18 Apr, 2019 Última Actualização 9:38 AM, 18 Apr, 2019

Nomeada Portugueses de Valor 2019: Fátima Lopes

 

Fátima Lopes nasceu no Funchal e tem levado o nome de Portugal a todos os cantos do mundo. É uma das grandes mulheres portugueses, fazendo jus ao facto de ter nascido a 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher. Ainda hoje continua ligada às suas raízes. “Nasci numa ilha maravilhosa, onde as pessoas são realmente amigas. Nasci com sol, amizade, simpatia. Tenho as melhores recordações de infância e adolescência, vivi lá até aos 23 anos”. A sua primeira experiência profissional foi na área do turismo, tendo sido agende viagens e guia turística durante quatro anos. “Foi fantástico, até dizer: já chega, o meu sonho é a moda”. Veio para Lisboa em 1988 e em 1992 lançou a sua marca. São vários os grandes momentos da sua carreira enquanto estilista, mas Fátima Lopes destacou os mais marcantes: “quando lancei a marca num grande desfile no Convento do Beato em Lisboa, numa altura em que ninguém fazia desfiles. Foi uma lufada de ar fresco nesta cidade. Depois, quando comecei a desfilar em Paris pela primeira vez e festejei agora 20 anos na capita francesa. Fui o primeiro português em Paris. Destaco também o desfile do biquini de diamantes, que marcou a minha carreira e mudou a minha vida completamente, porque levou o nome Fátima Lopes ao mundo e faz parte do guiness no ano 2000, como o biquini mais caro do mundo. Realço ainda o primeiro desfile realizado na Torre Eiffel, fui eu que o fiz e não um francês. Fui condecorada pelo Presidente da República, onde recebi uma Comenda da Ordem do Infante Dom Henrique. Tive também uma homenagem maravilhosa na Madeira, onde fiquei sem palavras”. 

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Daniel Bastos

 

Daniel Bastos nasceu em 1980 em Fafe e é a partir daqui que tem desenvolvido um trabalho notório. Começou desde cedo por sentir uma grande ligação à sua freguesia, Cepães, que fica sensivelmente a quatro quilómetros do centro da cidade de Fafe. “Uma freguesia com alguma ruralidade, mas com também com indústria têxtil”. Daniel assume que teve uma juventude muito marcada pela ligação aos avós maternos, pilares importantes na sua educação e formação.

Estudou em Fafe e, em 1998, ingressou na Universidade de Évora, onde se licenciou em História, via ensino, sendo ainda hoje professor de História no Colégio João Paulo II, em Braga, um colégio de referência no distrito. Tirou, também, um curso de teologia, não por uma questão de vocação, mas para alargar horizontes ao nível cultural. “Quando regressei a Fafe, estive profissionalmente como assessor durante vários anos aqui no Município de Fafe, na área da cultura e educação. Estive também ligado algum tempo ao Museu das Migrações das Comunidades”. Durante esse período, Daniel Bastos fez ainda uma pós-graduação em Ética e Filosofia Política na Universidade Católica, em Braga, onde paralelamente foi consolidando um percurso na área da investigação e na edição de livros, onde tem colaborado, concebido e realizado, sobretudo na história na emigração portuguesa. Daniel é ainda colaborador assíduo com vários orgãos de comunicação da diáspora portuguesa, em diferentes regiões do globo.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: António Joaquim Lopes

 

António Joaquim Lopes nasceu e viveu a sua infância na aldeia de Santa Comba, em Vila Nova de Foz Côa. É de origem de uma família pobre e, por essa razão, foi obrigado a sair da escola com apenas 9 anos de idade para ir guardar as ovelhas no campo. “Ganhava 30 escudos por mês”, conta. As possibilidades na aldeia eram poucas e os mais velhos tinham de trabalhar para ajudar a criar os mais novos, sendo o caso de António Joaquim Lopes. Só saiu da aldeia para cumprir o serviço militar em Angola, estando na guerra durante 27 meses. Ao regressar à terra, decide emigrar para França em busca de uma vida melhor. Aprendeu e trabalhava numa profissão que lhe permitiu arranjar umas económicas. “Decidi, por isso, investir num restaurante na Cruz Quebrada, em Lisboa”. Juntamente com a esposa, também de Santa Comba, tiveram de abandonar França e tinham no restaurante uma hipótese de uma nova vida. Sem perceber nada de restauração, António Joaquim Lopes viu-se abraçava uma nova vida com o seu restaurante na Cruz Quebrada. “Tive a felicidade de o restaurante ser perto da Universidade de Educação Física, a única que existia no país e o único centro de estágio que havia na altura. Não percebia nada de restauração, mas adaptei-me, fui vendo como é que os profissionais faziam e venci. Tive noites sem ir à cama, mas consegui vencer”. Começou na restauração em 1974, estando nesse restaurante durante 20 anos consecutivos. Posteriormente, adquiriu um novo restaurante em Algés, onde aqui concentra toda a sua família a trabalhar há 25 anos.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Miguel Martinho

 

Foi na freguesia de São Bartolomeu dos Galegos, na Lourinhã que nasceu e cresceu Miguel Martinho. Foi criado com os pais, que sempre considerou serem seus amigos. O trabalho, na sua vida, começou desde cedo, tendo de ajudar a família em muitas tarefas. Ainda dos trabalhos que fez em pequeno, recorda com especial atenção um momento com o seu pai que o marcou para o resto da vida. “Estava a vindimar com a minha família, mas perdi a tesoura e o pai ficou chateado. Após a encontrar, coloquei-a no bolso dos calções e o meu pai ao dar-me uma palmada a tesoura espetou-se na minha perna. A partir desse momento, o meu pai nunca mais me bateu”, conta. Miguel Martinho começou a trabalhar nos mercados, vendendo produtos portugueses. Ainda trabalhou para um patrão, nos soalhos, mas o seu futuro viria a ser na restauração. É hoje dono do restaurante Le Trianon, em França. Miguel assume que são os sonhos que fazem viver, mas o que deseja, acima de tudo, é a a sua família seja feliz. Conviver e ser amigos de todos tem sido a base da sua vida. Apesar de morar em França, é de Portugal que continua a gostar e do qual sente orgulho pertencer.

Nomeado Portugueses de Valor 2019: Luis Silvério

 

Luís Silvério é uma verdadeira referência em Portugal na revenda de pescado fresco e congelado. O talento para esta arte passou de geração em geração e foi transmitido como uma herança da família. O avô já negociava peixe e o pai também fazia uma pequena distribuição na aldeia, mas os tempos eram diferentes e as dificuldades bem maiores. “Naquela altura a distribuição era feita com carroças e com burros. No tempo da escola, o meu pai punha-me em cima de um burro para ir fazer vendas de peixe às aldeias juntamente com os funcionários que ele tinha”, recorda. Luís não esconde a admiração que sente pelo pai e diz que ele foi uma das pessoas que mais o inspirou. “O meu pai não sabia ler nem escrever, mas vendia peixe pelas aldeias e tinha o seu livro de fiados onde apontava todos os fiados que fazia às pessoas através da numeração”. O empresário estudou em Torres Vedras na Escola Industrial, mas depressa trocou os livros pelo trabalho e arregaçou as mangas para se juntar ao irmão mais velho. “O meu irmão lançou-se por conta própria e começou a comprar peixe em Peniche e a levá-lo para a Ribeira Nova em Lisboa. Eu ainda andava na escola, mas disse que não queria estudar mais, fui ter com ele e aos 15 anos fui para a Universidade da Vida que era a Universidade da Ribeira em Lisboa”, diz-nos.


A Universidade da vida até pode ter sido exigente, mas hoje reconhece que o preparou da melhor forma. “Havia lá um senhor em Lisboa que tinha um armazém onde é hoje a Portugália. Eles escreviam umas letras muito mal feitas, mas eu tinha que ir para a porta do armazém conferir o peixe e tinha que perceber a letra que eles escreviam. Depois comecei a crescer e com apenas 21 anos já era empresário”, recorda. A empresa Luís Silvério & Filhos foi fundada em 1987.