26 Jun, 2019 Última Actualização 7:00 AM, 25 Jun, 2019

Nomeado Portugueses de Valor 2019: José Manuel Fernandes

 

José Manuel Fernandes nasceu a 26 de julho de 1967, em Moure - Vila Verde, no distrito de Braga. É licenciado em Engenharia de Sistemas e Informática pela Universidade do Minho, presidiu à Câmara Municipal de Vila de Verde e, actualmente, é eurodeputado. Considera-se um defensor de um mundo aberto, um mundo livre e sem fronteiras, espírito que considera ser dos portugueses. “Desde há muito tempo que se lançaram na conquista do globo e também emigraram muito. Eu estive como presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, agora sou deputado no Parlamento Europeu, e tudo tem sido um acumular de experiências que procuro pôr ao serviço, não só da minha região e do meu país, mas também da União Europeia, que é um projecto em que eu acredito e que acho fundamental para defendermos a nossa diversidade”.


José Manuel Fernandes acredita que os desafios só são vencidos quando encarados em conjunto, com mais partilha e mais solidariedade. “Onde estou, dou o máximo. Enquanto presidente da câmara municipal fiz um trabalho que me deu um prazer enorme, apesar de ser um trabalho que fica limitado aos 50 mil habitantes do concelho de Vila Verde. Aqui, deu-me um prazer enorme ter proposto um programa, inicialmente era um projeto piloto, do primeiro emprego euro para jovens até aos 35 anos. Percebi que demorava mais tempo a decisão, mas que depois atingimos um universo de 50 milhões de cidadãos”. José Manuel Fernandes é o porta-voz do Partido Popular Europeu para as questões orçamentais, fundamentais para Portugal. Dedica muito tempo ao seu território. “Tenho um livro que ofereço aos distritos de Braga e Viana, e outro para os distritos de Vila real e Trás-os-Montes, onde tem informação sobre os territórios, onde faço uma homenagem às forças do território”. Não esquece Portugal e percorre o seu país, dando uma especial atenção ao Norte, pela proximidade. Sente que quando estão fora, sentem mais o país, e acabam por valorizar mais. “Os portugueses são um povo sempre habituado a dar a volta. A palavra desenrascar-se é uma palavra que outros povos não percebem. Nós improvisamos bem”.


O eurodeputado esteve sempre também muito envolvido no meio associativo. “Fui um dos fundadores de uma instituição da minha terra, que é o Centro Social e Paroquial de Moure e fundei também a Associação Juvenil de Moure, onde logo no primeiro ano tivemos muitos jovens a trabalhar e cheios de projectos. A questão da solidariedade é essencial”. A mensagem que deixa aos portugueses, passa pela persistência. “Nesta caminhada da vida, não podemos deixar ninguém para trás. Não desistam, continuem a dar o vosso melhor. Dêem também o vosso melhor em Portugal. Por vezes, os portugueses são melhores quando estão fora de Portugal. Valorizem o país que temos. Levem o nome de Portugal sempre para todos os sítios”.

Nomeada Portugueses de Valor 2019: Fernanda Martins

 

Fernanda Martins tinha seis anos quando partiu de Santa Maria da Feira para Paris. Lembra, com orgulho, o percurso que os pais fizeram e a coragem de ambos quando decidiram emigrar. Apesar das modestas condições em que que a família viveu durante os primeiros anos em França, Fernanda diz, com um sorriso aberto, que teve uma infância feliz. A maior felicidade e as melhores memórias que tem desse período são as férias de verão passadas em Portugal.

Mesmo distante, Fernanda sempre foi ensinada, pelos pais, a dar valor às suas raízes. Em casa só se falava português e a rádio estava sempre sintonizada nas notícias e nas músicas portuguesas. Falar português foi fulcral para o seu percurso profissional. É uma orgulhosa portuguesa. Fernanda já cumpriu um dos seus maiores sonhos, ter uma casa em Portugal. O regresso a terras lusas é um sonho que anseia concretizar. Aos portugueses deixa esta mensagem "temos de deixar esse sentimento de inferioridade de lado, temos de acreditar que tudo é possível".

Nomeada Portugueses de Valor 2019: Tereza Carvalho

 

Tereza Carvalho nasceu numa pequena aldeia chamada Romeu, situada no concelho de Mirandela. Ali viveu com os avós até aos oito anos de idade. Dessa altura, guarda na memória as vivências da aldeia e lembra que foi com a avó materna que aprendeu o que era o Fado. “Foi através da minha avó materna que eu aprendi a amar o Fado”. A sua morte foi o momento que mais marcou a sua juventude. Tereza completou os estudos em Portugal com uma licenciatura em Arte e Design pelo Instituto Politécnico de Bragança. Nunca chegou a exercer a actividade porque o apelo do Fado sempre foi mais forte. “Porque o Fado é efectivamente aquilo que me completa. É o meu carregador”.

Em 2014, mudou-se para França e foi então que se afirmou como fadista. “Foi em França que eu senti a 1000% que o Fado seria o meu caminho”. O percurso não tem sido fácil, mas Tereza orgulha-se de nunca ter baixado os braços e graças a essa coragem e persistência ter conseguido abrir portas. “As portas já se fecharam muitas vezes, mas eu consegui sempre abri-las. É uma luta constante, é uma procura constante, mas eu sei por onde quero ir e sei onde quero chegar”. Acredita que “somos nós que fazemos o nosso futuro. Aquilo que nós desejamos e que queremos, nós conseguimos”. Tereza considera-se uma pessoa solidária. “Não estou ligada a nenhuma associação de solidariedade, no entanto, ajudo quem me pede ajuda, seja a nível monetário, seja apenas apoio, gosto de ajudar.” Aos portugueses a fadista deixa uma mensagem: “nunca desistam dos vossos sonhos, mesmo que os outros digam que não os vão conseguir alcançar”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Aquilino Carreira

 

Espite é uma freguesia de Ourém, na província da Beira Litoral. Aquilino Carreira nasceu nesta simpática freguesia a 11 de Novembro de 1944. “Passei a infância em Espite até fazer a quarta classe. A partir daí comecei a trabalhar com o meu pai numa serração e na madeira, nos pinhais. Trabalhei com ele até aos 18 anos”, afirma. Das recordações que guarda da sua juventude a memória não falha. Confessa que para uma criança começar a trabalhar aos 12 anos não é fácil e não esquece ainda os 3km que percorria no caminho para a escola. “Eu vivia no limite de uma freguesia/concelho/distrito e isso explica esta realidade”, diz. Sendo a escola uma ferramenta indispensável ao desenvolvimento humano, o português viu-se obrigado a deixar os estudos por vicissitudes da vida. “Eu queria continuar a estudar, até o padre foi lá a casa, mas o meu pai não me deixou”, afirma.

Aos 18 anos, precisamente a atingir a maioridade, Aquilino resolve mudar o percurso da sua vida e parte em direcção a França.” O meu primeiro trabalho foi andar a trabalhar com uma máquina em França, andava a transportar cimento”, explica. Para o jovem, na altura, a experiência profissional foi fácil porque tinha adquirido conhecimentos do tempo em que trabalhou com o pai. É no seguimento do seu empreendedorismo que entretanto tira a carta de pesados e envereda pela condução de máquinas, como camiões. Deste tempo, recorda que foi a primeira vez que viu neve na sua vida, quando atravessou Espanha, e ainda recorda que viver com temperaturas a 17º negativos e dormir em estaleiros. “Foi uma experiência muito complicada”, afirma.

Ao contrário dos seus pares, Aquilino Carreira sempre teve o pensamento de regressar a Portugal e por isso nos 18 anos que abraçou a realidade gaulesa sempre trabalhou com o pensamento de se restabelecer no seu país. “Preparei a minha empresa em Portugal nos 18 anos que estive em França. Criei a minha agência, criei empresas de construção e hoje a ACI é um grupo de 15 empresas, em que seis são familiares e as restantes detenho 50%. Todas elas são ligadas ao investimento, construção e alugueres”, explica. Nomeado para Português de Valor, Aquilino Carreira convida todos os portugueses que estão no estrangeiro a vir a Portugal. “É um país de turismo e bom para viver”.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: António José Rodrigues

 

António José Rodrigues é natural de Trancoso, no distrito da Guarda. Actualmente, é administrador da empresa de transportes internacionais Transnate. A empresa foi criada em França, em 1968, pelo pai Jaime Rodrigues. Em 1998, António e a irmã Natália apoiaram a implementação do negócio em Portugal e criaram a sede perto de Trancoso, onde estão as suas origens. Já em 2010, foi levada a cabo a construção de uma nova plataforma em Celorico da Beira, com um total de 300 mil metros quadrados. Apesar de terem apostado em Portugal, em particular no interior do país, António Rodrigues conhece bem os caminhos da emigração à custa do seu trabalho. “Eu até acho que alcancei este sucesso graças a muitas viagens e a muitas pessoas que conheci de maneira diferente e de nacionalidades diferentes”. Só em Celorico da Beira, a plataforma recebe cerca de 700 camiões por mês, mas espera aumentar este valor.

Em 2015, a empresa anunciou um novo investimento, com a aquisição de 50 camiões, o aumento do cais na sua central logística e também a implementação de novos projectos. António Rodrigues não tem medo, admite que gosta de investir em Portugal e são estes passos arrojados que têm permitido criar muitos postos de trabalho no interior do país. “Nós somos procurados muitas vezes para ajudar e criar novos empregos”. Actualmente, a empresa dá trabalho a alguns imigrantes de leste, mas na sua maioria são portugueses. Alguns somam 28 anos de casa, outros 30. São números que vão provando a solidez do negócio e as boas relações com os administradores. Apesar do crescimento em Portugal, a Transnate mantém instalações em França, que recebem mercadorias provenientes de outros países, e tem ainda uma empresa de construção — a Imolinate que também integra o grupo.

António Rodrigues considera que os portugueses são patriotas e está convicto de que a sua nacionalidade tem ajudado aos negócios: “nós somos conhecidos como pessoas sérias, trabalhadoras, honestas e isso tem de alguma forma ajudado o meu trabalho também”. É constante também o apoio do empresário da várias instituições portuguesas. Como exemplo, um ano criou um símbolo, uma espécie de pirilampo mágico, em que por cada transporte que a Transnate efectuasse, um euro revertia a favor de organizações que apoiam os mais carenciados. Com muitas moedas pequenas, António Rodrigues espera fazer uma grande diferença.