27 Feb, 2020 Última Actualização 10:04 AM, 27 Feb, 2020

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Daniel Peixoto

 

Daniel Peixoto nasceu em França, mas o sangue que lhe corre é bem português: a mãe é natural da Póvoa de Varzim e o pai de Guimarães. Nasceu em 1989 em Tremblay-en-France, e as melhores recordações que tem da infância são das idas ao rancho, onde começou a participar com apenas cinco anos de idade. “A maior parte dos amigos que tinha eram de lá e eram bons momentos. Encontrava-se muitas pessoas e passava-se muitos momentos de convívio”. Estudou electricidade, mas os seus pais sempre foram a favor de continuar os estudos, o que levou a tirar uma especialização em ar condicionado. Trabalhou durante 12 anos para uma empresa enquanto engenheiro comercial em ar condicionado. Em 2019, decidiu parar esta actividade com o objectivo de montar o seu próprio negócio. “Quero, acima de tudo, que seja uma paixão. Não quero encarar como um trabalho e uma obrigação, quero ter prazer no que vou fazer diariamente”.

A sua ligação à comunidade portuguesa sempre foi forte pela pertença ao rancho, onde chegou a ensaiador com 19 anos e a presidente do grupo com 23 anos de idade, um dos mais jovens a consegui-lo. Sempre ajudou portugueses através da associação, em todos os aspectos que fossem necessários. “O rancho não servir apenas para dançar, era para ajudar”. Sonha, um dia, poder vir a abrir uma ONG para conseguir ajudar os mais idosos. “Quero contribuir ainda mais para o mundo”. Daniel Peixoto assenta a sua vida na justiça e na igualdade. “No mundo somos todos iguais, não há um melhor que o outro. Para além disso, há que respeitar os outros. Foi sempre isso que os meus pais me ensinaram”. Não nasceu em Portugal, mas isso não faz de Daniel menos português. “Adoro o povo português, sempre gostei da sua mentalidade, e adoro Portugal. Nas férias, quando passava a fronteira, chorava, sempre tive amor por Portugal, desde pequeno. Nasci em França, mas antes de tudo os meus pais são portugueses e o meu sangue é português”. Aos portugueses, Daniel Peixoto deseja muito amor e “que fiquem unidos porque o povo português sempre foi um povo alegre, que gosta de fazer festa, e devem manter-se para ir para a frente, ajudando-se uns aos outros”.

 

 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Salomé Dias

 

Salomé Dias é natural de um meio com raízes piscatórias, na Póvoa de Varzim, distrito do Porto. Da infância recorda, com um brilho nos olhos, os tempos de escola, altura em que andava com os livros na mão, e ainda sublinha um momento especial. "Ter um irmão aos 11 anos também se tornou numa experiência enriquecedora", refere. Salomé viveu em solo português até completar 26 anos e é nessa altura que abraça um novo desafio. "Acompanhada com a minha filha mais velha partimos à descoberta de um novo país e uma nova cultura", realça. Ainda adolescente, lembra-se de querer ser advogada, mas o pai não a apoiou na decisão, optando por se formar em Neurofisiologia e o seu primeiro contacto com o mundo profissional foi numa clinica, a Clipóvoa. A experiência foi enriquecedora e, por isso, na bagagem que levou para a capital inglesa havia a vontade em exercer uma função na acção médica. A realidade não foi a esperada, mas a vontade em superar adversidades venceu qualquer obstáculo que se avizinhasse. "Quando aqui cheguei tinha o aluguer da casa para pagar e a filha de seis anos para criar, e então não pude prosseguir a minha vocação. A primeira porta que se abriu foi na indústria da limpeza", afirma. Salomé deu cartas no papel que desempenhou e hoje desempenha, nada mais, nada menos do que uma posição de chefia, no Palácio de Buckingham.

Na residência oficial da Família Real Britânica, um dos pontos turísticos de maior importância na Inglaterra, Salomé conheceu o seu marido, de quem tem uma filha. Para além de ser uma profissional de referência, Salomé mostrou além-fronteiras o que é ser português. "No meu local de trabalho sou a única portuguesa a ocupar uma posição de alto nível", constata. Eternamente ligada à realidade britânica, a portuguesa sente-se bem no Reino Unido, mas não esquece as suas origens. "Temos pessoas inglesas, no Palácio de Buckingham, a pronunciar algumas palavras portuguesas", confessa. Salomé Dias faz do amor pelo próximo a sua máxima diária. “Eu procuro no meu dia-a-dia fazer algo por alguém, mesmo que seja um pequeno gesto. Isso, faz-me sentir realizada como pessoa. O outro valor que me guia sempre é a honestidade, por mais difícil que a verdade seja, ela deve prevalecer. É isso que eu tento transmitir às minhas filhas, que mais vale dizer a verdade do que a mentira. E não esquecer que é preciso lutar para atingir os nossos objectivos, até porque quando alcançamos esse objectivo, o valorizamos mais. Se há algo que me caracteriza muito é que eu luto, os ingleses dizem que eu sou starborn.” Poveira de gema, e sobretudo, portuguesa de coração, Salomé Dias considera Portugal "um país lindo, com um clima maravilhoso e uma gastronomia que nos mantém robustos".

Salomé apela a todos os portugueses que sigam o exemplo do nosso Chefe de Estado e que consigam transparecer uma maior cumplicidade. “Para mim ser portuguesa é ser humanitária, lutadora e ter orgulho de quem sou. Eu gosto de dizer que sou portuguesa, porque para mim isso é motivo de grande orgulho. Serei sempre portuguesa, esteja onde estiver. No dia em que eu partir, a minha família já sabe para onde eu quero ir, porque lá comecei e é lá que quero terminar”. Salomé Dias não esquece também o seu lado solidário, apoiando a Liga Portuguesa Contra o Cancro e a Liga Contra o Cancro em Inglaterra. “As doenças não têm nacionalidade. Também contribuo para crianças órfãs, porque é um assunto que me toca bastante. E estou ligada à Academia de Bacalhau de Londres”. A mensagem que deixa a todos os portugueses é de paz e esperança. “Nós passamos por momentos difíceis, mas há algo que nos caracteriza como portugueses, o nosso lado lutador. Somos um povo com muita fé. Não devemos ter rivalidades, mas celebrar cada vez que o nosso amigo/vizinho teve sucesso em algo. Hoje sou eu a celebrar por ele, amanhã serão eles a celebrar por mim. Vamos basear-nos no grande exemplo que o nosso Presidente Marcelo nos dá, e vamos estar presentes quando mais necessitam de nós.”

 

 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeada Zita Morgado

 

Zita Morgado é natural de Usseira, em Óbidos, mas o seu percurso de vida tem sido passado maioritariamente em França. Emigrou com os pais tinha cerca de 10 anos, numa época marcada pela forte emigração portuguesa. Em Portugal completou a 4ª classe e era a menina da família, tendo a primeira neta a surgir, caindo em si toda a atenção e carinho. Destes tempos, recorda o bem-estar familiar e a união que os caracterizava. Os destinos da vida levaram a que Zita deixasse Óbidos e abraçasse uma nova realidade. Em França continuou os estudos e foi-se especializando em Contabilidade e Secretariado. “Tive algumas dificuldades porque não conhecia a língua, mas fui ultrapassando com o tempo”, refere. Assim que terminou a formação, procurou emprego e encontrou-o numa agência de viagens, que procuravam alguém que falasse a língua portuguesa. Zita Morgado preenchia os requisitos e assim se iniciou na área do turismo, com 17 anos de idade. Já casada, Zita tentou um regresso a Portugal, acompanhando o regresso dos pais e das irmãs, mas ao fim de 6 anos percebeu que teria de regressa a França e que o seu percurso seria efectivamente em terras gaulesas. Voltou a trabalhar na área do turismo até 1993, altura em que decide abrir a sua própria agência de viagens, actividade que mantém até hoje.


Confessa-se uma mulher com muitos sonhos, uns alcançados outros não, mas o maior de todos foi conseguir ser a sua própria patroa. “Sou independente, tenho liberdade de acção, e isso é muito bom”. Para si, o mais importante na vida é a honestidade, o bem-estar das pessoas que estão à sua volta e a sua família. “O meu maior núcleo é o estar junto dos que me são mais queridos”. Zita tem ainda tempo para a solidariedade, ajudando várias associações, sempre que assim é solicitada. Não esquece as suas origens e salienta que para si, ser portuguesa, é uma honra e um prazer. “Considero-me patriota porque, por exemplo, ensinei os meus filhos a falar português e penso que todos os emigrantes deviam fazer o mesmo. A todos os portugueses desejo muita felicidade e que tenham vontade de levar Portugal para a frente”.

 

 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Manuel Silva Reis

 

Manuel Silva Reis nasceu na cidade do Porto e o seu nome está intimamente ligado à empresa mais antiga de vinhos em Portugal: a Real Companhia Velha. Oriundo de uma família tradicional, Manuel é terceira geração de uma família ligada ao vinho. “O meu avô esteve ligado ao vinho durante toda a sua vida, até interromper quando foi combater. O meu pai esteve 50 anos ligado ao Vinho do Porto, e eu já vou no meu quadragésimo ano”. Estudou ate ao 7º ano, ano que, por força da revolução do 25 de Abril, a família foi obrigada a emigrar. O seu pai era um dos accionistas do Banco Fernandes Magalhães e o sócio maioritário da Real Companhia Velha. Fomos ocupados pelos militares que colocaram a nossa família na fronteira.  Estivemos três anos emigrados forçosamente. Fiz alguns cursos lá fora e acompanhei o meu pai nos negócios. Quando retomámos a empresa eu já tinha 18 anos e, como o meu pai não tinha directores, pediu-me para ficar ao lado dele. Comecei a minha carreira ao lado do meu pai no dia 1 de Outubro de 1978. A empresa na altura estava com dificuldades, mas com o tempo e apoio conseguimos fazer um caminho”. Com uma vida ligada incondicionalmente aos vinhos, também os seus sonhos se confundem com os da empresa. “Conseguir ter uma empresa bi-centenária, e mantê-la activa e presente no mercado já é um sonho cumprido. Outro sonho que nós tínhamos, e que está a ser concretizado, foi crescer nos vinhos de denominação - Origem Douro. Com muito esforço e dedicação, hoje somos os maiores proprietários da região do Douro. O meu outro sonho, era conseguir que a geração dos meus filhos e sobrinhos, conseguissem dar seguimento ao carácter familiar e português que a empresa tem”.

O seu lado profissional e pessoal assenta na honestidade e integridade que implementa todos os dias, primando por evitar sempre os conflitos. Manuel Silva Reis foi o fundador da Associação Nacional de Jovens Empresários, onde fez grandes organizações como o Portugal Fashion, a criação da Fundação da Juventude e do Ministério da Juventude. É ainda mesário da Santa Casa da Misericórdia, e apoia muito os projetos sociais do Hospital de Santo António. “Tento ao máximo apoiar causas sociais”. Tem um grande orgulho em ser português e confessa que quando olha a bandeira portuguesa emociona-se. “Com estas questões da globalização, esquecemo-nos várias vezes do patriotismo. Portugal é Portugal, e para mim será sempre Portugal. Hoje em dia ser português é um orgulho e uma virtude. É uma ambição que cada um tem de ter, para fazermos este país melhor e mais justo, para que o mundo olhe para nós com respeito e admiração”.

 

 

 

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Victor Roriz

 

Victor Roriz tem, em cada imagem que capta, a forma de demonstrar o orgulho que sente em ser português. Fotógrafo de profissão e de paixão, pensa que se tivesse saído de Portugal o sucesso poderia ter sido maior mas os trabalhos no exterior dão-lhe a “possibilidade de sair e lutar por mais”. Nasceu em 1962 em Viana do Castelo, de onde ainda hoje mantém fortes recordações da sua infância: a primeira bicicleta e as idas à praia. “Nasceu” praticamente numa empresa fotográfica, facto que viria a marcar o seu percurso profissional. Era fotógrafo o seu tio-avô, o seu pai e dois tios. Sempre ligado à imagem, foi por aqui que traçou o seu rumo. Aos 20 anos formou-se em fotografia, tendo tido também passagens pelo estrangeiro onde se especializou em fotografia de moda e de arquitectura. Criou, em Pedras Rubras, uma empresa especializada em fotografia aérea, tendo sido a principal empresa deste sector. Também se dedicou ao vídeo documental, mas a paixão pela fotografia venceu, estando praticamente toda a vida ligado ao negócio de família - Roriz Imagem. Tinha um sonho de menino, que era ser médico, porque sempre gostou da ideia de poder salvar pessoas, mas ao longo da sua profissão sente que também se realizou tendo muitas boas surpresas e boas resoluções de imagem. “Quero fazer mais, muito mais. Cada vez que faço sinto que ainda não fiz o que quero fazer”, diz, afirmando que para si o mais importante é a dignidade e a humildade. Está ligado à academia do bacalhau e a associações de beneficência mais directa, como é o caso da APPACDM. Para si, ser português, é “ter a dignidade de um ser humano. Tenho muita vaidade em ser português e muito orgulho neste país pequeno ter conseguido fazer o que fez até agora. Orgulho-me também da juventude que está com muita força e a representar bem Portugal no mundo”. Victor Roriz deixa a mensagem “aos de dentro e aos de fora de trem sempre vaidade daquilo que somos e a humildade de quem somos”.