22 May, 2019 Última Actualização 6:31 PM, 22 May, 2019

Portugueses de Valor 2018: Nomeada Isabel da Ponte

 

Isabel da Ponte emigrou para França com a família com apenas seis anos. Passou por Bordéus, estudou engenharia e arquitectura em Paris e foi na capital francesa onde iniciou a sua carreira profissional. Primeiro na área da engenharia numa empresa, mais tarde como empresária, lançando-se por conta própria. Durante o seu caminho encontrou vários percalços, mas conseguiu sempre ultrapassar as dificuldades. A mais difícil foi a doença que descobriu no final da década de 90. Desde então, e para além da sua actividade, Isabel está também ligada a uma Associação e apoia crianças que enfrentam o mesmo problema. É uma das nomeadas da edição dos Portugueses de Valor 2018. 

Portugueses de Valor 2018: Nomeado Suzette Fernandes

 

 

 

Suzette Fernandes é natural da Guarda, mas foi viver para França com a família quando ainda era pequena. Hoje ainda recorda "a integração fantástica" e a recepção acolhedora que recebeu na escola francesa. Em Paris estudou, esteve ligado a vários projectos, incluindo uma clínica veterinária, mas em 1999 descobriu que tinha Miofascite Macrofágica, Suzette precisou de tirar o pé do acelerador.  A doença rara está associada ao hidróxido de alumínio utilizado como adjuvante em certas vacinas e caracteriza-se por cansaço crónico, dores musculares e articulares, dificuldades neurocognitivas e afecta sobretudo a memória e a audição.

Apesar do diagnóstico pouco animador, Suzette não desistiu e fundou em 2001 a associação E.3M. no hospital Henri Mondor de Créteil. A organização defende o abandono de vacinas com alumínio em França, começou com cerca de 40 membros e tem actualmente “cerca de 350”. Em 2012, Suzette e vários membros da E.3M. fizeram uma greve de fome na praça da Bolsa, no centro de Paris, tendo conseguido um financiamento de 150 mil euros para a investigação sobre a toxicidade do alumínio na composição das vacinas. Conheça a sua história. 

Portugueses de Valor 2018: Manuel Alves

 

Estávamos nos arredores de Paris, mais precisamente em Orly, à procura da sede da empresa de Manuel Alves. Pelo telefone foi-nos dando algumas indicações e finalmente encontrámo-lo numa rua ao virar da esquina. Manuel regressava das obras e estava ainda com o pensamento preso aos seus afazeres. Despertou com a alvorada, como todos os dias, desde que saiu da sua aldeia com apenas 14 anos e emigrou. Paris vivia uma das semanas mais quentes do ano, com os termómetros a bater acima dos 30°, por isso, Manuel Alves não hesitou e convidou-nos logo para uma bebida. “Ali, no fundo da rua, há um café português. Vamos lá beber uma água fresca”, diz-nos.

Em França reaprendeu a viver, trocou o pulmão da aldeia de Ponte de Lima pelo coração da movimentada capital parisiense, mas apesar de ter ficado a milhares de quilómetros da sua terra natal, conseguiu sempre encontrar um núcleo luso, um lugar capaz de o aproximar de casa, um café onde se pede um Pastel de Nata e uma bica em bom português. O espaço era também uma casa de jogos, uma espécie de mini casino e pelo chão multiplicavam-se os papéis de apostas falhadas dos jogadores. “Eu nunca gostei de jogar nestas coisas. Achei sempre que é um vício complicado, mas algumas pessoas estragam a vida delas nisto”, disse-nos enquanto abria as garrafas de água e enchia os copos. A aposta da sua família em França foi acertada, sem dúvida, mas mais de 40 anos depois mantém-se intacta a vontade de regressar e, em França, Manuel Alves sente que o copo está sempre mais vazio do que cheio. O empresário não esquece as lágrimas que deixou naquela terra batida quando precisou de se despedir da avó e sonha com um regresso desde essa data.

 

Portugueses de Valor 2018: Nomeado Rui da Rocha

 

Rui da Rocha tinha apenas 25 anos quando decidiu criar a sua própria empresa em Paris. O objectivo parecia arrojado, mas o jovem empresário lançou-se à estrada sozinho e ficou literalmente ao volante da companhia ELR - Environnement.

A empresa especializada na recolha, triagem e tratamento de resíduos foi criada em 2004. Quando começou, Rui era o chefe e o único funcionário, o responsável pelo camião, mas também pelas contas da empresa, o pai de uma menina de dois anos, mas também o aventureiro que quis começar um projecto do zero. Em 14 anos muita coisa mudou e o esforço do empresário foi reconhecido pelo Presidente da República através do Prémio Cotec em 2015 e em 2016.

A Lusopress foi conhecer o percurso do jovem luso-descendente.

 

Portugueses de Valor 2018:Joaquim Filipe

Sentado numa secretária, Joaquim Filipe ia fazendo pequenos malabarismos com uma caneta. Sem escrever uma única palavra, deu-nos a conhecer as linhas que contam a sua história. Viajou até à aldeia que o viu nascer e onde apanhava da terra o que comia. Nunca teve fome, nunca lhe faltou nada, mas confessa que tinha ambição de sobra. “Farejando” novas oportunidades e um futuro melhor, foi parar à cidade das luzes em fevereiro de 1963. Encontrou montes de gelo acumulados nas bermas da estrada de França, enfrentou um dos invernos mais rigorosos de sempre, mas nunca congelou, nem baixou os braços.

Joaquim Filipe manteve-se sempre com as mangas arregaçadas, com a mesma postura que ainda traz hoje. Abdicou talvez dos anos da sua juventude é certo, correndo entre pequenos-almoços apressados, horários e trabalhos para cumprir com reverência, mas aguentou sempre a saudade desmedida, capaz de lhe provocar borboletas no fundo da barriga quando o nome da sua aldeia surgia no imaginário. Hoje olha para trás sem arrependimentos, até porque acredita piamente que o esforço compensa. Quando Joaquim Filipe pousou a caneta, nós escrevemos as suas memórias e os malabarismos que a vida pode implicar