InícioArtigos LusopressMadeira apresenta em Paris plano para habitação acessível

Madeira apresenta em Paris plano para habitação acessível

A Região Autónoma da Madeira apresentou em Paris uma nova estratégia para atrair investimento e responder à crise da habitação. Durante o encontro Madeira – uma excelente oportunidade, realizado na Embaixada de Portugal em França, a Magnify Capital Partners deu a conhecer o fundo Mais Habitar Madeira, que pretende financiar a construção de 200 a 300 apartamentos destinados à venda.

A iniciativa reuniu representantes institucionais, empresários e potenciais investidores. Além da habitação, o encontro destacou as oportunidades de negócio na região autónoma, com o objetivo de diversificar a economia e reforçar as ligações empresariais entre Portugal e França.

Mais Habitar Madeira aposta na compra de casa

O fundo Mais Habitar Madeira pretende mobilizar capital privado para aumentar a oferta de habitação a preços acessíveis. A estratégia privilegia a venda de apartamentos, permitindo às famílias adquirir casa própria.

“Quando o embaixador António Martins da Cruz nos lançou o desafio de desenvolver um projeto na Madeira, aceitámos. Foi assim que surgiu a ideia do Mais Habitar Madeira”, explicou António Vieira da Silva, representante da Magnify Capital Partners, à LusoPress.

O responsável acrescentou que muitos jovens procuram alternativas ao arrendamento. “Muitos jovens querem comprar casa. Pensam que, se vão pagar quase o mesmo por uma renda ou por uma prestação ao banco, mais vale investirem numa casa própria”, afirmou.

O projeto prevê apartamentos T1, T2 e T3, com preços entre 200 mil e 350 mil euros. Embora a sociedade gestora tenha quatro projetos em análise, que poderão representar cerca de 500 habitações, a primeira meta passa pela construção de 200 a 300 apartamentos.

O fundo já se encontra registado na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e procura agora captar investimento privado. Segundo António Vieira da Silva, a iniciativa tem recebido uma resposta positiva. Caso os licenciamentos avancem sem grandes atrasos, as obras poderão começar em 2027.

Governo Regional combina investimento público e privado

Para José Manuel Rodrigues, secretário regional da Economia da Madeira, a habitação constitui um dos principais desafios da região.

“É hoje um problema na Madeira, tal como acontece no continente português e em toda a Europa”, afirmou à LusoPress.

Por isso, o Governo Regional pretende combinar várias respostas: disponibilizar terrenos às cooperativas, apoiar promotores privados que desenvolvam projetos de arrendamento a preços controlados e mobilizar fundos de investimento para construir casas destinadas à venda.

Além disso, o Mais Habitar Madeira poderá vender habitações ao Governo Regional, que as poderá utilizar para responder às necessidades de famílias com dificuldades no acesso ao mercado imobiliário.

A localização também terá um papel importante. Como o Funchal apresenta preços elevados e terrenos mais caros, os primeiros projetos em análise concentram-se sobretudo nas zonas circundantes da capital madeirense.

Investimento para além do turismo

A Madeira quer igualmente atrair empresas para áreas como a tecnologia, os serviços internacionais, o imobiliário e as economias azul e verde. Assim, pretende reduzir a dependência do turismo e criar novas oportunidades de emprego.

José Manuel Rodrigues destacou a estabilidade política, a segurança e a qualidade dos serviços públicos como fatores de atração. Referiu ainda os regimes fiscais da região, incluindo a taxa de IRC de 5% aplicável a empresas elegíveis no Centro Internacional de Negócios da Madeira, desde que cumpram os requisitos legais.

António Martins da Cruz, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e presidente do Comité de Acompanhamento do fundo, apelou também ao interesse da diáspora portuguesa.

“Gostaria que a comunidade portuguesa em França olhasse para a Madeira não apenas como um destino turístico, mas também como um território onde pode investir, criar empresas e desenvolver projetos empresariais”, afirmou.

Habitação e falta de mão de obra continuam a desafiar a região

Apesar das oportunidades, a Madeira enfrenta outros obstáculos, nomeadamente o envelhecimento da população e a falta de trabalhadores. O novo Hospital Central e Universitário da Madeira representa uma das principais apostas do Governo Regional, embora a abertura possa passar de 2029 para 2030 devido a constrangimentos nas obras públicas.

A imigração tem ajudado a responder à escassez de mão de obra, segundo José Manuel Rodrigues. Ainda assim, a região precisa de reforçar os serviços públicos e aumentar a oferta habitacional para acompanhar o crescimento económico.

Paris reforça a ligação aos investidores

O encontro realizou-se pelo segundo ano consecutivo na Embaixada de Portugal em França. Francisco Ribeiro de Menezes destacou a evolução da iniciativa e a importância de apresentar aos empresários franceses oportunidades concretas de investimento.

Desta forma, a Madeira procura afirmar-se como um destino económico para além do turismo. No caso do Mais Habitar Madeira, o sucesso dependerá agora da captação de capital, da conclusão dos licenciamentos e da concretização dos projetos. O objetivo passa por conciliar a rentabilidade do investimento com uma resposta efetiva às necessidades habitacionais da população.

ARTIGOS RELACIONADOS

Artigos Populares