Lusodescendentes querem que Portugal pare de dizer "diáspora"
08 Aug, 2022 Última Actualização 11:55 AM, 8 Aug, 2022

Lusodescendentes querem que Portugal pare de dizer "diáspora"

Historiadores, linguistas, políticos e jornalistas juntam-se, na terça-feira, em Lisboa, para discutir o termo "diáspora", numa iniciativa da Associação Internacional dos Lusodescendentes (AILD), que quer banir o seu uso quando associado às comunidades portuguesas.

De acordo com a organização, "os lusodescendentes não gostam do termo 'diáspora' aplicado às comunidades portuguesas" e por isso, o colóquio “Pare de dizer Diáspora!”, propõe-se explicar o porquê e apresentar alternativas.

"É comum ouvir a palavra 'diáspora' da boca de políticos, jornalistas e académicos. No entanto, essa palavra tem uma conotação claramente negativa aos ouvidos dos próprios lusodescendentes", sublinhou a organização.

A AILD espera, por isso, que o colóquio possa "vir a ser o ponto de partida para boas e frutíferas discussões sobre os portugueses no mundo".

“Se o termo e conceito em si mesmo já transportavam uma conotação negativa à nossa emigração, hoje, com o fenómeno da globalização e da crescente mobilidade das pessoas, ainda faz menos sentido o uso deste vocábulo para nos referirmos aos nossos emigrantes e lusodescendentes. Se queremos defender a portugalidade, temos de abandonar o termo 'diáspora' no nosso discurso, é um contrassenso", defende Philippe Fernandes, presidente da AILD.

O colóquio é organizado em colaboração com o departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Para Marco Neves, professor deste departamento, “além da história da palavra ‘diáspora’, o colóquio permitirá dar a conhecer alternativas e debater o discurso sobre os lusodescendentes no seio da comunidade nacional".

O colóquio irá contar com a presença de especialistas em história, terminologia, linguística, tradução, cultura e política, destacando-se a participação da secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Fernandes, e do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

Devido às medidas relacionadas com a pandemia, o evento terá um número reduzido de presenças na plateia, estando prevista a transmissão 'online" do evento.

Fonte: LUSA

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