22 May, 2019 Última Actualização 6:31 PM, 22 May, 2019

Nomeado Portugueses de Valor 2019: João Pinheiro

 

A ilha do Faial, nos Açores, viu nascer João Pinheiro, mas tem sido os Estados Unidos da América que têm presenciado a vida empresarial de sucesso deste português. Nasceu em 1942 e esteve nos Açores até aos 17 anos, altura em que se deu a erupção do Vulcão das Capelinhas, facto que o fez mudar de vida. “Na altura, o presidente John F. Kennedy instituiu uma lei especial para as pessoas afetadas pela erupção poderem emigrar para os Estados Unidos. O meu pai decidiu aceitar e viemos para aqui em 1959. A minha primeira lembrança é chegar aos Estados Unidos com a ideia de continuar os estudos, mas por norma os emigrantes não estudavam, iam logo trabalhar. Ao princípio esta ideia custou-me um bocado, mas hoje em dia sou feliz por estar onde estou e por ter duas culturas, a portuguesa e a americana”.
 
Foi no Estado de Massachusetts que João Pinheiro se instalou e construiu o seu percurso de vida, pessoal e profissional. Começou por jogar futebol num clube semi-profissional, facto que lhe foi garantindo fazer alguns amigos e perceber como funcionava a sociedade americana. Algum tempo depois, já casado, juntamente com o seu sogro decidiu abrir uma oficina bate-chapas. Começaram apenas duas pessoas, hoje são 22 colaboradores. “Ganhámos, com muito orgulho, o prémio de melhor oficina de South Coast Massachusetts. Este projecto levou tempo a chegar ao ponto onde estamos hoje, mas conseguimos. Viemos para um país estrangeiro, e chegámos com muitas dificuldades à posição que temos hoje. Tivemos sorte de estar rodeados por pessoas que tinham conhecimentos, e nos ajudaram a dar seguimento a este projecto”.
 
João Pinheiro é também um homem que nunca desiste dos seus sonhos e pensa não ter idade para os alcançar, independente do sonho. Impedido de continuar os estudos em jovem, foi há sensivelmente dez anos que conseguiu tirar um curso superior. “Tirei o curso por orgulho, não me serve de nada, mas eu queria ter este curso para poder realizar o meu sonho. É verdade que há 30 anos não o consegui tirar, mas isso ficou dentro de mim e por força de vontade graduei-me em Nashville”. Por isso mesmo, define-se como um homem com vontade de aprender para chegar cada vez mais longe. “Eu nunca estou satisfeito, mesmo com a idade que eu tenho estou sempre à procura de algo para melhorar e aprender. Nós temos de querer inovar e de aprender”. João Pinheiro continua fortemente envolvido na comunidade portuguesa, tendo sido o fundador do Clube União Faialense e do Azorean Maritime. Foi também fundador de duas associações de bolsas de estudo para ajudar crianças portuguesas nascidas nos Estados Unidos. “Para mim é um orgulho próprio poder ajudar quem necessita, e ajudar alguém a realizar os seus sonhos”.
 
Admite ter um grande orgulho em ser português, açoriano e faialense. “Também tenho muito orgulho de viver nos Estados Unidos, país que me recebeu. Tenho duas culturas, mas nunca vou deixar a cultura portuguesa. Os portugueses que vivem em Portugal às vezes não têm a ideia real do que é ser emigrante, e do que é viver fora do país. Nós que vivemos aqui, sentimos mais do que muitas pessoas que vivem em Portugal. Nós vivemos Portugal, nós gostamos de Portugal e temos saudades de Portugal”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Ramiro Alves

 

Ramiro Alves chegou a França em Dezembro de 1970, tinha apenas 12 anos. Ainda andou anos na escola, mas depressa começou a "fazer alguns trabalhos para ganhar uns trocos". Depois da escola ia fazer alguns trabalhos de limpeza, e não tinha vergonha de dizer. Da infância recorda o momento doloroso de deixar Portugal e a difícil adaptação a França. Mais tarde, acaba por entrar numa empresa de montagens de aparelhos informáticos, em Champagne-sur-Seine. “Acabei por voltar a Paris, e entrei na vida do comércio numa casa pequena de frutas e legumes, em Maisons-Laffitte”.
 
Integrado no sector do comércio, acabou por ir parar ao grupo Monoprix, até conseguir concretizar o sonho da sua vida: ter o seu próprio comércio. “Acho que sonhos, todos nós temos. O que eu queria, era um dia conseguir ter algo na vida. Queria ter uma casa, e isso concretizei graças à minha esposa. Sempre me entendi bem com ela, tivemos uma vida feliz com os nossos filhos. Hoje, o que peço mais é saúde, para poder aproveitar”. Orgulhoso de ser português, e patriota a 100%, Ramiro Alves deixa uma mensagem de persistência a todos os portugueses. “Temos de lutar na vida para conseguir algo. Não há nada sem esforço, isso tenho toda a certeza. Nós, portugueses, somos lutadores, sempre fomos. Digo a todos os portugueses: vamos para a frente e iremos todos longe”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: André Coroa

 

André Coroa nasceu a 23 de Outubro de 1984, na Trofa. Com apenas 18 anos começou a trabalhar na reconhecida empresa Continental, especialista no fabrico de pneus, actividade essa que perdurou nove meses. Depressa se apercebeu que não era esta a sua ambição, não se sentindo preenchido nem realizado profissionalmente. Durante os seis anos que se seguiram trabalhou como comercial, tendo daí retirado bastante aprendizagem e acumulação de experiência. Eis que começa a surgir a vontade de procurar novos caminhos, com França no horizonte. Dada a falta de resposta por parte de empresas de trabalho temporário, que foi consultando, essa ausência de respostas, faz com que decida tomar a iniciativa de se lançar como empresário, ligado aos recursos humanos, no ano de 2010, onde assim a sua vida sofre uma viragem marcante.
 
O passar dos anos ditou que o grupo ganhasse outra dimensão, focado inicialmente na cedência de trabalhadores, foi-se expandido de forma natural, permitindo o lançamento em novas áreas de actividade, fruto das necessidades internas inerentes ao seu gradual crescimento. A garra, seriedade e vontade de vencer dos portugueses são os focos positivos que André revê na nossa comunidade, comprovada na enorme percentagem de colabores de origem portuguesa que fazem parte do seu grupo, mas identifica, porém, que alguma inveja e sede de protagonismo são pontos negativos, presentes, mas, cada vez mais, com tendência a desaparecer, pois a união e aproximação lusófona tem crescido positivamente. Focados nas pessoas e com grande espírito de solidariedade, apoiando sempre diversas instituições, progridem agora com múltiplos intercâmbios entre as duas comunidades com olhos na continuidade de expansão, traduzidas no seu lema “o homem sonha, a obra nasce”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: José Afonso

 

José Afonso chegou a França em 1970, pouco tempo depois de participar na Guerra do Ultramar. Desde então passaram 49 anos. José continua ligado a Portugal e ainda tem uma residência em Macedo de Cavaleiros, na terra onde foi criado, mas o lar já está há muito para lá das fronteiras. Trabalhou sempre como bate-chapas em duas oficinas e hoje apesar de estar aposentado, continua a trabalhar para a comunidade portuguesa em França. É o actual presidente da Associação Franco-Portuguesa de Puteaux e membro assíduo de outros movimentos associativos. Foi parar a França numa viagem de Natal e gostou tanto, que acabou por lá ficar a trabalhar e a viver até hoje. Em Portugal deixou oito irmãos e foi o único membro da família a optar pela emigração, mas não se arrepende da decisão que tomou.
 
Os primeiros anos foram difíceis e José chegou a conciliar dois trabalhos no mesmo dia: “trabalhava até às quatro da tarde numa garagem e depois ia com a minha sogra fazer limpezas para uma escola, mas quando consegui a carta deixei o segundo trabalho”. Desde que chegou a França até se aposentar só conheceu dois patrões diferentes. Hoje, apesar de já estar reformado, continua a passar a maior parte do tempo em França, onde é um membro activo do tecido associativo. Para além de ser há sete anos presidente da Associação Franco-Portuguesa de Puteaux, José Afonso faz parte da comunidade católica portuguesa e da Santa Casa da Misericórdia de Paris: “gosto de fazer o bem. Sou um mãos largas para toda a gente e dou aquilo que eu preciso”, afirma. Faz parte da comunidade católica portuguesa há cerca de 40 anos e já acompanhou várias gerações diferentes: “já conheço a terceira e a quarta geração. Já passaram por mim rapazes e raparigas que hoje já são pais de filhos que estão na catequese”. José Afonso valoriza esse percurso e considera que a catequese “é um trampolim” para os filhos de pais de emigrantes aprenderem a falar bem português.
 
Apesar de estar reformado e de passar férias em Portugal com os netos, José também gosta de regressar ao país onde fez a maior parte da sua vida e já não se imagina sem ele: “não consigo viver sem a comunidade portuguesa, onde me encontro agora. Muitas vezes vou a Portugal e depois começo logo a dar voltas. Vamos lá mas é embora para França porque aqui é que eu fiz a minha vida”, afirma. Prestes a completar 71 anos e um percurso já bastante preenchido, José Afonso deixa ficar uma mensagem de força às novas gerações de emigrantes e diz que estas devem tomar como modelo as gerações dos anos 60 e 70 porque sem trabalho, nada se consegue.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Albino Gonçalves

 

Emigrou para França em 1987. Deve o seu sucesso ao trabalho realizado neste país, onde os portugueses são bem vistos, têm uma boa imagem, principalmente na construção civil. Por isso, o facto de ser português tem influenciado de algum modo a sua vida. Ainda não obteve de Portugal qualquer reconhecimento pelo seu trabalho. Apesar de já ter investido no seu país, acha que neste momento prefere investir onde vive. Considera os portugueses patriotas e corajosos, apontando a inveja como o seu único defeito. Na sua empresa, a maioria dos trabalhadores são portugueses, com a excepção de dois de origem africana (Mali). Sente saudades da sua terra natal e da família. Dirigindo-se aos portugueses, acha que eles deveriam ser mais unidos e não puxar cada um «a brasa à sua sardinha».