18 Apr, 2019 Última Actualização 8:00 AM, 19 Apr, 2019

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Joaquim Gameiro

 

 

Foi na Caranguejeira, Souto de Cima, Leria, que Joaquim Gameiro deu os seus primeiros passos. Da simpática freguesia saltou para a Régua onde realizou o secundário. A partir de 1972, Joaquim Gameiro frequentou a cidade dos estudantes, Coimbra, para se licenciar em Direito.As principais recordações da juventude são de ter realizado o secundário e o contacto com os seus colegas. “Hoje muitos deles são formados em Direito, Engenharia e em Medicina. Eu estive a estudar num Instituto em que cada um de nós enveredou por áreas diferentes”, recorda. Inicialmente Joaquim Gameiro ficou relutante em seguir a área de Direito, uma vez que a área de Economia correspondia aos seus objectivos. “Implicava mais gastos económicos porque o curso durava mais dois anos”, diz. É neste impasse que ganha a sua rampa de lançamento e forma-se em Direito, na Faculdade de Direito de Coimbra.

Para culminar os seus estudos nem tudo foi fácil. O magistrado confessa mesmo que chegou a viajar para a Suíça para trabalhar num hotel. “Era uma forma de arranjar dinheiro para sobreviver na faculdade. Estávamos num período revolucionário e tínhamos que nos sujeitar a estas situações”, refere. Na Suíça trabalhou como ajudante de cozinheiro e foi nesse preciso momento que começou a construir a sua independência. Para além desta experiência, Joaquim ajudou os pais a trabalhar na agricultura e ainda esteve dedicado ao ensino. Antigamente sair do país era visto como fugir à realidade, mas hoje já é visto com outros olhos. “Fui conhecer novos mundos e alargar os horizontes. Viajei muito à boleia”, confessa. Joaquim Gameiro dedicou a sua vida à magistratura tanto no Ministério Público, como Magistrado Judicial.“Hoje, na Europa, já sabem que Portugal é um país independente”, conta. Joaquim Gameiro esteve recentemente na Irlanda e confessa que lá pensavam que Portugal era uma província de Espanha. “Não se envergonhem de ser portugueses e de mostrarem aquilo de que somos feitos”, apela.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Jaime Santos

 

 

Jaime Santos nasceu numa aldeia nos arredores de Leiria. O pai era emigrante em França, mas sair do país nunca foi uma aspiração que tentou passar aos filhos. “O meu pai sempre me transmitiu que era melhor ficar cá, não sair de Portugal. Ele achava que cá era sempre tudo mais fácil porque apanhou muitos percalços”. Jaime olhou bem para o caminho, seguiu os conselhos do pai e procurou desviar-se desses buracos. Depois de ter estudado na telescola, começou a trabalhar com 13 anos como mecânico em Leiria. Primeiro por conta de outrem, mais tarde por conta própria. No dia em que foi chamado para ir à tropa, ainda tentou fugir à regra. Pagou para não ir, mas o dinheiro só serviu para adiar o problema: “Como tive de ir para a tropa na mesma, interrompi tudo. Quando regressei, retomei estas funções e comecei logo a trabalhar por minha conta como mecânico”, recorda. Durante os primeiros anos, estava praticamente sozinho aos comandos da empresa. Mais tarde, decidiu expandir o negócio e dedicou-se à reparação de automóveis e ao comércio.

A AutoMecânica da Confraria foi fundada em 1989, há mais de 28 anos. Pouco tempo depois da abertura, em 1992, a empresa já era apresentada como Agente Renault e, graças à evolução e à qualidade dos serviços prestados, actualmente é considerada Reparador Autorizado da marca. Destaca-se na região de Leiria pela sua liderança no mercado de viaturas usadas e semi-novas, representa também a Dacia, Chatenet, Daihatsu e Ssangyong e tem três stands. Jaime nunca emigrou, mas ainda criou um novo serviço a pensar nos emigrantes. Em 1998, o leiriense fundou a Sarafauto, uma empresa de aluguer de automóveis que serve muitos portugueses que residem no estrangeiro quando vão de férias.“Temos um bom conhecimento com os emigrantes porque os alugueres permitem-nos isso”, explica. A empresa compra “muitos carros no estrangeiro e já é conhecida em alguns países, nomeadamente na Alemanha, na França, em vários países europeus e até no Canadá”.

Jaime Santos continua ao volante de uma empresa sólida, mas actualmente é acompanhado por cerca de 50 funcionários. Tem uma empresa PME Líder, mas ainda ambiciona mais. “Queremos abrir escritórios tanto em Lisboa, como no Porto porque nós neste momento entregamos as viaturas no Aeroporto de Lisboa e Porto, mas tudo sai da sede. Futuramente queremos abrir lá delegações para a logística ficar mais simples”. O empresário apoia “muitos eventos locais como creches, clubes de futebol e associações comunitárias”. Confessa que “a estratégia foi sempre permanecer em Portugal”, mas nunca fecha a porta ao estrangeiro. “Isso não quer dizer que amanhã a empresa não cresça e não possa abrir uma delegação num país qualquer”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Horácio Roda

 

 
Em França desde 1969, pensa que o facto de ser português não tem influenciado a sua vida, que poderia ser melhor ou também pior se tivesse ficado em Portugal, porque tem muitos amigos que ficaram no país e hoje estão bem na vida, mas nem para todos é igual. Quanto ao reconhecimento pelo seu trabalho, acha que tem sido mais reconhecido em França do que em Portugal. Se houvesse uma oportunidade de investimento em Portugal, aproveitaria, apesar das suas filhas pensarem que seria melhor continuar a investir em França.
 
Pensa que ainda existem portugueses patriotas, não tantos como há vinte ou trinta anos. Acha também que os seus compatriotas são honestos, corajosos, que conseguem singrar na vida, e vê na inveja o seu principal defeito. Ao longo dos anos tem participado na vida associativa, especialmente na Santa Casa da Misericórdia, ajudando os mais necessitados. Actualmente na sua empresa, depois de ter tido mais de uma dezena de empregados, apenas trabalham ele e um empregado. Historicamente, admira D. Afonso Henriques, o primeiro Rei de Portugal. Tem saudades dos bons momentos passados em Portugal com a família e os amigos. Muita sorte e sucesso na vida, é o que mais deseja a todos os portugueses.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Rui Gameiro

 

 
Rui Gameiro nasceu na capital portuguesa, mas foi no concelho de Pombal que viveu a sua infância. “Os meus pais são de Pombal, Santiago de Litém. Gosto muito desta terra”, confessa. Foi na zona centro de Portugal que cresceu e, por isso, nutre por este recanto um carinho especial. Entretanto, aos 14 anos, Rui muda-se para Lisboa e a sua vida muda completamente. “Trabalhava de dia e estudava de noite”, diz. Apesar do ritmo intenso, o português sentia-se enraizado nesta sua nova experiência e adaptou-se com facilidade. Poucos anos depois e por vicissitudes da vida, Rui Gameiro vê-se obrigado a mudar de país e muito por influência do irmão. “Na altura não queria sair de Portugal, mas o meu irmão insistiu para eu vir para França porque ele sentia-se sozinho”, afirma. É neste contexto que Rui parte para França e abraça assim um novo desafio.
 
Com a ajuda do pai, o português ingressa na área da restauração e oferece os seus serviços a dois restaurantes, um francês e outro italiano. É sobretudo na base do trabalho, que empregou em solo francês, que em 1981 se aventura numa nova experiência. Em conjunto com um amigo, e ao atingir os 25 anos, decide abrir uma empresa. “A primeira empresa que criamos foi a La Fontaine, a segunda foi a empresa Cristal, que ainda hoje existe”, refere. A experiência de se tornar num empresário ganhou contornos reais e Rui abraçou quase toda a sua vida a desempenhar estas funções. Trabalhar faz parte da identidade do empresário, no entanto, um acontecimento inesperado culminou na merecida reforma. “Infelizmente tive um enfarte e foi aí que parei a minha actividade”, refere. Rui Gameiro é hoje aposentado, no entanto, apenas para a componente profissional. O empresário aproveita a vida de forma apaixonada e não esquece as suas raízes. “Tenho os meus netos em Portugal, quanto mais tempo lá passar mais perto estou deles”, confessa. Com um olhar que traduz a experiência que acumulou ao longo da vida, é com palavras sonantes que o português realça uma verdade inquebrável. “Estamos aqui de passagem e há que aproveitar a vida”, conclui.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Carlos Boiça

 

 
Carlos Pinto Boiça, nascido a 25 de Março de 1948, no concelho de Coimbra, é um dos portugueses em que o factor determinante que o levou aos 17 anos, celebrados no decorrer da viagem, a rumar a França, foi poder libertar-se de um Serviço Militar obrigatório que teria inevitavelmente marcado um trajecto bem diferente daquele que ambicionava construir. Paris foi o seu destino e como tantos outros exemplos da nossa emigração, começou por trabalhar na construção civil. Primeiro com o seu avô e posteriormente com o seu tio, esta dura actividade serviu-lhe de alavanca para alcançar o sucesso, tornando-se um dos pioneiros da restauração portuguesa na capital francesa.
 
Dizem que na vida não há coincidências, pois num dia em que o frio não permitia o exercício da sua árdua actividade, ao abrigar-se da intempérie num restaurante, foi-lhe dito que se de um restaurante procurava, ali bem perto encontraria um disponível para venda. E foi assim que decidiu, junto com a sua mulher, lançar-se nessa aventura da restauração. Após ultrapassadas burocracias para que pudesse obter todas as licenças necessárias para o exercer deste novo desafio, o serviço militar volta-lhe a bater à porta. Desta vez em França, engenhosamente conseguiu libertar-se de novo recrutamento, em apenas dois dias foi passado à reserva pois não havia maneira de seguir as instruções que lhe eram dadas.
 
Decide na década de 80 regressar com a família para o país que o viu nascer e manteve-se ligado à restauração. Mas as diferenças encontradas em Portugal, em termos das complicações burocráticas, tão simples em França, tão complexas em Portugal, aliadas às diferenças salariais, quase o fizeram voltar a França. Numa oportunidade em Albufeira, decide alugar o espaço do restaurante no parque de campismo. Daí a tornar-se o proprietário do parque, foi uma caminhada de luta, de suor e muito sacrifício, mas com resultados brilhantes. Expandiu-se ao ponto de investir no Brasil. A vida dá muitas voltas e saber agarrar as oportunidades que ela nos dá faz com que Carlos Boiça olhe para trás e diga: “faria tudo de novo”.