A música popular portuguesa voltou a reunir a comunidade emigrante no Blanc-Mesnil, nos arredores de Paris. No dia 17 de outubro, cerca de 1500 pessoas participaram na festa anual da Associação Portuguesa de Blanc-Mesnil, que contou com as atuações de José Malhoa, das Bombocas, do DJ Rumo à Fátima e dos Bombos do Castel.

Entre música, dança e reencontros, o evento celebrou a cultura portuguesa e reforçou os laços entre gerações. Além disso, voltou a demonstrar a importância das associações na preservação das tradições nacionais junto das comunidades emigrantes.
José Malhoa: cantar para matar saudades
José Malhoa regressou ao Blanc-Mesnil, onde já atuou em várias ocasiões, para reencontrar um público que continua a acompanhar a sua carreira. O cantor mostrou-se satisfeito por voltar assim a partilhar as suas canções com os portugueses que vivem fora do país.
«É sempre com muito agrado que venho cantar para os portugueses que vivem fora de Portugal e contactar com todos vós», afirmou à LusoPress.
Ao longo da carreira, o carinho do público tornou-se uma das maiores recompensas do artista. «É sempre bom, para nós, cantores que abraçamos esta profissão com alma e coração, saber que, do outro lado, temos pessoas que gostam de nós e que se apaixonam por nós e pelas nossas canções», explicou.
Para José Malhoa, a distância também intensifica a ligação à terra natal. «Tem qualquer coisinha a mais, porque tem saudades do nosso Portugal», observou. Durante a atuação, apresentou ainda o tema Mon Amour, Ma Chérie e deu a conhecer o seu novo disco. No final, desejou à comunidade muita sorte e que «as coisas sejam muito melhores» nas suas vidas.
Bombocas destacam orgulho nas raízes portuguesas

As Bombocas levaram energia e alegria ao palco. Para a dupla, os portugueses emigrados demonstram um carinho especial pela música nacional e pelas tradições.
«São mais calorosos e mais nacionalistas. Aqui, dão mais valor a Portugal do que os próprios portugueses que vivem em Portugal», consideraram, em declarações à LusoPress.
As cantoras destacaram também o papel dos jovens na continuidade das festas populares e das romarias. «Os jovens têm essa tendência natural para agarrar as festas e dar-lhes continuidade», observaram.
Além disso, as redes sociais ajudam a divulgar estas iniciativas e a mobilizar novas gerações, que encontram nestes encontros uma oportunidade para conviver e manter viva a ligação às suas origens.
Associação mantém portas abertas à comunidade
Com cerca de 20 anos de existência, a Associação Portuguesa du Blanc-Mesnil organiza esta festa há pelo menos 15 anos. Segundo Luís Gonçalves, presidente da coletividade, a preparação da edição deste ano começou em junho.
A organização exige vários meses de trabalho. Contudo, as receitas também ajudam a suportar despesas essenciais, como a eletricidade, e a manter as instalações abertas. «Estas festas permitem-nos, precisamente, manter este espaço aberto», explicou à LusoPress.
Ao longo do ano, a associação promove ainda um almoço com baile por mês, que reúne habitualmente entre 250 e 300 pessoas. Além disso, acolhe participantes de diferentes origens. «Estamos abertos a toda a gente, sem qualquer distinção», sublinhou Luís Gonçalves.
Uma festa que reforça a portugalidade
A edição de 2026 superou a participação habitual de 1200 a 1300 pessoas, alcançando cerca de 1500 participantes. Satisfeito com o resultado, o presidente espera que a próxima edição, prevista para outubro de 2027, atraia ainda mais público.
A associação divulga as suas atividades na página de Facebook Association Portugaise de Blanc-Mesnil.
Entre as canções de José Malhoa, a animação das Bombocas, os ritmos do DJ Rumo à Fátima e os sons tradicionais dos Bombos do Castel, a festa voltou a unir diferentes gerações. Assim, a comunidade portuguesa encontrou mais uma oportunidade para celebrar as suas raízes e transmitir a portugalidade aos mais jovens.



