22 May, 2019 Última Actualização 6:31 PM, 22 May, 2019

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Horácio Miranda

 

A aldeia de Serapicos, concelho de Bragança, viu nascer Horácio Miranda a 22 de Fevereiro de 1976. Foi sempre um dos melhores alunos e sonhou até ser médico, desfrutando de uma infância cheia de coisas boas, própria de família numerosa de oito irmãos, mas vê subitamente pairar sobre si, nuvens negras, no dia em que perdeu a mãe, perdendo também a vontade de sonhar. Progressivamente foi ultrapassando a tristeza e ultrapassada a mágoa, deu a volta à adversidade, mantendo-se focado nos estudos, que eram suportados por trabalho em França durante as férias escolares, a forma encontrada e bem demonstrativa do empenho e aplicação de Horácio.
 
O destino faz com que conheça a mulher da sua vida, Sandra Miranda. E o amor tudo mudou. Horácio com 19 anos, e Sandra com apenas 17, decidem rumar definitivamente a França. Já instalados e ambos a trabalhar começam a pensar no alargar da família numa casa construída para garantir conforto aos rebentos de um amor forte e cúmplice. O primeiro filho nasce após um ano a viverem neste país, o segundo surge três anos mais tarde e estes belos rapazes vêm a família crescer com a chegada, desta vez de uma menina.
 
A vida foi sempre a rumar em frente, e já por conta própria torna-se empreendedor na construção de casas, projeto iniciado com três colaboradores, foi progredindo naturalmente ao ponto de, actualmente, serem já mais de 30 pessoas que estão envolvidas directa e indirectamente em construções modernas, alicerçadas no aproveitamento energético, pois corre nas veias a vontade de procurar mais e melhor. Não baixar os braços e sabermos batalhar por nós próprios, faz com que havendo honestidade e empenho tudo se alcança na vida.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Abílio Lourenço

 

Abílio Lourenço é natural de uma aldeia de Ponte de Lima. Em 1980 emigrou para França como muitos portugueses e transformou-se num verdadeiro “homem dos 7 ofícios”. O primeiro trabalho que encontrou foi nas vindimas, mas depois seguiram-se várias profissões. Em Paris seguiu os passos de muitos emigrantes e foi parar à construção civil. Em 1981 conheceu um patrão que lhe ofereceu trabalho, legalizou-o no país e arranjou-lhe todos os papéis necessários para a sua estabilidade. Abílio lutou, procurou sempre alcançar melhores condições de vida e nunca baixou os braços. Mais tarde passou pela limpeza, ainda esteve ligado à pintura apesar de não se considerar um pintor profissional e, há 22 anos, que tem uma empresa associada à cerâmica. Pelo caminho ainda se ligou à restauração, mas fez apenas isso para ajudar um amigo. Em 2006 o primeiro patrão que teve em França enfrentava alguns problemas e desabafou com Abílio Lourenço. Apesar de não ter grandes possibilidades, o empresário sentiu que podia e devia ajudar quem também já lhe tinha estendido a mão, acabando por comprar um restaurante que ele tinha. Abílio não percebia nada de restauração e aquela não era definitivamente a sua área, mas ainda hoje diz “que por um amigo é capaz de fazer tudo” e, se voltasse atrás, garante que “faria o mesmo”.
 
Durante o seu percurso, foi aconselhado a apostar na cerâmica e actualmente confessa que esse “foi um bom conselho” e uma aposta ganha. No início, quando começou, todos os funcionários da empresa eram portugueses, mas actualmente em 40 colaboradores, apenas um terço tem nacionalidade portuguesa. O empresário recorda que quando chegou a Paris na década 80 ser português era considerado uma mais-valia, sobretudo para encontrar trabalho. Apesar de ter uma grande admiração pelas suas origens situadas no norte de Portugal, Abílio pensa que não teria alcançado a mesma estabilidade se tivesse continuado no país. “Se Portugal oferecesse as condições que nós tivemos quando chegámos aqui, nós não precisávamos de ter vindo. Antes de mim já vinham portugueses porque o país não oferecia o mesmo que a França e, quem diz a França, diz também outros países. Eu considero que Portugal é um país fantástico, é o meu país e eu procuro falar sempre bem dele, mas infelizmente não me deu a mim, nem a milhares de portugueses aquilo que nós queríamos”, afirma.
 
Actualmente, Abílio Lourenço ainda realiza vários investimentos em Portugal, associou-se em França a uma empresa portuguesa que vende produtos de higiene e de limpeza e recentemente abriu juntamente com três amigos um Restaurante que serve especialidades portuguesas em Ivry-sur-Seine, nos arredores de Paris, chamado “Cantinho do Lima”. Apesar de dar a conhecer Portugal através deste e de outros trabalhos, Abílio afirma que “não espera nenhum reconhecimento do país”, confessa que já ajudou várias pessoas e associações, mas também não o faz para dizer em voz alta e opta sempre pela discrição. Termina a entrevista com uma mensagem que resume bem o propósito dos Portugueses de Valor: “Em França os portugueses lutaram muito e são, como vocês dizem, pessoas de valor”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: António Morais

 

Foi a cerca de 40 quilómetros da Serra da Estrela, na aldeia de Santa Eulália, pertencente ao concelho de Seia, que nasceu António Morais. Corria o ano de 1949 quando nasceu um homem destinado à actividade comercial de lacticínios. “Nasci pobre e humilde, e recordo-me de transportar leite com um burro numa carroça, para fazer queijos. Ia buscar o leite numa carroça, a minha mãe faia o queijo e o meu pai vendia nas feiras”. António Morais fez ainda a vida militar e só quando regressou é que entrou a 100% na actividade de produção e comercialização de queijos, juntamente com o pai e o irmão.
 
Apesar de ter estado sempre envolvido nesta actividade, foi nesta altura que surgiu a construção da Queijaria Anastácios. “Fomos crescendo aos poucos, a procura do nosso queijo sempre foi muita, pois era feito com assiduidade e muito cuidado para ser um bom queijo. Nós fomos pioneiros na produção de queijo nesta região, já apareceram outros produtores, mas nada que se compare à qualidade do nosso queijo”.
 
António Morais revela-se um homem sonhador, que conseguiu cumprir o sonho de construir uma fábrica. Infelizmente teve um AVC há alguns anos, facto que o tem deixado impossibilitado de lutar por novas conquistas. Não deixa de ser uma pessoa solidária, ajudando sempre que possível organizações locais, entre as quais os Bombeiros. “Para mim ser português é um orgulho e sempre me considerei patriota. É importante trabalhar em prol do desenvolvimento, quer da minha vida, quer do desenvolvimento dos negócios”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Francisco Ramos

 

Francisco Ramos nasceu em 1971, na freguesia de Soutelo, concelho de Vila de Verde. Minhoto por natureza, é nesta região que tem explorado a sua actividade empresarial. Da infância recorda os jogos de futebol e o convívio com os amigos, que eram muitos na altura, porque a maioria da sua família encontrava-se emigrada em França. Realizou o percurso escolar, mas começou cedo a acompanhar o pai na empresa familiar de construção civil, a Artur Ramos & Filhos. “O meu pai sempre nos ensinou a sermos muito correctos com os clientes. O meu pai criou a empresa e depois nós criamos outra em 1994. Entretanto, criamos mais três empresas com actividade similar, mas todas pertencem a casa mãe - a Artur Ramos & Filhos”.
 
Francisco Ramos tentou sempre evoluir pessoal e profissionalmente na empresa da família e a prova é que hoje a empresa está a trabalhar em mercados externos, como Alemanha, Espanha e França. Afirma com convicção que sempre lutou pela vida, porque desde cedo sonhava poder ter bons carros, uma boa empresa e viver com algum conforto, objectivos que tem conseguido alcançar, sempre com trabalho, dignidade e respeito pelos outros. Tudo o que é iniciativas em Vila Verde conta o apoio de Francisco Ramos e, inclusive, presta um apoio mais personalizado a pessoas com deficiência. Para si, ser português, significa ter orgulho e valor. Sempre cheio de força e vontade, Francisco Ramos encoraja os portugueses: “lutem, andem para a frente e nunca parem”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Francisco Arvana

 

Foi em Estremoz que Francisco Arvana nasceu e também onde cresceu, formou família e se estabeleceu profissionalmente. Recorda que começou a trabalhar muito novo, ajudando os avós e com 12 anos já trabalhava no talho dos seus pais. O sector da carne esteve presente desde sempre na sua vida e viria a tornar-se sua actividade profissional. Com 14 anos começou a trabalhar por conta de outrem, mas sempre no mesmo ramo, a venda de carne. “Considerava-me cortador de carnes ao balcão. Aos 21 anos casei-me e aos 22 achei que tinha de fazer algo porque aquilo que eu ganhava era quase só para pagar a renda de casa. O meu vencimento era cerca de 8500 escudos, e eu pagava 5850 de renda de casa”.
 
Foi trabalhando por si próprio e ao fim de ano e meio “já matava 25 animais por semana, e ao fim de três anos achámos que devíamos mudar o negócio visto que tínhamos entrado na comunidade europeia”. Foi assim que Francisco Arvana criou a Salsicharia Estremocense, na década de 80, e conseguiu cumprir um sonho que tinha desde criança: ter comércio e vender com facilidade. “A minha ideia era que fosse algo de maneios fáceis e que satisfizesse as pessoas, e isso eu consegui. Digo que consegui satisfazer a minha curiosidade e a minha exigência comigo mesmo”. Revelador de um espírito tranquilo, Francisco Arvana assume que para estar bem na vida, só precisa de estar bem com os outros. “A honestidade e não querer para os outros aquilo que não queremos para nós são valores essenciais. É algo que conduz a nossa vida em tudo”. Para além de ter um orgulho em ser português, e de representar o sabor de Portugal com os seus produtos além-fronteiras, Francisco Arvana pretende evoluir ao longo da sua vida, deixando algo melhor para os seus filhos.