Portugueses de Valor 2021: Nomeado António Camelo
01 Mar, 2021 Última Actualização 11:13 AM, 1 Mar, 2021

Portugueses de Valor 2021: Nomeado António Camelo

 

Hoje não há quem não conheça António Camelo de Viana do Castelo. Até porque dá nome ao seu famoso restaurante, visitado e apreciados por muitos que apreciam a boa tradicional comida portuguesa.

Nasceu em 1943 em Santa Marta de Portuzelo, concelho de Viana do Castelo, numa altura de crise, tendo por isso aspectos positivos e negativos da sua infância. Hoje, talvez consiga dar valor às dificuldades que passou na juventude, “porque as coisas tinham outro encanto”. António Camelo começou a trabalhar na Quinta da Preguiça, uma propriedade dos pais, que ainda hoje existe, apesar de dividida em seis porções pelos seis irmãos. Cumpriu o serviço militar, tendo sido mobilizado para Moçambique, onde esteve três anos. Regressado das ex-colónias, António Camelo ainda continuou na agricultura, mas rapidamente percebeu que o país não tinha evoluído enquanto esteve fora. “Percebi que não era ali que me ia safar”. Tentou, então, a via da emigração. O regime salazarista era fascista, porque mesmo depois do serviço militar tive de sair a salto, não consegui passaporte”. Ainda assim, saiu do país, emigrando para França. Já em território gaulês, teve dois meses de maior dificuldade, de adaptação ao país. “Depois trabalhei um ano na construção, mas não era uma actividade que me agradasse. Procurei um emprego e trabalhei durante 15 anos numa farmácia. No final desse tempo, resolvi vir embora e abri aqui, em Viana do Castelo, um restaurante. Comecei com um café pequeno e meia dúzia de mesas, mas teve um êxito total que tive de optar por terminar o café e alargar a restaurante. Hoje até temos salas a mais”, confessa. O único sonho que tinha na vida era conseguir ser alguém. Pela luta que realizou, diariamente, sente-se realizado. “Nunca tive a ambição de ser ministro nem médico, mas na minha vida profissional cheguei ao topo que queria. Hoje, queria apenas durar até aos 100 anos. Quero ver os restaurantes a trabalhar bem e quero desfrutar do trabalho que tive em novo, dar uns passeios”. Ao longo da sua vida, orgulha-se de ter sido teimoso e de conseguir concretizar tudo o que metia na cabeça. Orgulha-se de igual forma de sempre ter respeitado toda a gente e de tudo fazer para manter a família unida. “Foi com a família que cheguei até aqui”. Ao nível associativo e solidário, não tem parado. Faz parte da Associação Comercial de Viana do Castelo, da Associação Industrial do Porto, da Academia do Bacalhau do Minho, de três confrarias diferentes e ajuda sempre que pode com jantares a preço de custo para colectividades diferentes. António Camelo dá um grande valor a ser português. “O português é uma raça que trabalha, luta, não cai ao primeiro empurrão e consegue, se quiser. O português tem essa fibra isso, vai longe, luta até ao fim pelos sonhos que tem. O português, a trabalhar, é um homem de sete ofícios”. Por isso, deixa uma especial mensagem a todos os portugueses que se encontram a lutar fora do país. “Não desanimem, lutem, pensem bem nas decisões que tomam, não se precipitem. Este país abre-nos a porta para termos sucesso”.

Newsletter

Subscreva a Newsletter para receber conteúdos semanais sobre Portugal e toda a comunidade Portuguesa!

 

Veja também...

Especial região do Minho: Fundação Santoinho preserva a tradição e património cultural minhoto

 

O Santoinho nasceu em 1972 pelas mãos de António Cunha, empreendedor no sector do turismo e transportes, ao sentir a necessidade de englobar num só espaço as vivências e a cultura do Minho. Desta forma, os turistas podiam levar consigo uma experiência única das tradições gastronómicas, populares, culturais e etnográficas da região, não só como visitantes mas acima de tudo como participantes.

Ler notícia

“As memórias da minha terra”: um olhar sobre Vale de Cambra pela voz de Arlindo dos Santos

 

É sobre o lema “unindo os Portugueses” e mostrando o que Portugal tem de melhor, que a Lusopress irá lançar um novo projeto: o Lusopress Book. A 1ª edição do livro irá ser lançada em 2021. Trata-se de um guia de qualidade de alguns municípios portugueses, com uma panorâmica geral de cada região. O objetivo é divulgar as características do património natural e arquitetónico, contando a história de cada destino, sejam cidades, vilas ou aldeias. 

Ler notícia

Especial região do Minho: “Joaquinzinho” das bicicletas é um histórico acordeonista

 

Joaquim Barreiros, histórico acordeonista de Vila Praia de Âncora e pai do popular cantor Quim Barreiros. Tem 102 anos, e uma vida repleta de histórias. É filho de uma professora que veio lecionar para Riba de Âncora, Joaquim veio com mãe do Brasil com oito anos, após a morte do pai que era natural de Covas, em Vila Nova de Cerveira.

Ler notícia

Serip Groupe, de Joaquim Pires, está a investir em Portugal

 

Para além de Cônsul Honorário de Portugal em Nice, Joaquim Pires destaca-se na comunidade portuguesa do sul de França pelo seu empreendedorismo. É o rosto máximo da Serip Group, uma holding especializada na construção e promoção de moradias de luxo.

Ler notícia

Embaixador Jorge Torres Pereira em entrevista: eleições, Covid-19 e presidência portuguesa da UE

 

Três anos passados desde o início de funções em França, o Embaixador Jorge Torres Pereira abriu as portas à Lusopress, e vários foram os pontos em conversa.

Ler notícia