30 Mar, 2020 Última Actualização 10:43 AM, 30 Mar, 2020

Portugueses de Valor 2020 - Nomeado Francisco da Cunha

 

É natural das Caldas da Rainha, onde passou uma infância que apelida de agradável, tendo sido um bom período da sua vida. Saiu da terra com 16 anos, mas lá viveu momentos muito agradáveis. Francisco Barros da Cunha Leal chegou a França em Setembro de 1967, embalado pela situação de instabilidade política dos anos 60 em Portugal. Começou por trabalhar numa farmácia, mas rapidamente encontrou emprego na área para a qual tinha alguma formação: electricidade na área da construção civil. “Comecei num atelier a preparar material das obras, mas também passei pelas obras”. Depois, Francisco da Cunha foi técnico de estudos numa empresa de instalações eléctricas. Aí encontrou um futuro sócio, com o qual trabalhou durante dez anos, até à criação da sua própria empresa, a ALPHA TP, em 1983. Hoje em dia, a ALPHA TP, com o estatuto de sociedade cooperativa trabalha no ramo das infra-estruturas: estradas, aterros, saneamento, iluminação pública, redes eléctricas. Francisco diz que não gosta de ser “um trabalhador solitário” e considera-se uma pessoa perseverante naquilo que faz. Nunca teve um grande sonho para a sua vida, apesar de sempre querer estar bem na vida. A felicidade para si, é o suficiente. “Se recomeçasse a minha vida agora, seria pouca coisa que mudaria”. Admite que tem receio, de uma certa forma, de não vir a ter tempo na sua vida para realizar todos os sonhos que tem, pois sente que ainda tem muito a fazer, seja a nível profissional e pessoal. Existem determinados valores que, para si, um ser humano não pode abdicar. “Honestidade, amor aos outros, sinceridade, trabalho. Não podemos escapar a isso. Com isso não há razões para ser infeliz na vida”.  Assim que chegou a França, integrou as primeiras equipas de futebol portuguesas, equipa que viria a designar-se Lusitanos de Saint-Maur, onde lá permaneceu durante 25 anos. Agora faz parte da direcção do Créteil Lusitanos e é compadre da Academia do Bacalhau de Paris. “Para mim ser português é dignificante. Ainda hoje, Portugal está a ser citado com muito relevo por todas as comunidades europeias e mundiais. É um gosto e prazer ser português. Estou há mais de 50 anos em França e só continuo a ter nacionalidade portuguesa”. Por isso, deseja que todos os portugueses sejam felizes e que consigam realizar os seus sonhos, “assim como eu conseguir realizar alguns dos meus”.