23 Feb, 2019 Última Actualização 6:32 PM, 22 Feb, 2019

Nomeada Portugueses de Valor 2019: Carla Fernandes

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Carla Fernandes nasceu em 1981, na pequena aldeia de Cabanas, pertencente ao concelho de Macedo de Cavaleiros, em Bragança. É do sentimento de liberdade que mais sente saudade quando recorda a sua infância. Esteve até aos nove anos em Portugal, período que ía a pé para a escola com um grupo de amigos, brincavam e iam para os lameiros com as vacas. Eram donos de si mesmos, não davam pelas horas passar e tinham de ser os pais, por vezes, a chamar de volta a casa. Outro período da sua infância foi já passado em território francês, tendo vivido uma transformação drástica. De um total sentimento de liberdade, Carla Fernandes passou a viver num apartamento e teve dificuldades iniciais de integrar a cultura e a língua francesa. Apesar das dificuldades, nunca baixou os braços e desde cedo que sabia aquilo que queria para a sua vida: ser advogada.
 
O esforço dos seus pais foi notório para lhe pagarem os estudos, mas Carla Fernandes nunca desiludiu. Formou-se em Direito, com uma especialização em Direito franco-português. “Orientei os meus estudos de tal maneira a poder fazer isso. Estudei em Dijon durante dois anos, fui para Nancy fazer um magistério para me especializar nos direitos europeus e fiz um ano na Universidade Católica de Lisboa, onde tirei uma pós-graduação em Direito Comercial. Quando comecei a exercer como advogada cá, e desde o início, me especializei nas relações franco-portuguesas, ou seja, represento portugueses emigrantes cá em França que estão com contenciosos ou necessitam de conselhos, ou também em Portugal. Ajudo tudo o que é empresas portuguesas que querem desenvolver no mercado francês e agora tudo o que tem a ver com o estatuto de residente não habitual, que é uma clientela mais francesa que está interessado em instalar-se em Portugal”. Carla Fernandes é hoje sócia de um escritório de advogados, juntamente com outros cinco sócios, que tem a característica de ser atípico em relação a outros escritórios franceses. “Temos todos origens diferentes, daí a nossa força, a nossa cultura, abertura de espirito também, e trabalhamos em várias línguas, seja iraniano, alemão, inglês, português, espanhol, temos uma abertura internacional”.
 
Ser advogada e conseguir desenvolver a sua carreira profissional eram os sonhos que Carla Fernandes estabeleceu para a sua vida e que já os conseguiu alcançar, mas acrescenta outro: “ter uma família e ser feliz, é o mais importante. Ter uma família que nos pode apoiar nos nossos projectos pessoais e profissionais”. A família representa exactamente um valor essencial para a sua vida, onde se juntam ainda a honestidade e a humildade.
 
Apesar de ter emigrado com apenas nove anos para França, Carla Fernandes não esquece Portugal, assumindo que para si, ser portuguesa, é promover Portugal e fazer publicidade ao seu país. Considera-se patriota e deu mesmo um exemplo disso. “Quando fui para Lisboa fazer os meus estudos, apresentei-me a um concurso, um diploma em Direito com muito valor, e fui recebida pelo director que me disse que não aceitava a minha candidatura porque Portugal não representava nada. Se queria desenvolver a minha carreira tinha de ter feito outra escolha, como a Escola de Comércio, ir para Inglaterra ou Alemanha. Quando fiz a escolha de ir para Portugal sabia que havia um risco de não integrar aquele diploma, que representava muito naquela altura para mim. Apesar disso fui, consegui o diploma, fiquei em 1º lugar no curso e agora aquela pessoa já me contactou várias vezes para que vá dar aulas sobre o direito português, porque é a grande moda. É uma maneira indirecta de ser patriota, na altura defendi Portugal e agora tive a oportunidade de mostrar que não me enganei no meu percurso”. Defendendo sempre a imagem de Portugal, Carla Fernandes deixa ainda uma mensagem pessoal: “Temos de continuar a promover Portugal, a cultura de Portugal, a nossa língua. A nível pessoal, há muita publicidade para Lisboa, Porto e Algarve, mas eu gostaria de promover Trás-os-Montes e o seu turismo rural, que deve ser conhecido, em particular o de Bragança”.