Crise afasta mais emigrantes de Portugal que o vírus
23 Oct, 2021 Última Actualização 2:36 PM, 23 Oct, 2021

Crise afasta mais emigrantes de Portugal que o vírus

Mais do que o receio da covid-19, são as perdas no rendimento e o medo de perder o emprego que estão a levar muitos emigrantes a adiar a visita a Portugal neste verão, de acordo com a secretária de Estado das Comunidades Portuguesa.

Em entrevista à agência Lusa, Berta Nunes afirmou que “Portugal é um país seguro”, com as fronteiras terrestres e aéreas abertas para os cidadãos que vivem no Espaço Schengen. “Não é preciso fazer quarentena nem trazer um teste covid-19 negativo”, disse. E sublinhou: “Não temos neste momento em Portugal nenhuma transmissão comunitária do vírus que possa pôr em risco as pessoas. O risco será se as pessoas não cumprirem as medidas” de segurança, como o uso de máscara, distanciamento social e higienização.

Berta Nunes disse ainda que o aumento da população nas aldeias portuguesas, que tradicionalmente acontece no verão devido à vinda dos emigrantes, não levanta questões maiores em termos de saúde pública. “Penso que não haverá problemas desse teor e, desde que as pessoas cumpram as regras, até há menos risco numa aldeia, com menos gente do que numa cidade, que tem maior interação social e muito maior densidade populacional”, acrescentou.

Mas a secretária de Estado calcula que este aumento da população não deverá ser tão significativo como nos anos anteriores, porque “alguns portugueses estão a ser pressionados para ficar” pelos patrões.

Devido à covid-19, especificou, “as pessoas ficaram em lay-off, ou mecanismos semelhantes, e por isso perderam alguns rendimentos”, além de outros trabalhos que asseguravam pontualmente para amealharem mais dinheiro e poderem voltar para Portugal. “Esta situação de perda de rendimentos é também uma das razões por que algumas pessoas não vêm a Portugal. Porque isso também implica custos e agora não estarão em condições de ter esses custos acrescidos, embora gostassem de vir”, referiu.

Por outro lado, Berta Nunes tomou conhecimento de que alguns patrões, nomeadamente na Suíça e Alemanha, estão a dizer aos trabalhadores que se tiverem de fazer quarentena no regresso podem ficar sem o trabalho ou não lhes ser pago o período da quarentena. A secretária de Estado confirmou que o desemprego “está a atingir toda a comunidade e é muito provável que em alguns pontos possa estar a atingir mais as comunidades portuguesas e outras comunidades emigrantes, porque em algumas situações são empregos temporários, na agricultura, turismo, construção civil”.

Aquando da decretação da pandemia registaram-se “muitas situações que as pessoas tiveram de retornar a Portugal, porque ficaram sem o trabalho”. “Nessas situações de empregos mais precários ou sazonais é normal que existam mais dificuldades, embora existam vários mecanismos de apoio e estes tenham entrado em funcionamento”, declarou.

O Governo português recebeu pedidos de ajuda para as pessoas voltarem a Portugal nessas situações de falta de rendimento, tendo acionado os mecanismos previstos. “Quando as pessoas têm rendimentos, apenas ajudamos a encontrar um voo. Se as pessoas não têm rendimento, temos uma figura que é o repatriamento em que o consulado avança com o dinheiro e a pessoa depois paga quando chegar a Portugal”.

Segundo Berta Nunes, nestes repatriamentos foram até agora gastos 40 mil euros, um valor “bastante acima do normal” em relação aos anos anteriores, em que também se registam pedidos pontuais. Ainda assim, a governante considera que este aumento dos pedidos de repatriamento não foi “tão grande como o expectável”, o que se deverá aos sistemas de proteção de que os portugueses beneficiam nos países onde trabalham.

Na África do Sul, Venezuela e Peru estão identificados os casos de portugueses em situação mais grave e que por isso estão a receber ajuda através dos consulados e também canalizada por associações. Tratam-se de “dezenas de portugueses” que estão a receber uma verba calculada em função das necessidades e durante um período que pode ir até três meses.

Uma ajuda enquadrada no apoio extraordinário que o Governo definiu em contexto covid-19 e que veio somar aos 600 mil euros atribuídos a associações que trabalham com as comunidades portuguesas em vários países. Este apoio extraordinário visa ajudar pessoas e famílias com dificuldades na alimentação, alojamento ou problemas de saúde.

Também o apoio aos órgãos de comunicação social na diáspora já foi aprovado e vai ser atribuído, nomeadamente aos que são propriedade de portugueses, têm mais de um ano de existência e são difundidos em português, ou bilingue, com 50% em português. O dinheiro é atribuído em função das perdas reportadas e totaliza 200 mil euros, através da aquisição de publicada a 32 órgãos de comunicação social.

Berta Nunes referiu que parte dessa publicidade vai ser utilizada para esclarecimento das comunidades portuguesas sobre a covid-19, nomeadamente para quem está a pensar passar o verão em Portugal. Sem ser por razões financeiras, foram até agora ajudados cerca de 5.000 portugueses que foram confrontados com o encerramento dos espaços aéreos e das fronteiras, situação que ainda se mantém em alguns países africanos e da América do Sul.

Atualmente, segundo a secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, ainda esperam ajuda para regressar a Portugal entre duas a três centenas de portugueses, por variadas razões, pessoais ou profissionais.

FONTE: LUSA

Newsletter

Subscreva a Newsletter para receber conteúdos semanais sobre Portugal e toda a comunidade Portuguesa!

 

Outras Notícias

OE2022: Eleições para Conselho das Comunidades vão ter projeto-piloto de voto eletrónico

O Governo prevê realizar um projeto-piloto de voto eletrónico à distância nas eleições para o Conselho das Comunidades Portuguesas, que se realizam em março de 2022, segundo a proposta do Orçamento do Estado (OE2022).

Ler notícia

Expositores portugueses na feira internacional das industrias do ambiente em Lyon: POLLUTEC.

A feira bienal internacional POLLUTEC que terá lugar de 12 a 15 de Outubro no Parc des Expositions Lyon Eurexpo, é uma das maiores exposições mundiais do sector do ambiente (equipamentos, tecnologias e serviços ambientais), que reúne um universo de importantes empresas fabricantes de equipamentos e processos industriais assim como empresas de serviços industriais.

Ler notícia

Sobe número de eleitos regionais e departamentais de origem portuguesa em França

Após as eleições regionais e departamentais em França, a comunidade portuguesa está representada com cerca de 20 eleitos nos conselhos departamentais e mais de 10 nos conselhos regionais, uma subida em relação a 2015, segundo fonte oficial.

Ler notícia

Governo eleva classificação dos vice-consulados de Portugal em Toulose e em Vigo

O vice-consulado de Portugal em Toulouse será elevado a consulado e o vice-consulado de Portugal em Vigo passará a consulado-geral, no âmbito da reorganização da rede externa prevista no novo Regulamento Consular, anunciou hoje o Governo.

Ler notícia

Organização portuguesa no Canadá distribui 45 bolsas de estudo no valor de 47,5 mil euros

Uma organização portuguesa no Canadá distribuiu na semana passada 45 bolsas de estudo a alunos lusodescendentes do ensino pós-secundário no valor de aproximadamente 70 mil dólares canadianos (47,5 mil euros).

Ler notícia