03 Dec, 2020 Última Actualização 3:17 PM, 1 Dec, 2020

Nomeada Portugueses de Valor 2019: Delphine Pereira

 

 
Delphine Pereira é um exemplo de uma luso-descendente nascida em Paris, mas que não deixou que isso quebrasse a ligação especial a Portugal, também muito marcada pelas férias de Verão, onde tradicionalmente gozava o merecido descanso na terra de origem dos seus pais. Reconhece claramente que a sua infância foi privilegiada, pois teve acesso à prática de dança clássica e violino no conservatório, dando corpo e alma a esta fase da vida, que no seu caso foi sempre recheada de felicidade, porém “uma infância curta”, diz.
 
Criada e educada com muito amor, decidiu começar a trabalhar com tenra idade, dando o seu contributo na empresa familiar no sector dos táxis, actividade iniciada pelo pai de Delphine. Apesar da cumplicidade mantida neste ramo, nunca escondeu ao pai o sonho de se querer impor no ramo imobiliário. Seguindo afincadamente as suas ambições, assume a sua independência empresarial aos 25 anos, começando por investir em edifícios nos arredores de Paris, fazendo a sua remodelação e, posteriormente, vendendo a investidores. Inicialmente assume que não estava muito ligada à comunidade portuguesa, mas numa evolução natural, foi-se aproximando cada vez mais, quer envolvendo os portugueses nos seus projectos, quer investindo em Portugal neste sector onde se tornou uma referência.
 
Este trajecto profissional revelou um Portugal pelo qual se apaixonou, um paraíso, considera, pois reconhece a grande mudança que o país sofreu desde os tempos em que os seus pais tiveram de procurar uma vida melhor, rumando a França, para agora constatar o enorme potencial de negócio, recheado de boas oportunidades para o futuro. Delphine representa na perfeição que ao juntarmos sonhos com determinação o céu é o limite.
 

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Manuel Silva Reis

 

 
Manuel Silva Reis nasceu na cidade do Porto e o seu nome está intimamente ligado à empresa mais antiga de vinhos em Portugal: a Real Companhia Velha. Oriundo de uma família tradicional, Manuel é terceira geração de uma família ligada ao vinho. “O meu avô esteve ligado ao vinho durante toda a sua vida, até interromper quando foi combater. O meu pai esteve 50 anos ligado ao Vinho do Porto, e eu já vou no meu quadragésimo ano”. Estudou ate ao 7º ano, ano que, por força da revolução do 25 de Abril, a família foi obrigada a emigrar. O seu pai era um dos accionistas do Banco Fernandes Magalhães e o sócio maioritário da Real Companhia Velha. Fomos ocupados pelos militares que colocaram a nossa família na fronteira. Estivemos três anos emigrados forçosamente. Fiz alguns cursos lá fora e acompanhei o meu pai nos negócios. Quando retomámos a empresa eu já tinha 18 anos e, como o meu pai não tinha directores, pediu-me para ficar ao lado dele. Comecei a minha carreira ao lado do meu pai no dia 1 de Outubro de 1978. A empresa na altura estava com dificuldades, mas com o tempo e apoio conseguimos fazer um caminho”.
 
Com uma vida ligada incondicionalmente aos vinhos, também os seus sonhos se confundem com os da empresa. “Conseguir ter uma empresa bi-centenária, e mantê-la activa e presente no mercado já é um sonho cumprido. Outro sonho que nós tínhamos, e que está a ser concretizado, foi crescer nos vinhos de denominação - Origem Douro. Com muito esforço e dedicação, hoje somos os maiores proprietários da região do Douro. O meu outro sonho, era conseguir que a geração dos meus filhos e sobrinhos, conseguissem dar seguimento ao carácter familiar e português que a empresa tem”. O seu lado profissional e pessoal assenta na honestidade e integridade que implementa todos os dias, primando por evitar sempre os conflitos.
 
Manuel Silva Reis foi o fundador da Associação Nacional de Jovens Empresários, onde fez grandes organizações como o Portugal Fashion, a criação da Fundação da Juventude e do Ministério da Juventude. É ainda mesário da Santa Casa da Misericórdia, e apoia muito os projetos sociais do Hospital de Santo António. “Tento ao máximo apoiar causas sociais”. Tem um grande orgulho em ser português e confessa que quando olha a bandeira portuguesa emociona-se. “Com estas questões da globalização, esquecemo-nos várias vezes do patriotismo. Portugal é Portugal, e para mim será sempre Portugal. Hoje em dia ser português é um orgulho e uma virtude. É uma ambição que cada um tem de ter, para fazermos este país melhor e mais justo, para que o mundo olhe para nós com respeito e admiração”.
 

Nomeado Portugueses de Valor 2019: José Fernandes

 

 
José Fernandes nasceu em 1958 na freguesia de Alfaião, do concelho de Bragança. É precisamente aqui que hoje é visto como um herói, não fosse o Comandante dos Bombeiros de Bragança. Ainda hoje se recorda na entrada na escola, com apenas sete anos e actividades que fazia com amigos de então. “A partir do fim de Maio nós, na minha aldeia, íamos com as vacas para o rio. A partir de Junho levávamos a merenda, guardávamos as vacas e íamos nadar”. Seguiu-se o liceu, que completou até ao 7º ano, indo depois para a tropa.
 
Há 40 anos que José Fernandes é militar. Começou como sargento, correu várias unidades do país, concorreu ao Instituo Superior Militar, em Águeda, e transitou para o curso de Oficiais. Foi promovido várias vezes, até ao posto que hoje desempenha, de Tenente Coronel. Sente-se um homem realizado e com todos os todos os sonhos alcançados, até mais do que algum dia pôde imaginar. “Nunca pensei desempenhar funções nobres como as que desempenho agora. Temos de ter disponibilidade 24 horas por dia, 365 dias por ano. Nas recordações que eu tenho, eu sempre gostei de ser militar. Recordo-me quando andava no liceu e admirava os militares fardados no quartel de Bragança. Felizmente concretizei este sonho e fiz tudo o que queria fazer”. É casado há 35 anos e tem dois filhos, ambos a viver actualmente no estrangeiro. Um dos seus lemas de vida é questionar-se o que pode dar aos outros. “A vida já me deu muito. É isso que tenho feito nestes últimos 14 anos que estou a comandar os Bombeiros de Bragança. Nós temos feito muito, e ajudamos muita gente. Não nos interessa quem é, mas sim onde é para socorrer o mais depressa possível. Inicialmente estive aqui requisitado pelo exército, e era o exército que me pagava. Agora, estou aqui a título totalmente voluntário, sou um dos muitos voluntários que trabalham nesta casa. Estou a concretizar um sonho e uma ambição pessoal”.
 
Se há profissões que são solidárias, ser bombeiro é uma delas. Mas, além disso, José Fernandes é ainda presidente da Liga dos Bombeiros do Núcleo de Bragança. Para si, ser português é um orgulho imenso. “Se há coisas que os militares fazem é amar e defender a sua pátria, inclusive com o sacrifício da própria vida. Todos os portugueses devem ter o maior orgulho em serem portugueses. Nós, já dominámos o mundo, hoje em qualquer canto do mundo encontramos um português”.
 

Nomeada Portugueses de Valor 2019: Salomé Dias

 

 
 
Salomé Dias é natural de um meio com raízes piscatórias, na Póvoa de Varzim, distrito do Porto. Da infância recorda, com um brilho nos olhos, os tempos de escola, altura em que andava com os livros na mão, e ainda sublinha um momento especial. "Ter um irmão aos 11 anos também se tornou numa experiência enriquecedora", refere. Salomé viveu em solo português até completar 26 anos e é nessa altura que abraça um novo desafio. "Acompanhada com a minha filha mais velha partimos à descoberta de um novo país e uma nova cultura", realça.
 
Ainda adolescente, lembra-se de querer ser advogada, mas o pai não a apoiou na decisão, optando por se formar em Neurofisiologia e o seu primeiro contacto com o mundo profissional foi numa clinica, a Clipóvoa. A experiência foi enriquecedora e, por isso, na bagagem que levou para a capital inglesa havia a vontade em exercer uma função na acção médica. A realidade não foi a esperada, mas a vontade em superar adversidades venceu qualquer obstáculo que se avizinhasse. "Quando aqui cheguei tinha o aluguer da casa para pagar e a filha de seis anos para criar, e então não pude prosseguir a minha vocação. A primeira porta que se abriu foi na indústria da limpeza", afirma. Salomé deu cartas no papel que desempenhou e hoje desempenha, nada mais, nada menos do que uma posição de chefia, no Palácio de Buckingham. Na residência oficial da Família Real Britânica, um dos pontos turísticos de maior importância na Inglaterra, Salomé conheceu o seu marido, de quem tem uma filha.
 
Para além de ser uma profissional de referência, Salomé mostrou além-fronteiras o que é ser português. "No meu local de trabalho sou a única portuguesa a ocupar uma posição de alto nível", constata. Eternamente ligada à realidade britânica, a portuguesa sente-se bem no Reino Unido, mas não esquece as suas origens. "Temos pessoas inglesas, no Palácio de Buckingham, a pronunciar algumas palavras portuguesas", confessa. Salomé Dias faz do amor pelo próximo a sua máxima diária. “Eu procuro no meu dia-a-dia fazer algo por alguém, mesmo que seja um pequeno gesto. Isso, faz-me sentir realizada como pessoa. O outro valor que me guia sempre é a honestidade, por mais difícil que a verdade seja, ela deve prevalecer. É isso que eu tento transmitir às minhas filhas, que mais vale dizer a verdade do que a mentira. E não esquecer que é preciso lutar para atingir os nossos objectivos, até porque quando alcançamos esse objectivo, o valorizamos mais. Se há algo que me caracteriza muito é que eu luto, os ingleses dizem que eu sou starborn”. Poveira de gema, e sobretudo, portuguesa de coração, Salomé Dias considera Portugal "um país lindo, com um clima maravilhoso e uma gastronomia que nos mantém robustos".
 
Salomé apela a todos os portugueses que sigam o exemplo do nosso Chefe de Estado e que consigam transparecer uma maior cumplicidade. Salomé Dias não esquece também o seu lado solidário, apoiando a Liga Portuguesa Contra o Cancro e a Liga Contra o Cancro em Inglaterra. “As doenças não têm nacionalidade. Também contribuo para crianças órfãs, porque é um assunto que me toca bastante. E estou ligada à Academia de Bacalhau de Londres”.
 

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Carlos Fernandes

 

 
 
Tinha apenas três anos quando deixou a pequena cidade de Loulé situada no Algarve, por isso, não trouxe recordações de Portugal na bagagem e guarda apenas algumas histórias contadas pelos pais sobre esses tempos. Mais de 30 anos depois, Carlos Fernandes fala português correctamente, mas não consegue esconder o sotaque carregado de quem passou mais tempo fora do que dentro de Portugal. "O meu pai veio primeiro para Paris e só depois é que a minha mãe veio comigo. Foi uma senhora portuguesa que me deixou passar a fronteira entre Portugal e Espanha em cima de um burro", conta sorrindo, "eu não me lembro claro, mas a minha mãe explicou-me". Naquela altura as viagens ainda eram feitas a salto e apesar de Carlos Fernandes não se recordar do caminho percorrido até França, conhece as dificuldades descritas pela família e sabe que foi penoso.
 
Em França cresceu na região de Rouen e mostrou cedo o jeito para as contas. "Sempre gostei muito de organizar as despesas porque apesar do meu pai e da minha mãe saberem ler e escrever, eu é que fazia esse trabalho em casa desde pequeno", diz-nos. Com apenas 17 anos fez contas à vida, colocou o bacharelato na mala e foi até Paris. Ainda era novo, mas começou logo a trabalhar num supermercado de produtos portugueses. Vendeu "tremoços, bacalhau, fruta" e aproximou-se das suas origens. Depois entrou no serviço de contabilidade do Grupo Printemps, mas como viu que para progredir na carreira ainda tinha que percorrer um longo caminho, decidiu acelerar o passo. Regressou às aulas, foi para a Escola Superior de Gestão e Contabilidade (ENGDE), conciliou o trabalho com os estudos, formou-se em Contabilidade e Finanças e foi um dos primeiros portugueses licenciados naquela área em Paris. "Quando me formei até fui ver se existiam outros luso-descendentes com o mesmo diploma, mas nesse momento éramos poucos. Nós não correspondíamos à imagem típica do emigrante português em França", acrescenta.
 
Começou a trabalhar sozinho em 2007, mas dois anos depois decidiu criar o seu próprio gabinete de contabilidade. A sociedade "Amparo Conseil" foi fundada em 2009 e actualmente, para além da sede situada no centro da capital, tem também um gabinete na Normandia. Para além da contabilidade pura e dura, uma das principais funções da Amparo Conseil "é acompanhar os dirigentes das empresas". O nome "Amparo" inspirado num livro do escritor português Miguel Sousa Tavares tem a ver com isso mesmo. Carlos Fernandes quer amparar as empresas, ajudando a desenvolver e a gerir melhor os seus negócios. Em 2007 tornou-se membro da Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa com um único objectivo. Queria passar a ser "um membro activo na comunidade de empresários portugueses" e actualmente tem "vários clientes do país".
 
O ano de 2017 também lhe reservou uma nova aventura. Pela primeira vez viajou até às suas origens para trabalhar, investindo na mesma área através de um novo projecto que está localizado em Lisboa: a Conta Up. Carlos Fernandes é mais um exemplo de um português que viveu mais anos fora do que dentro de Portugal, mas nunca se esqueceu de regressar à terra que o viu nascer e afirma com veemência que "Portugal é um país com futuro".

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