O Musicorama regressou, a 21 de setembro, à Embaixada de Portugal em França, em Paris, para abrir uma segunda temporada dedicada à música clássica e à criação musical. Depois de uma primeira edição que reuniu cerca de 1.400 espectadores em dez concertos, o ciclo volta a apostar no encontro entre diferentes universos musicais, mantendo Portugal como eixo central da programação.

Organizado pela Embaixada de Portugal em França, em parceria com o Camões – Centro Cultural Português em Paris e com o apoio da TBS – Technologie du Bâtiment et Services, o Musicorama mantém também a direção musical do pianista Bruno Belthoise.
Uma segunda temporada após o sucesso inicial
A primeira temporada, realizada em 2025-2026, registou uma média de cerca de 110 espectadores por concerto. Contudo, o espetáculo do Dia Internacional da Música destacou-se particularmente, ao receber entre 300 e 350 pessoas, numa ocasião em que a Embaixada abriu as portas ao público.
Perante esta resposta, a organização decidiu avançar para uma nova edição, novamente com dez concertos. Francisco Ribeiro de Menezes, embaixador de Portugal em França, sublinha a importância do apoio recebido para garantir a continuidade do projeto.
“Ficámos muito entusiasmados e satisfeitos com a resposta do público”, afirmou o embaixador, explicando que o apoio do patrocinador e alguns fundos permitiram reunir as condições necessárias para avançar com a segunda temporada.
Além disso, Ribeiro de Menezes destacou o trabalho de Bruno Belthoise na construção de uma programação capaz de aproximar Portugal e França.
“É isso que queremos fazer: mostrar boa música clássica, incluindo, por vezes, algumas incursões pelo jazz, como aconteceu hoje, mas sempre valorizando esta ligação tão íntima entre Portugal e França”, afirmou.
Diversidade de compositores e instrumentos
Para esta nova temporada, o Musicorama mantém a aposta na diversidade. Assim, o piano continua a ocupar um lugar central, mas partilhará o protagonismo com instrumentos como o saxofone, a flauta, o violoncelo e o violino.
A programação inclui ainda recitais de piano a solo e diferentes formações de música de câmara. Paralelamente, a obra de Luís de Freitas Branco terá um lugar de destaque, com três concertos dedicados às suas sonatas para violoncelo e violino, incluindo transcrições para outras formações.
Bruno Belthoise explica que o objetivo passa por colocar compositores portugueses em diálogo com autores franceses, europeus e de outras geografias.
“É importante apresentar ao público uma grande diversidade, mas também manter uma linha muito forte: dar a conhecer compositores portugueses ao lado de outros compositores de França, da Europa e do resto do mundo”, afirmou.
A programação inclui, por isso, nomes menos conhecidos do público. O concerto de 19 de outubro, por exemplo, contará com o pianista francês Jean-Baptiste Dulcire, que apresentará improvisações inspiradas no cinema e na personalidade de Manoel de Oliveira, além de obras de Fernando Lopes-Graça. “Há, portanto, uma surpresa em cada concerto”, resumiu Bruno Belthoise.
Piano a quatro mãos abre a temporada
A abertura da segunda temporada ficou a cargo de Robert Andres e Honor O’Hea, duo de pianistas que trabalha em conjunto desde 1995. Para esta ocasião, os músicos apresentaram um programa para piano a quatro mãos, reunindo compositores portugueses, franceses e europeus.
O concerto começou com duas obras de compositores madeirenses do século XIX e prosseguiu com peças de Robert Schumann, Claude Debussy, Darius Milhaud e Sergei Rachmaninov.
Robert Andres destacou a oportunidade de apresentar em Paris obras madeirenses pouco conhecidas, que descreveu pelo seu “carácter ligeiro, brilhante e de entretenimento”.
Por sua vez, Honor O’Hea considerou que a música madeirense encontrou o seu lugar num programa que também incluiu compositores de grande reconhecimento internacional.
“A música madeirense resultou realmente muito bem nesta combinação com compositores mais conhecidos. Não ficou à sombra das outras obras; pelo contrário, integrou-se muito bem no programa”, explicou.
O duo vive na Madeira há cerca de 30 anos e tem desenvolvido um trabalho de divulgação da música da região. Entre os compositores interpretados encontram-se Victor Costa, autor do Hino da Madeira, e Pedro Macedo Camacho.
“Gostamos muito de divulgar as riquezas musicais da Madeira”, afirmou Honor O’Hea.
Música como ponte entre Portugal e França
A escolha do repertório refletiu, assim, a própria identidade do Musicorama: divulgar a criação musical portuguesa e colocá-la em diálogo com diferentes tradições europeias.
Para Francisco Ribeiro de Menezes, o concerto inaugural cumpriu precisamente esse objetivo. O embaixador revelou, aliás, ter descoberto dois compositores portugueses que desconhecia: Joaquim dos Santos e Amélia Augusta d’Azevedo. “Foi muito bom e estamos muito contentes. Foi uma boa estreia, muito auspiciosa”, afirmou.
Também para Robert Andres e Honor O’Hea, tocar na Embaixada de Portugal em França acrescentou uma dimensão especial à atuação. O pianista destacou o ambiente, a acústica e a receção do público, considerando que se reuniram “os melhores fatores possíveis para um concerto”.
Honor O’Hea salientou ainda a qualidade do Steinway utilizado no recital, cuja sonoridade permitiu responder tanto à dimensão mais intimista do programa como à exigência de Rachmaninov. “Foi, por isso, um grande prazer”, concluiu.
Com esta estreia, o Musicorama inicia uma nova temporada mantendo a aposta na música clássica, na diversidade e na divulgação de compositores portugueses. Ao longo dos próximos meses, o ciclo continuará, assim, a criar pontes musicais entre Portugal, França e outros universos culturais.



