26 May, 2020 Última Actualização 12:41 PM, 26 May, 2020

Portugueses de Valor 2020: Nomeado Manuel Alves

 

Manuel Alves nasceu numa pequena aldeia do concelho de Ponte de Lima. Em 1974 emigrou com a mãe até França juntando-se ao pai que já estava a trabalhar em Paris. Como ainda era muito novo, Manuel não foi logo trabalhar e durante dois anos ainda frequentou a escola francesa, mas quando fez 16, largou os livros e foi à procura do seu primeiro trabalho. Inicialmente não seguiu as pisadas de muitos portugueses e não foi parar à construção civil. Manuel deu cor a muitos jardins em Paris, mas como não gostava daquele trabalho, decidiu seguir o mesmo caminho da emigração, dedicando-se às obras. Actualmente tem uma empresa que faz a renovação de vários edifícios, assim como o seu design e recentemente criou um restaurante nos arredores da capital francesa com três sócios e amigos, “O Cantinho do Lima”, situado em Ivry-sur-Seine. Manuel é natural de Ponte de Lima, precisamente, e manifesta um forte amor pelas suas origens, continuando a investir no país que deixou com apenas 14 anos. Tem vários apartamentos alugados na zona de Braga, é sócio de uma empresa de transportes e procura apoiar o país sempre que é possível. “Eu sempre gostei de ser português e onde eu vou digo em voz alta. Para mim é um orgulho ser de Portugal”, afirma. Mesmo em Paris procura dinamizar a comunidade portuguesa através de várias iniciativas. Manuel já organizou vários espectáculos com o rancho folclórico da sua terra natal, criou uma equipa de futebol e, através do novo restaurante, procuram dar a conhecer a gastronomia portuguesa, sendo inclusive o cozinheiro natural do Minho. O empresário considera os portugueses patriotas, considera que estão perfeitamente integrados em França e prova disso são os elogios que recebem por parte dos franceses. “Eu acho que eles gostam de nós e durante o meu trabalho eu só ouço bons comentários sobre os portugueses. Somos pessoas bem vistas em França”, diz-nos. Na sua empresa 80% dos funcionários são portugueses e o colaborador mais antigo já está na equipa desde 1988, somando 29 anos. Manuel Alves é um homem discreto, não gosta que os holofotes se virem para a sua direcção, mas o seu trabalho em França merece a atenção da comunidade, por isso, é nomeado para os Portugueses de Valor 2020.

Portugueses de Valor 2020: Nomeado José Pascoal

 

A aldeia de Monsanto viu nascer em 1953 um homem destinado ao sucesso. O tempo viria a reservar-lhe um futuro ao volante de camiões. Da infância, José Pascoal recorda os jogos de futebol e as brincadeiras entre amigos. Foi cedo que começou a trabalhar, começando por ingressar numa empresa de montagem de postes de alta tensão, onde já andava com camiões e gruas. O gosto pelo transporte também lhe veio do pai, que já era a sua profissão. Com 34 anos comprou o seu primeiro camião, hoje tem uma frota de 320 camiões. Num intervalo de 36 anos criou, alicerçou e colocou o nome Transportes Pascoal no mercado. Mercado nacional, mas também internacional, estando hoje a empresa fisicamente em Vitória e Madrid, em Espanha, Paris e Lyon, em França, Inglaterra e Bruxelas. Apesar do sucesso empresarial, fruto do seu empreendedorismo, José Pascoal confessa que nunca foi sonhador. “Fui sempre terra a terra, até nunca sonhei chegar onde cheguei. Muito trabalho, transparência, honestidade, sinceridade e justiça são tudo para mim”. José Pascoal não tem esquecido também a vertente solidária e benévola. “Temos apoiado várias instituições e, na altura dos incêndios, compramos e plantamos cerca de 1000 árvores”. Orgulhoso de ser português, José Pascoal deseja que todos os seus compatriotas “continuem a desbravar os caminhos que sempre desbravámos e que sempre continuamos a descobrir e a evoluir não só no nosso país. Demos provas que quando avançamos para outros países conseguimos levar o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo”.

Portugueses de Valor 2020: Nomeado António Baptista

 

António Baptista emigrou com os pais para França quando ainda era pequeno. Tinha apenas 11 anos quando fez a mala, saiu da aldeia que o viu nascer e atravessou a fronteira com os pais e os irmãos. Em Paris formou-se e passou uma boa parte da sua juventude, mas com 27 anos decidiu voar mais longe e correu atrás do sonho americano. Viajou até aos Estados Unidos, instalou-se no país e criou uma família para lá do Oceano Atlântico. "Dei mais um salto e vim para os Estados Unidos", diz-nos. "O meu sogro encontrava-se na América e naquela altura tínhamos todos o sonho americano, aquela ilusão, por isso, decidi vir também". Depois de passar algum tempo nos EUA, António Baptista ou Tony como é conhecido entre os amigos, começou a ponderar regressar à Europa, mas o sogro decidiu apoiá-lo na criação de um negócio e acabou por ficar. Hoje já tem filhos, netos e, apesar de continuar a adorar Portugal, reconhece que estes laços estabelecidos no continente americano tornam impossível qualquer regresso. "Portugal é sempre o meu país de sonho. É onde eu passo as minhas férias, onde fico bem porque sinto que é o meu país e sempre que tenho uma oportunidade vou para lá de férias", diz-nos, "mas tive aqui os meus filhos, eles cresceram cá, hoje já tenho netos e reconheço que é impossível voltar". António Baptista já esteve ligado à construção civil, à restauração, fundou e dirigiu uma Escola de Karaté durante muitos anos e, graças a esse projecto, ajudou muitas crianças e jovens com problemas familiares que precisavam apenas de apoio. "Eu tenho ajudado muitas pessoas, alguns conhecidos outros não conhecidos, mas de facto ao trabalhar nas artes marciais ajudei crianças com problemas de álcool, problemas de drogas e, felizmente, consegui obter sempre bons resultados nesse trabalho. Eu notava que 75% dos problemas vinham de casa, não das crianças e acabei por ajudar a resolver muitas situações delicadas", conta-nos. A Escola de Karaté fechou em 2015 e, actualmente, António Baptista está a trabalhar no ramo automóvel com uma oficina. Confessa que gostaria de investir na sua terra natal e pensa que "em Portugal existem as mesmas possibilidades de vencer" e triunfar. O empresário considera que os emigrantes saem do país com uma missão e lutam por vezes mais quando estão fora, quando estão longe da sua zona de conforto. "Eu acho que nós quando saímos do nosso país, saímos da nossa casa e queremos mudar de situação. No estrangeiro penso que depois trabalhamos com mais força, talvez porque queremos concretizar logo esse sonho do emigrante, mas em Portugal também seria possível e também poderíamos vencer. Aqui a nossa missão é melhorar a nossa vida. Uns conseguem, outros não, mas claro que só saímos do nosso país porque queremos condições melhores, um conforto maior e mais benefícios", afirma. Apesar de ter vivido grande parte da sua vida fora de Portugal, continua a suspirar pelo país que o viu nascer e escolhe-o sempre como destino de férias. Descreve os portugueses como "trabalhadores, pessoas honestas e lutadoras" e pede para terem mais orgulho, para acreditarem mais nas suas conquistas. António Baptista também foi um lutador, conquistou muito para lá do Oceano Atlântico e, por isso, está nomeado para os Portugueses de Valor.

 

Portugueses de Valor 2020: Nomeado David Fernandes

 

David Fernandes, jovem lusodescendente, quis seguir o mesmo percurso profissional do pai. Há alguns anos comprou-lhe a empresa com 74 trabalhadores, na área da construção e renovação de habitações sociais, que hoje faz cerca de 20 milhões de euros de volume de negócios. Apesar de ter nascido em França, herdou a cultura e as raízes dos seus pais, por isso sente-se português e francês. Considera ter tido sorte em nascer num bom país e sem o êxito do seu pai, a quem está muito grato, nunca teria chegado a este nível empresarial. Tem muito orgulho nas suas raízes e nunca renegará as suas origens. Como trabalha apenas com o Estado francês, acha normal não ter um reconhecimento pelo que faz, dado que Portugal não conhece as suas competências. Considera os portugueses patriotas, que mostram muito orgulho nas suas origens. Todos os anos, através da sua empresa, ajuda monetariamente uma associação de pessoas com deficiência motora ou mental. A sua empresa tem cerca de 30% de empregados portugueses. O pai é a pessoa que mais admira, é verdadeiramente o seu ídolo por aquilo que tem feito, tendo conhecido a miséria, como outros portugueses, lutou até ter alcançado o sucesso na sua vida. Em relação a Portugal, tem saudades dos seus avós, que infelizmente já faleceram, do Sol e das pessoas que acha mais calorosas que em França. Expressa o desejo dos portugueses continuarem a ser orgulhosos do seu país e que sejam mais unidos. Espera também que os jovens saibam guardar essa cultura que lhes foi legada pelos pais.

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Alberto Mota Borges

 

Alberto Mota Borges nasceu no Canadá, em Toronto. Os pais eram emigrantes, mas regressaram às origens, cedo. Apesar de ter vivido alguns anos no estrangeiro, confessa que a sua matriz de funcionamento é portuguesa” e do Canadá trouxe apenas a ligação e o afecto peça diáspora. Quando fala, não consegue esconder o bom sotaque açoriano e foi na ilha de São Miguel que desenvolveu uma boa parte do seu percurso profissional. Alberto Mota Borges foi chefe da Divisão de Planeamento, Gestão e Controle da ANA Aeroportos de Portugal para a Região Autónoma dos Açores, na estrutura instalada no Aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada. Em 2015 deixou a ilha e descolou em direcção ao Algarve. Actualmente, é o novo director do Aeroporto Internacional de Faro e confessa que recebeu este cargo de braços abertos. “É o melhor projecto que eu poderia ter neste momento. Eu desenvolvo-o com muito entusiasmo, alegria e empenho. Todas as energias que eu tenho, concentro-as neste trabalho da melhor forma possível”. Desde que assumiu a direcção do Aeroporto de Faro, já anunciou novas rotas e prepara-se para fazer sempre melhores anos. Alberto Mota Borges quer voar mais alto e acredita que assim, consegue levar o nome de Portugal mais longe. “Eu consigo levar o nome de Portugal mais longe nas actividades que desenvolvo porque têm interacção com o estrangeiro. Procuro fazê-lo de uma forma profissional, leal, assertiva, preocupando-me sempre com o interesse geral e não com os interesses particulares ou específicos”. Acredita que o melhor reconhecimento que pode ter #é a satisfação das pessoas” e a convicção de que “elas estarão melhor no dia seguinte do que no dia anterior”. Durante o seu percurso, fez a preparação de crianças e jovens para provas de natação e semeou assim uma semente que já produziu resultados e melhorou a vida de alguns. “Ter amigos que hoje são nadadores é um prazer incrível e eles reconhecem que alguma coisa foi feita por eles”, afirma. Quando está fora de Portugal, “tenta aprender e ver o que de melhor se faz lá fora” e confessa que só sente falta da família e dos amigos. Afirma que “é preciso arriscar, aceitar os desafios que vão surgindo” e pede aos portugueses para acreditarem mais nas suas capacidades. “Nós temos as condições totais para ter sucesso em qualquer parte do mundo”. Aos 50 anos arriscou, mostrou que é possível ter sucesso em Portugal e colocou o mundo mais perto dos portugueses. Até porque os sonhos estão muitas vezes à distância de uma pequena rota de avião.