20 Jul, 2019 Última Actualização 3:31 PM, 19 Jul, 2019

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Francisco Ramos

 

Francisco Ramos nasceu em 1971, na freguesia de Soutelo, concelho de Vila de Verde. Minhoto por natureza, é nesta região que tem explorado a sua actividade empresarial. Da infância recorda os jogos de futebol e o convívio com os amigos, que eram muitos na altura, porque a maioria da sua família encontrava-se emigrada em França. Realizou o percurso escolar, mas começou cedo a acompanhar o pai na empresa familiar de construção civil, a Artur Ramos & Filhos. “O meu pai sempre nos ensinou a sermos muito correctos com os clientes. O meu pai criou a empresa e depois nós criamos outra em 1994. Entretanto, criamos mais três empresas com actividade similar, mas todas pertencem a casa mãe - a Artur Ramos & Filhos”.
 
Francisco Ramos tentou sempre evoluir pessoal e profissionalmente na empresa da família e a prova é que hoje a empresa está a trabalhar em mercados externos, como Alemanha, Espanha e França. Afirma com convicção que sempre lutou pela vida, porque desde cedo sonhava poder ter bons carros, uma boa empresa e viver com algum conforto, objectivos que tem conseguido alcançar, sempre com trabalho, dignidade e respeito pelos outros. Tudo o que é iniciativas em Vila Verde conta o apoio de Francisco Ramos e, inclusive, presta um apoio mais personalizado a pessoas com deficiência. Para si, ser português, significa ter orgulho e valor. Sempre cheio de força e vontade, Francisco Ramos encoraja os portugueses: “lutem, andem para a frente e nunca parem”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: António Morais

 

Foi a cerca de 40 quilómetros da Serra da Estrela, na aldeia de Santa Eulália, pertencente ao concelho de Seia, que nasceu António Morais. Corria o ano de 1949 quando nasceu um homem destinado à actividade comercial de lacticínios. “Nasci pobre e humilde, e recordo-me de transportar leite com um burro numa carroça, para fazer queijos. Ia buscar o leite numa carroça, a minha mãe faia o queijo e o meu pai vendia nas feiras”. António Morais fez ainda a vida militar e só quando regressou é que entrou a 100% na actividade de produção e comercialização de queijos, juntamente com o pai e o irmão.
 
Apesar de ter estado sempre envolvido nesta actividade, foi nesta altura que surgiu a construção da Queijaria Anastácios. “Fomos crescendo aos poucos, a procura do nosso queijo sempre foi muita, pois era feito com assiduidade e muito cuidado para ser um bom queijo. Nós fomos pioneiros na produção de queijo nesta região, já apareceram outros produtores, mas nada que se compare à qualidade do nosso queijo”.
 
António Morais revela-se um homem sonhador, que conseguiu cumprir o sonho de construir uma fábrica. Infelizmente teve um AVC há alguns anos, facto que o tem deixado impossibilitado de lutar por novas conquistas. Não deixa de ser uma pessoa solidária, ajudando sempre que possível organizações locais, entre as quais os Bombeiros. “Para mim ser português é um orgulho e sempre me considerei patriota. É importante trabalhar em prol do desenvolvimento, quer da minha vida, quer do desenvolvimento dos negócios”.

Nomeada Portugueses de Valor 2019: Carla Fernandes

 

Carla Fernandes nasceu em 1981, na pequena aldeia de Cabanas, pertencente ao concelho de Macedo de Cavaleiros, em Bragança. É do sentimento de liberdade que mais sente saudade quando recorda a sua infância. Esteve até aos nove anos em Portugal, período que ía a pé para a escola com um grupo de amigos, brincavam e iam para os lameiros com as vacas. Eram donos de si mesmos, não davam pelas horas passar e tinham de ser os pais, por vezes, a chamar de volta a casa. Outro período da sua infância foi já passado em território francês, tendo vivido uma transformação drástica. De um total sentimento de liberdade, Carla Fernandes passou a viver num apartamento e teve dificuldades iniciais de integrar a cultura e a língua francesa. Apesar das dificuldades, nunca baixou os braços e desde cedo que sabia aquilo que queria para a sua vida: ser advogada.
 
O esforço dos seus pais foi notório para lhe pagarem os estudos, mas Carla Fernandes nunca desiludiu. Formou-se em Direito, com uma especialização em Direito franco-português. “Orientei os meus estudos de tal maneira a poder fazer isso. Estudei em Dijon durante dois anos, fui para Nancy fazer um magistério para me especializar nos direitos europeus e fiz um ano na Universidade Católica de Lisboa, onde tirei uma pós-graduação em Direito Comercial. Quando comecei a exercer como advogada cá, e desde o início, me especializei nas relações franco-portuguesas, ou seja, represento portugueses emigrantes cá em França que estão com contenciosos ou necessitam de conselhos, ou também em Portugal. Ajudo tudo o que é empresas portuguesas que querem desenvolver no mercado francês e agora tudo o que tem a ver com o estatuto de residente não habitual, que é uma clientela mais francesa que está interessado em instalar-se em Portugal”. Carla Fernandes é hoje sócia de um escritório de advogados, juntamente com outros cinco sócios, que tem a característica de ser atípico em relação a outros escritórios franceses. “Temos todos origens diferentes, daí a nossa força, a nossa cultura, abertura de espirito também, e trabalhamos em várias línguas, seja iraniano, alemão, inglês, português, espanhol, temos uma abertura internacional”.
 
Ser advogada e conseguir desenvolver a sua carreira profissional eram os sonhos que Carla Fernandes estabeleceu para a sua vida e que já os conseguiu alcançar, mas acrescenta outro: “ter uma família e ser feliz, é o mais importante. Ter uma família que nos pode apoiar nos nossos projectos pessoais e profissionais”. A família representa exactamente um valor essencial para a sua vida, onde se juntam ainda a honestidade e a humildade.
 
Apesar de ter emigrado com apenas nove anos para França, Carla Fernandes não esquece Portugal, assumindo que para si, ser portuguesa, é promover Portugal e fazer publicidade ao seu país. Considera-se patriota e deu mesmo um exemplo disso. “Quando fui para Lisboa fazer os meus estudos, apresentei-me a um concurso, um diploma em Direito com muito valor, e fui recebida pelo director que me disse que não aceitava a minha candidatura porque Portugal não representava nada. Se queria desenvolver a minha carreira tinha de ter feito outra escolha, como a Escola de Comércio, ir para Inglaterra ou Alemanha. Quando fiz a escolha de ir para Portugal sabia que havia um risco de não integrar aquele diploma, que representava muito naquela altura para mim. Apesar disso fui, consegui o diploma, fiquei em 1º lugar no curso e agora aquela pessoa já me contactou várias vezes para que vá dar aulas sobre o direito português, porque é a grande moda. É uma maneira indirecta de ser patriota, na altura defendi Portugal e agora tive a oportunidade de mostrar que não me enganei no meu percurso”. Defendendo sempre a imagem de Portugal, Carla Fernandes deixa ainda uma mensagem pessoal: “Temos de continuar a promover Portugal, a cultura de Portugal, a nossa língua. A nível pessoal, há muita publicidade para Lisboa, Porto e Algarve, mas eu gostaria de promover Trás-os-Montes e o seu turismo rural, que deve ser conhecido, em particular o de Bragança”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Francisco Arvana

 

Foi em Estremoz que Francisco Arvana nasceu e também onde cresceu, formou família e se estabeleceu profissionalmente. Recorda que começou a trabalhar muito novo, ajudando os avós e com 12 anos já trabalhava no talho dos seus pais. O sector da carne esteve presente desde sempre na sua vida e viria a tornar-se sua actividade profissional. Com 14 anos começou a trabalhar por conta de outrem, mas sempre no mesmo ramo, a venda de carne. “Considerava-me cortador de carnes ao balcão. Aos 21 anos casei-me e aos 22 achei que tinha de fazer algo porque aquilo que eu ganhava era quase só para pagar a renda de casa. O meu vencimento era cerca de 8500 escudos, e eu pagava 5850 de renda de casa”.
 
Foi trabalhando por si próprio e ao fim de ano e meio “já matava 25 animais por semana, e ao fim de três anos achámos que devíamos mudar o negócio visto que tínhamos entrado na comunidade europeia”. Foi assim que Francisco Arvana criou a Salsicharia Estremocense, na década de 80, e conseguiu cumprir um sonho que tinha desde criança: ter comércio e vender com facilidade. “A minha ideia era que fosse algo de maneios fáceis e que satisfizesse as pessoas, e isso eu consegui. Digo que consegui satisfazer a minha curiosidade e a minha exigência comigo mesmo”. Revelador de um espírito tranquilo, Francisco Arvana assume que para estar bem na vida, só precisa de estar bem com os outros. “A honestidade e não querer para os outros aquilo que não queremos para nós são valores essenciais. É algo que conduz a nossa vida em tudo”. Para além de ter um orgulho em ser português, e de representar o sabor de Portugal com os seus produtos além-fronteiras, Francisco Arvana pretende evoluir ao longo da sua vida, deixando algo melhor para os seus filhos.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: José Pascoal

 

A aldeia de Monsanto viu nascer em 1953 um homem destinado ao sucesso. O tempo viria a reservar-lhe um futuro ao volante de camiões. Da infância, José Pascoal recorda os jogos de futebol e as brincadeiras entre amigos. Foi cedo que começou a trabalhar, começando por ingressar numa empresa de montagem de postes de alta tensão, onde já andava com camiões e gruas. O gosto pelo transporte também lhe veio do pai, que já era a sua profissão. Com 34 anos comprou o seu primeiro camião, hoje tem uma frota de 320 camiões. Num intervalo de 36 anos criou, alicerçou e colocou o nome Transportes Pascoal no mercado. Mercado nacional, mas também internacional, estando hoje a empresa fisicamente em Vitória e Madrid, em Espanha, Paris e Lyon, em França, Inglaterra e Bruxelas.
 
Apesar do sucesso empresarial, fruto do seu empreendedorismo, José Pascoal confessa que nunca foi sonhador. “Fui sempre terra a terra, até nunca sonhei chegar onde cheguei. Muito trabalho, transparência, honestidade, sinceridade e justiça são tudo para mim”. José Pascoal não tem esquecido também a vertente solidária e benévola. “Temos apoiado várias instituições e, na altura dos incêndios, compramos e plantamos cerca de 1000 árvores”. Orgulhoso de ser português, José Pascoal deseja que todos os seus compatriotas “continuem a desbravar os caminhos que sempre desbravámos e que sempre continuamos a descobrir e a evoluir não só no nosso país. Demos provas que quando avançamos para outros países conseguimos levar o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo”.