05 Dec, 2020 Última Actualização 3:24 PM, 4 Dec, 2020

Portugueses de Valor 2020: Nomeado Dominic Fernandes

 

Dominic Silva Fernandes nasceu a 1 Fevereiro de 1976 em França. Apesar disso, é o sangue português que lhe corre nas veias. O pai era natural de Arouca e a mãe da região de Leiria, mas foi em Paris que construíram uma vida em conjunto e onde nasceu Dominic e o seu irmão. A sua infância teve bons momentos, de alegria, brincadeiras e cumplicidade com o seu irmão enquanto os pais trabalhavam. Família de poucas posses, mas sempre com amor no lar.

Dominic começou a trabalhar com 18 anos a embalar caixas de telemóveis. Ao fim de três meses cansou-se do trabalho e foi convidado pelo presidente da empresa, de nacionalidade grega, a ser comercial de telemóveis para a zona de Paris. Três meses volvidos já era o maior vendedor de telemóveis em todo o território francês.

Entretanto, surge uma vaga na empresa: o cargo de presidente a nível nacional. Dominic foi a pessoa nomeada, corria o ano 1995, ano em que assumiu o cargo, até 2004, quando abriu a sua própria empresa. Dedica-se unicamente à importação e exportação de telemóveis, mas a sua empresa – Bluetooth, é um caso de sucesso em todo o mundo.

Em criança, sonhava ter uma casa bonita. Hoje, admite que tem os sonhos todos concretizados, o que agora gosta de fazer é ajudar quem mais precisa. Dominic mostra que sem ter grandes estudos, com força e querer, as pessoas conseguem chegar onde quiserem. A solidariedade é um dos pontos fortes da sua vida.

Durante a pandemia de Covid-19 ajudou a Câmara Municipal de Arouca, os Bombeiros de Arouca, o Hospital de Santa Maria da Feira, o Hospital de São João, no Porto, várias instituições e hospitais em França também.

Orgulha-se de ser português. “Os portugueses eram criticados em França, vistos como uma comunidade mais fraca, mas mostramos que somos capazes de trabalhar sem ser nas obras e nas limpezas. Temos capacidade para isso”. Dominic deixa como mensagem aos portugueses que “podemos alcançar todos os sonhos que temos, podemos mostrar a todos que sendo um país pequeno somos uma grande comunidade e grandes pessoas, somos portugueses”.

Portugueses de Valor 2020: Nomeado Adérito Gonçalves

 

Adérito Gonçalves é natural de Carção, uma pequena freguesia do concelho de Vimioso, tendo aqui nascido em 1955. Vimioso pertence do distrito de Bragança, e é na capital de distrito que Adérito tem desenvolvido o seu percurso de vida. Da sua infância são poucas as recordações que tem, pois foi cedo que começou a trabalhar. Tinha 11 anos quando completou a instrução primária e começou a trabalhar na Pousada de São Bartolomeu, em Bragança. Entrou como funcionário do bar, mas aqui completou todo um percurso de aprendizagem, tendo passando também pela sala de jantar e cozinha. Fez de tudo na Pousada, tendo lá estado cerca de 12 anos a trabalhar. O diretor, inclusive, obrigou Adérito a frequentar a Escola de Hotelaria no Porto, fazendo o curso de Receção e Mesas. Adérito ainda cumpriu o serviço militar obrigatório, mas regressou à Pousada, onde tinha o emprego garantido. Depois, começou a pensar em estabelecer-se por conta própria e abriu o seu primeiro restaurante em Vinhais, onde esteve dez anos. Posteriormente regressa a Bragança, no fim dos anos 80, onde abriu o restaurante O Geadas, que mantém aberto até hoje. O seu objectivo de vida foi sempre ter o seu próprio projecto, por isso sente-se realizado. Hoje, gostava de usufruir um pouco do trabalho que sempre teve, mas o seu espírito comerciante faz com que continue a trabalhar todos os dias. Sempre se preocupou em ser um bom profissional e em cumprir todos os deveres financeiros para com a banca, o mercado e para com os funcionários. Adérito ajuda todas as associações que lhe pedem ajuda, mediante as possibilidades que tem. Ser português, para si, é um orgulho, e sente que sempre tentou ser um bom português ao longo da vida. A todo o povo português deseja que continue a ser honesto. “Somos assim enquanto povo, e espero que todos cumpram com os seus deveres”.

Portugueses de Valor 2020: Nomeado Jorge Gomes

 

Jorge Gomes nasceu em Santa Cristina de Longos, em Guimarães, em 1978, e recorda com saudade os tempos das vindimas com os avós. É mais um caso de emigração portuguesa. Chegou a França, com os pais, com 12 anos de idade, corria o ano 1991. Aos 16 começou a trabalhar na área da construção civil. Hoje, divide o seu tempo em duas profissões bem distintas: é chefe de obras num local de construção no principado do Mónaco, e é também maire-adjoint na cidade de Beausoleil, no sul de França. “Comecei a trabalhar muito cedo em Portugal, mal saí da escola. Só quando emigrei com os meus pais para França é que voltei à escola até aos 16 anos, altura em que parei para começar a trabalhar no sector da construção civil com um amigo, numa empresa no Mónaco”. O interesse pela política surgiu nos inícios durante os anos 2000. "De 2000 até 2004 fui proprietário de um bar e restaurante aqui em Beausoleil, e na altura o presidente criava-me bastantes problemas, queria fechar-me o estabelecimento por causa dos clientes, porque ao fim-de-semana juntava muitas pessoas para verem os jogos de Portugal. O presidente da altura prejudicou-me e isso foi uma motivação para mim, para me alinhar ao lado do actual presidente, que surgiu em 2008, quando aceitei o desafio de fazer parte da lista dele”.
Um dos sonhos que tinha para a sua vida já o concretizou: ser pai. Jorge Gomes tem hoje três filhos. O outro sonho, faz por o realizar diariamente: “ser feliz e ver as pessoas felizes à minha volta”. Para si, que está fora do país, valoriza muito a entreajuda e a solidariedade entre todos. “Estamos fora do país e sente-se muito a falta de Portuga, por isso entre nós somos muito solidários”. Ao nível associativo, Jorge Gomes também deixa a sua marca. “Temos o Rancho Folclórico de Beausoleil, 100% português, e que apoio no que posso ao nível da câmara. Recentemente criamos outra associação cultural em que o objectivo é fazer um protocolo de acordo com o Governo português para varias ações durante o ano de intercâmbio com escolas portuguesas”. Para si ser portuguees é um orgulho. Considera-se patriota em muitos sentidos e, sendo o seu país de origem, o sentido daqui a 20 ou 30 anos será igual. A todos os portugueses deixa uma mensagem para sejam “solidários uns com os outros. Devemos apoiar-nos uns aos outros, é importante sobretudo para quem está fora do país, isso dá-nos motivação para avançarmos melhor no dia-a-dia”.

Portugueses de Valor 2020: Nomeado Pedro Mendes

 

Pedro Mendes nasceu em 1972 no Porto e com apenas cinco anos emigrou com os seus pais para o Mónaco. É aqui que vive e trabalha até hoje. As lembranças de Portugal são poucas, apenas se mantém as viagens no verão para as merecidas férias da família. Pedro fez todos os estudos no Mónaco e o primeiro trabalho foi no sector imobiliário, algo que ia ao encontro do que procurava. “Procurava um trabalho de comercial, de contacto com pessoas, é isso que me realiza”. Assim teve o primeiro emprego, na Century 21, em 1995, numa cidade francesa perto do Mónaco. “Compreendi rapidamente que o meu interesse era trabalhar no Mónaco, porque vivi sempre lá, tinha os meus amigos, os meus conhecimentos e aproximei-me de uma pessoa que já tinha lá uma agência e comecei a trabalhar no mercado do Mónaco dessa forma. Fiquei nessa agência cerca de dez anos. Depois, comecei a tentar trabalhar para mim e montei uma estrutura própria, uma outra agência imobiliária com um sócio italiano. Até agora continuamos sócios, mas já faz dois anos e meio que decidi fazer o meu caminho e tenho a agência Premium Properties, onde agora trabalho”. Com experiência de 25 anos no ramo imobiliário, Pedro divide o seu tempo entre duas agências: a Mendes Immobilier, em Cap-D´Ail, uma pequena cidade francesa, e a Premium Properties, no Mónaco.
Para si, confessa que viver no Mónaco já é um sonho e agradece aos seus pais por isso. “Estamos cá pela oportunidade de trabalho que eles tiveram nos anos 70 no Mónaco. Para mim, os sonhos já estão quase todos realizados, ter a possibilidade de viver aqui com a minha família e que os meus filhos possam crescer aqui é o mais importante. Toda a gente sabe que o Mónaco é um paraíso, não há nenhum local como este”. Na sua vida, quer pessoal quer profissional, é o valor da honestidade o mais importante. “Só assim se consegue manter confiança entre as pessoas”. Ao nível solidário, Pedro ajuda uma associação dirigida pela mãe – Casa do Menor, que se dirige a crianças deixadas na rua, sobretudo no Brasil. “Existe em vários países e eu ajudo a minha mãe nesse sentido, a recrutar dinheiro, e temos bastante sucesso nesse sentido. Faço também parte da Cruz Vermelha Monegasca”. É orgulhoso de ser português e considera-se patriota. A todos deseja que “sejam orgulhosos de ser portugueses e que continuem a trabalhar na união dos portugueses”.

Portugueses de Valor 2020: Nomeada Anabela Cabral

 

Anabela Cabral nasceu em Lisboa, na freguesia de Benfica. “Menina bairrista” como assim se caracteriza, foi lá que passou a sua infância e adolescência. Momentos bons que ainda gosta de recordar. “Passeava com o meu pai, e nessa altura já ia com ele para as obras. Foi uma ótima infância, cheia de boas recordações. As minhas amizades continuam a ser as mesmas daquela altura”. Contra a vontade do pai, Anabela começou a trabalhar cedo no mundo da estética, profissão não bem vista na década de 80. Nessa altura, Anabela não imaginava as voltas que a sua vida iria dar. Nessa altura, conheceu o apresentador Júlio Isidro, com o qual trabalhou no Teatro Aberto e foi pelas mãos dele que Anabela chegou ao mundo da televisão, como caracterizadora. Mais tarde, abriu o seu próprio cabeleireiro, mas, depois dos 30 anos decidiu mudar de vida. Entrou no sector da construção civil, talvez por influência do pai, e hoje é uma das sócias da empresa Cabral & Carvalho, no sul de França. Para si, é um grande orgulho ter conseguido colocar o nome do seu pai na empresa. “Espero que ele esteja orgulhoso do que eu faço, a ele o devo. Não é muito comum uma mulher na construção, mas eu gosto”.
Em boa verdade, Anabela nunca esperou ter conseguido tanta coisa como conseguiu. “Espero que Deus me consiga dar saúde e alegria para continuar a levar isto a bom porto. Considero-me uma mulher feliz e realizada”. Na sua vida, os valores estão presentes desde sempre: honestidade e caridade são para si cruciais. “É importante não sermos os únicos a olhar, existe no mundo bem piores que nós. O meu lema é fazer aos outros o que quero que me façam a mim. Sou incapaz de prejudicar alguém porque não quero que o façam a mim. Vou continuar a seguir estes valores e orgulho de não me ter desviado do meu caminho”. Antes de ir para França, Anabela ia aos reformados fazer penteados e maquilhagem, numa forma solidária. Agora, em França, ajuda de acordo com o que o seu coração manda, mas não gosta de dizer as ações que pratica. Adora ser portuguesa: “Portugal é a minha raiz, a minha essência”. Como mensagem aos portugueses, apela a uma maior valorização das pessoas, da vida, da união e do amor. “O resto vem por acréscimo. Realizados, paz e amor, é tudo. Sejam felizes”.

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