03 Aug, 2020 Última Actualização 4:11 PM, 3 Aug, 2020

Portugueses de Valor 2020: Nomeado Rui Lafayette

 

É filho de pai angolano e mãe portuguesa. Rui Falayette nasceu em Angola a 15 de Novembro de 1965, local onde cresceu e viveu até aos nove anos de idade. Com a guerra, a família teve de fugir para Portugal, e instalou-se na aldeia do avô materno, perto da Guarda. Já sem o pai, aqui Rui teve de se adaptar a uma nova realidade, num país mais frio. Estudou aqui até aos 15 anos, altura em que foi para França, onde já se encontrava a sua mãe. Ainda frequentou a escola para aprender a língua francesa e obteve um diploma de torneiro mecânico, mas nunca exerceu essa profissão. Rui não era rapaz para estar fechado a produzir, tinha um espírito de comercial e começou por ser estafeta numa das maiores empresas portuguesas em França no ramo dos seguros, a Império. “Fui estafeta durante três anos”. A empresa, tinha também a vertente de agência de viagens, onde Rui se foi integrando aos poucos. “Comecei a levar bilhetes de avião aos clientes, ia aos bancos e, ao mesmo tempo, comecei a aprender a vender bilhetes. Tive uma directora que apostou em mim e deu-me a oportunidade de ser agente de viagens”. Assim se deu início a uma longa carreira dedicada à agência de viagens. Com 25 anos, passou a ser chefe de agência, no 11º bairro de Paris e como bom vendedor que se revelou, nunca mais deixou o local. Hoje o espaço onde trabalha é da MZ Voyages, mas Rui Lafayette está no mesmo escritório há 28 anos.  Mais do que conseguiu até hoje, Rui sente-se orgulhoso por ter dado aos filhos a oportunidade de estudar. O filho é bancário, e a filha engenheira. “Estão a voar sozinhos e estou super contente”. Hoje, sonha poder regressar a Portugal e realizar alguns projectos no Algarve. Valoriza muito a educação que teve, e enaltece o papel da mãe neste sentido, que sente lhe transmitiu a importância da família.  Ao nível associativo, participa regularmente em ações do Lions Club, da Santa Casa da Misericórdia de Paris e da Le Copains d´Hugo. Para si, ser português, significa representar a cultura lusa em França. “Toda a vida trabalhei com portugueses, sempre servi os portugueses. Gosto de ajudar o meu povo, as minhas origens. Vou muitas vezes a Portugal, continuo a ir à festa da aldeia. Tento ir aqui também às festas portuguesas. Somos pessoas que estamos juntos e nos ajudamos uns aos outros. Somos um povo muito de paz, onde há muitas pessoas com as quais podemos contar. Que continuem assim”.