01 Oct, 2020 Última Actualização 3:56 PM, 1 Oct, 2020

Nomeado Portugueses de Valor 2019: José Afonso

 

José Afonso chegou a França em 1970, pouco tempo depois de participar na Guerra do Ultramar. Desde então passaram 49 anos. José continua ligado a Portugal e ainda tem uma residência em Macedo de Cavaleiros, na terra onde foi criado, mas o lar já está há muito para lá das fronteiras. Trabalhou sempre como bate-chapas em duas oficinas e hoje apesar de estar aposentado, continua a trabalhar para a comunidade portuguesa em França. É o actual presidente da Associação Franco-Portuguesa de Puteaux e membro assíduo de outros movimentos associativos. Foi parar a França numa viagem de Natal e gostou tanto, que acabou por lá ficar a trabalhar e a viver até hoje. Em Portugal deixou oito irmãos e foi o único membro da família a optar pela emigração, mas não se arrepende da decisão que tomou.
 
Os primeiros anos foram difíceis e José chegou a conciliar dois trabalhos no mesmo dia: “trabalhava até às quatro da tarde numa garagem e depois ia com a minha sogra fazer limpezas para uma escola, mas quando consegui a carta deixei o segundo trabalho”. Desde que chegou a França até se aposentar só conheceu dois patrões diferentes. Hoje, apesar de já estar reformado, continua a passar a maior parte do tempo em França, onde é um membro activo do tecido associativo. Para além de ser há sete anos presidente da Associação Franco-Portuguesa de Puteaux, José Afonso faz parte da comunidade católica portuguesa e da Santa Casa da Misericórdia de Paris: “gosto de fazer o bem. Sou um mãos largas para toda a gente e dou aquilo que eu preciso”, afirma. Faz parte da comunidade católica portuguesa há cerca de 40 anos e já acompanhou várias gerações diferentes: “já conheço a terceira e a quarta geração. Já passaram por mim rapazes e raparigas que hoje já são pais de filhos que estão na catequese”. José Afonso valoriza esse percurso e considera que a catequese “é um trampolim” para os filhos de pais de emigrantes aprenderem a falar bem português.
 
Apesar de estar reformado e de passar férias em Portugal com os netos, José também gosta de regressar ao país onde fez a maior parte da sua vida e já não se imagina sem ele: “não consigo viver sem a comunidade portuguesa, onde me encontro agora. Muitas vezes vou a Portugal e depois começo logo a dar voltas. Vamos lá mas é embora para França porque aqui é que eu fiz a minha vida”, afirma. Prestes a completar 71 anos e um percurso já bastante preenchido, José Afonso deixa ficar uma mensagem de força às novas gerações de emigrantes e diz que estas devem tomar como modelo as gerações dos anos 60 e 70 porque sem trabalho, nada se consegue.

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