14 Jul, 2020 Última Actualização 3:18 PM, 14 Jul, 2020

Portugueses de Valor 2020: Nomeado Adérito Gonçalves

 

Adérito Gonçalves é natural de Carção, uma pequena freguesia do concelho de Vimioso, tendo aqui nascido em 1955. Vimioso pertence do distrito de Bragança, e é na capital de distrito que Adérito tem desenvolvido o seu percurso de vida. Da sua infância são poucas as recordações que tem, pois foi cedo que começou a trabalhar. Tinha 11 anos quando completou a instrução primária e começou a trabalhar na Pousada de São Bartolomeu, em Bragança. Entrou como funcionário do bar, mas aqui completou todo um percurso de aprendizagem, tendo passando também pela sala de jantar e cozinha. Fez de tudo na Pousada, tendo lá estado cerca de 12 anos a trabalhar. O diretor, inclusive, obrigou Adérito a frequentar a Escola de Hotelaria no Porto, fazendo o curso de Receção e Mesas. Adérito ainda cumpriu o serviço militar obrigatório, mas regressou à Pousada, onde tinha o emprego garantido. Depois, começou a pensar em estabelecer-se por conta própria e abriu o seu primeiro restaurante em Vinhais, onde esteve dez anos. Posteriormente regressa a Bragança, no fim dos anos 80, onde abriu o restaurante O Geadas, que mantém aberto até hoje. O seu objectivo de vida foi sempre ter o seu próprio projecto, por isso sente-se realizado. Hoje, gostava de usufruir um pouco do trabalho que sempre teve, mas o seu espírito comerciante faz com que continue a trabalhar todos os dias. Sempre se preocupou em ser um bom profissional e em cumprir todos os deveres financeiros para com a banca, o mercado e para com os funcionários. Adérito ajuda todas as associações que lhe pedem ajuda, mediante as possibilidades que tem. Ser português, para si, é um orgulho, e sente que sempre tentou ser um bom português ao longo da vida. A todo o povo português deseja que continue a ser honesto. “Somos assim enquanto povo, e espero que todos cumpram com os seus deveres”.

Portugueses de Valor 2020: Nomeado Pedro Mendes

 

Pedro Mendes nasceu em 1972 no Porto e com apenas cinco anos emigrou com os seus pais para o Mónaco. É aqui que vive e trabalha até hoje. As lembranças de Portugal são poucas, apenas se mantém as viagens no verão para as merecidas férias da família. Pedro fez todos os estudos no Mónaco e o primeiro trabalho foi no sector imobiliário, algo que ia ao encontro do que procurava. “Procurava um trabalho de comercial, de contacto com pessoas, é isso que me realiza”. Assim teve o primeiro emprego, na Century 21, em 1995, numa cidade francesa perto do Mónaco. “Compreendi rapidamente que o meu interesse era trabalhar no Mónaco, porque vivi sempre lá, tinha os meus amigos, os meus conhecimentos e aproximei-me de uma pessoa que já tinha lá uma agência e comecei a trabalhar no mercado do Mónaco dessa forma. Fiquei nessa agência cerca de dez anos. Depois, comecei a tentar trabalhar para mim e montei uma estrutura própria, uma outra agência imobiliária com um sócio italiano. Até agora continuamos sócios, mas já faz dois anos e meio que decidi fazer o meu caminho e tenho a agência Premium Properties, onde agora trabalho”. Com experiência de 25 anos no ramo imobiliário, Pedro divide o seu tempo entre duas agências: a Mendes Immobilier, em Cap-D´Ail, uma pequena cidade francesa, e a Premium Properties, no Mónaco.
Para si, confessa que viver no Mónaco já é um sonho e agradece aos seus pais por isso. “Estamos cá pela oportunidade de trabalho que eles tiveram nos anos 70 no Mónaco. Para mim, os sonhos já estão quase todos realizados, ter a possibilidade de viver aqui com a minha família e que os meus filhos possam crescer aqui é o mais importante. Toda a gente sabe que o Mónaco é um paraíso, não há nenhum local como este”. Na sua vida, quer pessoal quer profissional, é o valor da honestidade o mais importante. “Só assim se consegue manter confiança entre as pessoas”. Ao nível solidário, Pedro ajuda uma associação dirigida pela mãe – Casa do Menor, que se dirige a crianças deixadas na rua, sobretudo no Brasil. “Existe em vários países e eu ajudo a minha mãe nesse sentido, a recrutar dinheiro, e temos bastante sucesso nesse sentido. Faço também parte da Cruz Vermelha Monegasca”. É orgulhoso de ser português e considera-se patriota. A todos deseja que “sejam orgulhosos de ser portugueses e que continuem a trabalhar na união dos portugueses”.

Portugueses de Valor 2020: Nomeada Anabela Cabral

 

Anabela Cabral nasceu em Lisboa, na freguesia de Benfica. “Menina bairrista” como assim se caracteriza, foi lá que passou a sua infância e adolescência. Momentos bons que ainda gosta de recordar. “Passeava com o meu pai, e nessa altura já ia com ele para as obras. Foi uma ótima infância, cheia de boas recordações. As minhas amizades continuam a ser as mesmas daquela altura”. Contra a vontade do pai, Anabela começou a trabalhar cedo no mundo da estética, profissão não bem vista na década de 80. Nessa altura, Anabela não imaginava as voltas que a sua vida iria dar. Nessa altura, conheceu o apresentador Júlio Isidro, com o qual trabalhou no Teatro Aberto e foi pelas mãos dele que Anabela chegou ao mundo da televisão, como caracterizadora. Mais tarde, abriu o seu próprio cabeleireiro, mas, depois dos 30 anos decidiu mudar de vida. Entrou no sector da construção civil, talvez por influência do pai, e hoje é uma das sócias da empresa Cabral & Carvalho, no sul de França. Para si, é um grande orgulho ter conseguido colocar o nome do seu pai na empresa. “Espero que ele esteja orgulhoso do que eu faço, a ele o devo. Não é muito comum uma mulher na construção, mas eu gosto”.
Em boa verdade, Anabela nunca esperou ter conseguido tanta coisa como conseguiu. “Espero que Deus me consiga dar saúde e alegria para continuar a levar isto a bom porto. Considero-me uma mulher feliz e realizada”. Na sua vida, os valores estão presentes desde sempre: honestidade e caridade são para si cruciais. “É importante não sermos os únicos a olhar, existe no mundo bem piores que nós. O meu lema é fazer aos outros o que quero que me façam a mim. Sou incapaz de prejudicar alguém porque não quero que o façam a mim. Vou continuar a seguir estes valores e orgulho de não me ter desviado do meu caminho”. Antes de ir para França, Anabela ia aos reformados fazer penteados e maquilhagem, numa forma solidária. Agora, em França, ajuda de acordo com o que o seu coração manda, mas não gosta de dizer as ações que pratica. Adora ser portuguesa: “Portugal é a minha raiz, a minha essência”. Como mensagem aos portugueses, apela a uma maior valorização das pessoas, da vida, da união e do amor. “O resto vem por acréscimo. Realizados, paz e amor, é tudo. Sejam felizes”.

Portugueses de Valor 2020: Nomeado Jorge Gomes

 

Jorge Gomes nasceu em Santa Cristina de Longos, em Guimarães, em 1978, e recorda com saudade os tempos das vindimas com os avós. É mais um caso de emigração portuguesa. Chegou a França, com os pais, com 12 anos de idade, corria o ano 1991. Aos 16 começou a trabalhar na área da construção civil. Hoje, divide o seu tempo em duas profissões bem distintas: é chefe de obras num local de construção no principado do Mónaco, e é também maire-adjoint na cidade de Beausoleil, no sul de França. “Comecei a trabalhar muito cedo em Portugal, mal saí da escola. Só quando emigrei com os meus pais para França é que voltei à escola até aos 16 anos, altura em que parei para começar a trabalhar no sector da construção civil com um amigo, numa empresa no Mónaco”. O interesse pela política surgiu nos inícios durante os anos 2000. "De 2000 até 2004 fui proprietário de um bar e restaurante aqui em Beausoleil, e na altura o presidente criava-me bastantes problemas, queria fechar-me o estabelecimento por causa dos clientes, porque ao fim-de-semana juntava muitas pessoas para verem os jogos de Portugal. O presidente da altura prejudicou-me e isso foi uma motivação para mim, para me alinhar ao lado do actual presidente, que surgiu em 2008, quando aceitei o desafio de fazer parte da lista dele”.
Um dos sonhos que tinha para a sua vida já o concretizou: ser pai. Jorge Gomes tem hoje três filhos. O outro sonho, faz por o realizar diariamente: “ser feliz e ver as pessoas felizes à minha volta”. Para si, que está fora do país, valoriza muito a entreajuda e a solidariedade entre todos. “Estamos fora do país e sente-se muito a falta de Portuga, por isso entre nós somos muito solidários”. Ao nível associativo, Jorge Gomes também deixa a sua marca. “Temos o Rancho Folclórico de Beausoleil, 100% português, e que apoio no que posso ao nível da câmara. Recentemente criamos outra associação cultural em que o objectivo é fazer um protocolo de acordo com o Governo português para varias ações durante o ano de intercâmbio com escolas portuguesas”. Para si ser portuguees é um orgulho. Considera-se patriota em muitos sentidos e, sendo o seu país de origem, o sentido daqui a 20 ou 30 anos será igual. A todos os portugueses deixa uma mensagem para sejam “solidários uns com os outros. Devemos apoiar-nos uns aos outros, é importante sobretudo para quem está fora do país, isso dá-nos motivação para avançarmos melhor no dia-a-dia”.

Portugueses de Valor 2020: Nomeado Albino Miranda

 

Albino Miranda nasceu 1967, na freguesia de Galelos (Santa Maria), pertencente ao concelho de Barcelos. Da sua infância recorda as brincadeiras nos riachos que hoje já nem água levam, do valor dado à Primavera, que permitia ir brincar para os campos. São ainda algumas imagens e cheiros que o fazem recordar esses momentos da infância. Também em pequeno herdou a “arte” do seu pai, que tinha uma oficina de carpintaria e marcenaria. “Vi o meu pai trabalhar era eu muito pequeno, em que ainda não chegava ao banco de carpinteiro e isso marcou aquilo que sou hoje”. Albino transformou-se num homem em que o trabalho manual é a sua vocação e paixão. Começou por trabalhar com o pai, esculpindo madeira, e seguiu-se a área da cerâmica, onde desenvolveu produtos para várias empresas. “Sei que tenho milhares de produtos feitos que ainda hoje vejo e recordo que fui que os criei”. Mais tarde, Albino Miranda criou a sua própria empresa, mantendo sempre a área criativa, já que é também amante de arquitetura e decoração de interiores. A Albino Miranda Lda é uma empresa do setor decorativo, que cria e desenvolve mobiliário e esculturas para ambientes de interior e exterior através das suas marcas KARPA e GANSK. “Sempre que algo me obrigue a criar, eu estou feliz. Não sou bom a negociar, portanto nunca daria um bom negociador”.
O seu sonho, desde sempre, era casar e formar família cedo, para que mais tarde pudesse voltar a ter tempo para namorar. Também sempre quis viver da arte. “Sou um artista que acabei por criar condições para que muito mais pessoas possam ter uma peça de arte em sua casa. Não me tornei famoso, nunca o procurei, então as minhas coisas não são vendidas muito caras”. De futuro, falta-lhe concretizar um sonho que já tem alguns anos: uma exposição individual, totalmente solidária. Para si, são essenciais os valores de honestidade, respeito e sinceridade. Faz parte da Academia do Bacalhau do Minho, e o que cativou na associação foi dar com a mão direita sem mostrar a mão esquerda. “Fazer o bem sem estar a divulgar que o fizemos”. Confessa que não tem o mesmo patriotismo e o sentimento de saudade que alguém que tenha emigrado, mas gosta cada vez mais do seu país, Portugal. “Os portugueses são muito mais do que aquilo que pensam que são, temos muito mais valor do que pensamos. Temos de deixar de ter discurso de coitadinho. Damos cartas por esse mundo fora. O que desejo a todos é que sejam verdadeiros, felizes e que ocupem o seu pensamento o máximo possível em coisas positivas, e valorizar o abraço”.