16 Oct, 2019 Última Actualização 1:37 PM, 10 Oct, 2019

Nomeado Portugueses de Valor 2019: António Joaquim Lopes

 

António Joaquim Lopes nasceu e viveu a sua infância na aldeia de Santa Comba, em Vila Nova de Foz Côa. É de origem de uma família pobre e, por essa razão, foi obrigado a sair da escola com apenas 9 anos de idade para ir guardar as ovelhas no campo. “Ganhava 30 escudos por mês”, conta. As possibilidades na aldeia eram poucas e os mais velhos tinham de trabalhar para ajudar a criar os mais novos, sendo o caso de António Joaquim Lopes. Só saiu da aldeia para cumprir o serviço militar em Angola, estando na guerra durante 27 meses. Ao regressar à terra, decide emigrar para França em busca de uma vida melhor. Aprendeu e trabalhava numa profissão que lhe permitiu arranjar umas económicas. “Decidi, por isso, investir num restaurante na Cruz Quebrada, em Lisboa”. Juntamente com a esposa, também de Santa Comba, tiveram de abandonar França e tinham no restaurante uma hipótese de uma nova vida. Sem perceber nada de restauração, António Joaquim Lopes viu-se abraçava uma nova vida com o seu restaurante na Cruz Quebrada. “Tive a felicidade de o restaurante ser perto da Universidade de Educação Física, a única que existia no país e o único centro de estágio que havia na altura. Não percebia nada de restauração, mas adaptei-me, fui vendo como é que os profissionais faziam e venci. Tive noites sem ir à cama, mas consegui vencer”. Começou na restauração em 1974, estando nesse restaurante durante 20 anos consecutivos. Posteriormente, adquiriu um novo restaurante em Algés, onde aqui concentra toda a sua família a trabalhar há 25 anos.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Luis Silvério

 

Luís Silvério é uma verdadeira referência em Portugal na revenda de pescado fresco e congelado. O talento para esta arte passou de geração em geração e foi transmitido como uma herança da família. O avô já negociava peixe e o pai também fazia uma pequena distribuição na aldeia, mas os tempos eram diferentes e as dificuldades bem maiores. “Naquela altura a distribuição era feita com carroças e com burros. No tempo da escola, o meu pai punha-me em cima de um burro para ir fazer vendas de peixe às aldeias juntamente com os funcionários que ele tinha”, recorda. Luís não esconde a admiração que sente pelo pai e diz que ele foi uma das pessoas que mais o inspirou. “O meu pai não sabia ler nem escrever, mas vendia peixe pelas aldeias e tinha o seu livro de fiados onde apontava todos os fiados que fazia às pessoas através da numeração”. O empresário estudou em Torres Vedras na Escola Industrial, mas depressa trocou os livros pelo trabalho e arregaçou as mangas para se juntar ao irmão mais velho. “O meu irmão lançou-se por conta própria e começou a comprar peixe em Peniche e a levá-lo para a Ribeira Nova em Lisboa. Eu ainda andava na escola, mas disse que não queria estudar mais, fui ter com ele e aos 15 anos fui para a Universidade da Vida que era a Universidade da Ribeira em Lisboa”, diz-nos.


A Universidade da vida até pode ter sido exigente, mas hoje reconhece que o preparou da melhor forma. “Havia lá um senhor em Lisboa que tinha um armazém onde é hoje a Portugália. Eles escreviam umas letras muito mal feitas, mas eu tinha que ir para a porta do armazém conferir o peixe e tinha que perceber a letra que eles escreviam. Depois comecei a crescer e com apenas 21 anos já era empresário”, recorda. A empresa Luís Silvério & Filhos foi fundada em 1987.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: José Ventura

 

José Ventura nasceu no ano de 1960, na vila de Montelavar, concelho de Sintra, local onde passou a sua infância. Vivia perto do campo e os seus avós tinham animais de criação, por isso sempre teve grande liberdade e contacto com a natureza. Foi criado nesse meio até ao falecimento do avô materno, que a o núcleo da família. Nesse momento decidem emigrar para França e começar uma vida nova. “Eu vim juntamente com a minha mãe e a minha irmã, mais nova, a salto”. Já em França, continuou na escola a muito sacrifício, sem saber falar francês. Fez um CAP (Certificado de Aptitude Profissional) como serralheiro civil, área que escolheu não prosseguir, porque acabou por se instalar com um sócio no ramo do calçado. Quando o seu primeiro sócio foi morar para o Brasil, José associou-se a um dos seus fornecedores e manteve a empresa, que ainda hoje dirige, a MENPORT, especializada na venda para revenda de calçado. “Comecei nos sapatos em 1985, tinha 25 anos, foi uma vida de muito sacrifício, tinha sido pai à pouco tempo. Não éramos muito conhecidos, e fazer o nosso lugar no mercado foi complicado. Hoje temos mais de 30 anos de casa, somos reconhecidos pela qualidade e seriedade no trabalho”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Michael Tavares

 

Michael Botelho Tavares nasceu em New Bedford, no estado de Massachusetts, em 1976, mas todas as suas raízes são portuguesas, mais concretamente dos Açores. Nos Estados Unidos foi criado de perto dos avós e com eles teve uma grande convivência. “Aprendi a falar português com eles porque eles ficavam connosco quando éramos pequenos, eu e os meus irmãos. Ouvia histórias de vivências deles nos Açores, ouvia músicas que eles ouviam, principalmente o fado, e aprendi a gostar de fado por causa deles”. Rapidamente Michael Tavares apreendeu a cultura portuguesa. Depois do ensino secundário foi para a universidade e formou-se em Engenharia Mecânica, tendo depois tirado um mestrado em Engenharia de Fabricação. Começou a trabalhar em engenharia na empresa Johnson & Johnson, tendo aí desempenhado funções durante oito anos e meio. Só depois sentiu ser a hora certa para ingressar na empresa do pai, a Horacio´s. Actualmente está à frente da empresa há 12 anos, levando a bom porto a empresa familiar.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Pascal Pereira

 

Filho de pais portugueses, o empresário na área da construção civil nasceu em França e, apesar de nunca ter vivido em Portugal, faz questão de visitar o país várias vezes durante o ano. Atualmente proprietário de quatro empresas, recorda com orgulho os primeiros passos que deu na sua carreira, tendo começado a trabalhar com 18 anos. Continua a manter um ritmo acelerado de vida, descrevendo-se como uma pessoa trabalhadora. Retempera energias através de algumas atividades que muito prazer lhe dão, como o ténis ou as viagens. No cinema, prefere os filmes de comédia. Se voltasse atrás no tempo, faria tudo novamente como fez, mais de forma mais rápida e eficaz.