28 Oct, 2020 Última Actualização 12:15 PM, 27 Oct, 2020

Portugueses de Valor 2020: Nomeada Clementina Jorge

 

Clementina Jorge nasceu na freguesia de São Simão de Litém, pertencente ao concelho de Pombal. Dos tempos de infância aí passado recorda os bailes e as festas da Igreja, as animações que existiam na altura. Nesse mesmo lugar completou a 4ª classe, o ensino máximo que ali existia até então. O destino da vida quis que Clementina emigrasse para Angola, e aqui conseguiu adquirir mais alguns conhecimentos. “Estudei à noite, mas trabalhei durante sete anos na fábrica de cerâmicas do meu sogro e aí é que ganhei conhecimentos de negócio”. Clementina esteve em Angola de 1962 até 1974, momento em que dá a independência das colónias e a liberdade em Portugal. Veio para Portugal com os filhos, mas trazia na bagagem um curso de confeção feito em Angola. Lá tinha a experiência de confeção de roupa por medida, mas em Portugal começou a fazer confeção, colocou inicialmente sete aprendizas, ensinou-lhes e o negócio evoluiu. Rapidamente passou a fazer peça de roupa por numeração e nos anos 80 já tinha uma coleção própria de 80 modelos e vendia por todo o país. “Já tinha 30 costureiras, mais os vendedores. Fiz durante os anos 80 e 90 a Feira Internacional de Lisboa”. Clementina sonhava apenas poder sair de São Simão de Litém para conseguir aprender mais, pois ali o seu futuro estava reservado ao trabalho nas terras. Lutou por isso, e conseguiu. Hoje, herdou a empresa do seu já falecido marido em Angola, juntamente com a filha. A cada dois meses tem de se deslocar a Angola, onde a empresa mantém actividade com 50 colaboradores. Como pessoa, valorizar a família, o trabalho, as pessoas e a honestidade. O seu lado solidário está bem vincado, através da ajuda a todos os colabores em Angola. “Nunca damos menos que duas ou três vezes o valor do ordenado mínimo. Funcionário nosso nunca ganha o ordenado mínimo, e tem restaurante para ir comer, pago por nós. Isso já é fazer bem às pessoas, porque em Angola existe muita fome”. Fora isso, Clementina faz várias ofertas a instituições de solidariedade.
Sobre os portugueses, considera-os trabalhadores, com muito valor e honestos.

Portugueses de Valor 2020: Nomeado Adriano Portela

 

Adriano Portela retrata a história de muitos portugueses que se viram forçados a emigrar à procura de melhores condições de vida. Nasceu em Colmeias, no concelho de Leiria e até aos 18 anos aqui viveu bons momentos de convívio. Começou a trabalhar com 13 anos em mecânica, e aos 18 anos seguiu para França continuando no mesmo ramo de actividade. “Emigrei para ganhar mais alguma coisa na vida”, conta. Com 24 anos tornou-se empresário, criando uma sociedade no ramo dos trabalhos públicos, com aluguer de máquinas e camiões. Um acidente que Adriano Portela teve, fez com a sociedade se desfizesse e o incentivasse a avançar para a criação de uma nova empresa, mas agora sozinho. Assim nasceu a LTDTP, em 1997, também dedicada a trabalhos públicos como demolições, terraplanagens, saneamentos, aluguer de máquinas e reciclagem de materiais. Como todas as pessoas, Adriano admite que sempre quis para a sua vida ter possibilidades de ter bons carros e fazer boas viagens. Hoje, conseguiu alcançar um nível de vida que lhe proporciona esses prazeres, mas sente que já alcançou tudo o que gostava de ter.  Preza até hoje a educação que recebeu e é essa que tenta transmitir aos seus descendentes. “Uma educação correta, que me permitiu chegar onde cheguei”. Não faz parte do meio associativo português em França, mas participa sempre que é solicitado. Para si, ser português é uma felicidade, e nunca esquece as suas origens. A todos os portugueses deseja muita saúde, felicidade e que tudo corra pelo melhor.

Portugueses de Valor 2020: Nomeado António Faria de Castro

 

António Faria de Castro é natural de Guimarães, e daqui herdou um espírito conquistador. Nasceu em 1967 e até aos 14 anos viveu em França com os pais. Ainda veio a tempo de viver uma boa parte da sua juventude em Portugal, de onde recorda as saídas, as borgas, os passeios e convívios com os amigos. Em terras lusas começou por estudar à noite, porque surgiu uma oportunidade de trabalhar no escritório da Padaria Celeste, começando por ser escriturário aos 14 anos. Seguiu-se A Central de Cervejas – Sagres - onde começou uma vida ligada a empresas de compra e venda de alimentos ou bebidas em Portugal, por isso, quando emigrou para França, levou este currículo na bagagem. Durante vários anos trabalhou para a Central de Cervejas na área das vendas e, quando deixou o país, procurou seguir o mesmo percurso profissional. Em França teve vários trabalhos, passou por uma empresa do mesmo ramo, os armazéns Cândido, mas mais tarde acabou por mudar. Há alguns anos abraçou um novo projecto e integrou a equipa da Alimentar, sendo hoje Gestor Comercial da empresa. A companhia é hoje um dos mais importantes importadores do que melhor se produz em Portugal no ramo alimentar e das bebidas. Apresenta no seu portefólio grandes marcas portuguesas e contribui para o crescimento da balança comercial através das exportações. António Faria de Castro leva todos os dias até à capital francesa os melhores produtos das suas origens, apoiando assim Portugal, que precisa de escoar os seus artigos e ajudando os consumidores no estrangeiro que querem receber o que o país produz. O objectivo de vida de António sempre foi ter felicidade, sua e daqueles que o rodeiam. “Eu estou feliz se os meus amigos e familiares também o estiverem”. Um dos seus maiores motivos de orgulho é mostrar, em França, que Portugal tem produtos muitos bons e de extrema qualidade. A sua vida foi pautada essencialmente em três pilares: honestidade, sinceridade e trabalho, aspectos fundamentais para si. Juntamente com a Alimentar, apoia as associações da comunidade portuguesa com a oferta de produtos, sempre os eventos o justifiquem. Para si, é um orgulho ser português e deseja a todos muita saúde, paz e sucesso a nível pessoal e profissional.

Portugueses de Valor 2020: Nomeado Luís Carreira

 

Luís Carreira nasceu em 1949 na freguesia de Bidoeira de Cima, pertencente ao concelho de Leiria. Com uma infância feliz e de boas memórias, fruto de origens humildes, Luís estava longe de imaginar que se viria a tornar um empresário de sucesso. Começou a trabalhar com 12 anos de idade, altura em que o sector da agrícola trabalhado pelo pai não o agradava. Tentou sair de casa para trabalhar e começou num serviço precário, transportando barro em carrinhos de mão. Foi também aprendiz de pedreiro antes de ir para França, uma aventura que durou três anos e meio, mas que serviu para evitar o serviço militar. Ainda assim, apresentou-se fora do prazo e foi-lhe atribuída uma missão de dois anos em Angola. Aí, aproveitou o seu tempo para tirar a carta de condução de pesados e profissional, e ainda um curso de construção civil e decoração, actividade que adora. Regressado a Portugal, começa logo a trabalhar como pedreiro e inscreveu-me como empresário a 11 de Abril de 1974. Passado uns dias acontece o 25 de Abril e, com algumas obras adjudicadas, perde algum dinheiro com o crescimento da inflação. Ganhou coragem e determinação para continuar a trabalhar e a progredir como empresário de forma a recuperar o dinheiro perdido. Constituiu empresa com a sua esposa e algum tempo depois surgiu a oportunidade de comprar uma empresa de materiais de construção da qual era cliente. Fê-lo juntamente com um irmão e logo a batizaram de Macolis. Um irmão passou a sociedade a outro e foram-se desenvolvendo duas áreas de actividade na Macolis: cerâmicos e climatização. A separação das áreas foi o caminho a tomar e Luís Carreira ficou o sector da climatização e canalizações. Hoje, a Macolis está presente em Leiria, Coimbra e Paris. Luís confessa que nunca foi um homem sonhador, que apenas desejava fazer amanhã melhor do que hoje. E se conseguiu chegar até aqui, devo-o à honestidade do seu trabalho e à valorização dos recursos humanos. Tem uma vida de 45 anos de actividade ligada a coletividades, mas desejava sempre fazer mais pelo associativismo. Assume que quando instalou a Macolis em França, em 2013, ficou positivamente bem impressionado com a capacidade dos empresários portugueses em França. “Vi coisas que me entusiasmaram bastante e me deram forçam para continuar. Os portugueses são bem vistos em termos de laboração de trabalho, mas como empresários não ficam nada atrás. Para eles, os meus parabéns”. 

Portugueses de Valor 2020: Nomeado Francisco Teixeira

 

Francisco Teixeira nasce a 3 de Agosto de 1966, em Celorico de Basto, localidade essa que ainda hoje não abdica de visitar pelo menos uma vez por ano, salientando a sua forte ligação às suas origens. Contrariando a vontade do pai, optou por não continuar os estudos, tendo acompanhado o seu progenitor até França. Emigrou com 15 anos, iniciando-se logo de seguida no sector da construção civil. O infortúnio de um acidente de trabalho, faz com que decida criar a sua própria empresa, pois viu-se na impossibilidade de continuar a executar as funções exercidas até então. Passaram-se já cerca de 15 anos e a empresa de Francisco Teixeira foi prosperando, continuando a laborar em território francês na construção e renovação de habitações. Tem permanecido fortemente ligado à comunidade portuguesa e refere a importância desta aproximação, pois é o elo que permite com que a mesma seja cada vez mais uma referência de negócio, bem patenteada na qualidade dos trabalhos realizados. As recordações que tem de Portugal são as saudades da sua infância, e salienta a sua paixão por visitar anualmente a terra que o viu nascer, pois “as nossas raízes carregamo-las desde que nascemos, e por mais longe que estejamos, estarão sempre presentes em nós”.

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