22 May, 2019 Última Actualização 6:31 PM, 22 May, 2019

Nomeada Portugueses de Valor 2019: Carla Fernandes

 

Carla Fernandes nasceu em 1981, na pequena aldeia de Cabanas, pertencente ao concelho de Macedo de Cavaleiros, em Bragança. É do sentimento de liberdade que mais sente saudade quando recorda a sua infância. Esteve até aos nove anos em Portugal, período que ía a pé para a escola com um grupo de amigos, brincavam e iam para os lameiros com as vacas. Eram donos de si mesmos, não davam pelas horas passar e tinham de ser os pais, por vezes, a chamar de volta a casa. Outro período da sua infância foi já passado em território francês, tendo vivido uma transformação drástica. De um total sentimento de liberdade, Carla Fernandes passou a viver num apartamento e teve dificuldades iniciais de integrar a cultura e a língua francesa. Apesar das dificuldades, nunca baixou os braços e desde cedo que sabia aquilo que queria para a sua vida: ser advogada.
 
O esforço dos seus pais foi notório para lhe pagarem os estudos, mas Carla Fernandes nunca desiludiu. Formou-se em Direito, com uma especialização em Direito franco-português. “Orientei os meus estudos de tal maneira a poder fazer isso. Estudei em Dijon durante dois anos, fui para Nancy fazer um magistério para me especializar nos direitos europeus e fiz um ano na Universidade Católica de Lisboa, onde tirei uma pós-graduação em Direito Comercial. Quando comecei a exercer como advogada cá, e desde o início, me especializei nas relações franco-portuguesas, ou seja, represento portugueses emigrantes cá em França que estão com contenciosos ou necessitam de conselhos, ou também em Portugal. Ajudo tudo o que é empresas portuguesas que querem desenvolver no mercado francês e agora tudo o que tem a ver com o estatuto de residente não habitual, que é uma clientela mais francesa que está interessado em instalar-se em Portugal”. Carla Fernandes é hoje sócia de um escritório de advogados, juntamente com outros cinco sócios, que tem a característica de ser atípico em relação a outros escritórios franceses. “Temos todos origens diferentes, daí a nossa força, a nossa cultura, abertura de espirito também, e trabalhamos em várias línguas, seja iraniano, alemão, inglês, português, espanhol, temos uma abertura internacional”.
 
Ser advogada e conseguir desenvolver a sua carreira profissional eram os sonhos que Carla Fernandes estabeleceu para a sua vida e que já os conseguiu alcançar, mas acrescenta outro: “ter uma família e ser feliz, é o mais importante. Ter uma família que nos pode apoiar nos nossos projectos pessoais e profissionais”. A família representa exactamente um valor essencial para a sua vida, onde se juntam ainda a honestidade e a humildade.
 
Apesar de ter emigrado com apenas nove anos para França, Carla Fernandes não esquece Portugal, assumindo que para si, ser portuguesa, é promover Portugal e fazer publicidade ao seu país. Considera-se patriota e deu mesmo um exemplo disso. “Quando fui para Lisboa fazer os meus estudos, apresentei-me a um concurso, um diploma em Direito com muito valor, e fui recebida pelo director que me disse que não aceitava a minha candidatura porque Portugal não representava nada. Se queria desenvolver a minha carreira tinha de ter feito outra escolha, como a Escola de Comércio, ir para Inglaterra ou Alemanha. Quando fiz a escolha de ir para Portugal sabia que havia um risco de não integrar aquele diploma, que representava muito naquela altura para mim. Apesar disso fui, consegui o diploma, fiquei em 1º lugar no curso e agora aquela pessoa já me contactou várias vezes para que vá dar aulas sobre o direito português, porque é a grande moda. É uma maneira indirecta de ser patriota, na altura defendi Portugal e agora tive a oportunidade de mostrar que não me enganei no meu percurso”. Defendendo sempre a imagem de Portugal, Carla Fernandes deixa ainda uma mensagem pessoal: “Temos de continuar a promover Portugal, a cultura de Portugal, a nossa língua. A nível pessoal, há muita publicidade para Lisboa, Porto e Algarve, mas eu gostaria de promover Trás-os-Montes e o seu turismo rural, que deve ser conhecido, em particular o de Bragança”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: José Pascoal

 

A aldeia de Monsanto viu nascer em 1953 um homem destinado ao sucesso. O tempo viria a reservar-lhe um futuro ao volante de camiões. Da infância, José Pascoal recorda os jogos de futebol e as brincadeiras entre amigos. Foi cedo que começou a trabalhar, começando por ingressar numa empresa de montagem de postes de alta tensão, onde já andava com camiões e gruas. O gosto pelo transporte também lhe veio do pai, que já era a sua profissão. Com 34 anos comprou o seu primeiro camião, hoje tem uma frota de 320 camiões. Num intervalo de 36 anos criou, alicerçou e colocou o nome Transportes Pascoal no mercado. Mercado nacional, mas também internacional, estando hoje a empresa fisicamente em Vitória e Madrid, em Espanha, Paris e Lyon, em França, Inglaterra e Bruxelas.
 
Apesar do sucesso empresarial, fruto do seu empreendedorismo, José Pascoal confessa que nunca foi sonhador. “Fui sempre terra a terra, até nunca sonhei chegar onde cheguei. Muito trabalho, transparência, honestidade, sinceridade e justiça são tudo para mim”. José Pascoal não tem esquecido também a vertente solidária e benévola. “Temos apoiado várias instituições e, na altura dos incêndios, compramos e plantamos cerca de 1000 árvores”. Orgulhoso de ser português, José Pascoal deseja que todos os seus compatriotas “continuem a desbravar os caminhos que sempre desbravámos e que sempre continuamos a descobrir e a evoluir não só no nosso país. Demos provas que quando avançamos para outros países conseguimos levar o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Joseph Brito

 

Corria o ano 1949 quando Joseph Brito Junior nasceu, em Massachusetts. Apesar de ter nascido em território americano, corre-lhe nas veias também sangue português. Recorda com saudade as memórias da infância de estar com o avô e com a sua família de Portugal. “Nós vivíamos em Bristol, íamos à Igreja todos os domingos, e nesses dias tínhamos um almoço de famílias que ia rodando de casa em casa. Ainda hoje nos reencontramos regularmente e é sempre muito acolhedor”. Joseph Brito Junior fez percurso académico típico americano. Por sugestão da sua mãe, entrou na Valley Forge Military Academy para trabalhar na cozinha, trabalhando todos os dias a partir das 4h30 da manhã. Cansado desta tarefa, tornou-se ginasta na mesma academia, entrando uns tempos depois no Junior Olympics Pennsylvania, o que o ajudou a entrar na Universidade.
 
A C. Brito Construction é a empresa da família, no sector da construção, e desde muito novo que começou a trabalhar nela. A família sempre lhe transmitiu o mais importante da vida. “ Quando era muito novo, percebi a importância de estar envolvido na comunidade. Percebi que dar é tão importante como receber. O meu avô e o meu tio-avô tinham imensa influência em mim. Os meus sonhos na altura eram pegar em algo, trabalhar e torná-lo maior e melhor, como qualquer geração. Os meus sonhos na altura eram garantir que aquilo que eu tinha, podia ser partilhado com quem não tinha”. Já adulto, tomou as rédeas da empresa familiar e fez-la crescer, chegando a um patamar de excelência. Hoje, a C. Brito Construction é o maior empregador privado de Rhode Island e usam os lucros do negócio para variadas causas de solidariedade.
 
Joseph Brito Junior é muito orgulhoso das suas raízes portuguesas e encara isso como um guia para a sua vida. “Sou muito sério em relação a esse assunto, e promovo Portugal sempre que posso, em diferentes maneiras”. Até uma recente passagem por Portugal o fez ter a certeza de que o povo português é diferente. “Quando estive em Lisboa com o meu filho, estivemos lá perto de 12 dias, e conheci um jovem que tinha acabado de comprar um carro, e estava ainda a pagá-lo, por isso contratámo-lo para nos levar a diferentes sítios em Portugal. Fomos a Fátima, fomos a todo o lado com ele. Ser português é diferente de qualquer nacionalidade, eu acho que temos um sentido de propósito, daquilo que fazemos e do que tentamos fazer pelos outros, assim como para nós mesmos”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Raul Castro

 

Raul Castro nasceu em 1948 no concelho de Abrantes, mas hoje é através de Leiria que Portugal o conhece. Da infância recorda a liberdade e a segurança que existia no seu tempo, muito diferente da infância dos seus netos, actualmente. Fez carreia na Autoridade Tributária, onde chegou a sub-director geral, um cargo equiparado por ter sido director de Finanças de Lisboa. Raul Castro teve ainda alguma experiência autárquica enquanto presidente da Câmara Municipal da Batalha antes de ingressar no Município de Leiria. Primeiro, como vereador por dois mandatos e depois como presidente da autarquia, cargo que desempenha há nove anos.
 
Para Raul Castro, sonhar é das melhores coisas da vida. “É simples, acontece e não se paga imposto. Tambám serve para os grandes desafios que nós fazemos. Até nas funções em que estou, sonhamos com coisas e nasce um desafio para tentar concretizá-lo. Sonhar é das coisas mais importantes que o homem tem para poder concretizar as suas expectativas e ajudar muitos outros a beneficiar delas”. Tem na justiça, solidariedade e na identidade os principais valores que têm guiado o seu percurso de vida. Desde os 14 anos que participa em movimentos associativos tendo sido, inclusive, escuteiro. Actualmente, beneficia de toda essa experiência para, em termos institucionais, poder ajudar associações que lutam por angariar fundos, e por realizar determinadas iniciativas, determinados projectos. “Por outro lado, como cidadão, colaboro sempre que posso nessas mesmas iniciativas”.
 
Raul Castro não tem dúvida que para si, ser português, significa ser bom. “Este ser bom é no sentido abstracto do que nós apresentamos em todo o mundo. Tivemos os Descobrimentos, hoje há um português em qualquer parte deste mundo, sinal que valeu a pena ter esta disponibilidade para assumirmos que somos portugueses, porque somos mesmo bons naquilo que fazemos, somos bons naquilo que é a forma que temos de nos ligar com outros povos e bons para preservar a imagem do nosso território, que é a distinção que tem de se fazer para dizer que Portugal é um país de boa gente e acolhedor, solidário. Sendo português, para mim, é ser bom”. O orgulho em ser português e o sentido de patriotismo, Raul Castro revela-o nas funções que tem desempenhado e lembra ainda o facto de ter cumprido o serviço militar obrigatório, em defesa da pátria.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Fernando Duarte

 

A cidade do Porto viu nascer e crescer um jovem que viria a tornar-se um Médico Dentista de referência nacional e internacional. Fernando Duarte é filho único e recorda uma infância de uma “caminhada em solidão”. A característica do “eu” exacerbado foi modificada com a sua entrada para o colégio Salesiano, onde fez um regime intenso e uma parceria de colegas que ainda hoje mantém. O percurso universitário é também realizado na cidade do Porto, fazendo a licenciatura em Medicina Dentária. Formado e com 24 anos, candidata-se à Universidade de Londres onde fez a especialização e Mestrado em Cirurgia Oral e Maxilofacial. “Foi uma aventura ir viver sozinho para Londres, desde o arranjar casa, tratar da roupa, alimentação, transportes, foi uma aventura que me ajudou a crescer e tornar-me um ser humano mais global”, conta.
 
De regresso a Portugal, por razões afectivas, e juntamente com a sua esposa, Carina Ramos, também médica dentista, deram início à Clitrofa, que traduz a essência de um conceito hospitalar e de um verdadeiro tratamento integrado. Este projecto, iniciado em 2002, era originalmente vocacionado para a medicina dentária, na sua vertente mais cirúrgica e reabilitadora. Hoje, é um projecto muito mais abrangente. “Numa parte inicial uma clínica mais pequena, com poucas valências, e pouco a pouco fomos crescendo em termos de serviços e em termos de dimensão”. Actualmente, Fernando Duarte dedica ainda parte do seu tempo à formação e à investigação. É docente universitário, consultor científico e especialista em Cirurgia Oral, pela Ordem dos Médicos Dentistas.
 
Fernando Duarte confessa que o seu grande sonho é ser pai, e que o tenta ser da melhor maneira possível. Aqui também tem um peso significativo os valores que emprega na sua vida. “O principal valor é a verdade, é o grande valor que passo para os meus filhos. Depois é o trabalho e a perseverança. Eu digo aos meus filhos que trabalhar um dia é bom, um mês é muito bom, um ano é maravilhoso, uma vida torna-nos imprescindíveis. Isto é que nós temos de pôr em mente”. Envolvido no meio que o rodeia, o médico dentista tem um protocolo com a Câmara Municipal da Trofa, no sentido de ajudar as famílias carenciadas, com um determinado número de consultas gratuitas por mês. Para si, ser português significa saudade. “Quem vive fora do país sabe o que isso significa. O cheiro do mar, da alimentação, o sentimento, as frases, as expressões. É um prazer, orgulho imenso ser português, desejo-vos que onde quer que estejam sejam autênticos empreendedores e autênticos líderes. Tenho a certeza que a genética está lá, o trabalho está lá”.