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Jorge Palma (1950-2026): o adeus ao homem que nunca foi só

Morreu o músico Jorge Palma, tinha 76 anos. Um anúncio feito pela família através das redes sociais oficiais do cantor. É, acima de tudo, o adeus ao homem que nunca foi só.

Amigo leal, discreto, genial na composição, interpretação e ímpar. Faltam adjetivos para falar de Jorge Palma, mas a saudade será eterna. Por um lado, o músico marca uma geração inteira, um tempo irrepetível da vida de Portugal e das suas gentes, assim como da diáspora. Por outro lado, não foram poucas as vezes em que os portugueses no estrangeiro tiveram o privilégio de o ouvir cantar e de privar com o músico.

Jorge Palma esteve, por exemplo, no décimo aniversário da LusoPress em Paris. Além disso, também falámos com o cantor quando assinalou 45 anos de carreira com o álbum “Só ao vivo”.

“A rua é um palco fantástico, mas difícil”

Jorge Palma (1950-2026): o adeus ao homem que nunca foi só

Nascido em Lisboa, em 1950, Jorge Palma começou aos 6 anos a ter aulas de música, tendo ingressado no Conservatório de Música de Lisboa aos 10.

Embora a sua carreira comece a ser contada em 1972, ano em que gravou o primeiro ‘single’ em nome próprio, “The Nine Billion Names of God”, o percurso na música começou oito anos antes, aos 14 anos, quando abandonou a música clássica para se dedicar ao pop-rock.

Antes de se apresentar em nome próprio, Jorge Palma fez parte do grupo Sindicato, que tocou na primeira edição do festival de Vilar de Mouros, em 1971, e dos Black Boys. Na mesma época, começou a trabalhar em composição, orquestração e gravação.

Pouco depois de editar o primeiro single, foi convocado para o serviço militar, mas decide abandonar o país e instala-se na Dinamarca.

Regresso no pós-abril

Em 1974 regressa a Portugal, após o 25 de Abril. Logo em seguida, começa a trabalhar como orquestrador e, no ano seguinte, edita o primeiro álbum, “Como uma viagem na palma da mão”.

Depois gravou mais 13 álbuns de originais, e “cada um corresponde a um momento” da vida de Jorge Palma. “Com quem me dava, com quem vivia, o tipo de vida que levava, o que ouvia e lia, tudo isso torna cada disco único”, disse à Lusa numa entrevista em 2022.

Na década de 1980, de volta a Lisboa, retoma os estudos de piano no conservatório, que terminou em 1990. Logo a seguir grava “Só”, editado em 1991. Esta foi a primeira coletânea de carreira de Jorge Palma, na qual revisita, apenas ao piano, canções dos discos das duas décadas anteriores.

Rock irreverente

Na década de 1990 avançou com o Palma’s Gang (banda com Zé Pedro e Kalu, dos Xutos & Pontapés, e Flak e Alex Cortez dos Rádio Macau). E com eles, fez música para teatro, esteve no grupo Rio Grande, compôs para outros. Isto, até editar um novo álbum de originais, “É proibido fumar”, em 2001.

Seguiram-se “Norte” (2004), “Voo nocturno” (2007) e “Com todo o respeito” (2011). O álbum mais recente, e o último, “Vida”, foi editado em 2023.

Em maio do ano passado estreou o espetáculo “3 palmas na mão”, em palco com os dois filhos, Vicente Palma, nascido em 1983. Aliás, integra a banda que acompanhava o pai há cerca de 20 anos, e Francisco Palma, nascido em 1995.

Prémios e reconhecimento

Jorge Palma venceu o Prémio José Afonso, em 2002, com “Jorge Palma”. E a primeira edição do Prémio Pedro Osório, da Sociedade Portuguesa de Autores, em 2012, com o álbum “Com todo o respeito”.

Em 2020, Jorge Palma foi distinguido com a medalha de mérito cultural da Câmara Municipal de Lisboa, no final de um concerto de celebração dos seus 70 anos. E também foi condecorado pelo então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Em abril deste ano, recebeu o Prémio Carreira dos 8.º PLAY – Prémios da Música Portuguesa, decidido pela direção Audiogest, que gere e representa os direitos das editoras multinacionais, nacionais e independentes.

JRS // MAG | Lusa

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