20 Jul, 2019 Última Actualização 3:31 PM, 19 Jul, 2019

Nomeado Portugueses de Valor 2019: José Afonso

 

José Afonso chegou a França em 1970, pouco tempo depois de participar na Guerra do Ultramar. Desde então passaram 49 anos. José continua ligado a Portugal e ainda tem uma residência em Macedo de Cavaleiros, na terra onde foi criado, mas o lar já está há muito para lá das fronteiras. Trabalhou sempre como bate-chapas em duas oficinas e hoje apesar de estar aposentado, continua a trabalhar para a comunidade portuguesa em França. É o actual presidente da Associação Franco-Portuguesa de Puteaux e membro assíduo de outros movimentos associativos. Foi parar a França numa viagem de Natal e gostou tanto, que acabou por lá ficar a trabalhar e a viver até hoje. Em Portugal deixou oito irmãos e foi o único membro da família a optar pela emigração, mas não se arrepende da decisão que tomou.
 
Os primeiros anos foram difíceis e José chegou a conciliar dois trabalhos no mesmo dia: “trabalhava até às quatro da tarde numa garagem e depois ia com a minha sogra fazer limpezas para uma escola, mas quando consegui a carta deixei o segundo trabalho”. Desde que chegou a França até se aposentar só conheceu dois patrões diferentes. Hoje, apesar de já estar reformado, continua a passar a maior parte do tempo em França, onde é um membro activo do tecido associativo. Para além de ser há sete anos presidente da Associação Franco-Portuguesa de Puteaux, José Afonso faz parte da comunidade católica portuguesa e da Santa Casa da Misericórdia de Paris: “gosto de fazer o bem. Sou um mãos largas para toda a gente e dou aquilo que eu preciso”, afirma. Faz parte da comunidade católica portuguesa há cerca de 40 anos e já acompanhou várias gerações diferentes: “já conheço a terceira e a quarta geração. Já passaram por mim rapazes e raparigas que hoje já são pais de filhos que estão na catequese”. José Afonso valoriza esse percurso e considera que a catequese “é um trampolim” para os filhos de pais de emigrantes aprenderem a falar bem português.
 
Apesar de estar reformado e de passar férias em Portugal com os netos, José também gosta de regressar ao país onde fez a maior parte da sua vida e já não se imagina sem ele: “não consigo viver sem a comunidade portuguesa, onde me encontro agora. Muitas vezes vou a Portugal e depois começo logo a dar voltas. Vamos lá mas é embora para França porque aqui é que eu fiz a minha vida”, afirma. Prestes a completar 71 anos e um percurso já bastante preenchido, José Afonso deixa ficar uma mensagem de força às novas gerações de emigrantes e diz que estas devem tomar como modelo as gerações dos anos 60 e 70 porque sem trabalho, nada se consegue.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: André Coroa

 

André Coroa nasceu a 23 de Outubro de 1984, na Trofa. Com apenas 18 anos começou a trabalhar na reconhecida empresa Continental, especialista no fabrico de pneus, actividade essa que perdurou nove meses. Depressa se apercebeu que não era esta a sua ambição, não se sentindo preenchido nem realizado profissionalmente. Durante os seis anos que se seguiram trabalhou como comercial, tendo daí retirado bastante aprendizagem e acumulação de experiência. Eis que começa a surgir a vontade de procurar novos caminhos, com França no horizonte. Dada a falta de resposta por parte de empresas de trabalho temporário, que foi consultando, essa ausência de respostas, faz com que decida tomar a iniciativa de se lançar como empresário, ligado aos recursos humanos, no ano de 2010, onde assim a sua vida sofre uma viragem marcante.
 
O passar dos anos ditou que o grupo ganhasse outra dimensão, focado inicialmente na cedência de trabalhadores, foi-se expandido de forma natural, permitindo o lançamento em novas áreas de actividade, fruto das necessidades internas inerentes ao seu gradual crescimento. A garra, seriedade e vontade de vencer dos portugueses são os focos positivos que André revê na nossa comunidade, comprovada na enorme percentagem de colabores de origem portuguesa que fazem parte do seu grupo, mas identifica, porém, que alguma inveja e sede de protagonismo são pontos negativos, presentes, mas, cada vez mais, com tendência a desaparecer, pois a união e aproximação lusófona tem crescido positivamente. Focados nas pessoas e com grande espírito de solidariedade, apoiando sempre diversas instituições, progridem agora com múltiplos intercâmbios entre as duas comunidades com olhos na continuidade de expansão, traduzidas no seu lema “o homem sonha, a obra nasce”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Horácio Miranda

 

A aldeia de Serapicos, concelho de Bragança, viu nascer Horácio Miranda a 22 de Fevereiro de 1976. Foi sempre um dos melhores alunos e sonhou até ser médico, desfrutando de uma infância cheia de coisas boas, própria de família numerosa de oito irmãos, mas vê subitamente pairar sobre si, nuvens negras, no dia em que perdeu a mãe, perdendo também a vontade de sonhar. Progressivamente foi ultrapassando a tristeza e ultrapassada a mágoa, deu a volta à adversidade, mantendo-se focado nos estudos, que eram suportados por trabalho em França durante as férias escolares, a forma encontrada e bem demonstrativa do empenho e aplicação de Horácio.
 
O destino faz com que conheça a mulher da sua vida, Sandra Miranda. E o amor tudo mudou. Horácio com 19 anos, e Sandra com apenas 17, decidem rumar definitivamente a França. Já instalados e ambos a trabalhar começam a pensar no alargar da família numa casa construída para garantir conforto aos rebentos de um amor forte e cúmplice. O primeiro filho nasce após um ano a viverem neste país, o segundo surge três anos mais tarde e estes belos rapazes vêm a família crescer com a chegada, desta vez de uma menina.
 
A vida foi sempre a rumar em frente, e já por conta própria torna-se empreendedor na construção de casas, projeto iniciado com três colaboradores, foi progredindo naturalmente ao ponto de, actualmente, serem já mais de 30 pessoas que estão envolvidas directa e indirectamente em construções modernas, alicerçadas no aproveitamento energético, pois corre nas veias a vontade de procurar mais e melhor. Não baixar os braços e sabermos batalhar por nós próprios, faz com que havendo honestidade e empenho tudo se alcança na vida.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Albino Gonçalves

 

Emigrou para França em 1987. Deve o seu sucesso ao trabalho realizado neste país, onde os portugueses são bem vistos, têm uma boa imagem, principalmente na construção civil. Por isso, o facto de ser português tem influenciado de algum modo a sua vida. Ainda não obteve de Portugal qualquer reconhecimento pelo seu trabalho. Apesar de já ter investido no seu país, acha que neste momento prefere investir onde vive. Considera os portugueses patriotas e corajosos, apontando a inveja como o seu único defeito. Na sua empresa, a maioria dos trabalhadores são portugueses, com a excepção de dois de origem africana (Mali). Sente saudades da sua terra natal e da família. Dirigindo-se aos portugueses, acha que eles deveriam ser mais unidos e não puxar cada um «a brasa à sua sardinha».

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Abílio Lourenço

 

Abílio Lourenço é natural de uma aldeia de Ponte de Lima. Em 1980 emigrou para França como muitos portugueses e transformou-se num verdadeiro “homem dos 7 ofícios”. O primeiro trabalho que encontrou foi nas vindimas, mas depois seguiram-se várias profissões. Em Paris seguiu os passos de muitos emigrantes e foi parar à construção civil. Em 1981 conheceu um patrão que lhe ofereceu trabalho, legalizou-o no país e arranjou-lhe todos os papéis necessários para a sua estabilidade. Abílio lutou, procurou sempre alcançar melhores condições de vida e nunca baixou os braços. Mais tarde passou pela limpeza, ainda esteve ligado à pintura apesar de não se considerar um pintor profissional e, há 22 anos, que tem uma empresa associada à cerâmica. Pelo caminho ainda se ligou à restauração, mas fez apenas isso para ajudar um amigo. Em 2006 o primeiro patrão que teve em França enfrentava alguns problemas e desabafou com Abílio Lourenço. Apesar de não ter grandes possibilidades, o empresário sentiu que podia e devia ajudar quem também já lhe tinha estendido a mão, acabando por comprar um restaurante que ele tinha. Abílio não percebia nada de restauração e aquela não era definitivamente a sua área, mas ainda hoje diz “que por um amigo é capaz de fazer tudo” e, se voltasse atrás, garante que “faria o mesmo”.
 
Durante o seu percurso, foi aconselhado a apostar na cerâmica e actualmente confessa que esse “foi um bom conselho” e uma aposta ganha. No início, quando começou, todos os funcionários da empresa eram portugueses, mas actualmente em 40 colaboradores, apenas um terço tem nacionalidade portuguesa. O empresário recorda que quando chegou a Paris na década 80 ser português era considerado uma mais-valia, sobretudo para encontrar trabalho. Apesar de ter uma grande admiração pelas suas origens situadas no norte de Portugal, Abílio pensa que não teria alcançado a mesma estabilidade se tivesse continuado no país. “Se Portugal oferecesse as condições que nós tivemos quando chegámos aqui, nós não precisávamos de ter vindo. Antes de mim já vinham portugueses porque o país não oferecia o mesmo que a França e, quem diz a França, diz também outros países. Eu considero que Portugal é um país fantástico, é o meu país e eu procuro falar sempre bem dele, mas infelizmente não me deu a mim, nem a milhares de portugueses aquilo que nós queríamos”, afirma.
 
Actualmente, Abílio Lourenço ainda realiza vários investimentos em Portugal, associou-se em França a uma empresa portuguesa que vende produtos de higiene e de limpeza e recentemente abriu juntamente com três amigos um Restaurante que serve especialidades portuguesas em Ivry-sur-Seine, nos arredores de Paris, chamado “Cantinho do Lima”. Apesar de dar a conhecer Portugal através deste e de outros trabalhos, Abílio afirma que “não espera nenhum reconhecimento do país”, confessa que já ajudou várias pessoas e associações, mas também não o faz para dizer em voz alta e opta sempre pela discrição. Termina a entrevista com uma mensagem que resume bem o propósito dos Portugueses de Valor: “Em França os portugueses lutaram muito e são, como vocês dizem, pessoas de valor”.