Jovens Portugueses de Valor - Entrevista à empresária Karine da Costa
20 Sep, 2021 Última Actualização 8:51 AM, 17 Sep, 2021

Jovens Portugueses de Valor - Entrevista à empresária Karine da Costa

Karine da Costa é uma jovem lusodescendente com uma missão muito especial: colocar os vinhos portugueses nas mesas dos restaurantes parisienses. Quando não conseguiu encontrar os néctares de regiões portuguesas em Paris, pôs as mãos à obra. Hoje, já há 60 restaurantes a servir vinhos lusitanos e tudo graças ao trabalho da jovem Karine da Costa. Conheça a sua história. 

Jovens Portugueses de Valor - Karine da Costa

Quem é Karine da Costa?

Nasci na França e cresci na região parisiense. Todos os anos ia a Portugal passar as férias de verão e encontrar o resto da família. Nunca compreendi bem porquê, era a única dos meus colegas da escola a irem de férias para este lindo país.

Sou uma jovem apaixonada pela gastronomia, não só portuguesa. Por isso, gosto de combinar pratos portugueses na minha cozinha diária. No meu trabalho, também tenho o prazer de fundir os maravilhosos vinhos de Portugal com todas as gastronomias. Sou apegada às tradições e adoro os pratos tradicionais da minha avó, um dos meus preferidos é o arroz de cabidela! Muito tradicional.

Adoro viajar! Assim que escolho um novo destino fico ansiosa por encontrar os melhores restaurantes e degustar as especialidades locais. Como todas as outras pessoas, adoro passar tempo com amigos, família ou simplesmente com o meu parceiro, com quem partilho uma paixão comum pela gastronomia, o que nos fez ganhar alguns quilos...!  

 

Como é que os vinhos portugueses entraram na sua vida profissional? 

Cresci em torno dos meus avós agricultores, com os quais tive a oportunidade de provar os verdadeiros sabores dos produtos da terra. Também tenho um primo na família que dirige uma padaria em Portugal que já tem quase 100 anos. Sempre me maravilhei com esses trabalhadores noturnos, graças aos quais provei o pão quente pela manhã, e com o seu bom humor e simpatia nas cozinhas. O meu pai também abriu uma loja de produtos portugueses, onde servimos comida portuguesa tradicional. Eu ia lá trabalhar todos os fins de semana e adorava!

À medida que fui crescendo, a minha paixão pela gastronomia foi ganhando cada vez mais espaço. Encontrei um restaurante parisiense, nada português, no meio do Bairro Marais que oferecia um vinho verde. Aí, comecei a pensar na ideia de importar vinhos portugueses de qualidade para restaurantes da capital francesa. 

Então, decidi treinar-me e parti para Albufeira em novembro de 2017 para fazer um estágio em viticultura com Mário Andrade, enólogo de muitas propriedades conhecidas em Portugal. De salão em salão, e depois de múltiplos encontros com viticultores, o vinho português entrou na minha vida e ocupa hoje um lugar muito importante.

 

De salão em salão, e depois de múltiplos encontros com viticultores, o vinho português entrou na minha vida e ocupa hoje um lugar muito importante.

 

Tendo em conta que os vinhos franceses também são bastante famosos, sente que há espaço para os produtos portugueses em França?

Claro! Penso que estamos só a começar a mostrar os produtos portugueses aos consumidores franceses. O turismo tem ajudado bastante na abertura do mercado francês, assim como os produtores que estão cada vez mais preocupados com a qualidade e estética dos produtos. Penso que em Portugal estamos a começar a ter menos medo de apresentar os nossos produtos aos franceses. É verdade que pode ser intimidante falar com os franceses sobre vinho e gastronomia, mas hoje as tendências estão a globalizar-se e todos temos fome de novas descobertas, experiências e sabores.

Hoje, em Paris, vemos cada vez mais vinhos de países inesperados, como Hungria, Croácia e Bulgária. Todos estes novos players do vinho estão a ajudar os vinhos portugueses a entrar no mercado.

 

Pretende levar os vinhos portugueses ainda mais longe? Chegar a outras cidades francesas ou a outras capitais europeias está nos planos? 

Sim, espero que em breve possamos encontrar os vinhos dos nossos viticultores noutras cidades francesas. O processo foi iniciado antes do confinamento, mas a pandemia de Covid-19 acabou por desacelerá-lo. Quanto à Europa, não está planeado.

 

Sente que a diáspora tem o investimento e reconhecimento que merece?

Penso que o Estado português sabe que a diáspora traz uma importante ajuda à economia do país. Por um lado, porque a diáspora investe diretamente neste país que ama, de que sente falta e que hoje representa cada vez mais oportunidades de negócio. Por outro lado, porque são os primeiros a exportar a imagem de Portugal para o estrangeiro.

Temos um gabinete dedicado à Diáspora e aos investidores no Ministério dos Negócios Estrangeiros e foram postas em prática medidas para todos os portugueses que vivem no estrangeiro e para aqueles que pretendem investir ou regressar. Em particular, o programa “Regressar”. 

Tenho a impressão que a diáspora são os filhos da pátria obrigados a serem adotados porque o Estado não podia cuidar deles. Hoje, Portugal quer reconectar-se com esses filhos porque são capazes de oferecer benefícios um ao outro. 

 

 Penso que estamos só a começar a mostrar os produtos portugueses aos consumidores franceses. (...) Penso que em Portugal estamos a começar a ter menos medo de apresentar os nossos produtos aos franceses.

 

As suas raízes estão em Famalicão e em Mêda. Que relação têm com estas regiões? 

Quando era pequena, costumava ir todos os verões a Nine, Vila Nova de Famalicão, o local de nascimento do meu pai e onde fica a padaria centenária onde toda a minha família trabalhava. 

Agora vou a Nine talvez um dia por ano para visitar a família. Mas trabalho muito com os vinhos da região, que gosto particularmente. Aproveitei o vinho verde como um burro de carga e tenho a oportunidade de trabalhar com vinhos de alta qualidade da região, como o Quinta de Soalheiro e a Quinta de Covela. Em Mêda, vou lá com mais frequência para visitar os meus avós, para passear pelas vinhas plantadas pelos meus bisavós e também para passar pelo Douro, que encanta tanto pelos vinhos como pela paisagem. Também vou em trabalho, obviamente.

 

Podes acompanhar o trabalho da LUSIA, empresa de Karine da Costa, no Facebook.