21 Apr, 2019 Última Actualização 9:32 AM, 20 Apr, 2019

Nomeado Portugueses de Valor 2019: José Luis Rodrigues

 

Emigrou para França depois do 25 de Abril, em Setembro de 1974, porque era natural de uma região desfavorecida, sem condições para singrar na vida. Tenta guardar a entidade portuguesa com a ideia de um dia regressar ao país. Sempre que teve oportunidade investiu em Portugal, mas acha que nunca foi reconhecido pelo trabalho que realizou até hoje. Para si, a maioria dos portugueses são patriotas e nostálgicos do país. Define os portugueses como trabalhadores, que se adaptam facilmente nos países de acolhimento e aponta o dedo ao seu individualismo.

Quanto a obras sociais, sente-se honrado por ter feito parte, durante doze anos, do Conselho Económico do Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Paris. Na sua empresa, tem actualmente doze trabalhadores portugueses, dois dos quais com cerca de trinta anos de casa. Figura histórica tem uma admiração por Fernando Pessoa. Dedica-se a praticar golfe, uma das suas grandes paixões, e gostaria de conhecer todos os campos de golfe, do Minho ao Algarve. Expressa o desejo de que a comunidade portuguesa, nomeadamente em França, continue a evoluir positivamente, que os portugueses sejam mais unidos e que sejam orgulhosos dos êxitos dos compatriotas.

Nomeada Portugueses de Valor 2019: Olivia Carvalho

 

Olivia Carvalho é mais um exemplo de força, oriunda de uma pequena freguesia do concelho de Barcelos, Galelos de Santa Maria, terra desde sempre ligada à olaria, facilmente se descobre as origens do aproveitamento do barro e a razão de existir das mais antigas tradições ligadas ao fabrico do afamado Galo de Barcelos, actividade essa que começou com apenas 14 anos, na pintura destas tão características figuras. Nesta localidade, recheada de jovens, fruto de várias famílias numerosas, era esta a ocupação profissional da grande maioria dos seus habitantes. Mas Olivia Carvalho teve um ano de viragem, e que viragem. Em 1968 com 19 anos, decide casar e seguir com o seu marido rumo a França, sendo que conhecer novos lugares e pessoas faziam parte das suas ambições e esta opção de vida ia de encontro aos seus sonhos.

Esta ida para França, teve como base o seu sogro que já estava integrado há 3 anos neste país, dando a possibilidade ao seu marido de iniciar o seu trabalho na área da construção civil, onde inclusivamente, Olivia pôde participar nas primeiras obras, dando o seu contributo em pinturas, aproveitando a experiência trazida da sua primeira experiência profissional. Lembrando-se hoje de como era difícil a ida e integração em França, hoje dedica-se a ajudar os portugueses que decidem ir para este país. É assim que Olivia se sente feliz e realizada, provando que o espirito de entre-ajuda fortalece os laços da nossa comunidade. Mesmo tendo viajado um pouco por todo o mundo e conhecido muitos locais de grande beleza, é em Portugal que mais gosta de estar e onde se sente segura e certamente que Portugal sentirá que bom filho à casa torna.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: José Roussado

 

José Roussado nasceu em Sintra, em 1954, e assume ter tido uma juventude feliz. Passando pelo teatro e pelo desporto, José Roussado teve a oportunidade de ser treinado pelo Professor Moniz Pereira e por Eduardo Cunha enquanto atleta do Sporting. Assume que a juventude também se marca pelo percurso escolar, e neste ponto José Roussado passou pela Escola Industrial do Cacém e pelo Liceu de Sintra. Ainda jovem, foi durante as férias escolares, nos meses de Junho, Julho, Agosto e Setembro que começou a trabalhar em fábricas da região. Aos 19 anos, quase por acaso, e sem intenção de emigrar, chegou a França, onde se mantém até aos dias de hoje. “Vim para França um ano antes do 25 de Abril, por diversas razões. Contudo, tive a sorte de ter uma mãe destemida, pois conseguiu uma coisa, na altura, que ninguém conseguia: o passaporte para vir para o estrangeiro. Inicialmente vinha para passear, mas acabei por encontrar qualquer coisa e fiquei por aqui. Instalei-me no Paris 20, onde fiquei até 1975”, recorda.

A sua ligação à comunidade portuguesa sempre foi muito forte, tendo sido eleito em 1984, pela primeira vez, Conselheiro das Comunidades Portuguesas. Repetiu a eleição em 1987. Foram vários os momentos associativos de que se recorda. “Em 1985 fui a uma reunião a Estugarda e em 1987 estive presente na reunião mundial, em Albufeira”. José Roussado fez também parte da Associação Portugal de Abril, da qual destaca sobretudo a organização de um grande espetáculo na Mutualité com Carlos do Carmo e Linda de Suza. “Um espectáculo de casa cheia, gente na rua, desesperados por não conseguirem entrar na sala”. Em 1985 fundou, juntamente com Jaime Alves, a ARCOP de Nanterre. A associação organiza anualmente um dos maiores eventos da comunidade portuguesa: a Feira de Nanterre. A proximidade com a comunidade portuguesa permite-lhe ver e analisar a relação da diáspora com o seu país. “Os portugueses que vivem aqui estão próximos, mas ao mesmo tempo distantes do nosso país. Próximas pela convivência com as suas famílias e a sua realidade, mas distantes porque não se interessam por aquilo que se passa e se vive em Portugal. Criam-se mesas de voto em França aquando de eleições em Portugal e não se registam votos. Neste aspecto há uma distância. Ainda assim, nos eventos portugueses aqui em França, há uma grande adesão”. Por isso mesmo, a mensagem de José Roussado é clara. “Gostava que os portugueses se implicassem mais na sociedade onde vivem. Há um trabalho muito grande a fazer para que os portugueses se integrem mais na vida política e cívica em França”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Francisco da Cunha

 

Francisco Barros da Cunha Leal chegou a França em Setembro de 1967, embalado pela situação de instabilidade política dos anos 60 em Portugal. Começou por trabalhar como electricista na área da construção civil e de seguida como técnico de estudos numa empresa de instalações eléctricas. Aí encontrou um futuro sócio com o qual trabalhou durante 10 anos, até à criação da sua própria empresa, a ALPHA TP, em 1983. Hoje em dia, a ALPHA TP, com o estatuto de sociedade cooperativa trabalha no ramo das infra-estruturas: estradas, aterros, saneamento, iluminação pública, redes eléctricas. Francisco diz que não gosta de ser “um trabalhador solitário” e considera-se uma pessoa perseverante naquilo que faz. Admite que tem receio, de uma certa forma, de não vir a ter tempo na sua vida para realizar todos os sonhos que tem.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Marcelino Ribeiro

 

Marcelino Ribeiro nasceu no coração da ilha da Madeira, mais concretamente no Curral das Freiras. Cresceu com os avós, pois os seus pais estavam emigrados em Inglaterra, e é deles que tem as maiores recordações da sua infância. Era de uma família pobre, obrigando-o a trabalhar desde novo. A partir dos 13 anos, ainda enquanto estudava, dedicada os fins-de-semana ao trabalho na construção civil. Com 17 anos abandona a escola e dedica-se em exclusivo ao trabalho. Surgiu-lhe a oportunidade de ir para Lisboa trabalhar num café, estando lá o tempo suficiente para tirar a carta. Não era a área que o fascinava e, por isso, regressou à Madeira e à construção.

Conhece a sua esposa, que tinha nascido na França, mas já estava na Madeira com os pais. Depois de casarem, ainda tentam uma vida em Inglaterra, mas sem sucesso. Com os conhecimentos e a família que a sua esposa ainda tinha deixado em França, é para aí que decidem emigrar. Chegaram a terras gaulesas em 2004, permanecendo até hoje. Em França, Marcelino Ribeiro foi parar à área que melhor conhecia: a construção civil. Ainda teve uma pequena experiência nos camiões, antes de se tornar sócio de uma empresa de construção, entre 2006 e 2008. Em 2009 decide criar a sua própria empresa, a CR9, dedicada à construção e renovação. “Como tenho paixão por camiões e máquinas, em 2015, criei uma empresa de aluguer de maquinas e camiões, a LS9. Eu sou um pouco ambicioso e vim com a ideia de ir o mais longe possível, ou seja, estabilizar e dar o melhor possível à minha família.

Hoje digo que eu não esperava chegar onde cheguei. Sei que sou um pequeno empresário, mas já me sinto feliz com o que concretizei”. É com humildade e sinceridade que Marcelino Ribeiro tem pautado os seus dias e tem conseguido sucesso nos projectos em que se envolve. Sente um enorme orgulho em ser português, mas também em ser madeirense, e deixa uma mensagem a todos os jovens que se querem lançar: “vão em frente, acreditem, mas não mudem quem são”.