 de Abril, acontecimento que o marcou particularmente. Foi precisamente nesse ano que partiu para solo gaulês. Começou a trabalhar cedo, para o irmão que tinha uma empresa no Sul de França. A sua vida profissional ficaria associada à construção de casas individuais, tendo começado nesta área numa empresa onde conseguiu chegar a condutor de trabalho. Posteriormente, já noutra empresa, chegou a chefe, até 2001, anos em que decidiu abrir a sua própria empresa - a Maison Prisme, também ela dedicada à construção de casas individuais.
Ao longo da sua vida, dá valor à justiça, às seriedade, humildade e à palavra. “É importante pagarmos a tempo e horas, e por isso tenho parceiros que trabalham comigo há mais de 20 anos”. Também a vertente mais solidária não fica de lado na vida de Armandino Pereira. “Ajudei durante muito tempo uma instituição que cuidava de crianças mal tratadas pelos pais. Hoje, essa associação já não existe, mas continua a colaborar com pedidos locais, nomeadamente no que diz respeito à polícia e bombeiros”, conta.

Para si, ser português é um orgulho. “Sempre me reivindiquei português e sempre serei português, com todo o orgulho. Os meus filhos vão pelo mesmo caminho”. Filhos, aliás, que já fazem parte da estrutura da empresa. A ligação a Portugal mantém-se forte até hoje, visitando o seu país todos os meses e efectuando, também em Portugal, vários negócios. Ainda assim, Armandino Pereira tem um desejo: “gostava que todos os portugueses fossem mais unidos, que se ajudassem mais uns aos outros. Devemos ter orgulho de sermos portugueses, mas temos de nos preocupar mais uns com os outros”.