20 Jul, 2019 Última Actualização 3:31 PM, 19 Jul, 2019

Nomeado Portugueses de Valor 2019: David Fernandes

 

 
David Fernandes, jovem lusodescendente, quis seguir o mesmo percurso profissional do pai. Há alguns anos comprou-lhe a empresa com 74 trabalhadores, na área da construção e renovação de habitações sociais, que hoje faz cerca de 20 milhões de euros de volume de negócios. Apesar de ter nascido em França, herdou a cultura e as raízes dos seus pais, por isso sente-se português e francês. Considera ter tido sorte em nascer num bom país e sem o êxito do seu pai, a quem está muito grato, nunca teria chegado a este nível empresarial. Tem muito orgulho nas suas raízes e nunca renegará as suas origens. Como trabalha apenas com o Estado francês, acha normal não ter um reconhecimento pelo que faz, dado que Portugal não conhece as suas competências.
 
Considera os portugueses patriotas, que mostram muito orgulho nas suas origens. Todos os anos, através da sua empresa, ajuda monetariamente uma associação de pessoas com deficiência motora ou mental. A sua empresa tem cerca de 30% de empregados portugueses. O pai é a pessoa que mais admira, é verdadeiramente o seu ídolo por aquilo que tem feito, tendo conhecido a miséria, como outros portugueses, lutou até ter alcançado o sucesso na sua vida. Em relação a Portugal, tem saudades dos seus avós, que infelizmente já faleceram, do Sol e das pessoas que acha mais calorosas que em França. Expressa o desejo dos portugueses continuarem a ser orgulhosos do seu país e que sejam mais unidos. Espera também que os jovens saibam guardar essa cultura que lhes foi legada pelos pais.

Nomeada Portugueses de Valor 2019: Fátima Campos

 

 
Vale de Cambra aparece na vida de Fátima Campos como pano de fundo à materialização daquilo que viria a ser o seu percurso. Dos tempos de juventude, Fátima recorda-se dos tempos em carregava os livros para a escola e da pouca liberdade que tinha quando tinha tempos livres. "Naquela altura os meus pais eram conservadores e não deixavam sair, nem ter grande liberdade", refere. Ávida de construir o seu próprio império, Fátima descobre uma paixão, enquanto jovem, que a levar despertar para novos horizontes. "Aos 19 anos emigrei para França para ter uma carreira igual à Linda de Suza", confessa. Ao mudar-se para a realidade gaulesa, a sua vida foi tudo menos o que esperava. Fátima conseguiu gravar um CD, mas o facto de ser mãe alterou o rumo dos acontecimentos. Trabalhou como auxiliar de saúde onde lidava com pessoas acamadas e ainda esteve ligada ao ramo da medicina dentária. "Trabalhei como assistente dentária", afirma.
 
É nos altos e baixos que muitas vezes se consegue arranjar um refúgio e Fátima conseguiu alcançar o seu objectivo. Há quatro anos lançou-se por conta própria e hoje gere uma empresa ligada às limpezas. Ligada à comunidade portuguesa, a empresária confessa que está ligada a associações constituída por portugueses.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: João Pinheiro

 

A ilha do Faial, nos Açores, viu nascer João Pinheiro, mas tem sido os Estados Unidos da América que têm presenciado a vida empresarial de sucesso deste português. Nasceu em 1942 e esteve nos Açores até aos 17 anos, altura em que se deu a erupção do Vulcão das Capelinhas, facto que o fez mudar de vida. “Na altura, o presidente John F. Kennedy instituiu uma lei especial para as pessoas afetadas pela erupção poderem emigrar para os Estados Unidos. O meu pai decidiu aceitar e viemos para aqui em 1959. A minha primeira lembrança é chegar aos Estados Unidos com a ideia de continuar os estudos, mas por norma os emigrantes não estudavam, iam logo trabalhar. Ao princípio esta ideia custou-me um bocado, mas hoje em dia sou feliz por estar onde estou e por ter duas culturas, a portuguesa e a americana”.
 
Foi no Estado de Massachusetts que João Pinheiro se instalou e construiu o seu percurso de vida, pessoal e profissional. Começou por jogar futebol num clube semi-profissional, facto que lhe foi garantindo fazer alguns amigos e perceber como funcionava a sociedade americana. Algum tempo depois, já casado, juntamente com o seu sogro decidiu abrir uma oficina bate-chapas. Começaram apenas duas pessoas, hoje são 22 colaboradores. “Ganhámos, com muito orgulho, o prémio de melhor oficina de South Coast Massachusetts. Este projecto levou tempo a chegar ao ponto onde estamos hoje, mas conseguimos. Viemos para um país estrangeiro, e chegámos com muitas dificuldades à posição que temos hoje. Tivemos sorte de estar rodeados por pessoas que tinham conhecimentos, e nos ajudaram a dar seguimento a este projecto”.
 
João Pinheiro é também um homem que nunca desiste dos seus sonhos e pensa não ter idade para os alcançar, independente do sonho. Impedido de continuar os estudos em jovem, foi há sensivelmente dez anos que conseguiu tirar um curso superior. “Tirei o curso por orgulho, não me serve de nada, mas eu queria ter este curso para poder realizar o meu sonho. É verdade que há 30 anos não o consegui tirar, mas isso ficou dentro de mim e por força de vontade graduei-me em Nashville”. Por isso mesmo, define-se como um homem com vontade de aprender para chegar cada vez mais longe. “Eu nunca estou satisfeito, mesmo com a idade que eu tenho estou sempre à procura de algo para melhorar e aprender. Nós temos de querer inovar e de aprender”. João Pinheiro continua fortemente envolvido na comunidade portuguesa, tendo sido o fundador do Clube União Faialense e do Azorean Maritime. Foi também fundador de duas associações de bolsas de estudo para ajudar crianças portuguesas nascidas nos Estados Unidos. “Para mim é um orgulho próprio poder ajudar quem necessita, e ajudar alguém a realizar os seus sonhos”.
 
Admite ter um grande orgulho em ser português, açoriano e faialense. “Também tenho muito orgulho de viver nos Estados Unidos, país que me recebeu. Tenho duas culturas, mas nunca vou deixar a cultura portuguesa. Os portugueses que vivem em Portugal às vezes não têm a ideia real do que é ser emigrante, e do que é viver fora do país. Nós que vivemos aqui, sentimos mais do que muitas pessoas que vivem em Portugal. Nós vivemos Portugal, nós gostamos de Portugal e temos saudades de Portugal”.

Nomeada Portugueses de Valor 2019: Carla Martins

 

 
Nascida em 1974, parte rumo a uma nova aventura tinha apenas 17 anos. É nesta altura que decide deixar Coimbra para trás onde ganhou a paixão pelo comércio trabalhando numa sapataria, e foi aí que começou a sentir que a sua paixão estava no contacto com o público. Consigo leva um curso geral de Administração e Comércio, facto que lhe permitiu abrir portas ao comércio, actividade que mantém até hoje. É verdadeiramente apaixonada pelo que faz e tendo sido sempre muito ambiciosa, o seu grande sonho passava por alcançar a sua independência, tendo sido este o factor de decisão para rumar a terras francesas. Em 1994 aproveita, e bem, a oportunidade que lhe é dada de poder gerir um restaurante. Acérrima defensora da nossa língua, gastronomia, paladares e sabores, foi prosperando no ramo, sendo que, neste momento, já é a proprietária de 4 restaurantes onde emprega 12 colaboradores.
 
Salienta a importância da ligação que existe entre a comunidade portuguesa e as suas raízes, onde a gastronomia representa papel preponderante, no conforto e alegria dadas a quem procura matar saudades das receitas que nos são tão queridas, com as quais crescemos e fomos educados. Tenta sempre dar o máximo aos seus clientes para que possam, também eles, sonhar com o que deixaram para trás quando, também eles, tiveram de abandonar o país para lutar por uma vida melhor.
 
Carla Martins para além de grande embaixadora da nossa cultura revela o seu altruísmo no apoio dado a instituições, que vão desde o apoio a crianças desfavorecidas, até ao apoio a instituições de proteção aos animais. A mensagem deixada por Carla Martins é a de que não devemos desistir dos nossos sonhos e devemos ter a coragem de avançar, pois quando queremos, conseguimos.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Ramiro Alves

 

Ramiro Alves chegou a França em Dezembro de 1970, tinha apenas 12 anos. Ainda andou anos na escola, mas depressa começou a "fazer alguns trabalhos para ganhar uns trocos". Depois da escola ia fazer alguns trabalhos de limpeza, e não tinha vergonha de dizer. Da infância recorda o momento doloroso de deixar Portugal e a difícil adaptação a França. Mais tarde, acaba por entrar numa empresa de montagens de aparelhos informáticos, em Champagne-sur-Seine. “Acabei por voltar a Paris, e entrei na vida do comércio numa casa pequena de frutas e legumes, em Maisons-Laffitte”.
 
Integrado no sector do comércio, acabou por ir parar ao grupo Monoprix, até conseguir concretizar o sonho da sua vida: ter o seu próprio comércio. “Acho que sonhos, todos nós temos. O que eu queria, era um dia conseguir ter algo na vida. Queria ter uma casa, e isso concretizei graças à minha esposa. Sempre me entendi bem com ela, tivemos uma vida feliz com os nossos filhos. Hoje, o que peço mais é saúde, para poder aproveitar”. Orgulhoso de ser português, e patriota a 100%, Ramiro Alves deixa uma mensagem de persistência a todos os portugueses. “Temos de lutar na vida para conseguir algo. Não há nada sem esforço, isso tenho toda a certeza. Nós, portugueses, somos lutadores, sempre fomos. Digo a todos os portugueses: vamos para a frente e iremos todos longe”.