23 Oct, 2019 Última Actualização 2:09 PM, 23 Oct, 2019

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Carlos Mendes Dias

 

 
Inconformista e libertário, Carlos Mendes Dias é um orgulhoso alfacinha. Nascido na freguesia do Socorro, em pleno coração de Lisboa, dos tempos de criança lembra as brincadeiras na rua e dos mimos dos avós e dos bisavós. De espírito livre e contestatário, na juventude pertenceu ao Movimento Associativo dos Estudantes do Ensino Secundário de Lisboa. Das vivências que vieram a marcar o seu carácter, recorda o trajecto que percorria entre a sua casa e o liceu, durante o qual encontrava três estabelecimentos prisionais. Não esquece as ocasiões em que visitava o avó paterno na prisão, onde era guarda prisional. Advogado por sonho e vocação, Carlos Mendes Dias defende a liberdade que acredita ser “o bem mais precioso do ser humano.”
 
A busca pela justiça levou este nomeado a Português de Valor a ingressar na faculdade de Direito. Dedicado a 100% à profissão, durante o ano e meio de estágio realizou dezenas de oficiosas, procurando aprender com a prática, observando e escutando na barra dos tribunais. Lembra que naquele tempo só recebia honorários se o cliente fosse condenado. Ainda era um estagiário e já coleccionava absolvições. Como representante das vítimas de um triplo homicídio, ocorrido a 13 de Agosto de 2012, conseguiu a condenação do homicida a 25 de prisão e o pagamento de um milhão e 900 mil euros de indemnização às vítimas, um recorde em Portugal.
 
Carlos Mendes Dias rege-se pelo rigor. “Não transmitir falsas esperanças, realismo, mas lutar, lutar, procurar resposta e arriscar”, considera. Conta uma vida repleta de conquistas e guarda o sonho de escrever dois livros. Tem de lidar com a saudade dos filhos que estão longe. Dos três, dois deles estão fora do país, um na China, outro em Londres. “Não tenho argumentos, como pai, para dizer que venham para cá, porque sei que, neste momento, seria perfeitamente ruinoso do ponto de vista da construção das suas vidas”. Patriota assumido, as lágrimas escorrem-lhe pela face ao falar dos portugueses. “São os eternos marinheiros do oceano dos sonhos”.